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13 de maio de 2018

Saul, um bom começo que terminou mal.


Texto: I Samuel 9.
Introdução: Quem se deparou com fogo de palha e com fogo em madeira sabe bem a diferença entre os dois tipos. A palha seca, ao primeiro contato com o fósforo pega fogo muito rápido e fica muito vistosa. O fogo é tão alto que temos que nos afastar. No entanto, esse tipo de fogo não dura muito, ele acaba em poucos minutos. Por outro lado, o fogo de madeira boa algumas vezes, demora em se acender, é necessária a utilização de alguns componentes inflamáveis para auxiliar. Entretanto, esse fogo dura a noite inteira e é preciso apagar as suas cinzas porque ao menor pavio o fogo pode se acender novamente.
            Da mesma maneira foi a vida de Saul. Um homem de boa aparência, alto, atlético, bom soldado, líder, político com as pessoas, profeta. Mas que decaiu rapidamente. Endureceu o coração. Segundo Wong[1]: “o endurecimento das artérias pode ser fatal, o fluxo de sangue diminui a níveis perigosos e, se o bloqueio permanece, logo pode acontecer um derrame ou ataque do coração; mais sério ainda que a condição médica é o equivalente espiritual: o endurecimento do coração”.

I. Bom começo de Saul: Saul era um homem humilde no início de seu reinado. Quando Samuel foi ungi-lo, ele disse que era o menor da casa de seu pai, seu pai era o menor na tribo, e sua tribo era a menor de Israel. Ele estava com medo de liderar o povo. Ele foi um bom líder no início, profetizava, ofertava, ganhava inúmeras batalhas para Israel. No entanto, esse bom começo não durou muito e o levou a uma continuidade frágil até descambar para um mau final.

II. O Medo de Saul: O medo de Saul poderia ter levado ele para um bom final, para dependência do Senhor e para uma busca mais apaixonada pelos Seus estatutos. No entanto, “como quase sempre acontece, o medo humano facilmente se sobrepõe ao temor a Deus” [2]. Saul desconhecia o fato de que não há substitutos para a obediência. “Obedecer a Deus no que Ele mandar tem precedência sobre oferecer-Lhe qualquer serviço voluntário ou sacrifício; Deus não quer nossos holocaustos e sacrifícios, se não obedecemos a Seus mandamentos” [3]. Em outras palavras, Deus não deseja que façamos coisas para Ele quando não estamos bem espiritualmente.

III. O pecado capital de Saul: O principal erro de Saul ocorreu quando Deus ordenou que fossem mortos todos os animais e pessoas. No entanto, ele preferiu separar os melhores animais para um holocausto, manteve o rei vivo e mostrou o seu reino gabando-se para ele, e não esperou Samuel, fazendo o sacrifício. No texto de I Samuel 15.24-25 vemos a disposição muito clara no coração de Saul quando encontrou Samuel: “pequei, pois transgredi o mandamento do Senhor e as tuas palavras; porque temi o povo e deu ouvidos á sua voz; agora, pois, te rogo, perdoa-me o meu pecado e volta comigo, para que adore o SENHOR” (I Samuel 15.24-25).
            Será que Saul estava verdadeiramente arrependido ou apenas se preocupava com a reação do povo? Muitos líderes perdem grandes bênçãos do Senhor quando se concentram nos holofotes e louvores da multidão. Louvores esses que são vazios, temerários, temporários e sem fundamento. Os mesmos que louvam hoje poderão ser os que apedrejarão amanhã. No entanto, Saul não conhecia essa verdade e preferiu temer ao povo que temer a Deus.
            Saul não cometeu adultério; não consentiu na morte de alguém; o povo não morreu por causa de suas más escolhas, como ocorreu durante o reinado de Davi. No entanto, o pecado de Saul foi essencialmente o pecado do orgulho. Ele desejava estar bem com o povo mesmo que isso significasse ir contra os mandamentos de Deus.
            A reação de Saul no seu encontro com Samuel não foi de um verdadeiro arrependimento, mas foi semelhante a alguém que é pego em flagrante delito e pensa “fui descoberto”. O remorso de ser descoberto é bem maior do que o arrependimento que simplesmente diz “pequei”.

IV. Principais equívocos de Saul: Inconstância. Juramentos equivocados. Medo do povo. Inconstante em suas reconciliações. Não tinha palavra. Tinha uma devoção aparente. Ciúmes demais (de Davi).

Considerações Finais: Um coração endurecido não dá lugar ao arrependimento, ao perdão e ao crescimento. Quando Saul foi abatido por uma flecha filisteia e por sua própria espada, seu corpo foi levado e afixado no muro de um lugar chamado de Bete-Seã (I Samuel 31.8-10). O fato de que o lugar do descanso de Saul estava apenas a uma curta distância de Gilgal, onde ele foi coroado rei, levou alguém a dizer: não é interessante? Durante quarenta anos, quatro décadas como rei, ele fez muito pouco para estender territorialmente a nação de Israel. Ele foi ferido a apenas algumas milhas de distância de onde tudo começou.

[1] WONG, David W. Vida & Carreira: decisões sábias em cada etapa da vida. Santa Bárbara D’Oeste – SP: SOCEP, 2006, p. 35.
[2] WONG, David W. Op. Cit. p. 37.
[3] WONG, David W. Op. Cit. p. 38.

8 de maio de 2018

A balança de Deus.


O poder que mantém o equilíbrio no mundo.
A mão poderosa de Deus é a força que mantém o equilíbrio sobre a terra.
Texto: Daniel 5.

Introdução.

Este texto de Daniel 5 mostra-nos a história do rei Belsazar que foi um rei mal aos olhos do Senhor e que, além de todas as pessoas que ele matou e escravizou, ainda teve coragem de profanar os utensílios do templo do Senhor. Mas, a Mão de Deus escreveu sobre a parede algumas inscrições e o rei ao ver esse ato “relaxou os ombros e tremeu os joelhos”, foi aterrorizado por sua consciência e pediu que interpretassem o que a inscrição queria dizer. Notamos que a forma mais antiga do oráculo mene, tequel u-parshin não consta no texto massorético de Daniel 5.25ss, mas está na LXX. “Mene = teu reino está contado; phares = está removido; tequel = está colocado numa balança”. A duplicação do escrito “mene” significou urgência porque na mesma noite em que foi inscrita o exército Medo Persa já havia desviado o canal do rio e estavam invadindo silenciosamente. Naquela mesma noite o rei foi destronado. Em Isaías 44.27-28 é dado ao povo a informação de quem os levaria cativos, quem os libertaria e qual a estratégia militar que ele usaria. O profeta Isaías fez essa profecia 150 anos antes de Ciro ter nascido, o profeta já dizia “é Ciro quem o libertará”. No texto de Daniel 5 vê-se o cumprimento desta promessa.

I. Nenhuma consciência está tão morta que Deus não possa despertá-la.

            É interessante notarmos que o rei Belsazar era um monarca irresponsável e negligente. Ele havia endurecido o seu coração com orgulho, e Daniel disse: “Te levantaste contra o Senhor do Céu”. O rei estava com más companhias e profanava os utensílios da casa do Senhor em seu banquete, como expressão de desprezo ao Deus de Israel. Mas, nenhum homem está fora do alcance das setas de Deus.
            Neste contexto parecia improvável que a consciência e os pensamentos do rei se turbassem, mas a Mão Poderosa de Deus escreveu sobre a parede e o rei assustou-se. Ora, alguns poderiam argumentar que a mão e os dedos que o rei viu escrever na parede eram frutos de sua imaginação afetada pelo vinho. No entanto, o que foi escrito na parede estava visível aos olhos de todos.
            Porque esses dedos e essa escritura na parede fizeram o rei ficar tão pensativo? Porque o que fizera era alarmante. Seu próprio passado reluziu diante dele. Suas guerras, opressões, blasfêmias e vícios cruéis. O que deixara de fazer, apresentou-se diante dele, o que estava no ato de fazer, portanto, surpreendeu-o. Muito de nós talvez seja igual o rei Belsazar, são levianos com as coisas santas. Negligenciam, ridicularizam ou usam sem sinceridade, as coisas de Deus.
            A consciência do rei foi despertada e, diz o texto, “relaxaram-se seus ombros e seus joelhos tremeram”. Mas, consciência sem ação é como um braço ressequido nas almas de muitos, o braço existe no corpo, mas ele não pode ser estendido. O Senhor da consciência um dia dirá: “estende-te, e faze a obra que te compete”.
            “Tal como um formigueiro, quando mexido, movimenta suas formigas em todas as direções, assim a consciência do pecador, turbada pelo Espírito ou pelos juízos de Deus, traz perante sua visão milhares de atos que enchem a alma de agonia e angústia.” (McCosh)
            Charles Spurgeon relata que certa vez o Duque de Wellington disse uma vez que poderia ter salvado a vida de mil homens em um ano, tivesse ele capelães ou quaisquer pastores religiosos. A intranqüilidade das mentes deles reagia sobre seus corpos, e os mantinham em febre contínua, uma vez que ela se apossasse de suas estruturas. Nosso ofício bendito é falar de um que pode “ministrar a uma mente enferma”. Aquele cuja graça pode livrar da “má consciência”, e por meio de quem são removidos todo o medo e perturbação anteriores.
            Carlos IX, da França, em sua juventude, tinha sensibilidades humanitárias e ternas. O diabo que o tentou, foi a mãe que o criou. Quando, pela primeira vez, ela propôs o massacre dos huguenotes, ele encolheu-se de horror: “não, não, senhor! Eles são meus súditos amáveis”. Depois veio a hora crítica de sua vida. Tivesse ele acariciado aquela sensibilidade natural ante o derramamento de sangue, e jamais a Noite de S. Bartolomeu teria desgraçado a história de seu reinado, e ele próprio teria escapado ao remorso terrível que o enlouquecia em seu leito de morte. A seu mérito, disse ele nas suas últimas horas de vida: “dormindo ou acordado, vejo os vultos destroçados dos huguenotes passando diante de mim. Gotejam sangue. Mostram seus rostos horrendos para mim. Apontam para suas feridas abertas e zombam de mim. Oh, tivesse eu poupado pelo menos as criançinhas de peito!” Então rompeu em gritos e gemidos agonizantes.

II. Deus faz do peso das vítimas o centro de gravidade da história.

            O sentido de MN, PRS e TQL deve ser procurado em uma direção. O oráculo pretende estabelecer, primeiramente, uma correspondência entre as moedas cada vez menores e os poderes de reis cada vez mais enfraquecidos. Na antiguidade (especialmente entre os persas), as moedas representavam pesos de metais preciosos. Moedas de menos valor representavam ao mesmo tempo pesos menores. Disso podemos relacionar: as moedas menores simbolizam pesos cada vez menores, desvanece cada vez mais o poder dos grandes reis babilônicos.
            Os reis opressores, com todo o seu peso gigante de poder, por fim não conseguem mais segurar o equilíbrio contra o peso crescente dos oprimidos, explorados e assassinados. Um dia, os poderosos mesmos se derrubam pelo peso das vítimas que produzem. Assim, pelo processo de constante opressão e exploração, eles perdem – vítima por vítima – na balança da história mundial seu próprio peso. Nisso se manifestam a cegueira e o equívoco de todos os poderosos, acreditando que suas vítimas desaparecem sem peso no nada (...) o peso dos poderosos se desvanece porque o peso daqueles que são esmagados e maltratados brutalmente torna-se, um dia, maior do que o peso dos tiranos que tudo pisoteiam. É Deus que, afinal, garante o funcionamento sincero da balança da história mundial. Os miseráveis, os excluídos, os ‘sem voz e vez’ recuperarão seu peso histórico. Deus fará, assim, do peso das vítimas e dos mártires o centro de gravidade da história.
           
III. O poder que rege o mundo e o sustenta em equilíbrio trabalha em nosso favor.

            Diante do que dissemos acima isso nos faz refletir sobre a força oculta e invisível para muitos historiadores e que mantém o peso de equilíbrio entre opressores e oprimidos na nossa história cíclica: o poder medidor constante na mão poderosa de Deus, que rege o mundo e o sustenta em equilíbrio. “Ele depõe os poderosos de seus tronos, e a humildes exalta; ele cumula de bens a famintos e despede ricos de mãos vazias, socorre Israel, seu servo, lembrando de sua misericórdia”. Saltam aos nossos olhos os perigos e graves conseqüências de um sistema de ferrenho imperialismo e opressão global que ainda está em vigor e que desestabiliza vários países e cria o ambiente para a privatizações de guerras. O menetequel de Daniel 5.25 permanece uma promessa e um alerta, apontando também para acontecimentos da nossa época que ainda rompem nossa imaginação.

Conclusão.

            Muitas vezes, erroneamente, pensamos que estamos abandonados à impunidade e às injustiças que nos cercam. Vemos muitos homens maus se darem bem na vida ou serem punidos com penas pequenas, diante disso pensamos: “não vale a pena ser bom” “a impunidade reina neste mundo”. No entanto, existe uma força oculta aos olhos de muitos que age de forma aterradora exercendo justiça na humanidade, esse força passa imperceptível diante de muitos historiadores, políticos e criminosos. Essa força sustenta e coloca em equilíbrio o universo e suas leis, a relação entre opressores e oprimidos, esta força é a mão poderosa de Deus que tudo rege e legisla. Essa força nos colocou em equilíbrio quando estávamos separados de Deus pelo pecado. Essa força devolve o equilíbrio de nossa intimidade e relacionamento com Deus, através da Graça, ela desperta a consciência dos homens para que estes enxerguem os seus pecados e se arrependam. Se formos tocados pela mão de Deus para voltarmos ao equilíbrio, que não sejamos alguém que tem consciência, mas não age. Ao contrário, que possamos fazer as boas obras do Senhor.

17 de fevereiro de 2018

Ansiosos

Texto: Mateus 6.25-34.
Introdução: A ansiedade é conceituada no dicionário como: "grande mal-estar físico e psíquico; aflição, agonia". Essa talvez seja uma das definições que mais se adéqua à realidade de nosso cotidiano. Do mesmo modo, a psicologia denomina ansiedade: "os sintomas incluem estresse desproporcional ao impacto do evento, incapacidade de superar uma preocupação e inquietação. O tratamento inclui terapia ou medicamentos como antidepressivos".
            A ansiedade é uma doença comum em nosso tempo. Não raramente encontramos pessoas que sofrem com o transtorno de ansiedade. Mas, também é comum nos comportamos como pessoas excessivamente ansiosas. Barclay afirma que as duas enfermidades típicas da vida moderna são a úlcera no estômago e a trombose coronária, em muitos casos ambas procedem da excessiva preocupação.
            Este tema nos últimos dias tem sido muito oportuno para mim, pois, sofri um acidente de moto a vinte dias. Após realizar a cirurgia para colagem da patella do joelho direito recebi uma notícia que disparou minha ansiedade: "você ficará 90 dias sem correr". Passaram-se 16 dias desde essa notícia e cada dia tem sido longo. Mas, assim como a vocês, o Senhor tem me ensinado a não ser ansioso com o dia de amanhã.
            Neste texto Jesus ensina que não devemos nos preocupar com o dia de amanhã porque a ansiedade em excesso é um pecado contra o Pai Provedor de tudo. Do mesmo modo, esse texto nos mostra que tanto a preocupação como a paz provêm, não das circunstâncias exteriores, mas sim do coração. Jesus apresenta pelo menos sete argumentos contra a ansiedade, argumentos esses que meditaremos hoje:

Contextualização: Antes de iniciar essa temática Jesus tratava do amor às riquezas, logo após Ele trata da ansiedade. Depreende-se que aqueles que não têm riquezas podem acabar sendo vítimas da preocupação por falta de fé. Daí a transição natural. Não andeis ansiosos. Não uma proibição de previdência ou planejamento, mas de ansiedade sobre necessidades diárias.
            Jesus indaga: não é a vida mais do que o alimento? Considerando que a própria vida e o corpo foram providenciados por Deus, não deveríamos confiar nele para providenciar aquilo que tem menos importância? Considerando que Deus fornece o sustento às aves que não têm capacidade de semear, colher e armazenar, quanto mais deveriam os homens, que foram equipados com essa capacidade, confiar em seu Pai celestial!
            De acordo com Barclay devemos começar nosso estudo nos assegurando de que entendemos o que é o que Jesus proíbe e o que autoriza. O que Jesus proíbe não é a prudência que prevê o futuro a fim de tomar medidas necessárias para responder, oportunamente, a suas demandas. Proíbe o afã, o angustiar-se pelo manhã antes de saber o que nos trará o manhã.
            Jesus não recomenda uma atitude displicente, que não faz provisão para o futuro nem reflete sobre o que o futuro pode significar concretamente em termos de exigências e possibilidades. Proíbe, sim, o temor ansioso, doentio, que é capaz de eliminar toda possibilidade de alegria da vida. O termo utilizado por Jesus neste texto é merimanan que se encaixa no seguinte exemplo: em uma carta que se encontrou escrita em um papiro, a esposa diz a seu marido, que está viajando: "não posso dormir nem de noite nem de dia, ansiosa (merimnan) como estou por seu bem-estar".
            Esse não era um ensinamento novo para os judeus. Sabe-se que o ensino dos grandes rabinos era que a atitude de todo crente para com a vida devia estar constituída principalmente por uma combinação de prudência e serenidade. Insistiam, por exemplo, em que todo homem devia ensinar um ofício a seus filhos homens, porque, conforme afirmavam, não lhes ensinar um ofício significava ensiná-los a roubar. Quer dizer, acreditavam que era necessário dar todos os passos recomendáveis para um desempenho prudente na vida. Mas, ao mesmo tempo, diziam: "Aquele que tem um pão em sua cesta e diz: 'O que comerei amanhã?' é um homem de pouca fé."

1o Argumento: A lição de Jesus era neste sentido: se alguém nos der um dom que não tem preço, podemos confiar que sua generosidade será sempre magnânima, que não será mesquinho nem surdo ante nossa necessidade. Portanto, o primeiro argumento é que se Deus nos deu a vida, podemos confiar em que nos dará todas as coisas que necessitamos para sustentá-la.

Ilustração: O Rabino Simeão disse: "Jamais em minha vida vi um cervo que tirasse figos, nem um leão que transportasse cargas, nem uma raposa que fosse comerciante, e entretanto todos eles se alimentam, sem afã algum. Se eles, que foram criados para me servir, vivem sem preocupações, quanto mais eu, que fui criado para servir a meu Criador, deveria viver sem trabalhar em excesso por meu alimento; mas eu corrompi minha vida, e desse modo, prejudiquei minha substância."

2o Argumento: Nunca armazenam o que podem chegar a necessitar em um futuro imprevisível.

3o Argumento: A preocupação é inútil: que por mais que nos preocupemos não podemos acrescentar nem um dia à nossa vida.

4o Argumento: Os lírios do campo a que faz referência são provavelmente as papoulas e as anêmonas. Floresciam silvestres, durante um só dia, nas serranias da Palestina. Quando se desejava elevar a temperatura desses fornos de modo rápido, adicionavam-se ao fogo molhos de ervas e flores silvestres secas e uma vez acesos eram postos dentro do forno. Se Deus outorgar tanta beleza a uma flor, que somente viverá umas poucas horas, quanto mais fará a favor do homem? Certamente uma generosidade que é tão pródiga com uma flor de um dia, não deve esquecer do homem, que é a coroa de toda a criação.

5o Argumento: A ansiedade é essencialmente desconfiança com respeito a Deus. Tal desconfiança é compreensível em um pagão, que acredita em deuses egoístas, caprichosos e imprevisíveis, porém não se pode aceitar nos que aprenderam a chamar a Deus com o nome de Pai. O cristão não pode trabalhar em excesso porque aprendeu a acreditar no amor de Deus.

6o Argumento: Tal amor pode ser capaz de inspirar o trabalho, intensificar o estudo, purificar a vida, dominar a totalidade do ser. A convicção de Jesus é que quando Deus se torna o poder dominante de nossas vidas desaparece toda ansiedade.

7o Argumento: Jesus afirma que a preocupação pode ser derrotada, aprendendo a arte de viver um dia de cada vez (V. 34). Os judeus tinham um dito que afirmava: "Não se preocupe com os males de amanhã, porque você não sabe o que lhe pode trazer no dia de hoje. Amanhã talvez você não esteja vivo, e então você terá ficado preocupado pelos males de um mundo que não lhe pertencerá." A recomendação de Jesus é que deveríamos enfrentar cada dia segundo suas próprias exigências, sem preocupar-se com um futuro que não somos capazes de prever e por coisas que provavelmente nem sequer aconteçam.

Considerações finais: O homem que alimenta seu coração com a história do que Deus tem feito no passado, nunca temerá pelo futuro. É possível que haja pecados piores que a ansiedade, mas certamente nenhum é tão prejudicial, nenhum tão paralisante. "Não pensem no manhã com ansiedade", é o mandamento de Jesus, e este é o caminho que há que nos levar não somente à paz, mas também ao poder.

14 de janeiro de 2018

As duas multidões.

Texto: Lucas 7.11-15.
Introdução: pastor Carlos Alberto conta que no ano de 1977 um amigo dele faleceu numa determinada cidade da Paraíba. Esse amigo era o tipo de pessoa que conquista rapidamente sua simpatia, gente finíssima. No seu velório havia uma multidão de pessoas, ele era bem relacionado. Após o velório todos desceram para o cemitério que fica no final da rua em que ele morava. Todos em prantos, rostos tristes e semblantes cabisbaixos. No entanto, após a cerimônia de enterro todos subiram a rua, uns ficaram em um bar para beber, outros entraram num supermercado, outros subiram dando risadas e conversando sobre outras coisas. Isso deixou o pastor Carlos Alberto intrigado. Ele pensou: “muitos aqui não conheciam verdadeiramente o meu amigo. Muitos não sabiam os gostos, o timbre da voz dele, nem sequer a cor dos olhos dele”. Partindo desse ocorrido, proponho para todos nós meditarmos na passagem que narra a história do enterro do filho da viúva de Naim.

·         O Senhor compadece-se não apenas de uma pessoa cuja grande fé é admirável, mas também demonstra sua comiseração quando o lamento na miséria fez desaparecer qualquer vestígio de fé.
·         Os três elementos desse v. 12 descrevem uma tríplice aflição, que se intensifica a cada elemento e provoca uma compaixão cada vez maior.
·         1) Um jovem havia falecido. De acordo com o AT, ser ceifado na metade dos dias na terra representava um juízo (Sl 55.23; 102.25).
·         2) A morte do único filho é um juízo particularmente duro de Deus e por isso é motivo de luto extraordinário. Em I Reis 17.18 a viúva de Sarepta, na Fenícia, diz ao profeta Elias, quando seu único filho havia morrido: “Ó homem de Deus… Vieste a mim para trazeres à memória a minha iniqüidade e matares o meu filho!”
·         3) A mãe enlutada era viúva. Do AT depreende-se que a condição de viúva era muito dura em Israel. Em numerosas passagens bíblicas é dito que uma viúva depende da compaixão, porque está sem arrimo e ajuda. De acordo com a opinião judaica, um castigo de Deus era especialmente duro quando transformava mulheres em viúvas. Por isso aqui o lamento é duas vezes maior (Rt 1.20s; 1Tm 5.5; Jó 24.3).

I. A multidão que segue a morte: Antigamente, em muitas cidades do interior um enterro é um evento. Determinado pastor paraibano conta que quando era menino, ele saía do futebol para ver um enterro. Paravam o jogo e iam ver o defunto. Entravam no velório, olhava o rosto do falecido e depois retornavam para o seu futebol. Se antigamente era assim aqui no Brasil, na cidade de Naim era um evento ainda maior. Acompanhava o caixão uma grande parte das pessoas da cidade. A mulher amargava a tristeza de ter perdido o seu marido que lhe dava o sustento e agora sua esperança estava no seu filho homem que veio a falecer, morria com aquele menino, a história e a esperança daquela mulher. Muitas das pessoas que estavam naquele cortejo muitos não conheciam verdadeiramente aquele menino, sabiam os seus gostos, o timbre de sua voz, nem quem sabe a cor de seus olhos. Não tinham nada a ver com ele, era aram apenas multidão, eram apenas curiosos, era apenas platéia. O texto nos conta que enquanto essa multidão saía da cidade em direção ao cemitério, ela se encontrou com outra multidão.

II. A multidão que segue a vida: uma multidão seguia a Jesus saindo da cidade de Cafarnaum em direção a Naim. A distância girava em torno de um caminho de um dia. Jesus Cristo, o verbo de Deus encarnado o autor da vida lidera essa multidão. Em um momento ali se reúnem as duas multidões, a da vida e da morte. De certa maneira ali se encontram as duas multidões do mundo. Sim, porque de alguma maneira estamos sempre seguindo algum grupo, seguindo alguma tendência, algum pensamento, alguma filosofia e algum entendimento. É verdade que existem uns que nem sabem a quem estão seguindo. Mas vão seguindo assim mesmo. Não sabem quem é o santo que vai à frente, mas ainda assim vai atrás cantando Hosanas e aleluias.

Ilustração: Alguns anos atrás no Jornal Nacional transmitiram uma matéria sobre a história de uma cidade do interior do Ceará chama de São Gonçalo do Amarante. Essa cidade entrou para rede nacional porque a cidade estava completando 100 anos, mas não foi por causa de seu aniversário que ela entrou para o noticiário. É que coincidentemente, junto com a comemoração do aniversário essa cidade estava recebendo uma imagem do seu santo padroeiro, São Gonçalo do Amarante. É que durante cem anos aquele cidade esteve em procissão atrás de uma imagem, convencidos de que aquela imagem era de São Gonçalo do Amarante. No entanto, mudou-se o padre da cidade e chegou um padre mais novo, menos experiente e mais instruído. E ele olhou e viu que a imagem de São Gonçalo do Amarante não estava com cara de São Gonçalo, e ele pesquisou e viu que aquela imagem era de São Domingos Gusmão. Rapidamente, comunicou a Santa Sé. E a Santa Fé como presente de aniversário de 100 anos da cidade enviou a imagem certa. Durante 100 anos aquelas pessoas fizeram promessa para o santo errado. Por 100 anos elas se ajoelharam para o santo errado. Por 100 anos elas estavam na procissão do santo errado.

Considerações Finais: Não faz a menor diferença se estamos na procissão de São Gonçalo do Amarante ou do Anjo Gabriel, não estivermos na multidão que segue Jesus Cristo. E precisamos ter consciência de quem estamos seguindo. Se estamos seguindo Jesus estamos seguindo para a vida eterna.
       Depois de estabelecer a quem estamos seguindo, precisamos estabelecer qual é nosso papel nessa caminhada. Assim, como na multidão que seguia a morte em Naim e havia curiosos que não tem nada a ver com quem vai à frente. A multidão da vida, vindo de Cafarnaum era formada por Jesus Cristo, Seus discípulos e numerosa multidão com muitos curiosos que estavam ali pela possibilidade do espetáculo, pela chance de ver um milagre, pelo momento do show, mas não tem nada a ver com Jesus Cristo. São pessoas que não sabem quem é Jesus. Não conhecem as profecias a seu respeito. Não tem a menor ideia do porque Jesus utilizava a expressão “eu sou” (eu sou o pão da vida, eu sou a luz do mundo, eu sou o bom pastor) nos evangelhos, não imaginam que é o mesmo termo utilizado por Deus Pai no antigo testamento. A multidão não dava a mínima para os sermões que ele pregava, 05; não se importava e nem entendia as parábolas, cerca de 30; nem compreendiam os milagres, apenas aplaudiam.
        Dois mil anos se passaram e as coisas não mudaram. Temos duas multidões que seguem a morte, chamada por diferentes nomes (até de igreja). E a multidão que segue a vida que só tem um nome, Jesus Cristo. Em qual delas você está? Quem vai a sua frente?
E a terceira questão: quem é você nessa procissão? Porque se for pra ser apenas “multidão”, se for pra ser platéia não faz a menor diferença se está seguindo o menino morto ou Jesus Cristo. Quem é você e qual o seu papel. Na procissão de Jesus Cristo só havia discípulos e multidão. Jesus Disse: “sereis meus discípulos se guardares os meus mandamentos”. Essa palavra é para mim e para você. Não adianta estar na procissão certa, mas não estar na perspectiva certa. Das pessoas que Ele se importou qual lhe tocou, dos sermões que ele pregou qual falou mais com você? Cristianismo é seguir Jesus Cristo.
        Chegou a hora de deixarmos de ser platéia. Deixar de ser torcida organizada que pula, veste a camiseta e bate palma, Jesus nos chama para sermos discípulos. Há quantos anos você freqüenta esta igreja, a quantos anos você vem aqui, ouve um sermão, gosta e vai pra casa, até comenta. Mas nunca se assumiu. Está esperando o quê? Assuma-se, porque Jesus Cristo se assumiu por você, de um modo humilhante e doloroso. Então vamos nos assumir. A hora é agora. Deus abençoe. Oremos. 

15 de dezembro de 2017

As tentações da vida.

Texto: Mateus 4.1-11.
Introdução: Devemos observar que Jesus foi tentado logo após ser declarado Filho de Deus e Salvador do mundo. Os grandes privilégios e os sinais especiais do favor divino não asseguram a ninguém que não possa vir a ser tentado. Porém, se o Espírito Santo dá testemunho de que temos sido adotados como filhos de Deus, isso contestará todas as sugestões do Espírito mal (Henry).
O objetivo do Diabo era levar Cristo, o Ungido, Filho de Deus, a pecar. Apenas um pecado seria o suficiente, desqualificando o Salvador, frustrando assim, o plano de Deus para a redenção humana. O objetivo de Deus foi provar que seu Filho – perfeitamente divino e perfeitamente humano – viveu, contudo, isento de qualquer pecado; sendo, portanto, um Salvador perfeitamente digno e suficiente. Jesus escolhe uma passagem das Sagradas Escrituras (Dt 8.3) para responder ao tentador e a todos quantos têm seus valores invertidos por ganância, egoísmo e inveja.
Observamos que Cristo sofreu quando foi tentado. Da mesma maneira, as tentações, quando não cedemos a elas, não são pecado. Mas são aflições. Outro exemplo disso é o caso de José. Ele, mesmo não cedendo com a mulher de Potifar, sofreu para se desvencilhar e ainda foi preso e injustiçado.

1ª Tentação: perder a esperança na bondade de Deus. O inimigo coloca em dúvida a bondade de Deus. Ele tenta se aproveitar de nossas condições exteriores. Todos que se encontra em algum tipo de aperto devem redobrar a guarda.  Jesus venceu essas dificuldades respondendo “está escrito”. Não podemos seguir o rumo de nossas próprias opiniões, quando nossas necessidades forem urgentes.

2ª Tentação: desconfiar dos cuidados e proteção de Deus. Poucos perigos são maiores que o desespero e a presunção, especialmente sobre assuntos relacionados a alma. A cidade santa é o lugar aonde o inimigo mais tenta as pessoas à presunção e orgulho. Todos os lugares altos são escorregadios. O Inimigo está bem versado nas Escrituras e é capaz de citá-las facilmente? Sim. É possível que um homem tenha sua cabeça cheia de noções das Escrituras, e sua boca cheia de expressões das Escrituras, enquanto seu coração esteja cheio de inimizade inflamada contra Deus e contra toda bondade
O orgulho, arrogância e empáfia do Diabo não lhe permitiram compreender, muito menos aceitar, a resposta que Cristo lhe dera. O Diabo tenta, então, replicar, usando também uma passagem bíblica (Salmos 91.11-12), mas omitindo parte do texto sagrado.

3ª Tentação: ganância e poderSatanás, como príncipe do sistema econômico, político e social do nosso planeta (em grego, Kosmos, que significa: mundo), estava em seu direito ao ofertar a Jesus as glórias de todos os reinos da terra, pois de fato estes lhe foram entregues por algum tempo. Jesus manteve-se, porém, íntegro e fiel, resistindo e vencendo a tentação e o tentador.
A glória do mundo é a tentação mais encantadora para quem não pensa e não se dá conta; isto é o que mais facilmente vence os homens. Em outro texto do Evangelho Jesus responde: “de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma?”.

Considerações Finais: Após a tentação Cristo foi servido e estimulado pelos anjos. Isso nos ensina que os cuidados de Deus e sua bondade nos atingirão para nos estimular quando vencermos a tentação. Sim, vale a pena vencer e resistir ao mal. 

3 de dezembro de 2017

A preparação para o ministério.

Texto: Mateus 03.
Fontes: HENRY, Mattew; NASCIMENTO, Job.
Introdução. O texto nos mostra que João Batista habitava e andava pelo deserto da Judéia. Esse deserto não era desabitado, mas também não era populoso. Matthew Henry afirma que “nenhum lugar é tão remoto a ponto de excluir-nos da visita da graça”. Do mesmo modo, nenhuma consciência encontra-se tão adormecida que não possa ser despertada pelo Espírito Santo.
            Nas mensagens de João Batista estava presente a temática do arrependimento. Para ele o início da vida com Deus iniciava com uma mudança de pensamento (metanóia). O arrependimento implica uma mudança no juízo, na disposição, nos afetos, uma inclinação melhor para a alma. A mudança de pensamento, consequentemente, gera uma mudança de caminho.
            É importante destacar que muitos desceram às águas do batismo de João, mas poucos ficaram firmes na confissão de fé que fizeram publicamente. Isso lança luz sobre a vida cristã na contemporaneidade, podem existir muitos ouvintes interessados, mas poucos crentes verdadeiros. A curiosidade pode levar muitas pessoas a ouvirem a Palavra, no entanto, muitas nunca se submetem ao seu poder.

I. Ser cheio do Espírito: pré-requisito para o ministério. Atualmente vemos muitos se preocuparem exclusivamente com a preparação intelectual para o ministério. Não negamos que a capacitação contínua é importante. No entanto, alguns se esquecem do essencial para o serviço cristão: ser cheio do Espírito Santo. Podemos citar alguns exemplos bíblicos da importância de ser cheio do Espírito:
            Eliseu para suceder o ministério profético de Elias ele pediu para receber da porção do Espírito que estava sobre Elias; Jesus foi cheio do Espírito e logo após foi para o deserto para ser tentado; os apóstolos antes de realizarem a obra evangelística foram cheios do Espírito no dia de Pentecostes. Após ser cheio pelo Espírito, Pedro pregou e quase três mil pessoas se converteram a Cristo.
          A primeira coisa que devemos aspirar em nossos ministérios não é o reconhecimento público, mas, ao contrário, temos que desejar ardentemente ser cheios do Espírito.

II. Dar frutos: uma consequência do ministério. O Evangelho é claro: a árvore que não der frutos será cortada e lançada no fogo (Mateus 3.10). Segundo Matthew Henry: “toda árvore com muitos dons e honras, por mais verde que pareça em sua profissão de fé e desempenho exterior, se não der bons frutos, dignos de arrependimento, é cortada e lançada ao fogo da ira de Deus, que é o lugar próprio para as árvores estéreis”.
            Frequentemente nos preocupamos tão somente com o não cometimento de erros morais, como: mentir, roubar, adulterar etc., mas isso é algo bastante raso quando se trata do Evangelho. Jesus disse que nossa justiça deve exceder a dos fariseus. Em outras palavras Ele estava dizendo que o cumprir dessas atividades morais deve ser algo bem básico, corriqueiro e habitual. Nós devemos também nos preocupar com os frutos.
            Em outra passagem Jesus encontra-se com uma figueira que estava bem vistosa e aparentava ter frutos. Entretanto, não era época de figos. Ao chegar nesta árvore Jesus reparou que ela não tinha frutos, por isso ele verbalizou que ela secasse. Do mesmo modo, muitos de nós nos comportamos como esta figueira, vistosos aparentamos ter bastantes frutos. No entanto, nossos frutos são apenas discurso.
Destaque-se sempre que nossos corações corruptos não podem dar bons frutos, a menos que o Espírito Santo implante a boa Palavra de Deus neles. Por isso precisamos ser cheios do Espírito.

III. Ser cheio do Espírito para vencer o maligno: conforme já dissemos acima, Jesus foi batizado e, no mesmo ato, cheio do Espírito para logo em seguida ser levado para o deserto e ser tentado pelo inimigo. É preciso estar cheio para vencer o mal. Essa verdade encontra-se presente também nas palavras do apóstolo Tiago quando ele diz: “sujeitai-vos a Deus, resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós”.
            Em outra passagem encontramos alguns homens que foram expulsar demônios em nome do Deus de Paulo. Os demônios falaram: “sabemos quem é Jesus e conhecemos Paulo, mas vocês quem são?”, aqueles homens foram humilhados, apanharam e fugiram pelados pelas ruas. É preciso estar cheio do Espírito para vencer o inimigo e as dificuldades da vida cristã.

Considerações Finais: Somente o poder purificador do Espírito Santo é que pode produzir a pureza de coração e seus santos afetos. Por isso precisamos ansiar constantemente por sermos cheios do Espírito Santo. Destaque-se ainda que os cristãos verdadeiros são como trigo, substanciosos e úteis. Por outro lado, os hipócritas são como palha, são levianos, vazios e inúteis.
No batismo de Jesus houve uma manifestação das três pessoas da Trindade: o Pai confirmando o Filho como Mediador; o Filho que se encarrega da obra; O Espírito Santo que desce sobre Jesus para ser comunicado ao povo. Em Jesus os nossos sacrifícios espirituais são aceitáveis, porque ele é o altar que santifica todo Dom. Deste modo, para os que não estão em Cristo, Deus é fogo consumidor; para aqueles que estão em Cristo, um Pai reconciliado. Que possamos provar das bênçãos do Pai amoroso.

12 de novembro de 2017

Jesus, a reconstrução da história do homem com Deus.

Texto: Mateus 2.
Introdução: Certamente há uma coisa mais difícil que fazer, é refazer. Refazer é mais complicado. Refazer traz consigo memórias, registros. Refazer funciona como um filme que a cada passo que nós damos para frente existe motivos para darmos dois para trás. Refazer é dar um passo para traz para ir para frente. Refazer é uma marcha-ré para manobrar para frente. Assim é a história do nascimento de Jesus. É uma reconstrução sobre o monturo, sobre o lixo e sobre a ruína da humanidade.
Nosso Senhor Jesus escolheu uma pequena cidade da Judéia para nascer, Belém. Nesta cidade simples Ele nasceu em um lugar ainda mais simples, uma estrebaria. O grande Rei nasceu num dos lugares mais vis da terra. Sem auxílio, muito provavelmente, de parteira ou médico Maria deu a luz ao Príncipe da Paz. Entre os povos do oriente era corrente o entendimento de que quando um grande rei vinha ao mundo a sua estrela aparecia nos Céus para indicar o caminho para seus súditos o adorarem. Note-se que o texto não nos diz que eram três os magos, mas sugere-se esta quantidade pelo número dos presentes: ouro, incenso e mirra. Ainda, é preciso dizer que eles não eram reis, apenas magos. Quando chegaram perto, indagaram Herodes onde encontrariam o novo rei. Herodes faz uma conferência e pergunta para os principais líderes e estudiosos, eles sabiam exatamente onde Jesus nasceria, porém não conseguiram reconhecê-lo nem dar-lhe glória. Jesus tem sido identificado em nossas vidas? Jesus nasceu em nossos corações? Temos um conhecimento sobre a vida de Jesus ou fomos transformados pela vida do Mestre?

Curiosidades: Sobre a estrela: pode ter sido uma conjunção planetária, uma supernova ou algo simplesmente sobrenatural. Qualquer que tenha sido o caso, alude à estrela de Jacó (Números 24.17), que foi profetizada por outro gentio, Balaão.

I. Conhecer não significa intimidade: os principais sacerdotes e escribas sabiam muito sobre o messias: onde iria nascer, como se chamaria e qual seria o seu ministério. Citaram vários profetas sustentando sua argumentação. No entanto, conhecimento não significa intimidade nem proximidade. Muitas vezes nos deparamos com alguém que diz: ‘fulano é meu amigo’, mesmo ele apenas o cumprimentando na rua. Neste caso confunde-se familiaridade com intimidade. Esta pessoa pode ter uma política de ‘boa vizinhança’, entretanto, não tem conhecimento suficiente para se assentar e comer à mesa com ‘fulano’. Os peritos religiosos concluíram dos profetas que o Messias devia nascer em Belém, mas nenhum deles preocupou-se em fazer a curta viagem com os magos, para ver a Cristo. Algumas vezes nós dizemos saber tudo sobre Cristo, mas não nos dispomos a andar alguns metros para adorá-lo ou falar de seu amor para nosso próximo.

II. Jesus nasceu em nossos corações? Após os magos falarem da estrela que viram do oriente, esse sinal foi perturbador para Herodes. Havia muitas suspeitas que faziam-no ver complôs por toda a parte. Além disso, havia na Judéia constantes perturbações por causa de falsos messias. Tendo, pois, ouvido falar do menino que nascera rei dos judeus, muito mais temeu pelo trono. Por isso, buscou matar aquele que considerava seu rival político. O povo judeu a muito tempo achava que uma mudança grande estava prestes a acontecer em Israel e no mundo. O rei dos judeus foi diligentemente procurado por pessoas que não eram de seu povo. Ora, Jesus nasceu em terra Judéia, no entanto, os seus não reconheceram. Isso demonstra nossa dificuldade em reconhecer a graça que nasce em nosso quintal. É muito mais fácil ouvir o Ching Ling que vem do oriente do que ouvir o João que é meu vizinho. Mas se Jesus nasceu em nossos corações nós não temos mais essa consciência de tempo e espaço. Nós sabemos que Ele pode se manifestar em qualquer lugar e em qualquer pessoa, especialmente simples e humildes.

Ilustração: Havia um sujeito que pertencia a um clube de ateus. Uma noite foi escutar um sermão de George Whitefield e, na próxima reunião do clube, pediu a palavra e começou a repetir ao pé da letra o que tinha escutado, com o fim de caçoar a religião. Enquanto falava, imitando o tom de voz e os gestos de Whitefield, empalideceu, parou, sentou-se e logo confessou a seus amigos que, enquanto “pregava”, o sermão atingiu seu coração e foi convertido. O clube se dissolveu. Este homem foi o irmão Thorpe, de Bristol, a quem Deus usou poderosamente para a salvação de muitas pessoas. Prefiro que você leia a Bíblia, nem que seja para zombar dela, a que não leia. Prefiro que venha ouvir a Palavra de Deus, odiando-a, do que não venha.

III. Temos conhecimento sobre a vida de Jesus ou fomos transformados? Será que o Evangelho é um texto que nós dominamos ou nós somos dominados e transformados por ele? Essa é uma pergunta crucial para nossa cristã. O conhecimento é bom, mas não significa proximidade ou intimidade. Deus pode usar a qualquer um, até mesmo uma jumenta. Melhor é ser alguém curado falando sobre uma enfermidade do que ser um teórico da doença. Certo poeta cearense disse: “eu não estou interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia, nem romances astrais. A minha alucinação é suportar o dia a dia e meu delírio é experiência com coisas reais. Longe o profeta do terror como a laranja mecânica anuncia, amar e mudar as coisas me interessa mais”. O Senhor está interessado mais em pessoas que colocam em prática o que ouve, mais do que aqueles que teorizam e dissecam suas palavras.

Considerações Finais: É hora de reconstruir. É hora de recomeçar. É hora de olhar para si mesmo e ver o que nos tornamos e aceitar a desconstrução e reconstrução do Senhor. É hora de dizer: Senhor, não tenho nenhuma opinião sobre a reconstrução, eu não tenho ideia de onde começar, aceito totalmente a tua obra e a tua vontade, me molda por completo.

22 de outubro de 2017

Antecedentes de um Rei.

Autor: NASCIMENTO, Job.
Título: Os ascendentes de Jesus Cristo e sua relevância na introdução ao Evangelho.
Texto: Mateus 1.1-17.
Introdução: Neste texto o evangelista Mateus elenca o nome dos ancestrais de Jesus Cristo e sua caminhada até chegar ao nascimento do Messias. Esta lista foi feita porque os judeus eram muito aficionados em genealogias. Mateus objetivava argumentar que Jesus era descendente de dois importantes homens de Deus na história, Abraão e Davi. Não por acaso, a lista de Mateus inicia em Abraão, o pai da fé, aquele que deixou seus parentes e suas terras e seguiu em direção a uma promessa.
            Davi, homem segundo o coração de Deus, devido a sua dedicação ao Senhor foi-lhe prometido que o reino de Israel sempre teria um descendente de Davi. Os profetas, posteriormente, afirmaram que o Cristo nasceria de Judá, em Belém. Esses são alguns pontos que foram enfatizados por Mateus em sua genealogia, com o fim de provar que Jesus era o Cristo, o Messias. A promessa feita a Davi teve seu cumprimento no nascimento de Jesus Cristo.
            Entretanto, na lista de Mateus temos alguns nomes que aos olhos humanos não poderiam constar, devido a seu estilo de vida, a sua descendência ou a algum erro que cometeram. No entanto, até mesmo na genealogia de Jesus encontramos graça. Pessoas que tiveram uma segunda chance em sua vida e receberam a honra de integrar a lista de ancestrais de Jesus Cristo para toda a posteridade. Entre os diversos nomes encontramos três mulheres controversas: Raabe, Rute e a mulher de Urias.
            São pessoas improváveis, que não deveriam estar na genealogia de Jesus pela ótica da sociedade. Mas devido a um ato de fé ou de graça, foram eternizadas na lista de ascendentes de um Rei Eterno, Jesus Cristo.

I. Raabe uma mulher afligida pela sociedade: Esta mulher, segundo consta em Josué 2.1 ela era uma prostituta. Talvez ela não tivesse qualquer oportunidade para ter outro tipo de trabalho; foi influenciada a entrar nessa profissão; condicionada pela família ou inúmeras outras razões. Mas pelo seu ato de abrigar e salvar a vida de dois espiões enviados por Josué ela foi salva. Raabe teve uma oportunidade de reconstruir sua vida ao lado de um israelita de nome Salmom.
            Encontramos algumas passagens na Bíblia que fazem referência ao nome de Raabe, como alvo da graça e participante da promessa messiânica, como Salmos 87.4: “entre os que me conhecem incluirei Raabe”; Hebreus 11.31: “pela fé a prostituta Raabe, por ter acolhido os espiões, não foi morta com os que haviam sido desobedientes”; Tiago 2.25: “caso semelhante é o de Raabe, a prostituta: não foi ela justificada pelas obras, quando acolheu os espias e os fez sair por outro caminho?”
         Raabe era uma prostituta. Mas o evangelho não pergunta sobre nossos antecedentes, o evangelho se preocupa com nossa postura de fé. A fé fez Raabe romper com seu povo e, por isso, ela teve uma segunda oportunidade em sua vida. Ela recebeu a glória de estar eternizada na galeria de nomes da genealogia de Jesus, mostrando que para o caminho com Deus não exige lista de pré-requisitos, ao contrário, o convite é apenas para uma caminhada de fé, onde o mais importante é o que Deus pensa e não o que a sociedade acusa.

II. Rute, uma mulher insistente: Rute era uma mulher moabita (um dos povos rivais de Israel no Antigo Testamento) ela havia se casado com um homem israelita. Essa união a luz das normas de Israel não era permitida. Entretanto, ela foi ministrada e acompanhada por uma boa sogra. Após a morte de seu esposo Rute poderia voltar para seu povo, poderia retornar para sua casa e casar-se com outro homem e seguir sua vida. No entanto, ela apegou-se com sua sogra e disse: “teu povo é meu povo, o teu Deus é meu Deus” (Rute 1.16).
            Essa afirmação de Rute demonstrou o que estava em seu coração. Ao seguir na caminhada de fé com sua sogra e após insistência e trabalho junto à fazenda de Boaz, acabou recebendo graça e uma segunda oportunidade para sua vida. No ano do jubileu, aonde um parente mais próximo resgatava alguém de sua família que era escravo ou algo semelhante, Boaz resgatou a Rute e se casou com ela. Dessa relação nasceu Obede, o pai de Jesse, avô do Salmista Davi.
            Aos olhos puristas de um israelita do antigo testamento não era possível que uma mulher moabita tivesse oportunidades na sociedade. Mas Deus não olha para as características colocadas na vida de uma pessoa, seja prostituta, bastarda, viúva ou qualquer outra coisa. Fomos todos adotados pelo mesmo pai e estamos na mesma condição espiritual diante de Deus. Rute, uma moabita, através de sua fé foi inserida no rol de nomes que integram a genealogia de Jesus Cristo.

III. A mulher de Urias, uma mulher sem nome. Essa talvez seja uma das figuras mais controversas da bíblia. Esta mulher deitou-se com o Rei enquanto seu esposo estava na guerra. Seu esposo era um homem valoroso, isso é o que se depreende quando ele volta para a corte e ao ser enviado para casa ele dorme na porta do palácio porque não era capaz de deitar-se com sua esposa enquanto seus companheiros estavam lutando e morrendo em guerra.
            Mateus não dá nome à mulher de Urias. Mas nós sabemos que é Bate-Seba (conforme o Antigo Testamento). Talvez ela tivesse sido maltratada e difamada no reino por ter adulterado com o rei enquanto seu esposo morria no campo de batalha. Ela poderia ter feito diversas coisas, poderia ter se matado devido a pressão social que sofreu; poderia ter tentado fugir; poderia ter pedido para ir embora para Davi. No entanto, ela sofreu as consequências de seu erro ao perder seu filho. Davi orou, jejuou e buscou. Mas após a morte da criança ele levantou-se e seguiu.
            Mesmo tendo recebido tantas coisas da sociedade, tanta opressão. Ela seguiu. E aqui mostra a realidade do evangelho que é um convite para ser, apenas. E não realizar uma série de obras. Talvez a maior coisa que ela tenha feito foi a criação de seu filho Salomão. Salomão foi o rei mais sábio e mais rico de seu tempo e ele nasceu de uma mulher que tinha sido adultera. Deus dá segunda chance para todos, porque a sua graça não trabalha com nossos critérios meritórios.

Considerações Finais: A graça nasce em lugares mais improváveis. Aonde abundou o pecado, superabundou a graça de Deus. Essas mulheres que estão presentes na genealogia de Jesus Cristo representam uma síntese do evangelho. Elas tiveram uma segunda chance, tiveram a oportunidade de recomeçar, nasceram de novo. Isso mostra que para Cristo não existe pessoas às margens do evangelho. Todos podem ser atingidos por essa graça e amor que nos transcende.
            De alguma forma estamos ligados com estas mulheres (Raabe, Rute e a Mulher de Urias). Nossas histórias eram complexas, tiveram altos e baixos, no entanto, o Espírito nos chamou e a Graça de Deus nos alcançou, de modo que hoje somos um em Cristo. A confissão de que nada somos e que precisamos de Jesus nos une, conforme Ratzinger: quem acredita em Jesus entra por meio da fé na Sua origem pessoal e nova, recebe essa origem como própria. Todos os crentes, em primeiro lugar, “nasceram do sangue e da vontade do homem”; mas a fé lhes dá um novo nascimento: entram na origem de Jesus Cristo, que agora se torna a sua própria origem. Em virtude de Cristo, através da fé n’Ele, agora nasceram de Deus[1].
            É por isso que eu creio no Evangelho. Não existe perdido que não possa ser achado; não existe consciência adormecida que não possa ser despertada pelo Senhor; não existe pessoa que não possa nascer de novo, mesmo que ela seja uma prostituta, uma viúva ou adúltera. Deus é Deus dos excluídos.



[1] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré – Infância. 2ª edição. São Paulo: Planeta, 2017. P. 19.