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11 de agosto de 2015

Credo de Nicéia.

Credo sobre Jesus Cristo

E (cremos) em um Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado como o Unigênito do Pai, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial com o Pai.

4 de agosto de 2015

Ambrósio e o imperador Teodósio.


"Detém-te! Um homem como tu... com as mãos banhadas em sangue de injustiça, é indigno...de entrar nesse recinto sagrado." Quadro de P.P. Rubens. Galeria Imperial de Munique.

A relação das profecias do Antigo com o Novo Testamento.



            As profecias do Antigo Testamento é um assunto que encontramos interpretações diversas a seu respeito. Alguns afirmam que o alegado poder profético do Antigo Testamento existe somente na cabeça dos intérpretes. Por outro lado, há quem tenha exagerado o elemento profético do Antigo Testamento, encontrando Cristo e o cristianismo em todas as suas páginas, em todo tipo de pronunciamento, em todos os salmos, etc. Alguns intérpretes negam a idéia de que o judaísmo precisava ter cumprimento no cristianismo, como se fosse um torso que precisasse de uma cabeça. Norman Champlin argumenta relata que:

Baumgarte e Bultmann mantinham que o Antigo Testamento não é diretamente relevante para o cristão, embora por analogia, haja relevância para ele. As promessas do Senhor a Israel teriam um papel nas promessas de Deus à igreja. Judeus e Cristãos contam com o mesmo Deus prometedor, pelo que estão unidos de certa forma. De acordo com Baumgartel, as promessas feitas somente a Israel, não podendo ser aplicada a nós. Contudo, temos a ver com o mesmo Deus que fizera aquelas promessas a Israel. (CHAMPLIN: 2004, p. 377).


            Apesar de existir um grande debate entre as escolas críticas e fundamentalistas, e entre especialistas do Antigo Testamento (que afirmam que o Antigo Testamento deve ser interpretado como se o Novo Testamento não existisse) e os especialistas do Novo Testamento (que afirmam que o Antigo Testamento é apenas um relato histórico de Israel na sua época de “pré-fé”) e ainda dos judeus que afirmam que o Antigo Testamento foi um legado do judaísmo assimilado pelos cristãos. Fato é que as profecias do Antigo Testamento guardam uma relação íntima com o Novo Testamento que em boa medida mostra que ocorreu o seu cumprimento. Antonius H. Gunneweg afirma que “sem Cristo, vale a letra que mata; agora, porém, vale o Espírito que vivifica (2 Co 3.6; Rm 2.29; 7.6), e aí ‘letra’ não significa apenas a petrificação no aspecto formal e em fórmulas, mas o poder mortífero que a lei revela sem Cristo” (GUNNEWEG: 2003, p. 23).

7 de julho de 2015

Alegremo-nos quando falam mal de nós.

João Calvino

Agora, consideremos as palavras finais de nosso Senhor: "regozijai-vos quando os homens falarem mal de vós". Ele não quer dizer todos os homens em todos os lugares, mas a humanidade em geral. Nós vemos isso em São Paulo, que escreve que se ele tivesse de servir e agradar aos homens, ele deveria renunciar a Deus. Pois em sua natureza carnal os homens querem apenas ser elogiados e entretidos. ganhar o louvor mundano das pessoas é fechar os olhos para seus defeitos, agir como seus defensores e advogados, ocultar seus erros e chamar o mal de bem. É isso que acontece quando procuramos a aprovação dos homens: corrompemos a verdade de Deus e impiamente a pervertemos e, no processo, paramos de servir nosso Mestre.


CALVINO, João. Beatitudes - As bem-aventuranças. P. 94. São Paulo: Fonte Editorial, 2008.

22 de junho de 2015

Jejum, uma prática a ser resgatada.

Hernandes Dias Lopes

O jejum é uma prática milenar, porém em desuso na igreja cristã contemporânea. Está presente tanto no Antigo como no Novo Testamento. Os profetas, os apóstolos, Jesus e muitos homens de Deus, ao longo da história, experimentaram os benefícios espirituais do jejum. Os santos de Deus em todos os tempos não somente creram no jejum, como também o praticaram. Hoje, porém, são poucos os crentes que jejuam com regularidade e ainda há muitas dúvidas acerca da sua necessidade e de seu funcionamento. Destacaremos três pontos para nosso ensino:

Em primeiro lugar, o significado do jejum. O que é jejum? É a abstenção de alimento por um período definido para um propósito definido. O jejum não é apenas abstinência de alimento. Jejum é fome de Deus, saudade do céu. Nós comemos e bebemos para a glória de Deus e também jejuamos para a glória de Deus (1Co 10.31). Se comemos para a glória de Deus e jejuamos para a glória de Deus, qual é a diferença entre comer e jejuar? John Piper diz que, quando jejuamos nos alimentamos do pão da terra, símbolo do Pão do céu; mas quando jejuamos, não nos alimentamos do símbolo, mas da própria essência, ou seja, nos alimentamos do próprio Pão do céu. Jejuar é amar a realidade acima do emblema. O alimento é bom, mas Deus é melhor. A comunhão com Deus deve ser a nossa mais urgente e apetitosa refeição. Nós glorificamos a Deus quando o preferimos acima dos seus dons.

Em segundo lugar, os obstáculos para a prática do jejum. Há muitos obstáculos que nos afastam do caminho do jejum. O maior obstáculo para o jejum, porém, não são as coisas más, mas as coisas boas. Nem sempre nos afastamos de Deus por coisas pecaminosas em si mesmas. Os mais mortíferos apetites não são pelos venenos do mal, mas pelos prazeres da terra, os deleites da vida (Lc 8.14; Mc 4.19). “Os prazeres desta vida” e “os desejos por outras coisas” não são um mal em si mesmos. Não são vícios; são dons de Deus. No entanto, esses dons podem tornar-se substitutos mortíferos do próprio Deus em nossa vida. Jesus disse que antes de sua volta as pessoas estarão vivendo desatentas como a geração que pereceu no dilúvio. E o que elas estavam fazendo? Comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento (Mt 24.37-39). Que mal há em comer e beber, casar e dar-se em casamento? Nenhum! Mas, quando nos deleitamos nas coisas boas e substituímos Deus pelas dádivas de Deus estamos em grande perigo. O jejum não é fome de coisas boas; o jejum é fome de Deus. O jejum não é fome das coisas que Deus dá; o jejum é fome do Deus doador. Nossa geração corre sôfrega atrás das bênçãos de Deus em vez de buscar o Deus das bênçãos. Deus é melhor do que suas dádivas. O abençoador é melhor do que sua bênção. Jejum é fome de Deus e não das dádivas de Deus!

Em terceiro lugar, o propósito do jejum. O jejum não é uma promoção pessoal nem uma trombeta a alardear nossa espiritualidade diante dos homens. O jejum não é meritório. Jejuamos para nos deleitarmos em Deus. Jejuamos porque temos saudade de Deus e não podemos viver vitoriosamente sem ele. O propósito do jejum não é obter o favor de Deus ou mudar a sua vontade (Is 58.1-12). Tampouco impressionar os outros com uma espiritualidade farisaica (Mt 6.16-18). Jejuar para ser admirado pelos homens é ter uma motivação errada. Jejum é fome do próprio Deus e não busca por aplausos humanos (Lc 18.12). O jejum é para nos humilharmos diante de Deus (Dn 10.1-12), para suplicarmos a sua ajuda (2Cr 20.3; Ed 4.16) e para voltarmo-nos para Deus com todo o nosso coração (Jl 2.12,13). O jejum é para reconhecermos a nossa total dependência divina (Ed 8.21-23). O jejum é um instrumento para fortalecer-nos com poder divino, em face dos ataques do inferno (Mc 9.28,29). É tempo da igreja jejuar! É tempo da igreja voltar-se para Deus de todo o seu coração, com jejuns e com pranto (Jl 2.12). É tempo de buscarmos um reavivamento verdadeiro, que traga fome de Deus em nossas entranhas e traga um profundo anseio pela presença manifesta de Deus em nossa igreja, em nossa cidade, em nossa nação!

17 de junho de 2015

O perigo da igreja misturar-se com o mundo.

Hernandes Dias Lopes
INTRODUÇÃO
1. A carta à igreja de Pérgamo é um brado de Jesus a igreja hoje. Essa carta é endereçada a você, a mim, a nós. Não pregarei esse sermão diante de vocês, mas a vocês. Examinaremos não apenas um texto antigo, mas sondaremos o nosso próprio coração à luz dessa verdade eterna.
2. O perigo que estava assaltando a igreja de Pérgamo era a linha divisória entre verdade e heresia. Como a igreja pode permanecer na verdade sem se misturar com as heresias e com o mundanismo? Como uma igreja que é capaz de enfrentar o martírio permanecer fiel diante da tática da sedução?
3. A palavra “pérgamo” significa casado”. A igreja precisa lembrar-se que ela está comprometida com Cristo, é a noiva de Cristo e precisa se apresentar a igreja como uma espoa santa, pura e incontamida. No Livro de Apocalipse o sistema do mundo que está entrando dentro da igreja é definido como a grande Babilônia, a mãe das meretrizes, enquanto a igreja é definida como a noiva de Cristo.
4. O ponto central dessa carta é alertar a igreja sobre o risco da perigosa mistura do povo de Deus com o engano doutrinário e com a imoralidade do mundo.
I. CRISTO FAZ UM DIAGNÓSTICO DA IGREJA E REVELA OS SEUS SINTOMAS
1. Cristo vê uma igreja instalada no meio do acampamento de Satanás – v. 13
A. Pérgamo, uma cidade com um passado glorioso
• Historicamente era a mais importante cidade da Ásia. Segundo Plínio “era a mais famosa cidade da Ásia”.
• Começou a destacar-se depois da morte de Alexandre, o grande em 333 a.C. Foi capital da Ásia quase 400 anos. Foi capital do reino Selêucida até 133 a.C.
• Átalo III, rei selêucida, o último de Pérgamo, passou o reino a Roma em seu testamento e Pérgamo tornou-se a capital da província romana da Ásica.

B. Pérgamo, um importante centro cultural
• Como centro cultural sobrepujava Éfeso e Esmirna. Era famosa por sua biblioteca que continha 200.000 pergaminhos. Era a segunda maior biblioteca do mundo, só superada pela de Alexandria.
• Pergaminho deriva-se de Pérgamo. O papiro do Egito era o material usado para escrever. No século III a. C. EUMENES, rei de Pérgamo resolveu transformar a biblioteca de Pérgamo na maior do mundo. Convenceu a Aristófanes de Bizâncio, bibliotecário de Alexandria a vir para Pérgamo. Ptolomeu, rei do Egito, revoltado, embargou o envio de papiro para Pérgamo. Então, inventaram o pergaminho, de couro alisado, que veio superar o papiro. Pérgamo gloriava-se de seus conhecimentos e cultura.

C. Pérgamo, um destacado centro do paganismo religioso
1. Em Pérgamo ficava um grande panteão
• Havia altares para vários deuses em Pérgamo. No topo da Acrópole, ficava o famoso templo dedicado a Zeus, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Todos os dias se levantava a fumaça dos sacrifícios prestados a Zeus.

2. Em Pérgamo havia o culto a Esculápio
• Esculápio era o “deus salvador”, o deus serpente das curas. Seu colégio de sacerdotes médicos era famoso. Naquela época mantinha 200 santuários no mundo inteiro. A sede era em Pérgamo. Ali estava a sede de uma famosa escola de medicina. Para ali peregrinavam e convergiam pessoas doentes do mundo inteiro em busca de saúde. A crendice misturava-se com a ciência.
• Galeno, médico só superado por Hipócrates, era de Pérgamo.
• As curas, muitas vezes, eram atribuídas ao poder do deus serpente Esculápio. Esse deus serpente tinham o título famoso de Salvador. A antiga serpente assassina, apresenta-se agora como sedutora.

3. Em Pérgamo estava o centro asiático do culto ao Imperador
• O culto ao imperador era o elemento unificador para a diversidade cultural e política do império. No ano 29 a.C. foi construído em Pérgamo o primeiro templo a um imperador vivo, o imperador Augusto. O anticristo era mais evidente em Pérgamo do que o próprio Cristo.
• Desde 195 a.C., havia templos à deusa Roma em Esmirna. O imperador encarnava o espírito da deusa Roma. Por isso, se divinizou a pessoa do imperador e começou a se levantar templos ao imperador.
• Uma vez por ano, os súditos diviam ir ao templo de César e queimar incenso dizendo: “César é o Senhor”. Depois, podiam ter qualquer outra religião. Havia até um panteão para todos os deuses. Isso era símbolo de lealdade a Roma, uma cidade eclética, de espírito aberto, onde a liberdade religiosa reinava desde que observassem esse detalhe do culto ao imperador.

4. Em Pérgamo estava o trono de Satanás
• Naquela cidade estava o trono de Satanás. Ele não apenas habitava na cidade, mas lá estava o seu trono. O trono de Satanás não estava num edifício, como hoje sugerem os defensores do movimento de Batalha Espiritual, mas no sistema da cidade. 
• O trono de Satanás é marcado pela pressão e pela sedução. Onde Satanás reina predomina a cegueira espiritual, floresce o misticismo, propaga-se o paganismo, a mentira religiosa bem como a perseguição e a sedução ao povo de Deus.
• Em Pérgamo estava um panteão onde vários deuses eram adorados. Isso atentava contra o Deus criador. Em Pérgamo as pessoas buscavam a cura através do poder da serpente. Isso atentava contra o Espírito Santo, de onde emana todo o poder. Em Pérgamo estava o culto ao Imperador, onde as pessoas queimavam incenso e o adoravam como Senhor. E isso conspirava contra o Senhor Jesus, o Rei dos reis e Senhor dos senhores.
• Cristo não apenas conhece as obras da igreja e suas tribulações. Mas também conhece a tentação que assedia a igreja, conhece o ambiente que ela vive. Cristo sabe que a igreja está rodeada por uma sociedade não-cristã, com valores mundanos, com heresias nos bombardeando a todo instante.

2. Cristo vê uma igreja capaz de enfrentar até a morte por causa do nome de Jesus – v. 13
• Cristo conhece também a lealdade que a igreja lhe dedica. A despeito do poder do culto pagão a Zeus, a Esculápio e ao imperador, os crentes da igreja de Pérgamo só professavam o nome de Jesus. Eles tinham mantido suas próprias convicções teológicas no meio dessa babel religiosa. A perseguição religiosa não os intimidou.
• A igreja suportou provas extremas. Antipas, pastor de Pérgamo, segundo Tertuliano, foi colocado dentro de um boi de bronze e este foi levado ao fogo até ficar vermelho, morrendo o servo de Deus sufocado e queimado. Ele resistiu a apostasia até a morte.

3. Cristo vê uma igreja que começa a negociar a verdade – v. 14
• Como Satanás não logrou êxito contra a igreja usando a perseguição, mudou a sua tática, e usou a sedução. A proposta agora não é substituição, mas mistura. Não é apostasia aberta, mas ecumenismo. 
• Alguns membros da igreja começaram a abrir a guarda e a ceder diante da sedução do engano religioso – Na igreja havia crentes que permaneciam fiéis, enquanto outros estavam se desviando da verdade. Numa mesma congregação há aqueles que permanecem firmes e aqueles que caem.

4. Cristo vê uma igreja que começa a ceder às pressões do mundo – v. 14
• Balaque contratou Balaão para amaldiçoar a Israel. Balaão prostituiu os seus dons com o objetivo de ganhar dinheiro. O deus de Balaão era o dinheiro. Mas quando ele abria a boca só consegue abençoar. Então Balaque ficou bravo com ele. Aí por ganância, aconselhou Balaque enfrentar Israel não com um grande exército, mas com pequenas donzelas sedutoras. Aconselhou a mistura. Aconselhou o incitamento ao pecado. Aconselhou a infiltração, uma armadilha. Assim, os homens de Israel participariam de suas festas idólatras e se entregariam à prostituição. E o Deus santo se encheria de ira contra eles e eles se tornariam fracos e vulneráveis.
• O pecado enfraquece a igreja. A igreja só é forte quando é santa. Sempre que a igreja se mistura com o mundo e adota o seu estilo da vida, ela perde o seu poder e sua influência. 
• O grande problema da igreja de Pérgamo é que enquanto uns sustentavam a doutrina de Balaão os demais membros da igreja se calaram num silêncio estranho. A infidelidade aninhou-se dentro da igreja com a adesão de uns, e o conformismo dos outros. A igreja tornou-se infiel.

5. Cristo vê uma igrja que começa a baixar o seu nível moral – v. 15
• Eles ensinavam que a liberdade de Cristo é a liberdade para o pecado. Diziam: Não estamos mais debaixo da tutela da lei. Estamos livres para viver sem freios, sem imposições, sem regras. Esse simulacro da verdade era para transformar a graça em licença para a imoralidade, a liberdade em licenciosidade.
• Os nicolaítas ensinavam que o crente não precisa ser diferente. Quanto mais ele pecar maior será a graça. Quanto mais ele se entregar aos apetites da carne, maior será a oportunidade do perdão. Eles faziam apologia ao pecado. Eles defendiam que os crentes precisam ser iguais aos pagãos. Eles deviam se conformar com o mundo. 
• Cristo odeia a obra dos nicolaítas. Ele odeia o pecado. O que era odiado em Éfeso era tolerado em Pérgamo.

II. CRISTO FAZ UM DIAGNÓSTICO DA IGREJA E IDENTIFICA A FONTE DO PECADO – V. 13
1. A fonte do pecado é diabólico – v. 13
• A igreja de Pérgamo viveu e adorou e testemunhou onde Satanás habita (v. 13b) e onde está o trono de Satanás (v. 13a). Satanás não somente habitou em Pérgamo, ele também a governou. Satanás era a fonte dos pecados aos quais alguns membros da igreja tinham sucumbido. Seus numerosos templos, santuários e altares, seu labirinto de filosofias anticristãs, sua tolerância com a imoralidade dos nicolaístas e balaamitas ostentavam um testemunho em favor do domínio maligno.
• Precisamos apagar da nossa mente a caricatura medieval de Satanás. Despojando-o dos chifres, cascos e do rabo. A Bíblia diz que ele um ser espiritual inteligente, poderoso e inescrupuloso. Jesus o chamou de príncipe deste mundo. Paulo o chamou de príncipe da potestade do ar. Ele tem um trono e um reino e sob seu comando está um exército de espíritos malignos que são identificados nas Escrituras como “os dominadores deste mundo tenebroso” e “forças espirituais do mal nas regiões celestes”.

2. Pérgamo, um lugar sombrio
• Pérgamo era um lugar sombrio. Ela estava mergulhada na confusão mental da heresia. Pois os reino de Satanás é onde as trevas reinam, ele é o dominar deste mundo tenebroso. Ele odeia a luz. Ele mentiroso e enganador. Ele cega o entendimento dos descrentes. Ele instiga os homens a pecar e os induz ao erro.
III. CRISTO DIAGNOSTICA A IGREJA E JULGA OS QUE SE RENDERAM AO PECADO – V. 12,16
1. Jesus exorta os faltosos ao arrependimento – v. 16
• Arrependimento – A igreja precisava expurgar aquele pecado de tolerância com o erro doutrinário e com a libertinagem moral. A igreja precisava arrepender-se do seu desvio doutrinário e do seu desvio de conduta. Verdade e vida precisam ser pautados pela Palavra de Deus. Embora o juízo caia sobre os que se desviaram, a igreja toda é disciplinada e envergonhada por isso.
• A igreja precisa arrepender-se de sua tolerância com o erro – Embora apenas alguns membros da igreja se desviaram, os outros devem se arrepender porque foram tolerantes com o pecado. Enquanto os crentes de Éfeso odiavam as obras dos nicolaítas, os crentes de Pérgamo, toleravam a doutrina e a obra dos nicolaítas. O pecado da igreja de Pérgamo era a tolerância com o erro e com o pecado.

2. Jesus sentencia os impenitentes com o juízo
• Juízo – A falta de arrependimento acarreta em juízo. Jesus virá em juízo condenatório contra todos aqueles que permanecem impenitentes e contra aqueles que se desviam da verdade. Antipas morreu pela espada dos romanos. Mas quem tem a verdadeira espada é Jesus. Ele derrotará os seus inimigos com esta poderosa arma. 
• A espada da sua boca é a sua arma que destrói seus inimigos. Essa é a única arma que Jesus usará na sua segunda vinda. Com ela ele matará o anticristo e também destruirá os rebeldes e apóstatas. 
• A mensagem da verdade se tornará a mensagem do julgamento. Deus nos fará responsáveis por nossa atitude em face da verdade que conhecemos. Jesus que a sua própria palavra é que condenará o ímpio do dia do juízo (Jo 12:47-48). A palavra salvadora torna-se juiz e espada benfazeja, transforma-se em carrasco.

IV. JESUS CRISTO DIAGNOSTICA A IGREJA E PREMIA OS VENCEDORES – V. 17
1. Os vencedores comerão do maná escondido – v. 17
• No deserto Deus mandou o maná (Ex 16:11-15). Quando cessou o maná, um vaso com maná foi guardado na Arca e depois no templo (Ex 16: 33,34; Hb 9:4). Com a destruição do templo, conta uma lenda que Jeremias escondeu o vaso com maná numa fenda do Monte Sinai. Os rabinos diziam que ao vir o Messias o vaso com maná seria recuperado. Receber o maná escondido significa desfrutar das bênçãos da era messiânica. 
• O maná escondido refere-se ao banquete permanente que teremos no céu. Aqueles que rejeitam o luxo das comidas idólatras nesta vida, terão o banquete com as iguarias de Deus no céu. Bengel disse que diante desse manjar o apetite pela carne sacrificada a ídolos deveria desaparecer.
• O maná era o pão de Jeová (Ex 16:15), cereal do céu (Sl 78:24). Era alimento celestial. Os crentes não devem participar dos banquetes pagãos, pois vão participar dos banquetes do céu. Jesus é o pão do céu.

2. Os vencedores receberão uma pedrinha branca
• Era usada nos tribunais para veredito dos jurados – A sentença de absolvição correspondia a uma maioria de pedras brancas e a de condenação a uma maioria de pedras pretas. O cristão é declarado justo, inocente, sem culpa diante do Trono de Deus.
• Era usada como bilhete de entrada em festivais públicos – A pedrinha branca é símbolo da nossa admissão no céu, na festa das bodas do Cordeiro. Quem deixa as festas do mundo, vai ter uma festa verdadeira onde vai rolar alegria para sempre.

3. Os vencedores receberão um novo nome
• O maná escondido é Cristo. O novo nome é Cristo. Vamos nos deliciar com o maná e compreender o novo nome. Esta é a visão beatífica. 
• Aqueles que conhecem em parte conhecerão também plenamente, como são conhecidos. Aqueles que vêem agora como em um espelho, indistintamente, o verão face a face.

15 de junho de 2015

A lei não foi feita para os justos, mas para os injustos.

Martinho Lutero

Porque isso? Porque o justo, por sua própria conta, faz tudo e até mais do que todas as leis exigem, ao passo que os injustos não fazem nada de justo e é por isso que têm necessidade da lei, para instruí-los, para obrigá-los e pressioná-los a agir corretamente. Uma árvore boa não tem necessidade de ensinamentos nem de lei para produzir bons frutos; pelo contrário, é sua própria natureza que faz com que, sem lei nem doutrina, produza os frutos que correspondam ao que ela é. De fato, seria bem tolo, acredito, o homem que, para a macieira, elaborasse um livro cheio de leis e decretos, prescrevendo-lhe de produzir maças e não espinhos. A árvore não faz por sua natureza própria melhor do que o homem lhe pudesse descrever e ordenar por meio de todo tipo de livros? Assim também, com relação ao espírito e à fé, está realmente na natureza dos cristãos agir bem e de modo justo, melhor do que se pudesse lhes ensinar por todo tipo de leis. Não necessitam para si mesmos nem de leis nem de decretos.

LUTERO, Martinho. A liberdade do cristão. São Paulo: Editora Escala, 2008. p. 81.

13 de junho de 2015

Mudanças.

João Calvino

Existem muitos que teimam em não mudar. Pense nos animais selvagens que, quando acorrentados ou presos em uma gaiola de ferro, ficam agressivos como nunca. Nós mantemos ursos, lobos e leões em cativeiro, mas eles permanecem o que eles sempre foram. É assim com os homens também. Apesar de o Senhor Jesus Cristo os manter em curta rédea, mesmo assim eles resfolegam e rilham seus dentes, e seu orgulho aumenta ainda mais. Portanto, Deus, de sua parte, teve de "cair pesado" em cima deles para expelir o veneno que de outra maneira os mataria. Não que eles melhorem como resultado. Eles se tornam ainda piores, reclamando e se enfurecendo, exibindo sua maléfica fúria perante a face de Deus. É assim, eu repito, que ocorre com muitas pessoas. 

CALVINO, João. Beatitudes. p. 38. São Paulo: Fonte Editorial, 2008.

7 de junho de 2015

Considerações sobre milagres e maravilhas.

Os sinais são milagres didáticos, feitos sobre-humanos pelos quais são ensinadas lições aos homens. E os prodígios são aqueles milagres de muitas espécies ao qual nenhum propósito didático é vinculado, atos de misericórdia, feitos poderosos. Champlin

Porque pedir por um sinal é característico dos judeus? (I Co 1.22) Porque essa atitude revela a própria essência natural da impiedade deles, a saber, o esforço na busca de "sua própria justificação". Eles avaliavam a si mesmos por aquilo que eles foram, e estimavam os outros pelo que estes realizavam. E como eles desejavam se justificar a si mesmos diante de Deus através de suas obras, assim, Deus deveria se justificar a si mesmo diante deles através de suas obras. Tal é, no fundo, o pecado do mundo em geral: estimar a si mesmo e a Deus pelos resultados e pelas obras. Bultmann

Mirakel diz respeito à ação mitologizada, objetivada, racionalizada, uma maneira de julgar pertencente a uma visão antiga de mundo. Neste sentido, o milagre é concebido como uma violação das leis da natureza e, por isso mesmo, algo fora da nossa sociedade. Bultmann

Wunder, por sua vez, refere-se à autêntica ação de Deus, um evento que parece, objetiva e universalmente, ser consistente com o conhecimento das leis da natureza. É ao mesmo tempo, um ato de Deus perceptível pela fé e em plena harmonia com a nossa experiência histórica. O wunder visa alcançar a fé genuína em Deus e não uma realização por meio do esforço humano. Na verdade, “fé em Deus e no wunder são, essencialmente, a mesma coisa”. Bultmann


Os milagres operados pelos discípulos era a confirmação divina de que a sua mensagem era genuína. Mas, não produziam fé.

6 de junho de 2015

Considerações sobre as crenças do Islamismo

Doutrinas do Islamismo

As doutrinas do Islamismo centram-se em duas afirmações: “só há um Deus e Maomé é o seu Mensageiro”, e nas palavras de Maomé “não haverá profetas depois de mim”. Maomé reconhecia o Antigo e o Novo Testamento como inspirados por Deus, mas não reconhecia Jesus como o filho de Deus, e sim como um dos maiores profetas.
É interessante ressaltar que a palavra “Alá” não significa o nome pessoal de Deus, mas apenas uma palavra árabe que significa “deus”. A religião islâmica acredita na imortalidade da alma e prega princípios morais; as doutrinas, de modo geral, islâmicas são bastante simples todas elas giram em torno dessas duas afirmações acima citadas e que Alá deseja que os homens sejam bons para com seus semelhantes; clementes para com os devedores; honestos e capazes de perdoar. Também os homens devem abster-se da prática do infanticídio, de comer carne de porco, das bebidas inebriantes e do litígio com sangue. O islamismo reputa como sendo de grande valor a pureza de coração e a prática de boas obras. Essa vida é passageira, mas ninguém deve ser impedido de desfrutá-la. O inferno para alguns é interpretado de forma literal e para outros é apenas uma metáfora. Damião faz mais algumas considerações á respeito das doutrinas islâmicas:

Inúmeras passagens do Alcorão, que constitui as Escrituras muçulmanas dizem: “a piedade não está em voltar o rosto para o nascente ou para o poente, mas é pio aquele que crê em Deus, no juízo final, nos anjos, nas Escrituras e nos profetas; aquele que, por amor a Deus, desembolsa sua fortuna em favor de seus parentes, dos órfãos, dos necessitados, do viandante e do pedinte e para prestar resgate”. Uma outra afirma que o mais alto mérito é: “libertar o cativo, ou alimentar, num dia de fome, o órfão de seu sangue, ou o miserável que jaz no chão”. (DAMIÃO: 2005, p. 319).

Doutrina Escatológica do Islamismo

A doutrina escatológica do Islamismo foi influenciada de várias formas pelo zoroastrismo, pela visão cristã da “porta é estreita e estreito é o caminho”, e pelo calvinismo fatalista (Alá já havia predeterminado as ações humanas):

A história humana terminará com o julgamento final, que será precedido por acontecimentos terríveis, como, por exemplo, a vinda de personagens propícios ou maléficos: O Mahdi, uma espécie de Messias; o Anti-Cristo, falso messias que aparecerá entre o Iraque e a Síria; e o Cristo que matará o Anti-Cristo. Durante o futuro julgamento, o indivíduo seria testado por ter de atravessar uma ponte sobre o inferno. Para os infiéis, essa ponte vai diminuindo de largura até tornar-se fina e afiada como uma navalha. Dependendo do grau de fidelidade e pureza de cada um, ou o indivíduo precipita-se nas torturas do inferno, ou então, passa para uma vida caracterizada pelo prazer e pelos banquetes, em companhia de lindas donzelas, as “huris”. As almas dos incrédulos serão atormentadas no inferno até o dia da ressurreição dos mortos. Então a trombeta soará, e os mortos serão fisicamente ressuscitados, acontecendo então o julgamento de acordo com as obras de cada um, com a resultante caminhada sobre a ponte, ou a merecida festividade dos justos. Só os profetas e os mártires terão acesso direto ao paraíso. Todos os outros se submeterão ao julgamento de Alá. (DAMIÃO: 2005, p. 319-20).

Os Cinco Pilares da fé islâmica

É interessante notar que no sistema cúltico pregado por Maomé não existem sacramentos ou sacerdotes. O que existe é uma regra geral, constituída de cinco pilares, que modelam a fé e o caráter do fiel. Ele deve prestar contas da observância desses pilares á Alá e consigo mesmo. Aquele que observa com maestria todos eles mostra á seus semelhantes que tem um alto grau de disciplina pessoal e social.


  1. Recitar a confissão de fé “chahada”: “não há outro Deus senão Alá, e Maomé é seu profeta”. Essa confissão precisa ter algumas testemunhas. Depois dessa confissão o indivíduo torna-se fiel;
  2. Dizer as preces rituais cinco vezes por dia, nos horários predeterminados, em estado de pureza (com as mãos, pés, braços, e rosto lavados).
  3. O zakat é uma espécie de dízimo que corresponde á 2% de sua renda e bens doados á ação social e/ou ao Estado que emprega esse dinheiro na construção de mesquitas e em diversas obras sociais para o bem da comunidade.
  4. Ramadã. Existe um mês estabelecido por Maomé pela via de sua interpretação do ano lunar em que todos devem se abster de alimentar-se desde o nascer do sol até o pôr do sol. Esse mês é setembro.
  5. Peregrinação. Pelo menos uma vez na vida o fiel deve ir á Meca vestido de branco, assim tornando-se o rico igual ao pobre e o pobre semelhante ao rico.
Referência:
DAMIÃO, Valdemir. História das Religiões. 3ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

28 de maio de 2015

Joio e o Trigo no ministério cristão.

João Calvino

Da mesma maneira Paulo diz que entre os pastores e aqueles chamados a este serviço, haverá muitos lobos famintos prontos para devorar o rebanho. Mesmo ao se dirigir àqueles a quem ele mesmo escolheu e chamou, ele declara: "dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas". Todavia, é dessa maneira que Deus procura testar nossa lealdade e a integridade de nossa fé. Ele deu a Satã liberdade para semear confusão em sua igreja. Ao mesmo tempo, seu objetivo é nos manter humildes e nos levar a orar por libertação de tudo aquilo que nos causaria tropeços ou que levaria o mundo à ruína. Nós logo seríamos levados à indiferença se pensássemos que o mundo vai de bom a melhor pararíamos de valorizar a oração e de buscar a Deus por ajuda. Mas quando, porém, forçados a nos misturar com malfeitores e escarnecedores que causam tanta ofensa entre nós, percebemos a miséria de nossa condição e não podemos evitar de buscar e orar a Deus pelo fim da confissão, pelo exercício de seu controle, para fazer prosperar o trabalho que já começou, para ratificar e continuamente confirmá-lo. 

15 de maio de 2015

Comentário sobre as Bem-aventuranças.

Robert White

As bem-aventuranças não são nada mais do que outra forma de dizer que 'o reino de Deus está aqui', que as promessas de Deus estão prestes a serem cumpridas, que os beneficiários da benção messiânica do final dos tempos podem agora se regozijar, pois o tempo está cumprido. Jesus é simultaneamente o arauto e o agente da bênção messiânica. Todas as bem-aventuranças encontram sua realidade nele. Manso, puro de coração, misericordioso, pacificador, perseguido injustamente, ele encena a sua própria mensagem e, assim, torna-se a própria corporificação de toda justiça. Sua vindicação será a vindicação de todos os que nele creem. As bem-aventuranças nos remetem, não a listas abstratas de virtudes morais, mas à pessoa de Jesus Cristo, cuja imagem os cristãos são conformados mediante o seu Espírito, que neles habita.

12 de maio de 2015

João Calvino e a Pregação.

Robert White

Entre as várias atividades que demandavam a atenção de Calvino durante seu longo ministério em Genebra (1536-2538; 1541-1564), a pregação era a mais pública e, possivelmente, a mais influente. Pública, porque durante muitos anos, duas vezes aos domingos e diariamente em semanas alternadas, o reformador comparecia perante uma congregação de cidadãos, refugiados e visitantes para ensinar, admoestar, apelar aconselhar, advertir e encorajar. Influente, porque, por mais vistais que as Institutas, comentários e tratados tenham sido para a defesa e propagação da doutrina cristã, foi a Palavra pregada e aplicada, do púlpito, que, acima de tudo, moldou a cultura evangélica de Genebra e fez dela o centro nervoso do Protestantismo Reformado.

4 de maio de 2015

Trabalho e contemplação.

Carlos Neri

   Em continuação e aprofundamento dos dados específicos do capitulo anterior em relação ao bem comum como ação mediadora entre “pessoa e sociedade”, Lima Vaz inscreve o ensinamento, hoje clássico, da Mater et Magistra e da Pacem in Terris sobre o bem comum de qualquer sociedade humana a partir da definição em torno da referência ao contexto histórico que tal sociedade se situa e se desenvolve.
O bem comum possui um “conteúdo concreto”, historicamente caracterizado, cujo equacionamento dos dados desse conteúdo exprimem os problemas sociais, e é a partir deste que os problemas recebem uma “formulação exata” e podem ser encaminhados a uma solução adequada.
A relação de trabalho, segundo Lima Vaz está entre os dados que devem ser levados em conta na definição do bem comum de qualquer sociedade, e apresenta-se como “fundamental”, no sentido em que sua realização se dá através do ato humano de “transformação da natureza”, por onde ocorre sua humanização. A relação de trabalho surge como mediadora entre as pessoas que, não sendo puros espíritos devem comunicar-se entre si pela mediação de uma “realidade exterior” à sua imanência espiritual. Ora, tal realidade é a natureza mesma, humanamente significada pelo trabalho. 
Humanizador da natureza e mediador primordial entre os homens que se articula nos fundamentos mesmos da vida social, o trabalho na margem das livres opções (liberdade) e na ambigüidade da comunicação demonstra a sua face mais dramática: é através da submissão da natureza ao seu domínio e aos seus fins que o homem cria “formas históricas” de utilização e opressão do outro. O trabalho, mediador social pode e também é, efetivamente ser uma fonte de alienação.
Devido ao agravante social e humano que advém da conjuntura alienante como um selo inconfundível que marca nossa civilização, Lima Vaz acredita que o problema do trabalho surge como um problema fundamental que deve ser afrontado decididamente pela civilização colocada sob o signo da “socialização” que é necessariamente uma civilização do trabalho.
No contexto dessa análise, João XXIII reflete em uma consciência lúcida e exigente as condições que devem permitir o estabelecimento de uma “correlação direta” entre componentes do “fenômeno da socialização” no contexto de uma civilização do trabalho, e as normas de realização e de “expansão social” da pessoa. Abrangendo, por sua vez, uma razão profunda e uma extraordinária repercussão, mesmo além das fronteiras do mundo católico.
Dentro de tais condições, Lima Vaz vê surgir uma articulação entre trabalho e lazer, ou mais especificamente, entre “trabalho e contemplação” uma relação de intercasualidade.  Entretanto, não é temerário afirmar, diz Lima Vaz, que nesse terreno existe uma extraordinária carência da reflexão cristã, precisamente, na estreiteza da concepção do trabalho aceita, em geral, sem discussão, por filósofos e teólogos e que reflete ainda uma situação “histórico-cultual” marcada por uma nítida depreciação da atividade laboriosa em favor de uma contemplação reservada a tranqüilidade com dignidade dos homens livres.
A civilização do trabalho retirou qualquer possibilidade de vigência histórica ao ideal antigo da vida teórica, por essa razão, importa definir, de acordo com a propositura de Lima Vaz, dentro do contexto desse tema definir uma forma de “contemplação historicamente” significativa na sua relação com a práxis do homem contemporâneo.
Para a reflexão cristã, o problema do trabalho e da contemplação adquire particular atenção e urgência. Com efeito, a essência mesma da mensagem cristã inscreve uma “exigência original de contemplação”. Da mesma forma que a mensagem cristã conseguiu encontrar na civilização da theoria antiga formas culturais que cumpriram um brilhante itinerante histórico, ela deve buscar “novas formas” na civilização moderna da práxis cujo imperativo se lhe apresenta como inevitável e sempre mais urgente.
Para Lima Vaz, Teilhard de Chardin teve um êxito prodigioso no seio cristão ao conceber uma forma de contemplação organicamente articulada com uma das componentes essenciais da práxis do homem contemporâneo, qual seja a pesquisa cientifica.  M. D Chenu observa em 1955 que não existe ainda uma teologia do trabalho, tal tema solicita a atenção de teólogos e pensadores cristãos, cuja elaboração se impõe como uma das tarefas maiores da reflexão teológica contemporânea, e que a Constituição Pastoral Gaudium et spes assume na esfera das preocupações da igreja docente.

1-      A definição de trabalho

Lima Vaz, nessas páginas não pretende abranger o tema em toda a sua amplitude, mas apenas tentará mostrar como a reformulação da definição clássica do trabalho, exigida por um novo “contexto histórico-cultural marcado pelo fenômeno da socialização, permite inserir nas estruturas mesmas desse contexto uma forma autêntica de “contemplação cristã”.
A definição clássica de trabalho geralmente aceita o interpreta como “à produção de bens materiais para fins de utilização ou troca”. Não podendo abranger todas as formas de atividade a que hoje se atribui a qualificação de trabalho, ele foi ampliado para toda e qualquer “prestação de serviço que tenha valor econômico”.
Lima Vaz, no entanto, cita que a doutrina social da igreja interpreta o trabalho como “procedendo imediatamente da pessoa”, devendo ser pensado, portanto, na sua essência, segundo as categorias próprias da esfera do pessoal. As esferas do “útil”, do “permutável” ou do “remunerável” não circunscreve a definição clássica do trabalho. Para Lima Vaz, a definição clássica do trabalho, mesmo que reformulada materialmente na sua extensão, continua irremediavelmente ligada na sua compreensão a um contexto histórico-cultural em que a esfera do pessoal se identificava com a esfera do espiritual.
Somente pode ter lugar na esfera do espiritual a contemplação desinteressada, ficando o trabalho relegado à esfera do útil, do instrumental, do servil, do material, em suma, à qual a pessoa consente em descer, não por um imperativo da sua essência, mas por um acidente da sua condição.
O trabalho, de sorte, precisa ser redefinido. Uma tentativa é feita por Th. Suavet ao conceituar o trabalho como a “atividade humana, tendo por fim produzir, transformar ou comunicar alguma coisa que comporta geralmente um esforço, acarretando uma certa fadiga (muscular ou nervosa)”.  Encontramos nessa conceitualização os elementos “esforço” e “fim” que são necessários a uma nova interpretação do trabalho, Porém Lima Vaz se depara com uma questão: como articulá-los, entretanto, de sorte a que possamos referi-los à essência mesma do trabalho entendido como práxis humana total? Eis o problema inicial.
Os traços que determinam o trabalho como atividade propriamente humana devem ser integrados aos elementos acima citados que integram a definição de trabalho. “esforço” significa emprego de energia e este pode ser considerado a nota genérica, ou mais exatamente comum, na qual conflui toda a forma de trabalho, desde o trabalho como “grandeza física” até o trabalho que a linguagem das Sagradas Escrituras atribui metaforicamente a Deus. O problema está na conjugação entre “esforço” e “fim” que possa configurar o trabalho verdadeiramente no âmbito de sua transcendência sobre a esfera do instrumental e na sua procedência direta a pessoa, segundo a expressão da Gaudium et spes.
A essa altura dessa reflexão, Lima Vaz nos confere a noção de trabalho e sua função mediadora entre os homens como forma de expressão do “bem comum” social e nos instiga a redefini-lo de sorte que o esforço nele empregado possa caracterizar o fim específico de sua atividade transformadora mediante a natureza que possa abrangê-lo no contexto de uma atividade propriamente humana e não somente instrumental.
Sendo mediador, o trabalho estabelece, evidentemente, uma relação entre os termos que a sua mediação deve dialeticamente unir, da parte do homem essa relação tem como fundamento o “trabalho como ato da pessoa”, este é a “esfera própria de manifestação do pessoal” sendo razão e liberdade.
Sobre esse fundamento e relação o trabalho constitui-se, no homem, como um ato voltado para uma esfera exterior à sua imanência de sujeito espiritual; e tal esfera vem a ser, precisamente, o “termo” objetivo da relação do trabalho. Dessa forma, essa esfera é constitutiva do homem como ser-em – situação, ou “Ser” situado num horizonte de mundo.   
A relação do homem com o mundo através do trabalho se torna constitutiva ou primeira, por ela este situa-se no mundo, não como uma coisa submetida aos seus determinismos, mas como um sujeito que luta e se esforça por definir a sua situação –no  - mundo em termos de transcendência sobre o mundo. O que estabelece, entre o homem e o mundo à relação de trabalho é justamente a intenção original de compreendê-lo e transformá-lo para finalizá-lo conforme as exigências e necessidades do sujeito, afirma o Padre Vaz.
O trabalho, portanto, se revela originalmente como a luta do homem para dar à sua situação no mundo uma significação humana. Como razão e liberdade, como pessoa, o homem transcende a natureza e, por isso, a sua relação primordial com ela assume a forma de um afrontamento, de uma conquista, da construção de um sentido humano para a sua presença no mundo: a forma do trabalho.
É no finis operis, ou operação final do objeto que se concentra o elemento “esforço”, com efeito, o homem não cria nada, nem opera sobre qualquer matéria informe, mas submete-se ao real, explora sua “densidade ontológica”, obedece suas leis. O trabalho implica o dom de si mesmo e o sacrifício do trabalhador (da sua capacidade, de seu tempo, das suas forças e, tantas vezes, da sua vida) em prol da perfeição da obra.
Para o Padre Vaz, o afrontamento do mundo pelo homem define constitutivamente toda uma vertente do seu Ser, aquela em que ele se abre para o exterior que se situa e constrói a estatura humana da sua presença do mundo, conferindo assim à realidade que o envolve em uma significação humana. Dessa forma conclui-se que a relação de trabalho não se soma ao seu Ser já acabado, ela constitui um de seus aspectos essenciais: ser-no-mundo é, para o homem, ser-em-trabalho.
A conclusão sobre a finalidade do trabalho, parte então, do pressuposto que a finis operis, ou o final acabado e perfeito da obra com toda soma de esforço e sacrifício que ela exige implica uma “finalidade especificamente humana” que não se sobrepõe acidentalmente à sua natureza de objeto, mas constitui o seu próprio Ser como termo da relação de presença do homem no mundo.
É através do trabalho que o mundo torna-se um mundo –para –o –homem, e toda forma de trabalho, desde o ato da liberdade que não é espontaneidade pura, mas encarnação num dado, ou o ato de inteligência que não é intuição imediata e totalizante, mas esforço de compreensão de um objeto inicialmente enigmático, até o gesto manual que se aplica a vencer a resistência da matéria.
Ora, se a finalidade da obra do trabalho aponta o destino humano que o integra em mundo em processo de humanização, logo, esse destino se construirá e se descobrirá a partir das perspectivas dos fins estatuídos pelo agente, pelo homem que trabalha e dependerá em ultima instância da concepção mesma que elaboramos a partir do homem em sua relação com a natureza. Se partimos do pressuposto que o homem é um Ser- da-natureza, a atividade do trabalho e a humanização dessa natureza será também a naturalização do homem, será um retorno a uma  identidade original com a natureza, da qual o homem se vê separado pela alienação do trabalho.
Ao contrário se o homem transcende a natureza de forma ontológica pela razão e pela liberdade, então a finis operantis, ou o fim dado para e pelo homem não pode mediatizar através da natureza à naturalização do homem, mas sim, a uma mediatização na profundidade em definitivo, entre o homem e o fim que lhe corresponde como pessoa que transcende a natureza, pois esse fim deve situar-se mesmo, na esfera do pessoal na medida que somente a pessoa pode finalizar a pessoa.
Na perspectiva do finis operis, ou fim acabado da obra o trabalho é uma relação de compreensão e transformação do homem com o mundo dos objetos, que é constitutiva da sua situação de ser-no-mundo que Lima Vaz chama de relação objetiva, enquanto pelo aspecto do finis operantis, ou o fim do trabalho em relação ao homem que prolonga-se na direção do outro e refere-se ao universo espiritual das pessoas, torna-se segundo Lima Vaz uma relação intersubjetiva.
Portanto, se o trabalho encontrasse o seu fim último na identidade entre o fim em operação e o fim operado, no retorno à natureza “humanizada” ou na “naturalização” do homem, dificilmente poderia ser concebido como mediador para o encontro do outro, para a invocação e o afrontamento da sua liberdade, para a construção de uma sociedade de homens livres. Nesse caso, o trabalho seria o mediador social apenas enquanto operasse a unanumização dos homens sob a forma de uma natureza que os transcende e os envolve: tal a perspectiva e tal o erro profundo do marxismo.

29 de abril de 2015

A palavra de Deus.

Job. Nascimento

Deus é capaz de mudar realidades por meio de uma palavra. Deus disse "haja luz" e houve luz; Deus disse "levanta-te e anda" e o coxo levantou. A palavra de Deus é assim, além de causar impacto, tem poder de mudar realidades. Creio que, falando espiritualmente, a palavra divina sai do mundo espiritual com uma carga tão grande de poder que quando ela entra no nosso mundo e é pronunciada por alguém, produz seus efeitos. Tal como uma boma nuclear que tem um epicentro e vai se espalhando com o decorrer da explosão, assim é a Palavra transformando e alterando realidades.

Abraço, Nele e em Sua palavra que é viva e eficaz e nos convida a confiar. 

28 de abril de 2015

Razão, teologia e subjetividade no liberalismo teológico.

Carlos Neri

         O racionalismo, herdeiro e devedor do humanismo renascentista anunciou a humanidade um novo modo de pensar e conceituar  a realidade, através da prolongação da tradição clássica do zoon lógikon, dando –lhe um novo conteúdo, “pois nela o esquema mecanicista (ou a primazia do modelo da máquina) se estenderá a explicação da vida e do homem”.(LIMA VAZ: 2006, p. 71). 
 A compreensão humana baseada na “observação e na medida” proporcionou a constituição de “um grupo epistemológico das ciências humanas, no sentido moderno do termo, e quão profunda influência passariam a exercer sobre a idéia do homem em nossa civilização” (LIMA VAZ, 2006. p.81).
         O projeto do racionalismo, cuja experiência e análise se tornam juízes do conceito de verdade e realidade se unifica quando os seus vários aspectos partem para uma concepção do homem, bem como da história humana que se afastam da concepção dominante dos séculos cristãos. Paulo Sérgio do Carmo afirma que na história do homem “houve três grandes mudanças no modo do ser humano se ver”, conforme ele mesmo escreve:

“Desde os tempos remotos, houve três grandes mudanças no modo de o ser humano se ver. Três grandes golpes foram desferidos em nossa vaidade. Antes de Copérnico, pensávamos ser o centro do universo e que os corpos celestes giravam ao redor da terra. Mas o grande astrônomo desfez essa pretensão. Tivemos que admitir que o nosso planeta é um dos muitos que giram em torno do sol e que há outros sistemas solares além do nosso, em mundos incontáveis. Antes de Darwin, o homem achava ser uma espécie única, separado e isolado do mundo animal. Mas o grande biólogo nos fez ver que o nosso organismo é um produto de um processo evolutivo, cujas leis não são diferentes de outras formas de vida animal. Antes de Freud, o homem achava que o que dizia e fazia era produto de sua vontade consciente, somente. Mas o grande psicanalista revelou outra parte de nossa mente funcionando em segredo, e que pode até mesmo controlar nossas vidas (CARMO APUD FREUD, ALÉM DA ALMA, 2007.p. 11).

         Essas descobertas que proporcionaram grandes mudanças na forma do homem ver a realidade e se ver diante dela, alcançou a teologia cristã e procurou transformá-la, reestruturá-la de forma a assimilar os seus pressupostos teóricos. Brunner, nos inícios do século XX reconhece o poder que a renascença e o racionalismo tiveram sobre o pensamento teológico ao afirmar que as descobertas cientificas, o desenvolvimento das ciências históricas e a ciência natural apregoada pela biologia destruíram a concepção medieval de mundo alterando o posicionamento cristão frente as Sagradas Escrituras e a construção Tomista de Deus. Brunner afirma que a ciência moderna é causa da destruição dos fundamentos da teologia cristã.

“...Este movimento intelectual e ordem de vida geral está estritamente relacionado à ciência moderna, que é em parte – e muito mais assim – seu efeito. À primeira vista, de fato, é como a ciência moderna fosse o principal fator na destruição dos fundamentos da teologia revelada e fazendo necessário um restabelecimento da religião em termos de imanência”. (BRUNNER, 2000. p.229). 

         A concepção sobre o que é o cristianismo, para Brunner, estava fundamentada na fé na revelação de Jesus Cristo como filho de Deus, revelação está que foi possível através de sua encarnação na história humana de forma transcendente e milagrosa, ou seja, Jesus Cristo não é produto da história, mas, passou a fazer parte desta no momento que ele se tornou homem.
         Os postulados do racionalismo, por sua vez, procuraram demonstrar de forma racional que a realidade do transcendente está intimamente ligada a razão, sendo está à criadora de um Ser absoluto diante da incapacidade intelectual do homem de abstrair o universo infinito, a tendência de creditar a existência de Deus aos limites da razão, estão configuradas na seguinte frase de Hegel:

“Deus é Deus só enquanto se conhece a si mesmo. Seu conhecimento de si mesmo é sua consciência de si mesmo no homem; é o conhecimento que o homem tem de Deus, que leva também ao conhecimento de si mesmo que o homem tem em Deus”. (MACKINTOSH APUD HEGEL, 2004. P. 113.).

         Para Hegel o “real é o racional e o racional é o real”, portanto, a mera idéia de Deus para ser realidade objetiva deve partir de uma fonte imanente, a razão julga e decide o que é a verdade, tudo o que estiver fora dela não pode ser considerada real e existente. Portanto, essa inflexão radical dos céus para a terra, do divino para a observação metodológica, consiste para Brunner uma dissolução da teologia e sua transformação em filosofia moderna, perdendo o seu caráter espiritual e redentor.                 Ao descartar a possibilidade de um ser divino e pessoal que governa acima de nós, o racionalismo sendo representado pela rápida expansão das ciências, declara guerra aos postulados cristãos e pressiona a teologia a reestruturar a idéia de Deus, partindo, para uma lógica imanente reduzindo, portanto a existência de Deus ao espírito do mundo.
         A relação do Eu Penso, como consciência –de –si com o mundo exterior, parte da perspectiva do individualismo, onde o homem “agente único da razão” pode submetê-la a critica do pensar e a práxis construindo, por sua vez, instrumentos necessários que mediam sua ação no mundo, dessa forma, o homem em sua especificidade é um ser biológico, resultado de um complexo processo evolutivo e livre, cuja ação da razão o proporciona a construção e a reconstrução de toda sua realidade, devido a sua necessidade de sobrevivência.

Para Marx, a especificidade do homem se destaca sobre o fundo das características que ele tem em comum com os animais, seja o homem, seja o animal se definem pelo tipo de relação que os une a natureza, isto é, pela forma como vivem a vida. Ora enquanto o animal é a sua própria vida, o homem cabe produzir a sua. Essa produção da própria vida ira implicar no homem, os predicados especificamente humanos da consciência – de si, da sua intencionalidade e da linguagem, da fabricação e uso de instrumentos e da cooperação com seus semelhantes. (LIMA VAZ, 2006. P.119).

         Ao entendermos a lógica do projeto desenvolvido pelo racionalismo, entendemos que a teologia clássica ou reformada, cujas bases se sustentavam sobre a fé na revelação do filho de Deus, não teria lugar na modernidade se seus postulados não fossem alterados. Sua elaboração do conceito de mundo e de homem deveria ser aprovada pela razão, culminando em uma rápida inflexão do transcendente para o imanente a partir de um referencial filosófico e metafísico.
As criticas de Brunner acerca dessa dissolução da teologia em uma filosofia teísta, comunga com o fundamentalista Charles Rodge, que em sua teologia sistemática e na sua defesa da ortodoxia, demonstra a originalidade da teologia e a não compatibilidade desta com a filosofia moderna e critica a transformação da teologia em ciências da religião.
A fundamentação da critica ao estado da teologia como ciências da religião possui dois critérios: o primeiro é a “diversidade de conceitos quanto ao que significa religião” tornando-a vaga e insatisfatória, em segundo lugar “essa definição faz a teologia inteiramente independente da bíblia”, assumindo o status de “análise da consciência religiosa”. Para Rodge a teologia deve se “restringir á sua esfera real, como a ciência dos fatos da revelação divina até onde os fatos dizem respeito á natureza de Deus e a nossa relação com ele, como suas criaturas, como pecadores e como sujeitos da redenção”. (RODGE, 2001, p. 16).