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14 de janeiro de 2018

As duas multidões.

Texto: Lucas 7.11-15.
Introdução: pastor Carlos Alberto conta que no ano de 1977 um amigo dele faleceu numa determinada cidade da Paraíba. Esse amigo era o tipo de pessoa que conquista rapidamente sua simpatia, gente finíssima. No seu velório havia uma multidão de pessoas, ele era bem relacionado. Após o velório todos desceram para o cemitério que fica no final da rua em que ele morava. Todos em prantos, rostos tristes e semblantes cabisbaixos. No entanto, após a cerimônia de enterro todos subiram a rua, uns ficaram em um bar para beber, outros entraram num supermercado, outros subiram dando risadas e conversando sobre outras coisas. Isso deixou o pastor Carlos Alberto intrigado. Ele pensou: “muitos aqui não conheciam verdadeiramente o meu amigo. Muitos não sabiam os gostos, o timbre da voz dele, nem sequer a cor dos olhos dele”. Partindo desse ocorrido, proponho para todos nós meditarmos na passagem que narra a história do enterro do filho da viúva de Naim.

·         O Senhor compadece-se não apenas de uma pessoa cuja grande fé é admirável, mas também demonstra sua comiseração quando o lamento na miséria fez desaparecer qualquer vestígio de fé.
·         Os três elementos desse v. 12 descrevem uma tríplice aflição, que se intensifica a cada elemento e provoca uma compaixão cada vez maior.
·         1) Um jovem havia falecido. De acordo com o AT, ser ceifado na metade dos dias na terra representava um juízo (Sl 55.23; 102.25).
·         2) A morte do único filho é um juízo particularmente duro de Deus e por isso é motivo de luto extraordinário. Em I Reis 17.18 a viúva de Sarepta, na Fenícia, diz ao profeta Elias, quando seu único filho havia morrido: “Ó homem de Deus… Vieste a mim para trazeres à memória a minha iniqüidade e matares o meu filho!”
·         3) A mãe enlutada era viúva. Do AT depreende-se que a condição de viúva era muito dura em Israel. Em numerosas passagens bíblicas é dito que uma viúva depende da compaixão, porque está sem arrimo e ajuda. De acordo com a opinião judaica, um castigo de Deus era especialmente duro quando transformava mulheres em viúvas. Por isso aqui o lamento é duas vezes maior (Rt 1.20s; 1Tm 5.5; Jó 24.3).

I. A multidão que segue a morte: Antigamente, em muitas cidades do interior um enterro é um evento. Determinado pastor paraibano conta que quando era menino, ele saía do futebol para ver um enterro. Paravam o jogo e iam ver o defunto. Entravam no velório, olhava o rosto do falecido e depois retornavam para o seu futebol. Se antigamente era assim aqui no Brasil, na cidade de Naim era um evento ainda maior. Acompanhava o caixão uma grande parte das pessoas da cidade. A mulher amargava a tristeza de ter perdido o seu marido que lhe dava o sustento e agora sua esperança estava no seu filho homem que veio a falecer, morria com aquele menino, a história e a esperança daquela mulher. Muitas das pessoas que estavam naquele cortejo muitos não conheciam verdadeiramente aquele menino, sabiam os seus gostos, o timbre de sua voz, nem quem sabe a cor de seus olhos. Não tinham nada a ver com ele, era aram apenas multidão, eram apenas curiosos, era apenas platéia. O texto nos conta que enquanto essa multidão saía da cidade em direção ao cemitério, ela se encontrou com outra multidão.

II. A multidão que segue a vida: uma multidão seguia a Jesus saindo da cidade de Cafarnaum em direção a Naim. A distância girava em torno de um caminho de um dia. Jesus Cristo, o verbo de Deus encarnado o autor da vida lidera essa multidão. Em um momento ali se reúnem as duas multidões, a da vida e da morte. De certa maneira ali se encontram as duas multidões do mundo. Sim, porque de alguma maneira estamos sempre seguindo algum grupo, seguindo alguma tendência, algum pensamento, alguma filosofia e algum entendimento. É verdade que existem uns que nem sabem a quem estão seguindo. Mas vão seguindo assim mesmo. Não sabem quem é o santo que vai à frente, mas ainda assim vai atrás cantando Hosanas e aleluias.

Ilustração: Alguns anos atrás no Jornal Nacional transmitiram uma matéria sobre a história de uma cidade do interior do Ceará chama de São Gonçalo do Amarante. Essa cidade entrou para rede nacional porque a cidade estava completando 100 anos, mas não foi por causa de seu aniversário que ela entrou para o noticiário. É que coincidentemente, junto com a comemoração do aniversário essa cidade estava recebendo uma imagem do seu santo padroeiro, São Gonçalo do Amarante. É que durante cem anos aquele cidade esteve em procissão atrás de uma imagem, convencidos de que aquela imagem era de São Gonçalo do Amarante. No entanto, mudou-se o padre da cidade e chegou um padre mais novo, menos experiente e mais instruído. E ele olhou e viu que a imagem de São Gonçalo do Amarante não estava com cara de São Gonçalo, e ele pesquisou e viu que aquela imagem era de São Domingos Gusmão. Rapidamente, comunicou a Santa Sé. E a Santa Fé como presente de aniversário de 100 anos da cidade enviou a imagem certa. Durante 100 anos aquelas pessoas fizeram promessa para o santo errado. Por 100 anos elas se ajoelharam para o santo errado. Por 100 anos elas estavam na procissão do santo errado.

Considerações Finais: Não faz a menor diferença se estamos na procissão de São Gonçalo do Amarante ou do Anjo Gabriel, não estivermos na multidão que segue Jesus Cristo. E precisamos ter consciência de quem estamos seguindo. Se estamos seguindo Jesus estamos seguindo para a vida eterna.
       Depois de estabelecer a quem estamos seguindo, precisamos estabelecer qual é nosso papel nessa caminhada. Assim, como na multidão que seguia a morte em Naim e havia curiosos que não tem nada a ver com quem vai à frente. A multidão da vida, vindo de Cafarnaum era formada por Jesus Cristo, Seus discípulos e numerosa multidão com muitos curiosos que estavam ali pela possibilidade do espetáculo, pela chance de ver um milagre, pelo momento do show, mas não tem nada a ver com Jesus Cristo. São pessoas que não sabem quem é Jesus. Não conhecem as profecias a seu respeito. Não tem a menor ideia do porque Jesus utilizava a expressão “eu sou” (eu sou o pão da vida, eu sou a luz do mundo, eu sou o bom pastor) nos evangelhos, não imaginam que é o mesmo termo utilizado por Deus Pai no antigo testamento. A multidão não dava a mínima para os sermões que ele pregava, 05; não se importava e nem entendia as parábolas, cerca de 30; nem compreendiam os milagres, apenas aplaudiam.
        Dois mil anos se passaram e as coisas não mudaram. Temos duas multidões que seguem a morte, chamada por diferentes nomes (até de igreja). E a multidão que segue a vida que só tem um nome, Jesus Cristo. Em qual delas você está? Quem vai a sua frente?
E a terceira questão: quem é você nessa procissão? Porque se for pra ser apenas “multidão”, se for pra ser platéia não faz a menor diferença se está seguindo o menino morto ou Jesus Cristo. Quem é você e qual o seu papel. Na procissão de Jesus Cristo só havia discípulos e multidão. Jesus Disse: “sereis meus discípulos se guardares os meus mandamentos”. Essa palavra é para mim e para você. Não adianta estar na procissão certa, mas não estar na perspectiva certa. Das pessoas que Ele se importou qual lhe tocou, dos sermões que ele pregou qual falou mais com você? Cristianismo é seguir Jesus Cristo.
        Chegou a hora de deixarmos de ser platéia. Deixar de ser torcida organizada que pula, veste a camiseta e bate palma, Jesus nos chama para sermos discípulos. Há quantos anos você freqüenta esta igreja, a quantos anos você vem aqui, ouve um sermão, gosta e vai pra casa, até comenta. Mas nunca se assumiu. Está esperando o quê? Assuma-se, porque Jesus Cristo se assumiu por você, de um modo humilhante e doloroso. Então vamos nos assumir. A hora é agora. Deus abençoe. Oremos. 

15 de dezembro de 2017

As tentações da vida.

Texto: Mateus 4.1-11.
Introdução: Devemos observar que Jesus foi tentado logo após ser declarado Filho de Deus e Salvador do mundo. Os grandes privilégios e os sinais especiais do favor divino não asseguram a ninguém que não possa vir a ser tentado. Porém, se o Espírito Santo dá testemunho de que temos sido adotados como filhos de Deus, isso contestará todas as sugestões do Espírito mal (Henry).
O objetivo do Diabo era levar Cristo, o Ungido, Filho de Deus, a pecar. Apenas um pecado seria o suficiente, desqualificando o Salvador, frustrando assim, o plano de Deus para a redenção humana. O objetivo de Deus foi provar que seu Filho – perfeitamente divino e perfeitamente humano – viveu, contudo, isento de qualquer pecado; sendo, portanto, um Salvador perfeitamente digno e suficiente. Jesus escolhe uma passagem das Sagradas Escrituras (Dt 8.3) para responder ao tentador e a todos quantos têm seus valores invertidos por ganância, egoísmo e inveja.
Observamos que Cristo sofreu quando foi tentado. Da mesma maneira, as tentações, quando não cedemos a elas, não são pecado. Mas são aflições. Outro exemplo disso é o caso de José. Ele, mesmo não cedendo com a mulher de Potifar, sofreu para se desvencilhar e ainda foi preso e injustiçado.

1ª Tentação: perder a esperança na bondade de Deus. O inimigo coloca em dúvida a bondade de Deus. Ele tenta se aproveitar de nossas condições exteriores. Todos que se encontra em algum tipo de aperto devem redobrar a guarda.  Jesus venceu essas dificuldades respondendo “está escrito”. Não podemos seguir o rumo de nossas próprias opiniões, quando nossas necessidades forem urgentes.

2ª Tentação: desconfiar dos cuidados e proteção de Deus. Poucos perigos são maiores que o desespero e a presunção, especialmente sobre assuntos relacionados a alma. A cidade santa é o lugar aonde o inimigo mais tenta as pessoas à presunção e orgulho. Todos os lugares altos são escorregadios. O Inimigo está bem versado nas Escrituras e é capaz de citá-las facilmente? Sim. É possível que um homem tenha sua cabeça cheia de noções das Escrituras, e sua boca cheia de expressões das Escrituras, enquanto seu coração esteja cheio de inimizade inflamada contra Deus e contra toda bondade
O orgulho, arrogância e empáfia do Diabo não lhe permitiram compreender, muito menos aceitar, a resposta que Cristo lhe dera. O Diabo tenta, então, replicar, usando também uma passagem bíblica (Salmos 91.11-12), mas omitindo parte do texto sagrado.

3ª Tentação: ganância e poderSatanás, como príncipe do sistema econômico, político e social do nosso planeta (em grego, Kosmos, que significa: mundo), estava em seu direito ao ofertar a Jesus as glórias de todos os reinos da terra, pois de fato estes lhe foram entregues por algum tempo. Jesus manteve-se, porém, íntegro e fiel, resistindo e vencendo a tentação e o tentador.
A glória do mundo é a tentação mais encantadora para quem não pensa e não se dá conta; isto é o que mais facilmente vence os homens. Em outro texto do Evangelho Jesus responde: “de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma?”.

Considerações Finais: Após a tentação Cristo foi servido e estimulado pelos anjos. Isso nos ensina que os cuidados de Deus e sua bondade nos atingirão para nos estimular quando vencermos a tentação. Sim, vale a pena vencer e resistir ao mal. 

3 de dezembro de 2017

A preparação para o ministério.

Texto: Mateus 03.
Fontes: HENRY, Mattew; NASCIMENTO, Job.
Introdução. O texto nos mostra que João Batista habitava e andava pelo deserto da Judéia. Esse deserto não era desabitado, mas também não era populoso. Matthew Henry afirma que “nenhum lugar é tão remoto a ponto de excluir-nos da visita da graça”. Do mesmo modo, nenhuma consciência encontra-se tão adormecida que não possa ser despertada pelo Espírito Santo.
            Nas mensagens de João Batista estava presente a temática do arrependimento. Para ele o início da vida com Deus iniciava com uma mudança de pensamento (metanóia). O arrependimento implica uma mudança no juízo, na disposição, nos afetos, uma inclinação melhor para a alma. A mudança de pensamento, consequentemente, gera uma mudança de caminho.
            É importante destacar que muitos desceram às águas do batismo de João, mas poucos ficaram firmes na confissão de fé que fizeram publicamente. Isso lança luz sobre a vida cristã na contemporaneidade, podem existir muitos ouvintes interessados, mas poucos crentes verdadeiros. A curiosidade pode levar muitas pessoas a ouvirem a Palavra, no entanto, muitas nunca se submetem ao seu poder.

I. Ser cheio do Espírito: pré-requisito para o ministério. Atualmente vemos muitos se preocuparem exclusivamente com a preparação intelectual para o ministério. Não negamos que a capacitação contínua é importante. No entanto, alguns se esquecem do essencial para o serviço cristão: ser cheio do Espírito Santo. Podemos citar alguns exemplos bíblicos da importância de ser cheio do Espírito:
            Eliseu para suceder o ministério profético de Elias ele pediu para receber da porção do Espírito que estava sobre Elias; Jesus foi cheio do Espírito e logo após foi para o deserto para ser tentado; os apóstolos antes de realizarem a obra evangelística foram cheios do Espírito no dia de Pentecostes. Após ser cheio pelo Espírito, Pedro pregou e quase três mil pessoas se converteram a Cristo.
          A primeira coisa que devemos aspirar em nossos ministérios não é o reconhecimento público, mas, ao contrário, temos que desejar ardentemente ser cheios do Espírito.

II. Dar frutos: uma consequência do ministério. O Evangelho é claro: a árvore que não der frutos será cortada e lançada no fogo (Mateus 3.10). Segundo Matthew Henry: “toda árvore com muitos dons e honras, por mais verde que pareça em sua profissão de fé e desempenho exterior, se não der bons frutos, dignos de arrependimento, é cortada e lançada ao fogo da ira de Deus, que é o lugar próprio para as árvores estéreis”.
            Frequentemente nos preocupamos tão somente com o não cometimento de erros morais, como: mentir, roubar, adulterar etc., mas isso é algo bastante raso quando se trata do Evangelho. Jesus disse que nossa justiça deve exceder a dos fariseus. Em outras palavras Ele estava dizendo que o cumprir dessas atividades morais deve ser algo bem básico, corriqueiro e habitual. Nós devemos também nos preocupar com os frutos.
            Em outra passagem Jesus encontra-se com uma figueira que estava bem vistosa e aparentava ter frutos. Entretanto, não era época de figos. Ao chegar nesta árvore Jesus reparou que ela não tinha frutos, por isso ele verbalizou que ela secasse. Do mesmo modo, muitos de nós nos comportamos como esta figueira, vistosos aparentamos ter bastantes frutos. No entanto, nossos frutos são apenas discurso.
Destaque-se sempre que nossos corações corruptos não podem dar bons frutos, a menos que o Espírito Santo implante a boa Palavra de Deus neles. Por isso precisamos ser cheios do Espírito.

III. Ser cheio do Espírito para vencer o maligno: conforme já dissemos acima, Jesus foi batizado e, no mesmo ato, cheio do Espírito para logo em seguida ser levado para o deserto e ser tentado pelo inimigo. É preciso estar cheio para vencer o mal. Essa verdade encontra-se presente também nas palavras do apóstolo Tiago quando ele diz: “sujeitai-vos a Deus, resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós”.
            Em outra passagem encontramos alguns homens que foram expulsar demônios em nome do Deus de Paulo. Os demônios falaram: “sabemos quem é Jesus e conhecemos Paulo, mas vocês quem são?”, aqueles homens foram humilhados, apanharam e fugiram pelados pelas ruas. É preciso estar cheio do Espírito para vencer o inimigo e as dificuldades da vida cristã.

Considerações Finais: Somente o poder purificador do Espírito Santo é que pode produzir a pureza de coração e seus santos afetos. Por isso precisamos ansiar constantemente por sermos cheios do Espírito Santo. Destaque-se ainda que os cristãos verdadeiros são como trigo, substanciosos e úteis. Por outro lado, os hipócritas são como palha, são levianos, vazios e inúteis.
No batismo de Jesus houve uma manifestação das três pessoas da Trindade: o Pai confirmando o Filho como Mediador; o Filho que se encarrega da obra; O Espírito Santo que desce sobre Jesus para ser comunicado ao povo. Em Jesus os nossos sacrifícios espirituais são aceitáveis, porque ele é o altar que santifica todo Dom. Deste modo, para os que não estão em Cristo, Deus é fogo consumidor; para aqueles que estão em Cristo, um Pai reconciliado. Que possamos provar das bênçãos do Pai amoroso.

12 de novembro de 2017

Jesus, a reconstrução da história do homem com Deus.

Texto: Mateus 2.
Introdução: Certamente há uma coisa mais difícil que fazer, é refazer. Refazer é mais complicado. Refazer traz consigo memórias, registros. Refazer funciona como um filme que a cada passo que nós damos para frente existe motivos para darmos dois para trás. Refazer é dar um passo para traz para ir para frente. Refazer é uma marcha-ré para manobrar para frente. Assim é a história do nascimento de Jesus. É uma reconstrução sobre o monturo, sobre o lixo e sobre a ruína da humanidade.
Nosso Senhor Jesus escolheu uma pequena cidade da Judéia para nascer, Belém. Nesta cidade simples Ele nasceu em um lugar ainda mais simples, uma estrebaria. O grande Rei nasceu num dos lugares mais vis da terra. Sem auxílio, muito provavelmente, de parteira ou médico Maria deu a luz ao Príncipe da Paz. Entre os povos do oriente era corrente o entendimento de que quando um grande rei vinha ao mundo a sua estrela aparecia nos Céus para indicar o caminho para seus súditos o adorarem. Note-se que o texto não nos diz que eram três os magos, mas sugere-se esta quantidade pelo número dos presentes: ouro, incenso e mirra. Ainda, é preciso dizer que eles não eram reis, apenas magos. Quando chegaram perto, indagaram Herodes onde encontrariam o novo rei. Herodes faz uma conferência e pergunta para os principais líderes e estudiosos, eles sabiam exatamente onde Jesus nasceria, porém não conseguiram reconhecê-lo nem dar-lhe glória. Jesus tem sido identificado em nossas vidas? Jesus nasceu em nossos corações? Temos um conhecimento sobre a vida de Jesus ou fomos transformados pela vida do Mestre?

Curiosidades: Sobre a estrela: pode ter sido uma conjunção planetária, uma supernova ou algo simplesmente sobrenatural. Qualquer que tenha sido o caso, alude à estrela de Jacó (Números 24.17), que foi profetizada por outro gentio, Balaão.

I. Conhecer não significa intimidade: os principais sacerdotes e escribas sabiam muito sobre o messias: onde iria nascer, como se chamaria e qual seria o seu ministério. Citaram vários profetas sustentando sua argumentação. No entanto, conhecimento não significa intimidade nem proximidade. Muitas vezes nos deparamos com alguém que diz: ‘fulano é meu amigo’, mesmo ele apenas o cumprimentando na rua. Neste caso confunde-se familiaridade com intimidade. Esta pessoa pode ter uma política de ‘boa vizinhança’, entretanto, não tem conhecimento suficiente para se assentar e comer à mesa com ‘fulano’. Os peritos religiosos concluíram dos profetas que o Messias devia nascer em Belém, mas nenhum deles preocupou-se em fazer a curta viagem com os magos, para ver a Cristo. Algumas vezes nós dizemos saber tudo sobre Cristo, mas não nos dispomos a andar alguns metros para adorá-lo ou falar de seu amor para nosso próximo.

II. Jesus nasceu em nossos corações? Após os magos falarem da estrela que viram do oriente, esse sinal foi perturbador para Herodes. Havia muitas suspeitas que faziam-no ver complôs por toda a parte. Além disso, havia na Judéia constantes perturbações por causa de falsos messias. Tendo, pois, ouvido falar do menino que nascera rei dos judeus, muito mais temeu pelo trono. Por isso, buscou matar aquele que considerava seu rival político. O povo judeu a muito tempo achava que uma mudança grande estava prestes a acontecer em Israel e no mundo. O rei dos judeus foi diligentemente procurado por pessoas que não eram de seu povo. Ora, Jesus nasceu em terra Judéia, no entanto, os seus não reconheceram. Isso demonstra nossa dificuldade em reconhecer a graça que nasce em nosso quintal. É muito mais fácil ouvir o Ching Ling que vem do oriente do que ouvir o João que é meu vizinho. Mas se Jesus nasceu em nossos corações nós não temos mais essa consciência de tempo e espaço. Nós sabemos que Ele pode se manifestar em qualquer lugar e em qualquer pessoa, especialmente simples e humildes.

Ilustração: Havia um sujeito que pertencia a um clube de ateus. Uma noite foi escutar um sermão de George Whitefield e, na próxima reunião do clube, pediu a palavra e começou a repetir ao pé da letra o que tinha escutado, com o fim de caçoar a religião. Enquanto falava, imitando o tom de voz e os gestos de Whitefield, empalideceu, parou, sentou-se e logo confessou a seus amigos que, enquanto “pregava”, o sermão atingiu seu coração e foi convertido. O clube se dissolveu. Este homem foi o irmão Thorpe, de Bristol, a quem Deus usou poderosamente para a salvação de muitas pessoas. Prefiro que você leia a Bíblia, nem que seja para zombar dela, a que não leia. Prefiro que venha ouvir a Palavra de Deus, odiando-a, do que não venha.

III. Temos conhecimento sobre a vida de Jesus ou fomos transformados? Será que o Evangelho é um texto que nós dominamos ou nós somos dominados e transformados por ele? Essa é uma pergunta crucial para nossa cristã. O conhecimento é bom, mas não significa proximidade ou intimidade. Deus pode usar a qualquer um, até mesmo uma jumenta. Melhor é ser alguém curado falando sobre uma enfermidade do que ser um teórico da doença. Certo poeta cearense disse: “eu não estou interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia, nem romances astrais. A minha alucinação é suportar o dia a dia e meu delírio é experiência com coisas reais. Longe o profeta do terror como a laranja mecânica anuncia, amar e mudar as coisas me interessa mais”. O Senhor está interessado mais em pessoas que colocam em prática o que ouve, mais do que aqueles que teorizam e dissecam suas palavras.

Considerações Finais: É hora de reconstruir. É hora de recomeçar. É hora de olhar para si mesmo e ver o que nos tornamos e aceitar a desconstrução e reconstrução do Senhor. É hora de dizer: Senhor, não tenho nenhuma opinião sobre a reconstrução, eu não tenho ideia de onde começar, aceito totalmente a tua obra e a tua vontade, me molda por completo.

22 de outubro de 2017

Antecedentes de um Rei.

Autor: NASCIMENTO, Job.
Título: Os ascendentes de Jesus Cristo e sua relevância na introdução ao Evangelho.
Texto: Mateus 1.1-17.
Introdução: Neste texto o evangelista Mateus elenca o nome dos ancestrais de Jesus Cristo e sua caminhada até chegar ao nascimento do Messias. Esta lista foi feita porque os judeus eram muito aficionados em genealogias. Mateus objetivava argumentar que Jesus era descendente de dois importantes homens de Deus na história, Abraão e Davi. Não por acaso, a lista de Mateus inicia em Abraão, o pai da fé, aquele que deixou seus parentes e suas terras e seguiu em direção a uma promessa.
            Davi, homem segundo o coração de Deus, devido a sua dedicação ao Senhor foi-lhe prometido que o reino de Israel sempre teria um descendente de Davi. Os profetas, posteriormente, afirmaram que o Cristo nasceria de Judá, em Belém. Esses são alguns pontos que foram enfatizados por Mateus em sua genealogia, com o fim de provar que Jesus era o Cristo, o Messias. A promessa feita a Davi teve seu cumprimento no nascimento de Jesus Cristo.
            Entretanto, na lista de Mateus temos alguns nomes que aos olhos humanos não poderiam constar, devido a seu estilo de vida, a sua descendência ou a algum erro que cometeram. No entanto, até mesmo na genealogia de Jesus encontramos graça. Pessoas que tiveram uma segunda chance em sua vida e receberam a honra de integrar a lista de ancestrais de Jesus Cristo para toda a posteridade. Entre os diversos nomes encontramos três mulheres controversas: Raabe, Rute e a mulher de Urias.
            São pessoas improváveis, que não deveriam estar na genealogia de Jesus pela ótica da sociedade. Mas devido a um ato de fé ou de graça, foram eternizadas na lista de ascendentes de um Rei Eterno, Jesus Cristo.

I. Raabe uma mulher afligida pela sociedade: Esta mulher, segundo consta em Josué 2.1 ela era uma prostituta. Talvez ela não tivesse qualquer oportunidade para ter outro tipo de trabalho; foi influenciada a entrar nessa profissão; condicionada pela família ou inúmeras outras razões. Mas pelo seu ato de abrigar e salvar a vida de dois espiões enviados por Josué ela foi salva. Raabe teve uma oportunidade de reconstruir sua vida ao lado de um israelita de nome Salmom.
            Encontramos algumas passagens na Bíblia que fazem referência ao nome de Raabe, como alvo da graça e participante da promessa messiânica, como Salmos 87.4: “entre os que me conhecem incluirei Raabe”; Hebreus 11.31: “pela fé a prostituta Raabe, por ter acolhido os espiões, não foi morta com os que haviam sido desobedientes”; Tiago 2.25: “caso semelhante é o de Raabe, a prostituta: não foi ela justificada pelas obras, quando acolheu os espias e os fez sair por outro caminho?”
         Raabe era uma prostituta. Mas o evangelho não pergunta sobre nossos antecedentes, o evangelho se preocupa com nossa postura de fé. A fé fez Raabe romper com seu povo e, por isso, ela teve uma segunda oportunidade em sua vida. Ela recebeu a glória de estar eternizada na galeria de nomes da genealogia de Jesus, mostrando que para o caminho com Deus não exige lista de pré-requisitos, ao contrário, o convite é apenas para uma caminhada de fé, onde o mais importante é o que Deus pensa e não o que a sociedade acusa.

II. Rute, uma mulher insistente: Rute era uma mulher moabita (um dos povos rivais de Israel no Antigo Testamento) ela havia se casado com um homem israelita. Essa união a luz das normas de Israel não era permitida. Entretanto, ela foi ministrada e acompanhada por uma boa sogra. Após a morte de seu esposo Rute poderia voltar para seu povo, poderia retornar para sua casa e casar-se com outro homem e seguir sua vida. No entanto, ela apegou-se com sua sogra e disse: “teu povo é meu povo, o teu Deus é meu Deus” (Rute 1.16).
            Essa afirmação de Rute demonstrou o que estava em seu coração. Ao seguir na caminhada de fé com sua sogra e após insistência e trabalho junto à fazenda de Boaz, acabou recebendo graça e uma segunda oportunidade para sua vida. No ano do jubileu, aonde um parente mais próximo resgatava alguém de sua família que era escravo ou algo semelhante, Boaz resgatou a Rute e se casou com ela. Dessa relação nasceu Obede, o pai de Jesse, avô do Salmista Davi.
            Aos olhos puristas de um israelita do antigo testamento não era possível que uma mulher moabita tivesse oportunidades na sociedade. Mas Deus não olha para as características colocadas na vida de uma pessoa, seja prostituta, bastarda, viúva ou qualquer outra coisa. Fomos todos adotados pelo mesmo pai e estamos na mesma condição espiritual diante de Deus. Rute, uma moabita, através de sua fé foi inserida no rol de nomes que integram a genealogia de Jesus Cristo.

III. A mulher de Urias, uma mulher sem nome. Essa talvez seja uma das figuras mais controversas da bíblia. Esta mulher deitou-se com o Rei enquanto seu esposo estava na guerra. Seu esposo era um homem valoroso, isso é o que se depreende quando ele volta para a corte e ao ser enviado para casa ele dorme na porta do palácio porque não era capaz de deitar-se com sua esposa enquanto seus companheiros estavam lutando e morrendo em guerra.
            Mateus não dá nome à mulher de Urias. Mas nós sabemos que é Bate-Seba (conforme o Antigo Testamento). Talvez ela tivesse sido maltratada e difamada no reino por ter adulterado com o rei enquanto seu esposo morria no campo de batalha. Ela poderia ter feito diversas coisas, poderia ter se matado devido a pressão social que sofreu; poderia ter tentado fugir; poderia ter pedido para ir embora para Davi. No entanto, ela sofreu as consequências de seu erro ao perder seu filho. Davi orou, jejuou e buscou. Mas após a morte da criança ele levantou-se e seguiu.
            Mesmo tendo recebido tantas coisas da sociedade, tanta opressão. Ela seguiu. E aqui mostra a realidade do evangelho que é um convite para ser, apenas. E não realizar uma série de obras. Talvez a maior coisa que ela tenha feito foi a criação de seu filho Salomão. Salomão foi o rei mais sábio e mais rico de seu tempo e ele nasceu de uma mulher que tinha sido adultera. Deus dá segunda chance para todos, porque a sua graça não trabalha com nossos critérios meritórios.

Considerações Finais: A graça nasce em lugares mais improváveis. Aonde abundou o pecado, superabundou a graça de Deus. Essas mulheres que estão presentes na genealogia de Jesus Cristo representam uma síntese do evangelho. Elas tiveram uma segunda chance, tiveram a oportunidade de recomeçar, nasceram de novo. Isso mostra que para Cristo não existe pessoas às margens do evangelho. Todos podem ser atingidos por essa graça e amor que nos transcende.
            De alguma forma estamos ligados com estas mulheres (Raabe, Rute e a Mulher de Urias). Nossas histórias eram complexas, tiveram altos e baixos, no entanto, o Espírito nos chamou e a Graça de Deus nos alcançou, de modo que hoje somos um em Cristo. A confissão de que nada somos e que precisamos de Jesus nos une, conforme Ratzinger: quem acredita em Jesus entra por meio da fé na Sua origem pessoal e nova, recebe essa origem como própria. Todos os crentes, em primeiro lugar, “nasceram do sangue e da vontade do homem”; mas a fé lhes dá um novo nascimento: entram na origem de Jesus Cristo, que agora se torna a sua própria origem. Em virtude de Cristo, através da fé n’Ele, agora nasceram de Deus[1].
            É por isso que eu creio no Evangelho. Não existe perdido que não possa ser achado; não existe consciência adormecida que não possa ser despertada pelo Senhor; não existe pessoa que não possa nascer de novo, mesmo que ela seja uma prostituta, uma viúva ou adúltera. Deus é Deus dos excluídos.



[1] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré – Infância. 2ª edição. São Paulo: Planeta, 2017. P. 19.

11 de junho de 2017

Um homem chamado Mateus.

Texto: “Partindo dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu” (Mateus 9.9).

Introdução: Mateus está escrevendo aqui a respeito de si próprio. Notemos sua modéstia na expressão “um homem chamado Mateus”, e sua omissão do fato que a festa mencionada no VS. 10 realizou-se em sua própria casa. O relato está situado imediatamente após um milagre, como se a sugerir que a conversão de Mateus se deu a um milagre. Há pontos de similaridade entre o milagre e a conversão. Mateus estava espiritualmente paralisado por seu pecado e por sua atividade de ganhar dinheiro; daí precisar ele dar a ordem divina: “levanta-te e anda”.

I. Seu chamado parecia acidental e improvável: Jesus estivera por muitas vezes em Cafarnaum, localidade que escolhera para ser a “sua própria cidade”. No entanto, Mateus permanecia sem salvação. Era provável, portanto, que agora ele fosse chamado? Já não se havia fechado o seu dia de graça? Jesus estava empenhado em outro negócio, porquanto lemos: “partindo Jesus dali”. Seria provável que agora ele chamasse a Mateus? “Viu um homem chamado Mateus”, porquanto já o previra. Conhece-o, porque já o conhecera com antecedência. Em tudo isso há um paralelo entre Mateus e nós.

II. Seu chamado não estava em cogitação e não foi chamado: a) Ele estava em condição degradante. Ninguém, exceto os mais vis dentre os judeus, cuidaria cobrar impostos para o conquistador romano; b) Ele não teria ousado seguir a Jesus, mesmo que tivesse desejado fazê-lo. Sentia-se indigno demais; c) Os outros discípulos tê-lo-iam repelido, caso ele propusesse a vir sem o convite franco do Senhor; d) O chamado foi de pura graça, conforme está escrito: “fui buscado dos que não perguntavam por mim”.

III. Seu chamado veio do Senhor, que o conhecia: a) Viu todo o mal que estivera nele, e nele continuava; b) Viu nele o seu escolhido, seu redimido, mas vê o que está fazendo. A seu apóstolo e seu biógrafo. O Senhor chama conforme lhe apraz, mas vê o que está fazendo. A soberania não é cega, mas age com ilimitada sabedoria.

Conclusão: Diz um antigo escritor: “nossa chamada é incerta com respeito ao lugar, pois Deus chama alguns de seus navios; alguns, de suas lojas; alguns, de sob os abrigos; e outros, do mercado; de sorte que, se um homem conseguir que sua própria alma compreenda que ele certamente é chamado, pouco importa o tempo e o lugar onde isso ocorra”. Lemos, na literatura clássica, como a lira de Orfeu encantava com sua música não somente as feras, mas as próprias árvores e rochas de Olimpo, de sorte que elas saíam de seus lugares para segui-lo. Assim Cristo, nosso Orfeu celestial, com a música de sua graciosa fala, atrai para Si aqueles que são menos susceptíveis a influências benignas do que as feras, as árvores e as pedras, inclusive as almas pobres, endurecidas, insensíveis, pecaminosas. Permita-lhe tanger sua harpa dourada e sussurrar em seu coração: “Vem, segue-me”, e você, como outro Mateus, será conquistado.

1 de abril de 2017

O sermão escatológico de Jesus.

Job. Nascimento

1 INTRODUÇÃO

No presente artigo sobre o capítulo 13 de Marcos encontrou-se alguns apontamentos importantes, especialmente no que diz respeito à relação deste capítulo com a escatologia cristã e a apocalíptica judaica. Augustus Nicodemos (2000) intitula essa perícope como “o sermão escatológico de Jesus”. O mesmo autor argumenta que há uma relação entre o Novo Testamento e os apocalipses judaicos, essa relação está além do gênero literário.
            Stern (2009) sugere que o Sermão escatológico de Jesus em Marcos 13 é um “pequeno apocalipse”. Bultmann (2007), por outro lado, afirma que o mundo do Novo Testamento refletia um misto de idéias gregas com a mitologia apocalíptica judaica. Observa-se ainda que a busca pelo Jesus Histórico não pôde ignorar o aspecto escatológico de sua pregação.
            Segundo Barclay (2010), o capítulo 13 de Marcos é um dos capítulos mais difíceis do Novo Testamento para a compreensão do leitor moderno. Isto é assim porque é um dos capítulos mais judaicos da Bíblia. Do princípio ao fim se desenvolve dentro da história e as idéias judaicas. Em todo ele Jesus emprega termos e figuras muito familiares para os judeus de seus dias, mas que são muito estranhas, em realidade desconhecidas, para muitos leitores modernos.
Mesmo assim, Barclay (2013) afirma que não é possível desprezar este capítulo e passá-lo por alto, porque nele tem-se a fonte de muitas idéias a respeito da Segunda Vinda de Jesus. A dificuldade desta doutrina é que, atualmente, ou ela é desdenhada completamente e nem sequer se pensa nesta doutrina ou se perde completamente o equilíbrio e chega a ser para alguns virtualmente a única doutrina da fé cristã, mistificando-a.
O sermão escatológico de Jesus Cristo mostra a sua importância e validade tanto para o primeiro público ouvinte como para a igreja atual, pelos seguintes pontos: 1) descrição do princípio das dores (Marcos 13.5-13); 2) o tempo de aflição para toda a Judéia (Marcos 13.14-23); 3) a vinda do Filho do Homem (Marcos 13.24-27); 4) o pronunciamento acerca da proximidade da vinda de Cristo e seu caráter repentino e inesperado (Marcos 13.28-37); 5) exortação para vigiar e estar preparados para aquele dia (Marcos 13.33-37); 6) o dia do juízo.

2 O SERMÃO ESCATOLÓGICO DE JESUS

            Esse sermão encontra-se localizado textualmente sucedendo a afirmação de admiração do templo de um discípulo: “ao sair Jesus do templo, disse um de seus discípulos: Mestre! Que pedras, que construções!”[1]. Assim, em resposta à esta pergunta, Jesus faz uma declaração profética da destruição iminente do templo de Jerusalém: “(...) vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada”[2].
            Posteriormente, inicia-se o sermão escatológico de Jesus Cristo que constitui-se como uma resposta para as preocupações dos discípulos de quanto isso poderia ocorrer. Alguns pesquisadores faz uma lista de objetivos explícitos ou implícitos de Jesus ao pronunciar este sermão escatológico.

2.1 OBJETIVOS DO SERMÃO ESCATOLÓGICO

Encontra-se várias listas de objetivos que são feitas por diversos pesquisadores. No entanto, cita-se a mais recorrente entre eles que é a lista também descrita por Nicodemus (2000), que argumenta que o sermão escatológico de Jesus tinha alguns objetivos bastante claros:

1) corrigir a visão dos seus discípulos sobre a destruição do templo, a sua vinda e o fim dos tempos (aparentemente os discípulos haviam confundido como se fossem a mesma coisa);
2) advertí-los a não serem engodados pelos falsos profetas e falsos “cristos” que viriam, e pelos sinais e maravilhas que esses falsos profetas seriam capazes de produzir;
3) estabelecer uma ampla e geral da história, começando com sua morte e ressureição até o juízo final;
4) advertí-los a que estivessem preparados para o dia e a hora desconhecidos de sua vinda.

            Ao tentar corrigir a visão dos discípulos sobre a suntuosidade do templo, Jesus lançava luz para a sua iminente destruição. Por outro lado, Jesus falava de uma realidade mais profunda e importante do que a construção física do templo. Segundo Henry (2002, p. 809):

Observemos quão pouco o Senhor Jesus Cristo valoriza a pompa exterior, onde não existe a verdadeira pureza de coração. Contempla com compaixão a ruína das almas preciosas, e chora por elas, porém, não o encontramos contemplando com tristeza a ruína de uma casa famosa. Então, lembremo-nos do quão necessário é que tenhamos uma morada mais duradoura no céu, e que estejamos preparados para ela por meio da obra do Espírito Santo, e que esta morada seja buscada por meio da fervorosa utilização de todos os meios de graça.

            Quando Cristo redireciona o olhar dos discípulos para uma realidade mais importante que a grandeza do templo, Ele mostra o quão triste será a ruína das pessoas e, por isso, demonstra sua compaixão. Neste contexto, encaixa os pontos dispostos por Nicodemos (2000), em que Cristo fala sobre sua morte, ressurreição e sua segunda vinda, alertando-os para não serem engodados pelos falsos “cristos” que poderiam fazer alguns sinais miraculosos também.

2.2 DIVISÃO DO SERMÃO ESCATOLÓGICO

            De acordo com o entendimento de Nicodemus (2000, p. 13) as partes principais do Sermão Escatológico, são as seguintes:

a)    O princípio das dores (Marcos 13.5-13), onde Jesus informa aos discípulos os sinais dos tempos a acontecerem no período interino, não como uma indicação da proximidade do fim, mas como uma garantia de que o mesmo virá;
b)    O tempo da grande aflição para a Judéia (Marcos 13.14-23), onde Jesus aparentemente retorna à pergunta dos discípulos sobre a destruição do templo com o fim de advertí-los a fugir da destruição eminente de Jerusalém;
c)    A vinda do Filho do Homem (Marcos 13.24-27), onde Jesus trata da sua segunda vinda, com uma descrição dos sinais que acontecerão imediatamente antes dela;
d)    O pronunciamento acerca da proximidade da sua vinda e seu caráter repentino e inesperado (Marcos 13.28-37), com o propósito de impressionar os discípulos quanto à iminência da parousia;
e)    Exortação para vigiar e estar preparados para aquele dia (Marcos 13.33-37);
f)     O dia do juízo.

No primeiro ponto sobre o princípio das dores (13.5-13), Jesus fala aos discípulos sobre os sinais do tempo que antecederão a chegada do Grande Dia[3]. Um dos sinais seria o aparecimento de líderes que afirmarão serem o “cristo”. De acordo com Sproul (2005, p. 1171): “No ano de 130 d.C., Bar Kochba – líder de uma rebelião judaica contra os romanos – reivindicava ser o Messias e era aceito como tal por seus seguidores, e alista (de supostos messias) tem crescido desde então”.
            No segundo ponto do sermão escatológico, Jesus fala sobre o tempo de grande aflição que sobreviria sobre a Judéia (13.14-23). De acordo com Henry (2002, p. 809):

Os judeus apressaram o ritmo de sua ruína ao rebelarem-se contra os romanos, e ao perseguirem os cristãos. Aqui temos uma profecia sobre a destruição que lhes sobrebeio cerca de quarenta anos mais tarde; uma destruição e um estrago como jamais sofreram em toda a sua história. As promessas de poder para perseverarm e as advertências sobre o afastamento, concordam entre si. Porém, quanto mais considerarmos estas coisas, veremos motivos mais abundantes para fugir sem demora a nos refugiarmos em Cristo, e a renunciarmos a todo objeto terrestre pela salvação da nossas almas.

            Apesar da abordagem devocional, Henry (2002) lança luz sobre a predição de Jesus sobre a ruína iminente de Jerusalém. O terceiro ponto do sermão escatológico de Jesus trata do Segundo Advento de Cristo (24-27). Neste sentido, Moody (2010, p. 76), argumenta:

Cristo colocou este grande acontecimento especificamente naqueles dias, após a referida tribulação, obviamente se referindo ao tempo descrito em 13.14-23. Isto exige uma de duas explicações. Ou Cristo viria logo depois de 70 A.D, ou as aflições dos versículos 14-23 têm uma dupla referência, tanto à destruição de Jerusalém por Tito como à Grande Tribulação no fim dos tempos. Considerando que a primeira explicação é impossível, a última interpretação torna-se a chave para se compreender o capítulo como um tudo. A linguagem usada para descrever os abalos nos céus foi em grande parte extraída do Antigo Testamento: Isaías 13.1; 34.4; Joel 2.10, 30,31.

            Dessa maneira, Moody (2010) fala sobre as possíveis interpretações que se poderia dar a esse texto, indicando uma interpretação mais acertada seria a que indica para a volta de Cristo data posterior à destruição de Jerusalém por Tito. Na mesma toada, Moody (2010, p. 77), pondera:

Ainda que seja melhor fugir aqui a um literalismo extremo, não temos motivos para não entendermos estas expressões como se referindo às alterações celestiais reais que precederão imediatamente a vinda de Cristo. De modo nenhum torna-se estranho que um acontecimento tão momentoso seja introduzido dessa maneira. Esta é a volta pessoal e corporal de Cristo à terra com grande poder e glória, que foi descrita em passagens tais como essas Atos 1:11; II Tessalonicenses  1.7-10; 2:8; Apocalipse. 1.7; 19.11-16. "Com o céu obscurecido servindo de cenário, o Filho do Homem se revela no Shequiná da glória de Deus."

            O quarto ponto do sermão escatológico de Jesus trata do pronunciamento sobre proximidade de sua vinda e o caráter repentino e inesperado (28-37). Alguns pesquisadores e biblicistas afirmam que nesse trecho tem-se a aplicação do sermão escatológico de Jesus. De acordo com Henry (2002, p. 809):

Temos a aplicação do sermão profético. Quanto à destruição de Jerusalém, é preciso esperar, pois virá dentro de pouquíssimo tempo. Quanto ao final do mundo, não pergunteis quanto virá, porque o dia e a hora não são do conhecimento de nenhum homem. Cristo, como Deus, não poderia ignorar nada, porque a sabedoria divina, que habitava em nosso Senhor, era comunicada à sua alma humana conforme o beneplácito divino. O nosso dever em relação aos dois casos é estar alertas e orarmos. O nosso Senhor Jesus, quando ascendeu ao alto, deixou algo para que todos os servos façam. Devemos estar sempre vigilantes esperando o seu regresso. Isto se aplica à vinda de Cristo a nós em nossa morte, como também ao juízo geral. Não sabemos se o nosso Senhor virá nos dias de nossa juventude, na idade madura ou em nossa velhice, porém, assim que nascemos começamos a morrer e, portanto, devemos esperar pela morte. O nosso grande esforço deve ser no sentido de que, quando vier o Senhor, não nos encontre confiados, agradando a nossa concupiscência em conforto e preguiça, despreocupados em relação à nossa obra e dever. O Senhor diz a todos que velem, para que sejam encontrados em paz, sem manchas e irrepreensíveis.

Conforme exposto acima por Henry (2002) o último trecho do sermão escatológico de Jesus Cristo é um chamdo à vigilância constante porque nenhum homem sabe o dia e a hora em que virá o filho do homem. Finaliza-se o sermão com o dia do juízo. Após essa abordagem mais didática e biblicista, passa-se a verificar os aspectos históricos deste sermão escatológico de Jesus Cristo.

3 ASPECTOS HISTÓRICOS E CONCEITUAIS DO SERMÃO ESCATOLÓGICO

            Pode-se dividir os aspectos históricos do sermão escatológico de Jesus Cristo em alguns blocos específicos: a) a ruína de uma grande cidade; b) a agonia de uma grande cidade; c) o caminho difícil de fuga; d) a segunda vinda de Cristo. Dessa maneira, pode-se verificar a maior parte do sermão escatológico de Jesus refere-se à destruição de Jerusalém e fuga de seus habitantes, posteriormente, a segunda volta de Cristo.

3.1 A RUÍNA DE UMA CIDADE (MARCOS 13:1-2)

De acordo com Barclay (2010), O templo construído por Herodes era uma das maravilhas do mundo. Começou a ser construído nos anos 20-19 a.C., na época do Jesus não estava ainda completamente terminado. Estava edificado sobre a cúpula do Monte Moriá. Em vez de nivelar a cúspide da montanha se formou uma sorte de grande plataforma levantando muros de blocos maciços que encerravam toda a área. Sobre esses muros se estendia uma plataforma, reforçada por pilares sobre os quais se distribuía o peso da superestrutura.
Nesse sentido, Josefo (2012) diz que algumas dessas pedras tinham treze metros de comprimento por quatro de alto e seis de largura. Seriam algumas dessas pedras imensas as que motivaram o assombro dos discípulos galileus. A entrada mais magnífica ao templo era a do ângulo Sudoeste. Aqui, entre a cidade e a colina do templo se estendia o Vale do Tiropeion, cruzado por uma ponte maravilhosa.
Segundo o entendimento de Josefo (2012) cada arco tinha quatorze metros e em sua construção se empregaram algumas pedras de oito metros de comprimento. O vale corria a não menos de setenta e cinco metros por baixo. A largura da brecha que passava por cima da ponte era de uns cento e vinte metros e a própria ponte tinha um comprimento de dezessete metros. A ponte conduzia diretamente ao Pórtico Real. Este consistia em uma dupla fila de colunas fortes, todas de doze metros de altura, e todas cortadas de um sólido bloco de mármore.

3.2 A AGONIA DE UMA CIDADE (MARCOS 13.14-20)

Segundo Rienecker (2005), neste trecho Jesus antecipa algo do tremendo terror do cerco e a queda final de Jerusalém que iria acontecer. Esta advertência foi que quando vissem os primeiros sinais de que isso ocorreria, os habitantes deveriam fugir a tempo, sem se preocuparem em recolher as roupas ou salvar os seus bens. No entanto, verificou-se posteriormente que o povo fez exatamente o contrário. O povo se aglomerou em Jerusalém e a morte chegou das formas mais terríveis possíveis. Segundo Barclay (2010, p. 34):

O que Jesus quer dizer quando fala da abominação desoladora? Nos dias de Jesus os homens esperavam não só o Messias, mas também esperavam a emergência de uma potência que seria a encarnação do mal, uma potência que reuniria a seu redor tudo o que estava contra Deus. Paulo chamou a essa potência o homem do pecado (2 Tessalonicenses 2:3).
           
Verifica-se que no ano 70 D.C. Jerusalém caiu diante do sítio do exército do General Tito, que posteriormente se tornou imperador de Roma. Segundo Barclay (2010, p. 35):
Os horrores desse sítio constituem uma das páginas mais negras da história. O povo da campina se amontoou em Jerusalém. Tito não teve alternativa que render a cidade por fome. A questão se complicou pelo fato de que até em momentos tão terríveis havia seitas e facções dentro da própria cidade, Jerusalém estava em perigos de fora e de dentro.

            Observa-se, de acordo com Josefo (2010) que formam levados cerca de noventa e sete mil cativos e cerca de um milhão e cem mil morreram por inanição ou feridos pela espada.

3.3 O CAMINHO DIFÍCIL (MARCOS 13.9-13)

Segundo Barclay (2010), Jesus não deixou qualquer dúvida para seus seguidores que eles tinham escolhido um caminho mais difícil. Não se podia afirmar que não tinha conhecido de antemão as condições do serviço de Cristo. O ser entregue aos concílios e ser açoitados nas sinagogas se refere à perseguição judaica.
Verifica-se que em Jerusalém havia o grande Sinédrio, que era conhecido como a corte suprema dos judeus, mas cada povo e aldeia tinham seu Sinédrio local. Diante desses Sinédrios locais seriam julgados os hereges que confessassem para serem açoitados publicamente nas sinagogas.
Sendo assim, os governantes e reis se referem a processos ante os tribunais romanos, tais como o que Paulo enfrentou perante Félix, Festo e Agripa. A conclusão é que os cristãos eram maravilhosamente fortalecidos em seus julgamentos e saiam vitoriosos ou como mártires.

3.4 SUA SEGUNDA VINDA (MARCOS 13.7-8, 24-27)

Neste ponto, como já exposto acima, Jesus tratou de forma inconfundível sobre seu retorno. Freston (2010) afirma que o interessante é que as coisas que Jesus profetizava estavam, de fato, ocorrendo. Cristo profetizou guerras e os partos estavam, realmente, pressionando as fronteiras do império romano. Segundo Barclay (2010, p. 37):

Jesus Profetizou terremotos e uns quarenta anos depois o mundo romano ficava estupefato ante o terremoto que devastou a Laodicéia, e fascinado pela erupção do Vesúvio que sepultou em lava a Pompéia, que durante séculos permaneceu ignorada. Profetizou fomes, e a houve em realidade em Roma nos dias do Cláudio.

Outro ponto relevante deste trecho do sermão escatológico de Jesus é o que diz respeito à ressurreição dos mortos justos. Neste sentido, Moody (2010, p. 79), relata:

Neste ponto acontecerá a ressurreição dos justos mortos e a transformação dos santos vivos (cons. I Co. 15.51-53; I Ts. 4.13-18). Então ele reunirá os seus escolhidos, os redimidos de todas as dispensações, presente e passadas. Quanto à palavra escolhidos. A palavra episynaxei, ajuntará, é a forma verbal do substantivo episynagôgê, "ajuntamento", em II Ts. 2:1 (reunião). Ajuntar-se-ão com o Senhor descendo, vindos de todas as partes da terra (dos quatro ventos), até mesmo dos recantos mais remotos (da extremidade da terra até à extremidade do céu).

Nesta passagem o que se deve verificar é o fato de que Jesus afirmou que voltaria. Pode-se dizer que o foco do sermão escatológico de Jesus era muito mais que uma preparação dos discípulos para os últimos dias e um programa detalhado sobre a história, como ocorre em alguns apocalipses judaicos.
Verifica-se que os sinais dos tempos que foram elencados por Jesus são mais uma confirmação de que Deus trará um fim do que marcadores de períodos determinados da história humana. Jesus acaba trazendo uma tensão entre o “já” e o “ainda não” no imaginário apocalíptico. Por tanto, apesar de ter algumas semelhanças com a apocaliptica judaica, o sermão escatológico de Jesus tem foco distinto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
           
O sermão escatológico de Jesus conforme registrado em Marcos 13, apesar de ser considerado como uma obra da apocaliptica judaica, porém, por baixo das semelhanças externas de imagens, linguagens e tópicos, há profundas diferenças quanto aos temas básicos como a visão do mundo presente, a concepção messiânica e o lugar de Israel e dos gentios na história. No sermão escatológico, uma abordagem cristológica da história aparece em destaque.
Jesus se mostra como o centro da história e aponta para uma grandeza maior do que a construção de um templo. A grandeza estava nas pessoas que armazerariam a mensagem do Evangelho. O Evangelho em si é maior do que qualquer construção humana, pois, passará o templo, os céus e a terra, mas ele não passará.
O sermão escatológico de Jesus alerta os seus discípulos no sentido de estarem sempre trabalhando. Desse modo, a mensagem de Jesus surtiu efeito nos primeiros cristãos que, pois, eles foram fortalecidos a não esmorecer diante das advercidades, perseguições e embates dos mais diversos. O sermão escatológico de Jesus é um convite para um redirecionamento de olhar, para focar naquilo que é eterno e deixar de lado o que é terreno.

 REFERÊNCIAS

BARCLAY, William. Lucas. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.

BULTMANN, Rudolf. Jesus Cristo e Mitologia. São Paulo: Novo Século, 2000.

FRESTON, Paul. Breve história do pentecostalismo brasileiro. In: Nem Anjos nem Demônios. Rio de Janeiro: Vozes, 1994.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 8ª edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

MOODY, D.L. O Evangelho de Lucas. São Paulo: Hagnos, 2010.

NICODEMUS, Augustus. O sermão escatológico de Jesus: análise da influência da apocalíptica judaica nos escritos do Novo Testamento. Fides Reformata, vol. 3. 2000.

RIENECKER, Fritz. Evangelho de Lucas. 5ª edição. São Paulo: Editora Esperança, 2005.

STERN, David H. Comentário Judaico do Novo Testamento. São Paulo: Atos, 2008. 






[1] Marcos 13.1. Versão Revista e Atualizada de João Ferreira de Almeida. 
[2] Marcos 13.2. Versão Revista e Atualizada de João Ferreira de Almeida. 
[3] Na expressão: “Grande dia”, leia-se: “dia da volta do Filho do Homem”.