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19 de dezembro de 2017

Sobre o Dia da Bíblia, "o livro feito em mutirão".

Esta data surgiu em 1549, na Grã-Bretanha, quando o Bispo Cranmer, incluiu no livro de orações do Rei Eduardo VI um dia especial para que a população intercedesse em favor da leitura do Livro Sagrado. A data escolhida foi o segundo domingo do Advento - celebrado nos quatro domingos que antecedem o Natal. Foi assim que o segundo domingo de dezembro tornou-se o Dia da Bíblia.

No Brasil, o Dia da Bíblia passou a ser celebrado em 1850, com a chegada, da Europa e dos Estados Unidos, dos primeiros missionários evangélicos que aqui vieram semear a Palavra de Deus.Durante o período do Império, a liberdade religiosa aos cultos protestantes era muito restrita, o que impedia que se manifestassem publicamente. Por volta de 1880, esta situação foi se modificando e o movimento evangélico, juntamente com o Dia da Bíblia, se popularizou.

Pouco a pouco, as diversas denominações evangélicas institucionalizaram a tradição do Dia da Bíblia, que ganhou ainda mais força com a fundação da Sociedade Bíblica do Brasil, em junho de 1948. Em dezembro deste mesmo ano, houve uma das primeiras manifestações públicas do Dia da Bíblia, em São Paulo, no Monumento do Ipiranga.

Hoje, o dia dedicado às Escrituras Sagradas é comemorado em cerca de 60 países, sendo que em alguns, a data é celebrada no segundo Domingo de setembro, numa referência ao trabalho do tradutor Jerônimo, na Vulgata, conhecida tradução da Bíblia para o latim. As comemorações do segundo domingo de dezembro mobilizam, todos os anos, milhões de cristãos em todo o País

Há mais de 150 anos, o Dia da Bíblia, é celebrado com o objetivo de difundir e estimular a leitura da Palavra de Deus. A fundação da Sociedade Bíblica do Brasil, em 1948, contribuiu para que esta data fosse se popularizando cada vez mais. E, graças a esse trabalho, o Dia da Bíblia, passou a ser comemorado não só no segundo domingo de dezembro, mas também ao longo de toda a semana que antecede esta data. A Semana da Bíblia é dedicada a eventos variados que vão desde cultos até maratonas de leitura bíblica que mobilizam milhares de pessoas. Conheça, a seguir, como a Semana da Bíblia é comemorada com cultos, carreatas concentrações, maratona, monumentos, distribuição de folhetos, etc.

BÍBLIA - UM LIVRO FEITO EM MUTIRÃO SOB A SALVADORA MÃO DE DEUS
(Texto de Carlos Mesters, adaptado por Roséte de Andrade)

1 - QUEM ESCREVEU A BÍBLIA?
Não foi uma única pessoa que escreveu a Bíblia. Muita gente deu a sua contribuição: homens e mulheres; jovens e velhos; pais e mães de família; agricultores, pescadores e operários de várias profissões; gente instruída que sabia ler e escrever e gente simples que só sabia contar histórias: gente viajada e gente que nunca saiu de casa; sacerdotes e profetas, reis e pastores, apóstolos e evangelistas. Era gente de todas as classes, mas todos convertidos e unidos na mesma preocupação de construir um povo irmão, onde reinassem a fé e a justiça, o amor e a fraternidade, a verdade e a fidelidade, e onde não houvesse opressor nem oprimido. Todos deram a sua colaboração, cada um do seu jeito. Todos foram professores e alunos uns dos outros. Mas aqui e acolá, a gente ainda percebe que nem sempre foi fácil. Alguns às vezes, puxavam a brasa um pouquinho para o seu lado.

2 - QUANDO FOI ESCRITA A BÍBLIA? A Bíblia não foi escrita de uma só vez. Levou tempo, muito tempo, mais de mil anos. Começou em torno do ano 1250 antes de Cristo, e o ponto final só foi colocado cem anos depois do nascimento de Jesus. Aliás, é muito difícil saber exatamente quando foi que começaram a escrever a Bíblia. Pois, antes de ser escrita, a Bíblia foi narrada e contada nas rodas de conversa e nas celebrações do povo. E antes de ser narrada e contada, ela foi vivida por muitas gerações num esforço teimoso de colocar Deus na vida e de organizar a vida de acordo com a justiça. No começo, o povo não fazia muita distinção entre contar e escrever. O importante era expressar e transmitir aos outros a nova consciência do povo, nascida neles a partir do contato com Deus. Faziam isto lembrando aos filhos a história do passado e contando-lhes os fatos mais importantes da sua caminhada. 
Como nós hoje decoramos as letras dos cânticos, assim eles decoravam e transmitiam as histórias, as leis, as profecias, os salmos, os provérbios e tantas outras coisas, que, depois foram escritas na Bíblia. A Bíblia saiu da memória do povo. Nasceu da preocupação de não esquecer o passado.


3 - ONDE FOI ESCRITA A BÍBLIA? A Bíblia não foi escrita no mesmo lugar, mas em muitos lugares e países diferentes. A maior parte do Antigo e Novo Testamento foi escrita na Palestina, a terra onde o povo vivia, por onde Jesus andou e onde nasceu a Igreja. Algumas partes do Antigo Testamento foram escritas na Babilônia, onde o povo viveu no cativeiro, no século sexto antes de Cristo. Outras partes do Antigo Testamento foram escritas no Egito, para onde muita gente tinha imigrado depois do cativeiro. O Novo Testamento tem partes que foram escritas na Síria, na Ásia Menor, Na Grécia, e na Itália, onde havia muitas comunidades, fundadas ou visitadas pelo Apóstolo Paulo. Ora, os costumes, a cultura, a religião a situação econômica, social e política de todos estes povos deixaram marcas na Bíblia e tiveram sua influência na maneira de a Bíblia apresentar a mensagem de Deus aos homens.

4 - EM QUE LÍNGUA FOI ESCRITA A BÍBLIA?
A Bíblia não foi escrita numa única língua, mas sim em três línguas diferentes. A maior parte do Antigo Testamento foi escrita em hebraico. Era a língua que se falava na Palestina antes do cativeiro. Depois do cativeiro, o povo da Palestina começou a falar aramaico. Mas a Bíblia continuava a ser escrita, copiada e lida em hebraico. E assim aconteceu que muita gente já não entendia mais a Escritura Sagrada. Por isso, para que o povo pudesse ter acesso a Bíblia, foram criadas escolinhas em todas as comunidades e povoados. Jesus, quando menino, deve ter freqüentado a escolinha de Nazaré, para aprender o hebraico e assim poder entender a Bíblia. Só uma parte bem pequena do Antigo Testamento foi escrita em aramaico. Apenas um único livro do Antigo Testamento da Bíblia grega ( que tem 7 livros a mais que a Bíblia hebraica que nós protestantes usamos!), o livro da Sabedoria, foi escrito em grego. 

O grego era a nova língua do comércio que invadiu o mundo daquele tempo, depois das conquistas de Alexandre Magno, no século quarto antes de Cristo. Assim, no tempo de Jesus, o povo da Palestina falava o aramaico em casa, usava o hebraico na leitura da Bíblia e o grego no comércio e na política. Neste mesmo tempo de Jesus, ainda não existia os escritos do Novo Testamento. Só existia o Antigo. O Novo Testamento estava sendo vivido e preparado lá em Nazaré. Aconteceu ainda o seguinte: os judeus que, depois do cativeiro, tinham emigrado da Palestina para o Egito, com a passar dos séculos foram esquecendo a língua materna. Já não entendiam mais o hebraico nem o aramaico. Só entendiam o grego, a língua da Grécia, que era falado até no Egito. Por isso no século terceiro antes de Cristo, um grupo de pessoas resolveu traduzir o Antigo testamento do hebraico para o grego. Foi a primeira tradução da Bíblia. Esta tradução para a língua grega é chamada "Septuaginta" ou "Dos Setenta" (tradução dos XVV).

Quando mais tarde, depois da morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos saíram da Palestina para pregar o Evangelho aos outro povos que falavam o grego, eles adotaram esta tradução grega dos Setenta e a espalharam pelo mundo. Na época em que foi feita a tradução grega dos Setenta, a lista (cânon) dos livros sagrados ainda não estava concluída. E assim aconteceu que a lista dos livros desta tradução grega ficou mais comprida do que a lista dos livros da Bíblia hebraica. Ora, a diferença entre a Bíblia usada nas Igrejas Protestantes e a Bíblia usada nas comunidades católicas vem desta diferença entre a Bíblia hebraica da Palestina e a Bíblia grega do Egito. Os protestantes, a partir da Reforma Protestante do Martinho Lutero em 1517, preferiram a lista mais curta e mais antiga da Bíblia hebraica, e os católicos, permaneceram utilizando a tradição e prática dos Apóstolos: ficaram com a lista mais comprida da tradução grega dos Setenta. Há sete livros a menos na edição da Bíblia usada pelos protestantes: Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico, Sabedoria, 1 Macabeus e 2 Macabeus (e também algumas partes do livro de Daniel e algumas partes do livro de Ester). Estes sete livros são chamados "deuterocanônicos", isto é, são da segunda (deutoro) lista (cânon), ou seja, são da coleção (cânon) de Alexandria e não da coleção de Jerusalém. 

Reconhecemos que os livros deuterocanônicos não contradizem a Mensagem Divina e servem de instrução e também para o cultivo espiritual. Chamar estes livros de apócrifos é um erro, primeiro porque foram reconhecidos como autênticos e inspirados, tanto pelos apóstolos como pela Igreja de Jesus que, sem exceção, durante muitos séculos os leu e encontrou neles o consolo da mensagem divina. E também porque a palavra apócrifo significa "escritos sem autenticidade ou cuja autenticidade não se provou". Ou seja, apócrifos são na verdade os livros que a Igreja (particularmente os Apóstolos!) rejeitou, por não ver neles a real inspiração de Deus.

Exemplo de livros apócrifos são, o Evangelho de Tomé, que falava dos milagres de Jesus (dizendo, inclusive, que Jesus voava); o Evangelho de Maria, que colocava Maria com poderes divinos, etc... Apesar dessa diferença de 7 livros, as duas edições revelam claramente a Mensagem de Deus: seu chamado, sua vontade, seu amor, sua missão, sua bênção.

5 - O ASSUNTO DA BÍBLIA: O assunto da Bíblia não é só doutrina sobre Deus. Lá dentro tem de tudo: doutrina, histórias, provérbios, profecias, cânticos, salmos, lamentações, cartas, sermões, meditações, orações, filosofia, romances, cantos de amor, biografias, genealogias, poesias, parábolas, comparações, tratados, contratos, leis para organizar o povo, leis para o bom funcionamento do culto, coisas alegres e coisas tristes, fatos concretos e narrações simbólicas, coisas do passado, coisas do presente, coisas do futuro. Enfim, na Bíblia tem coisas que dá para rir e para chorar. Tem trechos da Bíblia que querem comunicar alegria, esperança, coragem e amor. Outros trechos querem denunciar erros, pecados, opressão e injustiças. Tem páginas lá dentro que foram escritas pelo gosto de contar uma bela história para descansar a mente do leitor e provocar nele um sorriso de esperança. A Bíblia parece um álbum de fotografias. Muitas famílias possuem um álbum assim. Ou, ao menos uma caixa onde guardam suas fotografias, todas misturadas, sem ordem. De vez em quando, os filhos despejam tudo na mesa para olhar e comentar as fotografias. Os pais tem que contar a história de cada uma delas. A Bíblia é um álbum de fotografias da família de Deus! Nas suas reuniões e celebrações, o povo olhava as suas "fotografias", e os pais contavam as histórias. Este era o jeito de integrar os filhos no povo de Deus e de transmitir-lhes a consciência de sua missão e da sua responsabilidade.


A Bíblia não fala só do Deus que vai em busca do seu povo, mas também do povo que vai em busca do seu Deus e que procura realizar-se de acordo com a vontade divina. A Bíblia conta as virtudes e os pecados do povo de Deus, os acertos e os enganos, os pontos altos e os pontos baixos. Nada esconde, tudo revela. Conta os fatos do jeito que foram lembrados pelo povo. Histórias de gente pecadora que procura ser santa. História de gente opressora que procura converter-se e ser irmão. História de gente oprimida que procura libertar-se. A Bíblia é tão variada como é variada a vida do povo. A palavra Bíblia vem do grego e quer dizer livros. A Sagrada Escritura usada por nós evangélicos tem 66 livros. É quase uma biblioteca. Poucas bibliotecas em nossas igrejas têm a variedade dos 66 livros da Bíblia. 

Fonte: Portal Metodista. 

14 de outubro de 2017

A religião moderna e a religião cristã.

Emil Brunner

Entre as pessoas mais instruídas de nossa época há um número crescente que reconhece a importância da religião para a vida social e espiritual da humanidade, e que elas mesmas não estão distantes de pensamentos e sentimentos religiosos (...) se, então, perguntarmos o que eles querem dizer por religião, suas respostas não são apenas muito diferentes, mas também um muitos casos curiosamente indefinidos. Somente em um ponto há um consenso geral de opinião – o do repúdio a toda religião dogmática. Se examinarmos com mais cuidado o que se quer dizer por esse repúdio ao dogmático, descobriremos que fundamentalmente é o repúdio da revelação histórica. Isso é o que os separa da fé cristã definida (...) este é o abismo que separa a religião moderna da fé cristã.

BRUNNER, Emil. O escândalo do Cristianismo. São Paulo: Novo Século, 2004, p. 11-12.

21 de julho de 2017

Concílios Cristológicos e o combate as heresias.

Rafael Rodrigues
Vendo a grande necessidade que se tem de explicar alguns fatos históricos, doutrinários e dogmáticos da Igreja, resolvi fazer uma série de matérias para mostrar os fiéis católicos e também não católicos o que realmente aconteceu em momentos chaves da História da Igreja. Fatos que hoje vemos por ai deturpados e manipulados por muitas pessoas. Começarei com 2 concílios importantíssimos para a fé Cristã, Nicéia e Éfeso. Esses estudos serão baseados na matéria cristologia, ministrada no curso de teologia da Universidade Católica de Salvador e no livro Introdução a Cristologia.

Concílio de Nicea ou Nicéia – Ano 325: 


Problemática: Ário, Sacerdote Alexandrino, (por influencias helenistas[gregas]) negava que o filho de Deus fosse de natureza Igual ao Pai. Para ele, o Filho de Deus foi “gerado” (genetos) “feito”. O filho era inferior ao Pai. Afirmava que o filho de Deus tinha sido criado no tempo. Houve um tempo que o verbo não era. Afirmar com propriedade a divindade do filho preexistente parecia contradizer tanto o monoteísmo da bíblia como o conceito filosófico da unicidade absoluta de Deus. Daí vem, precisamente, a argumentação de Ário, aduzindo de um lado, alguns textos do Antigo Testamento, especialmente Pr 8, 22 e, do outro, apelando para a “monarquia” divina, o neoplatonismo e a filosofia estóica do logos-criador.
Significado: o que se define é que o filho de Deus é tão divino quanto o Pai e igual a ele na divindade. Reconhece Cristo como filho de Deus. Palavras-chave: Unigênito (monogenés); substância (ousia); gerado (gennetos); da mesma substancia do Pai (homousis); fez-se carne (sarkótheis); fez-se homem (enanthrópésas).
Atualidade: o Concílio defendeu que Jesus é divino e humano. Ele é consubstancial ao Pai no Espírito e consubstancial a nós pela natureza – nesse Concílio produz-se o credo. Iluminado pelo Espírito Santo e esclarecido pelos Grandes Pais da Igreja, o Concílio definiu Jesus Cristo como Verdadeiro Deus, da mesma substancia (homoúsios) divina que o Pai. Principais atores: Constantino; Ário; Antanásio.
O Concílio de Nicéia (325), com a sua tentativa de explicar e estabelecer a “divindade” de Cristo, foi o marco que deu o novo ímpeto à interpretação do dogma “cristão”. Este concílio marcou o começo duma era, na qual concílios gerais da Igreja procuravam definir dogma com cada vez mais precisão.
Nicéia não é exemplo de helenização, mas de desenlenização, ou seja, exemplo de libertação da imagem cristã de Deus do impasse e das divisões para os quais o helenismo estava levando. Não foram os gregos que produziram Nicéia; foi Nicéia que superou os filósofos Gregos… A. Grillmeier.
Já discorremos sobre a Existência, no Novo Testamento, de dois enfoques na Cristologia, o “debaixo” e o “do alto”, e sobre a transição progressiva de um a outro.
Não Obstante a evidência geral, na transição pós bíblica, da mudança definitiva da abordagem funcional para a ontologia, ambas continuam existindo.
A Cristologia “de baixo” parte do homem Jesus, isto é, da condição ou natureza humana de Jesus, para se alçar até a sua divindade do filho de Deus. Na direção oposta, desenvolveu-se uma cristologia “do alto”, que tomou como ponto a partida a união na divindade do filho de Deus como o Pai, daí seguindo para a afirmação da verdadeira humanidade por ele assumida no ministério da Encarnação.
Nicéia mostrou, pois, o vinculo estreito entre Soteriologia (Estudo da Salvação) e Cristologia, entre o que Jesus é para nós e o que ele é em si mesmo. A Cristologia de Nicéia encaminha-nos, pois, a novas intuições do mistério de Deus: Jesus Cristo é verdadeiramente Deus, por que é o verdadeiramente filho de Deus.
Nicéia, diante da situação, usa a linguagem filosófica tentando unir as duas realidades: linguagem bíblica, que podemos chama – lá de contexto histórico-cultural e, a segunda sintonizada com o ambiente cultural de hoje.
“O Verbo de Deus fez – se homem e o filho de Deus fez – se filho do homem, para que o homem entre em comunhão com o Verbo de Deus, e por adoção, se torne filho de Deus. Realmente, não poderíamos ganhar de outra forma a eternidade e a imortalidade… se antes o Eterno e Imortal não se torna – se aquilo que somos” Santo Irineu
Algumas retificações:
Algumas pessoas dizem que a Igreja católica foi Criada nesse ano de 325, por que Constantino, que era o imperador, convocou  tal concílio, então ele supostamente ai teria Fundado a Igreja. Como vemos nessa explanação sobre o concílio de Nicéia, apesar do imperador ter o convocado, nada mais foi do que um concílio que defendeu a divindade de Jesus(e o confirmou como DOGMA de Fé), pra o combate a heresia Ariana e  a unidade da Igreja. Constantino ofereceu o transporte e a hospedagem aos bispos, pois tinha o interesse da unidade da Igreja, visto que muitas pessoas importantes tinham se tornado Cristãs e não seria uma boa  para ele ter essas divididas, apesar de ainda continuar pagão e só ser batizado no leito de morte.
O Papa da época Silvestre I (devido a locomoção ou problemas de saúde), não esteve presente nesse concílio, mas enviou seus representantes, podemos confirmar isso vendo a ata de assinaturas onde as primeiras assinaturas são as de seus representantes. A maioria dos Bispos veio do oriente, o que vale para os quatros concílios. Motivo: facilidade de participação e maior interesse teológico da parte oriental. Diferente dos ocidentais, os orientais vibraram com as questões teológicas e, para defender a verdade, achavam válida uma boa briga.

Concílio de Éfeso – Ano 431

Esse é um concílio que até hoje muitos pegam afirmações isoladas do contexto para afirmar que a Igreja Católica está cometendo heresias ao firmar certos Dogmas, mas vamos explicar tudo corretamente e ver como se dá a realidade do concílio.
Problemática: Em Éfeso, como em Nicéia, o problema era como entender a divindade de Jesus Cristo. Mas essa Questão foi vista sob perspectivas opostas num concílio e noutro. Em Nicéia, parte-se de baixo: Jesus é verdadeiramente Filho de Deus? Em Éfeso, ao contrário, parte – se do alto: Em que sentido e de que modo o Filho de Deus se fez homem em Jesus Cristo?   A questão, agora, é, diretamente, com o Filho de Deus e não mais com o homem Jesus e segue, conforme Jo 1, 14, o movimento da “encarnação” do Filho de Deus, para Inquirir a realidade e o modo de sua missão como homem Jesus.
Há nas duas visões o perigo de se criar distância entre Deus e o homem Jesus, mas, se em Nicéia isso significaria que Jesus não era verdadeiramente Deus, em Éfeso faria entender que o Filho de Deus, não sendo realmente Igual a ele, se apartasse do homem Jesus. Estava em foco, pois, a unidade de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. E ai se insere um escândalo do Filho de Deus. Dá para imaginar que o filho eterno de Deus tenha se sujeitado a si mesmo ao processo de desenvolvimento humano, a humilhação e à morte?
Nestório de Antioquia, depois patriarca de Constantinopla, tomou a questão da verdadeira unidade divino-humana de Jesus Cristo na direção ascendente, ou seja, a partir de baixo. Partindo, como a tradição antioquena, do homem Jesus, questionou o modo como ele se teria unido ao filho de Deus. Perfilhava, portanto, uma cristologia, do homo assumptus. Em pólo oposto, o bispo de Alexandria, Cirilo, defendia a perspectiva a partir do alto. Ele se perguntava, partindo do Verbo de Deus, como teria este assumido uma humanidade autentica em Jesus Cristo. Professavam, então, uma cristologia do logos-sarx.
Nessa contenda entre Nestório e Cirilo, sabe-se que pairava ambigüidade e confusão na terminologia. Ao falar de “uma só natureza” (physis) em Jesus, Cirilo entendia a unidade da pessoa (hypostasis), enquanto Nestório, aludindo a duas “naturezas” (physis), parecia realmente referir-se a duas pessoas (prosópon).
Agora vamos tratar de uma parte bem delicada e decisiva tratada neste concílio, que hoje não é aceita pelos protestantes, devido a deturpações históricas e a não aceitabilidade da autoridade da Igreja por eles.
Essa parte foi quando Nestório recusou a atribuir ao Verbo de Deus em pessoa as vicissitudes da existência humana de Jesus. Particularmente, o fato do homem Jesus ter sido gerado não poderia referir-se ao Filho de Deus e, por conseguinte, Maria não poderia ser chamada de “Mãe de Deus” (Theotokos), apenas “Mãe de Cristo” (Kristotokos). Surgiram, assim, dois sujeitos distintos: o Verbo de Deus, de um lado, e Jesus Cristo, de outro. Nestório concebia a unidade entre ambos em termos de “conjunção” (sunapheia), supondo, dessa forma dois sujeitos concretamente existentes.
Em outras palavras Jesus não seria Deus, seria um homem comum que teria sido habitado pelo Verbo de Deus. Por tanto não crer Maria como Theotokos (Mãe de Deus), significa necessariamente não crer que Jesus é o próprio Deus em Pessoa humana. Claro que ai o fato de ela ser chamada de Mãe de Deus não quer dizer que ela seja maior que Deus, mas sim que ela portou um Deus em seu ventre. Nossas mães nos geraram em seus ventres e são nossas mães, mas isso não significa que elas nos criaram.
Portanto a definição de Theotokos é nada mais, nada menos que a confirmação da divindade de Jesus.
Mas por que os protestantes duvidam disso? Além de não aceitarem a autoridade da Igreja, alguns fantasiam a história de que Diana (ou Artemis) (At. 19, 23-40) teria sido substituída por Maria como deusa dos Efésios, o que é um absurdo, pois como vimos além desse concílio ter combatido a heresia Nestoriana, destruiu de vez a adoração a Diana e realmente confirmou Jesus com DEUS encarnado, puro e único!
Feitos as devidas declarações, aqui me despeço.
In Cord Jesu, Semper.
Fonte: Sã Doutrina. 

28 de junho de 2017

O Jesus de Douglas Adams.

Cacau Marques
Douglas Noel Adams foi um escritor inglês, autor da famosa série de livros “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, misto de humor nonsense e ficção científica, além de ter contribuído em roteiros de Monty Python e Dr. Who para a TV. Ateu radical, como ele mesmo se dizia, Adams sempre tratava a religião (em especial o cristianismo) com certa ironia em seus livros. Mas há uma pequena menção a Jesus Cristo nas primeiras páginas do primeiro livro de sua obra cult que me deixa pensativo. Segundo Adams, Jesus foi um homem que “foi pregado num pedaço de madeira por ter dito que seria ótimo se as pessoas fossem legais umas com as outras para variar”.
Gosto de pensar nessa frase como um testemunho do que é Jesus para um ateu. Para ele, Jesus não é Deus, pois Deus não existe. Também não é Filho de Deus, pois quem não existe não pode ter filhos. Também não é o salvador, pois não há inferno de que se livrar, nem céu para onde ir. Jesus é um homem. Ou melhor, foi um homem, pois também não se crê na ressurreição. Um homem que trazia uma mensagem e que desagradou muita gente ao ponto de ser morto por isso. E qual era essa mensagem? “Sejam legais uns com os outros para variar”.
De tudo o que podia ser dito sobre o Cristo, Adams apresenta – com humor, mas também com certo respeito pela ideia – um resumo bastante sintético do que Jesus ensinou aos seus discípulos sobre o relacionamento interpessoal. A ideia de “ser legal com os outros” encaixa-se na parábola do bom samaritano, na ordenança de considerar o outro superior a si mesmo, no dar a outra face, no exemplo do Cristo servo e, principalmente, no Novo Mandamento dado pelo Senhor: amar uns aos outros. “Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros” (João 13:34).
O que sobrou da mensagem foi exatamente aquilo que trazia a realidade palpável da doutrina de Cristo. Talvez fosse o único elemento do Evangelho que Adams realmente desejava ver concretizado antes de conseguir acreditar no resto. E isso me faz pensar em como pregamos o evangelho. Pensamos que, para alcançar as mentes cada vez mais materialistas do nosso tempo, a nossa pregação deve ser sustentada pelos mais brilhantes argumentos filosóficos e evidências incontestáveis da veracidade das escrituras. Isso ajuda, mas não é o principal. O que chama a atenção, o que faz a diferença, é a relevância perceptível do evangelho na vida do crente. É ver que o crente “é legal com os outros”, não para variar, não de vez em quando, mas como uma regra de conduta.
Mas como isso é possível se reagimos exatamente como um incrédulo quando somos injustiçados? Se nos iramos da mesma forma quando sofremos algum prejuízo? Se nos omitimos como qualquer um nas oportunidades de fazer o bem desinteressado? Jesus disse: “se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus.” Mas não fazemos isso. Julgamo-nos no direito de utilizar a mesma justiça do “bateu-levou”, do “quem gosta de mim sou eu” e a do “sou crente, mas não sou bobo”, quando o próprio Cristo submeteu-se à mais injusta das sentenças por amor a nós. Imagine se Jesus olhasse para os soldados que o chicoteavam e dissesse: “Basta! Quem gosta de mim sou eu!” e fosse embora? Na lei de Jesus não tem “bateu-levou”. Jesus levou, mas não bateu.
Se Douglas Adams tivesse conhecido mais cristãos assim, talvez não teria permanecido ateu até sua morte em 2001. E teria descoberto que a resposta para sua pergunta sobre “A vida, o universo e tudo o mais” não é 42.

20 de junho de 2017

Os novos puritanos.


Uma nova onda de empreendedores sociais cristãos está transformando vidas

Rob Moll
O empreendedorismo nem sempre foi bem visto no meio cristão. Ultimamente, contudo, têm surgido grupos e fundos de investimento cuja ênfase continua sendo a produção de riqueza – mas, também, promover alguma transformação na vida das pessoas, sobretudo aquelas mais pobres. A história do investidor de impacto Aslan Global Management começou em 2005, quando Paul Larsen e Jes Tarp frequentavam a mesma igreja. Larsen havia trabalhado em uma grande corporação de Wall Street até se juntar ao seminário financeiro de Gary Moore em Sarasota, na Flórida. Tarp estava dando aulas na Ucrânia, onde constatou que o colapso do comunismo havia deixado os ucranianos com muitos campos agrícolas, mas pouco conhecimento para desenvolvê-los. Ele começou, então, a alugar terras dos ucranianos e contratá-los para trabalhar nelas.

A prática era mais do que uma aventura empresarial: Tarp estava ensinando àquelas pessoas uma ética de trabalho que praticamente desapareceu por causa do comunismo. O respeito que ele ganhou por tratar bem proprietários e trabalhadores garantiu uma oportunidade para compartilhar o Evangelho. E quase não havia limite para o negócio, com tanta terra não aproveitada. Tarp dividiu seu novo empreendimento com Larsen, que começou fornecendo funcionários. Com o tempo, Larsen passou a se envolver mais, até que estava comprometido em tempo integral. Assim, a Aslan rapidamente atraiu investidores. Como conselheiro financeiro da Merrill Lynch, Dwight Short passou os últimos anos de sua carreira explorando fundos cristãos e responsabilidade social. Em 2005, ele conheceu Larsen e visitou a fazenda da Ucrânia. Ao contrário de outras empresas, o grupo pagava antecipadamente os agricultores para que eles não precisassem esperar até a colheita para receber. “É bom dizer que somos uma empresa com fins lucrativos”, afirma Short, “mas o lucro mais significativo é estar fazendo a diferença na vida das pessoas”.
Para manter essa distinção entre extrair riqueza e criar valor, Larsen observa um grupo frequentemente caluniado e mal compreendido na história da Igreja: os capitalistas. Não é completamente correto dizer que os puritanos – aqueles protestantes que buscaram liberdade religiosa no século 17 – eram capitalistas. Os historiadores têm sido relutantes em ligar as crenças puritanas diretamente com o capitalismo da forma como Max Weber fez em A ética protestante e o espírito do capitalismo. Ainda assim, eles veem uma ligação inegável entre as comunidades cristãs primitivas dos Estados Unidos e o sistema econômico que levou a América ao seu status de superpotência.
A ligação entre os primeiros puritanos e o capitalismo é, em parte, circunstancial. Quando eles se opuseram à igreja estatal – e, portanto, ao Estado em si –, foram cortados de outras atividades econômicas. Após chegarem à Nova Inglaterra, eles foram forçados a abandonar seu sistema comunitário, já que não conseguiram produzir comida suficiente e outros bens necessários para se alimentarem e pagar seus investidores. Ainda assim, abraçaram os valores de um comércio virtuoso, acreditando que o trabalho do agricultor e do comerciante era tão importante quanto o do pregador. Os puritanos viam a indústria como uma maneira de servir não apenas a Deus mas, também, ao próximo. “O principal objetivo de nossas vidas”, escreveu o clérigo William Perkins, “é servir a Deus ao servirmos aos homens no cumprimento de nosso chamado”.
NEGÓCIOS E FILANTROPIA: Doze anos atrás, Steve Beck deixou a carreira em consultoria de estratégia para juntar sua experiência em negócios à filantropia. Ele passou vários anos comandando a Genebra Global, que fornecia subsídios para financiar projetos humanitários na Global South. “Em geral, vimos uma mudança de vida verdadeira”, ele contou. “Mas também vimos os riscos e as limitações das doações”. Beck diz que a relação desigual entre a contribuição e o beneficiário promove dependência. Quando o dinheiro da contribuição acaba, muitas vezes o trabalho também.
Beck, então, lançou o SpringHill Equity Partners, um círculo investidor privado que financia empresas comerciais na África oriental com os mesmo objetivos buscados pelo Genebra Global. Pelo sistema, investe-se em empresas que fornecem bens e serviços para famílias de baixa renda, através das quais o crescimento comercial e o sucesso dos investimentos geram benefícios sociais expansíveis para os pobres. Estes são tratados como consumidores com a dignidade da escolha, em vez de beneficiários da caridade. Um investimento, Sanergy, é uma empresa de saneamento nas favelas de Nairóbi, no Quênia. Outros estão em escolas e outros empreendimentos no país.
O Sovereign’s Capital é outro fundo semelhante ao SpringHill. Lançado em 2012, investe recursos privados na área da saúde, tecnologia e produtos de consumo no sudeste da Ásia. Ele fornece capital para empresários guiado por fortes princípios éticos. A indústria está em seus primeiros dias, segundo Beck. No entanto, “há um número crescente de empresários querendo aumentar os negócios com um resultado final duplo”.
Brian Fikkert, diretor executivo da Chalmer’s Center e coautor de When Helping Hurts (algo como “Quando ajudar dói”), diz que esses resultados finais duplos podem ajudar muito quem vive em situação de pobreza. O mais importante é que eles colocam o cliente no comando, em vez de apenas os interesses de organizações humanitárias ou dos doadores de desenvolvimento. Em outras palavras, se as famílias pobres não comprarem o forno econômico e ecologicamente correto vendido por um investidor de impacto, por exemplo, o negócio fracassa. “Os mercados são bons no processamento de informações dos clientes”, diz Fikkert, também economista.
No entanto, os negócios atendem a uma necessidade apenas quando podem obter lucro. Nem todas as famílias pobres podem pagar pelos serviços de que precisam. Alguns bens podem sempre necessitar de subsídios, segundo Fikkert, e é por isso que organizações sem fins lucrativos são necessárias. Michael Miller é pesquisador e diretor da Action Media no instituto Acton, um grupo de estudos de religião e liberdade. Ele adverte que, assim como um único projeto de caridade não irá “curar” a pobreza, um investimento de impacto também não fará isso.
“Quando as pessoas criam prosperidade apesar das instituições, da propriedade privada, do Estado de direito e de outras convenções fundamentais, o progresso decola”, diz. Mas isso requer uma gama de soluções do governo, de instituições legais e civis e de organizações sem fins lucrativos, e os negócios são apenas uma peça do quebra-cabeça. Fikkert faz parte do Conselho de Consultoria da Sovereign’s Capital. Ele adverte que a transformação – de uma perspectiva cristã – abrange muito mais do que o acesso a empregos ou mercadorias. “No espaço do empreendedorismo social, o foco está em obter algum produto para uma pessoa pobre, como um celular. Implícito nisso, porém, está a ideia de que os pobres precisam ter acesso a um celular ou à água”, diz Fikkert. “Isso reduz o desenvolvimento de proporcionar maior acesso a recursos materiais. Pensar que a falta de produtos e serviços é a soma total da pobreza é errado”.
“PAPEL A DESEMPENHAR”: O investimento não é apenas uma cura incompleta para a pobreza; os cristãos nem sempre apoiaram investimentos baseados em valores cristãos. Frequentadores regulares de igrejas na América ganham entre 1,7 e 3,4 trilhões de dólares anualmente. No entanto, investimentos em recursos cristãos são pequenos em comparação com aplicações tradicionais. Os recursos de investidores médios muitas vezes enfrentam dificuldades. A GuideStone, que oferece às pessoas e aos empregadores tudo – desde planos de aposentadoria a pacotes de fundos mútuos –, é a maior empresa de investimento cristã, e possui apenas 10 bilhões de dólares sob gestão, enquanto uma empresa como a Charles Schwab possui US$ 2,3 trilhões em ativos de clientes.
Rusty Leonard comanda sua própria empresa de investimentos cristã, a Stewardship Partners. Ele tem seguido as novas tentativas de investimento de impacto cristão, observando muitas empresas surgindo e acabando. “Eu não sou naturalmente pessimista, mas é difícil ser otimista nessa área”, ele diz. “Os evangélicos, em particular, parecem ser curiosamente resistentes a investir com base em suas crenças”. Há também a enorme quantidade de dinheiro necessária para se investir em empresas como a SpringHill e Sovereign’s Capital: o valor de entrada para cada uma é de 50 e 100 mil dólares, respectivamente.
“A comunidade cristã tem feito um excelente trabalho de compartimentar dinheiro e fé”, diz David Gautsche, vice-presidente sênior de produtos e serviços na Everence, um grupo de fundos lançado há 25 anos e ligado à Igreja Menonita. Porém, um número cada vez maior de pessoas – especialmente à medida que as oportunidades crescem – está escolhendo investimentos com base religiosa. Havia apenas dois grupos de fundos cristãos no início dos anos 90, mas agora há cerca de uma dúzia, além do surgimento de novos grupos trimestralmente. “A maneira como gastamos e investimos nosso dinheiro deve refletir quem dizemos ser, isto é, pessoas religiosas”, afirma Gautsche. E isso faz a diferença na vida real. Gautsche observa que a Everence fez parceria com a Hershey para incentivar o compromisso da empresa de chocolate de usar apenas cacau produzido através de trabalho que não possa ser considerado análogo à escravidão.
Segundo Larsen, os cristãos ocidentais estão sentados em cerca de 400 bilhões de dólares em contas de aposentadoria. “Eu nunca ouvi ninguém dizer que usa sua aposentadoria para investir no Reino, para promover o desenvolvimento humano ou para alimentar os pobres”. Para ele, não basta inspirar essas pessoas a darem cestas básicas para os carentes da igreja ou preencherem cheques para missionários. “Elas precisam ir além. Temos um papel a desempenhar”.  E, nesta ótica, investidores médios podem fazer a diferença. Larsen espera ajudar comunidades africanas a se alimentarem e até mesmo exportarem seus produtos para todo o mundo, graças a empresas e investidores cristãos. “A África tem dois bilhões de acres de terras aráveis, que custam, cada um, entre 500 e 1,5 mil dólares para desenvolver”, aponta. “A África precisa de know-how e de capital, não de esmola. Se não ficarmos ao seu lado, haverá outra colonização por parte de corporações internacionais, e o continente alimentará metade do mundo, enquanto seus habitantes comerão o equivalente a três dólares por dia. Assim, ela não se desenvolverá.”
Rob Moll é jornalista, editor de Cristianity Today e atua na área de Comunicação da Visão Mundial Internacional
Tradução: Julia Ramalho
Imagem: Filme SOLOMON KANE (Divulgação)

4 de abril de 2017

Considerações bíblicas e teológicas sobre o batismo com fogo.

Job. Nascimento

1 INTRODUÇÃO

         O presente texto visa analisar o tema do “batismo com fogo” e os seus desdobramentos no contexto atual. Apesar de verificar que essa narrativa encontra-se disposta no Evangelho de Mateus (3.11) e no Evangelho de Marcos (1.7-8), baseia-se esta pesquisa no texto de Lucas 3.16. Avaliando-se o contexto, os termos utilizados a linguagem e a possível aplicação da perícope.
            Propõe analisar qual o significado do termo “batismo com fogo”. Inicialmente, observa-se que essa expressão ou expressão liminar é utilizada em toda a Bíblia: a) Deus fez aliança com Abraão no meio do fogo; b) Deus se revelou a Moisés através do fogo; c) conduziu o povo no deserto por uma coluna de fogo; d) Elias foi levado ao céu numa carruagem de fogo.
            Apesar de várias passagens no Antigo Testamento indicarem o relacionamento de Deus com o homem através da utilização da substância do “fogo”, será que existe uma relação com o disposto no Evangelho de Lucas (3.16)? Há alguma coerência da interpretação pentecostal da expressão do “batismo com fogo” como uma “segunda benção” do Espírito Santo?
            Essas são algumas questões que o presente texto pretende responder e analisar. Baseando-se em comentários bíblicos e posicionamentos de exegetas sobre o texto.

2 O BATISMO COM FOGO NA BÍBLIA

            O termo “batismo por fogo” empregado pelo evangelista Lucas (3.16) é bastante controverso no meio acadêmico. De acordo com Stern (2008, p. 45): “alguns comentaristas enxergam isso com um fogo purificador que vai eliminar a maldade do povo judeu, segundo as linhas estabelecidas pelo profeta Malaquias (2.19-20) e em Salmos (1.6)”.
            Por outro lado, Stern (2008) aponta que alguns comentaristas enxergam a passagem como um entusiasmo pela santidade, estando em fogo por Deus. Esses são apenas algumas aplicações que os comentaristas fazem deste texto. Há ainda outros posicionamentos e outras problemáticas, especialmente quanto à linguagem do evangelista Lucas.

2.1 A QUESTÃO DA LINGUAGEM

            O evangelista Lucas, na sua narrativa sobre o ministério de Jesus, teve alguns objetivos nos seus escritos. De acordo com Champlin (2002, p. 3): “1) melhorar o estilo e o conteúdo do evangelho de Marcos, substituindo-o por algum outro material; 2) omitir incidentes secundários ou materiais; 3) omitir incidentes que não pareciam adaptar-se bem com o propósito do evangelho”.
            Apesar destes propósitos, observa-se que na narrativa do encontro de Jesus com João Batista em momento próximo ao batismo de Jesus, Lucas faz uma narrativa similar a dos evangelistas Mateus e Marcos. De acordo com o entendimento de Rienecker (2005, p. 55):

O relato de Lucas coincide quase textualmente com Mt 3.7-10. Mas, ao contrário de Mateus, Lucas nada diz sobre o grande afluxo de pessoas, particularmente da parte dos fariseus e saduceus, ao batismo de João. Lucas também não diz nada sobre o batismo em si, nem tampouco sobre o alimento e a vestimenta do Batista. Mateus dirige as palavras de arrependimento acima citadas também aos fariseus e saduceus. De acordo com Lucas, essas palavras de arrependimento, no entanto, são dirigidas ao povo.

            Dessa forma, percebe-se a intenção de Lucas ao omitir determinados pontos, como o afluxo de pessoas e o batismo em si para focar na pessoa de Jesus e seu encontro com João, o Batista. Além da linguagem, um ponto relevante é o contexto em que se encontra a narrativa.

2.2 A QUESTÃO DO CONTEXTO

            No contexto do batismo de Jesus, os evangelistas trazem uma abordagem diferente, especialmente no que diz respeito às pessoas que assistiam ao encontro do Cristo com João, o Batista. De acordo com Rienecker (2005, p. 55):

Marcos aponta mais para aqueles que vinham de Jerusalém. – Ainda que em Lucas as camadas dirigentes, a saber, os fariseus e saduceus, não sejam citados, o espírito predominante da época em todo o povo não deixa de ser criticado com palavras duras. É elucidativo e relevante que o texto original use para cobra não a palavra grega “ophis”, mais comum, mas o termo “echidna”. A palavra “echidna” visa salientar especialmente o veneno da cobra. Temos ojeriza a esse tipo de cobra venenosa, que traz a perdição, e por isso combatemo-la radicalmente e a matamos.

            Rienecker (2005) argumenta que o evangelista Lucas omite o tratamento de João Batista aos fariseus e saduceus. Segundo Barclay (2010, p. 30):

Para Lucas a aparição de João Batista é um dos pontos em que a história muda. É assim tanto que se situa o momento com seis dados diferentes. Tibério era o sucessor de Augusto e, portanto o segundo dos imperadores romanos. Cerca dos anos 11 ou 12 d. C. Augusto o tornou seu colega no poder imperial, mas não se tornou imperador único até o ano 14 d. C. O décimo quinto ano de seu reinado deve ter sido entre 28 e 29 d. C. Lucas começa situando a aparição de João no cenário mundial, o cenário do Império Romano. Uma vez esclarecida a situação mundial e política da Palestina, Lucas relata a situação religiosa e se situa a aparição de João no momento em que Anás e Caifás eram sacerdotes. Nunca houve dois sumo sacerdotes ao mesmo tempo. Por que, então, Lucas nos oferece dois nomes? O sumo sacerdote era ao mesmo tempo a cabeça civil e religiosa da comunidade. Na antiguidade o posto tinha sido hereditário e tinha durado toda a vida.

            Na análise de Barclay (2010) percebe-se a preocupação de Lucas em situar João Batista na história para que o leitor percebesse a sua relevância naquela época. Segundo Barclay (2010), João era considerado como o correi do Rei. Ele anunciava que o Rei estava para chegar e que os seus ouvintes deveriam corrigir suas vidas e não somente seus caminhos. Ao se encontrar com Jesus, João Batista revela a identidade do Rei esperado. Ele afirma que Jesus os batizaria com “Espírito Santo e com Fogo” (Lucas 3.16).

2.3 A EXPRESSÃO: “BATISMO COM FOGO”
           
A expressão “batismo por fogo”, situada no contexto acima apresenta vários posicionamentos entre os teólogos e pesquisadores. De acordo com Moody (2010, p. 19): “assim como o batismo com água significa arrependimento, a vinda do Espírito Santo é a prova da presença de Deus. O fogo é um símbolo de purificação e poder”. Por outro lado, Henry (2010, p. 70), argumenta:

João não podia fazer mais que batizar com água, como sinal de que deviam purificar-se e limpar-se, mas Cristo pode e quer batizar com o Espírito Santo; Ele pode dar o Espírito para que limpe e purifique o coração, não somente como a água lava a imundícia por fora, senão como o fogo limpa a escoria interna e funde o metal para que seja jogado num novo molde.

            Dessa maneira, observa-se que há uma distinção entre o batismo com água e o dito “batismo com fogo”. De acordo com Rienecker (2005, p. 58):

João afirma que o Vindouro batizará com o Espírito Santo. Dessa maneira João aponta com muita clareza para um efeito penetrante do Espírito. Isso se torna ainda mais nítido quando ele chama esse batismo com o Espírito também de batismo com fogo. A água toca somente a superfície, mas o fogo penetra na substância das coisas. Os israelitas estavam familiarizados com esse efeito do fogo no v. 16, visto inicialmente de modo positivo, no que se refere a sua imagem de santificação, porque o fogo do altar transportava da imanência terrena ao além da presença divina.

            A expressão “fogo”, segundo Rienecker (2005) seria utilizada para designar a atividade do Espírito Santo, tanto no aspecto positivo de santificação como no aspecto negativo de consumir o que atrapalha a formação do ser humano devotado a Deus. Neste sentido, Rienecker (2005, p. 59), prossegue:

O fogo, em contrapartida, é a imagem do juízo final que destruirá aqueles que se furtaram ao fogo sagrado na santificação. Por isso ele também é expressamente diferenciado do fogo no v. 16 por meio do adendo “inextinguível” i. é, eterno (cf. Mt 18.8: incessante). A metáfora da separação do trigo e da palha na colheita igualmente descreve a atividade julgadora do Cristo. De acordo com a profecia em Ml 3 e 4, parece que em espírito João viu o dia do primeiro e do segundo futuro do Senhor conjuntamente. O que é dito no v. 17 refere-se a uma segunda vinda do Senhor, a saber, o dia do último juízo. A palavra do último profeta na antiga aliança - “todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos” (Ml 4.1) - contém aqui uma primeira confirmação no NT.

            O “fogo” utilizado na expressão “batismo por fogo” também pode ter uma relação com o versículo posterior que fala que Cristo tem na mão a pá. Dessa forma, pode ser interpretado como uma espécie de substância que separa o trigo do joio. Segundo Rienecker (2005, p. 59):

Por um lado, a ilustração do juízo que João Batista delineia para o povo de Israel acerca do Cristo vindouro, i. é, o Messias, cuja autêntica profecia ele mesmo havia visto em uma visão conjunta da primeira e segunda vinda do Senhor, e sua primeira concretização, quando Jesus veio e sua atividade pública se iniciou, foram bem diferentes e, por outro lado, apesar disso exatamente iguais!

            Percebe-se que a expressão do “batismo com fogo” guarda uma relação de proximidade com a revelação do Cristo. De acordo com Barclay (2012, p. 32):

João estava seguro de que ele era só o precursor do Rei. Este estava por vir, e com ele o julgamento. A pá mencionada era uma grande pá chata de madeira; com ela os grãos eram lançados ao ar; os grãos pesados caíam ao chão e a palha voava. E assim como se separava a palha do grão, o Rei separaria os bons dos maus. De maneira que João pintava um quadro do juízo, mas se tratava de um juízo que um homem podia enfrentar com confiança se tinha saldado suas dívidas com seu vizinho, e se tinha realizado fielmente sua tarefa diária.

Quando se lê a Bíblia, percebe-se que se tem que atentar para uma série de aspectos. É preciso lançar os olhos para o contexto histórico, lingüístico e cultural. Na análise em tela, verifica-se que a expressão do “batismo por fogo” não tem relação com a interpretação pentecostal contemporânea que enxerga como uma segunda benção relacionada com o evento de Atos 2. Em Lucas 3.16, observa-se que o “batismo por fogo” tem uma relação com purificação interior a partir da ação do Espírito.

3 O “BATISMO COM FOGO” E A SIMBOLOGIA DA IDENTIDADE PENTECOSTAL

            Acima se viu que o “batismo com fogo” tem um significado bem delimitado pelo escritor bíblico, seguindo na linha de que designava a atividade do Espírito Santo em dois aspectos: 1) designando a atividade do Espírito Santo no aspecto positivo da santificação; 2) no aspecto negativo para consumir o que atrapalha a formação do indivíduo devotado a Deus.
            No entanto, de forma muito peculiar, os pentecostais dão um significado própria ao texto de Lucas 3.16 relacionando-o com o evento ocorrido em Atos 2. Neste sentido, Boyer (1970, p. 577), argumenta:

O Espírito Santo pode ser representado como um fogo. Dessa forma, pode-se dizer que o fogo produz luz, iluminando o entendimento e fazendo tudo se tornar real e glorioso para o cristão. Purifica, consumindo toda a escória e libertando o ouro de nossa natureza. Aquece o coração até abrasar com calor do céu. Alastra-se. As autoridades religiosas descobriram fogo logo que o cristianismo se desenvolve rapidamente, apesar de parecer insignificante.

            Na mesma linha, Fernandes (2006) afirma que a descida do Espírito Santo em Atos 2 e a distribuição de línguas “como que de fogo”, seria em dada forma o cumprimento da promessa do batismo com fogo. Sendo assim, esse batismo com fogo seria diferente do batismo em águas. Essa seria uma marca distintiva do batismo de Jesus, o aparecimento de línguas visíveis por todos.
            Fernandes (2006, p. 21), argumenta: “o fogo e o vento são símbolos que representam a presença divina. Diversos poetas têm simbolizado a favor do divino pintando um halo de fogo em redor das cabeças dos favorecidos pelos seres celestiais”.
            Essa interpretação encontra-se presente no movimento pentecostal desde o seu primórdio, com o trabalho de Seymour nos Estados Unidos da América. Segundo Freston (1994, p. 20):

Seymour fazia uma distinção entre a pessoa santificada, ou seja, entre os simples Holiness e as pessoas que recebiam o Batismo com o Espírito Santo: Há uma grande diferença entre a pessoa santificada e a que é batizada com o Espírito Santo e com fogo. O santificado é limpo de seus pecados e cheio do amor divino, mas o batizado no Espírito Santo tem poder de Deus em sua alma, poder com Deus e com os homens e poder sobre todos os demônios de satanás e todos os seus emissários.

            Seymour era um pregador conhecido, no entanto, não era muito estudioso das escrituras. Mas entendia o batismo com fogo, citado pelo evangelista Lucas como um sinal do batismo com Espírito Santo e sua evidência em línguas estranhas (glossolalia). Neste sentido, Gilberto (2006, p. 26), relata:

Seymour não era um pregador eloqüente, mas sabia de cor, como a maioria dos pentecostais, os versículos e capítulos bíblicos que sustentam a Doutrina do Batismo com o Espírito Santo e sua evidência física inicial de falar em outras línguas. Depois de pregar, assentava-se no púlpito, botava a mão no rosto e não parava de interceder pela operação de Deus, enquanto ele orava os crentes falavam em línguas estranhas.

            Esse quadro apresentando acima por Gilberto (2006) foi o início do pentecostalismo. Posteriormente, os fundadores do movimento pentecostal no Brasil, Gunnar Vingren e Daniel Berg formaram um grupo ao estilo holiness[1].

A fundação do grupo estilo Holliness, era o início da Assembléia de Deus, fundada dia 18 de junho do ano de 1910, com o nome de “Missão de Fé Apostólica”, mais uma prova de que ambos não haviam se filiado à Assembléia de Deus norte americano que não existia com esse nome. O nome “Assembléia de Deus” passou a ser usado a partir de 1917.

            No entanto, a identidade pentecostal com o passar dos anos modificou-se e, com isso, substituíram-se algumas interpretações bíblicas, doutrinas e costumes.

3.1 A IDENTIDADE PENTECOSTAL

            De certa forma a mudança da identidade pentecostal no contexto brasileiro acompanhou as mudanças oriundas do campo religioso no Brasil. Neste sentido, Delgado (2008, p. 30), afirma:
As mudanças observadas no pentecostalismo estão no bojo das mudanças no campo religioso brasileiro. O catolicismo ainda representa a crença hegemônica, embora conviva atualmente com as novas representações do cristianismo, surgidas dos processos de migração, no caso do protestantismo advindo da reforma, e de um crescimento mais observável, com o pentecostalismo a partir de 1910.

            As mudanças da identidade pentecostal acabaram afrouxando alguns conceitos da doutrina e identidade pentecostal. No aspecto da análise conceitual do termo “identidade pentecostal”, Delgado (2008, p. 32), afirma:

A identidade pessoal e social do pentecostal assembleiano é entendida como fazendo parte do seu próprio Eu, ou seja, o crente, ou a representação do seu sujeito crente, é um tipo ideal de identidade que se realiza na idéia de conexão entre as várias identidades, as quais o indivíduo representa em sociedade.

            O pentecostal está inserido dentro de um sistema de campos, onde é repartido em setores e departamentos. Todos eles têm uma noção de que o batismo no Espírito Santo deve ter um significado da evidência em línguas e o “batismo com fogo” como uma descida do Espírito sobre o crente de modo espetacular e sobrenatural. Com o crescimento e a entrada do movimento pentecostal em camadas sociais mais abastadas, acabou-se modificando algumas normativas sobre os usos e costumes. De acordo com Delgado (2008, p. 34):

O pentecostal está inserido em campos, antes vedado a ele. Seus ritmos musicais, sua forma de vestir, e sua separação do mundo, estão dando lugar a um pentecostal mais participativo da cultura brasileira envolvente. Eles agora jogam bola, são atletas de Cristo, tocam estridentes guitarras e baterias, da mesma maneira e com os mesmos acordes alucinantes dos roqueiros, as mulheres pintam seus lábios, usam argolas nas orelhas, a saia deu lugar à calça comprida etc.

            As mudanças na identidade pentecostal mais visível são às relacionadas aos chamados usos e costumes. Modificou-se a forma de culto, práticas rituais e das crenças. Dessa forma, pode-se dizer que os pentecostais estão mudando. O batismo com fogo antes defendido de forma uníssona como uma manifestação da atuação do Espírito Santo no crente hoje, em algumas igrejas mais abastadas é interpretado de acordo com a visão reformada conforme exposto na primeira parte deste texto.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

            De forma breve e sucinta, avaliou-se que o “fogo” é um símbolo do Espírito Santo e fala da força dele em relação às diversas maneiras de sua operação para aniquilar os defeitos da natureza decaída e conduzir os batizados à perfeição em Cristo. Perfeição esta que não se atinge neste mundo terreno, mas na vinda vindoura.
            O batismo com fogo indica a ação do Espírito em no processo de purificação dos filhos de Deus. Dessa maneira, o Espírito Santo é comparado ao fogo que ilumina, aquece, espalha e limpa.
            O batismo por fogo ainda pode significar o contato do indivíduo com Deus. Aquele que é batizado deleita-se em Deus e não tem prazer no pecado. O batismo com fogo acaba por eliminar as práticas pecaminosas do indivíduo, desejos lascivos e outras formas de afronta a Deus.
            O movimento pentecostal interpreta, geralmente, o texto de Lucas 3.16 do “batismo com fogo” de forma relacionada com Atos 2 e o recebimento de “línguas repartidas como que de fogo”. Essa interpretação bastante peculiar acabou sendo deixada de lado com o passar dos anos e, especialmente, em igrejas situadas em comunidades mais abastadas.


REFERÊNCIAS

BOYER, Orlando. Espada Cortante. São Paulo: IBAD, 1970.

CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Volume 1. São Paulo: Hagnos, 2002.

________________________. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Volume 2. São Paulo: Hagnos, 2002.

BARCLAY, William. Lucas. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.

DELGADO, Jaime Silva. Nem terno nem gravata: as mudanças na identidade pentecostal assembleiana. Belém: UFP, 2008.

FERNANDES, Rubeneide Oliveira Lima. Movimento pentecostal, Assembléia de Deus e o estabelecimento da educação formal. 2ª edição. Piracicaba/SP: Metodista, 2006.

FRESTON, Paul. Breve história do pentecostalismo brasileiro. In: Nem Anjos nem Demônios. Rio de Janeiro: Vozes, 1994.

GILBERTO, Antonio. Lições Bíblicas: As doutrinas bíblicas pentecostais: Centenário do movimento pentecostal mundial. Rio de Janeiro, CPAD, 2006.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 8ª edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

MOODY, D.L. O Evangelho de Lucas. São Paulo: Hagnos, 2010.

RIENECKER, Fritz. Evangelho de Lucas. 5ª edição. São Paulo: Editora Esperança, 2005.

STERN, David H. Comentário Judaico do Novo Testamento. São Paulo: Atos, 2008.





[1] Movimento de santidade. Esses grupos afirmavam que a natureza pecaminosa humana deveria ser substituída pela natureza espiritual e santa proporcionada pelo Espírito.