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25 de junho de 2013

Por William Cowper

Deus se move de forma misteriosa
Para realizar suas maravilhas
Ele imprime suas pegadas no mar, 
E cavalga sobre a tempestade.

Fundo, em minas imensuráveis
De habilidade que nunca falha,
Ele entesoura seus desígnios brilhantes
E opera sua vontade soberana.

Vós, santos medrosos, renovai a coragem!
As nuvens que tanto temeis,
São grandes em misericórdia e irromperão
Em bênçãos sobre nossas cabeças.

Não julgue o Senhor com débil entendimento,
Mas confie nele para sua graça.
Por trás de uma providência carrancuda,
Ele oculta uma face sorridente...

Seus propósitos amadurecerão rapidamente,
Desvendando-se a cada hora,
O botão pode ter um gosto amargo
Mas a flor será doce.

A incredulidade cega certamente errará 
E esquadrinha sua obra em vão
Deus é seu próprio intérprete 
E Ele o tornará claro.

3 de julho de 2012

Um olhar, um sorriso.

Por Job. Nascimento

Eles eram sozinhos, andarilhos, perdidos. Caminhavam juntos percorrendo os mais diversos lugares, focando nas paisagens. Eram dirigidos por uma mente reflexiva que utilizava-os como porta-vozes de alguma teoria. 
Vivo e cheio de si o sorriso andava. Com passos firmes e sendo dirigido por sua portadora. O acaso fez eles se encontrarem. O sorriso transformou os olhos distantes num olhar atencioso. A distancia os separou e o olhar atencioso vive de lembranças.

25 de setembro de 2011

Soneto da fidelidade

Por Vinicius de Moraes

De tudo, ao meu amor ser atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.


E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu posso (me) dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

13 de setembro de 2011

As misericórdias do Senhor


Por T.O. Chisholm

As misericórdias de Deus, que tema para meu cântico!
Oh! Eu nunca os poderia enumerar a todos;
São mais que as estrelas na abóbada celestial,
Ou mais que as areias da praia batida pelo mar.
Por misericórdias tão grandes, que posso dar de volta?
Por misericórdias tão constantes e tão certas?
Eu o amarei, eu o servirei, com tudo quanto tenho,
Enquanto a minha vida perdurar.

23 de agosto de 2011

Cale a boca

Por Helder Nozima

Cale a boca! Sequer tente bocejar
Não sorria, não separe os lábios
Não deixe sair, reprima, esconda
Não, não...não!

Não importa o que você sente
Se seu peito está prestes a estourar
Se a dor ou a fome te devastam
Seu grito não pode sair!

Sussurre e seu mundo cairá
Uma multidão de olhos e de dedos
Apontados pra você, ávidos
Para te expor, te ferir, te acusar!

Engula suas palavras,
Enxugue suas lágrimas
Antes mesmo que caiam de seus olhos
Não deixe ninguém perceber

Esconda suas dúvidas, seus temores
Seus desejos, suas decepções
Ninguém, ninguém pode saber
Quem você realmente é ou o que sente

Deixe que te rasguem por dentro,
Dividindo sua fé e seu coração
Criando um buraco cheio de dúvidas
De angústias, de dores, de acusações!

Deixe que pensem que sua cabeça está aqui
Quando eu a prendi no passado e no futuro
Dividida entre aquilo que você já teve
E aquilo que tanto desejas encontrar

Faça-os acreditar que sabes para onde vai
Que queres, de fato, o melhor, o excelente
Que concordas com os sensatos
E que vives segundo seus conselhos

Seja homem, ainda que sejas menino
Mostre força, mesmo que sejas débil
Fale como sábio, embora sejas tolo
Faça-se de feliz, quando, na verdade...

Quando...
Na verdade...
Bem.
Você entendeu.

Fonte: Poesias e Confissões de um Nipo-reformado
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26 de janeiro de 2011

As obras poéticas

Por Willian Cowper

Suponhamos (no calor da fantasia,
O pensamento o que suporia?)
Uma ilha com gente bem normal,
Mas que é cega, apesar de racional.
Que a suposição não nos desassista
E na praia coloque um oculista
Que asseste as lentes para detectar
Se os olhos deles podem enxergar.
Descobre que seus instrumentos não
Produzem luz, se reina a escuridão.
Faz palestras, descreve, em voz convicta,
Algo inaudito à multidão aflita.
fala de luz, de matizes prismásticos,
No estilo de eruditos catedráticos.
Mas a resposta que consegue é: "Gente!
Que viajante esquisito, e como mente!"

22 de outubro de 2010

El libro de los abrazos


GALEANO, Eduardo. El libro de los abrazos, p.59, 1989.

Los nadies: los hijos de nadie, los dueños de nada.
Los nadies: los ninguneados, corriendo la liebre, murriendo la vida, jodidos, rejodidos:
Que non son, aunque sean.
Que no hablan idiomas, sino dialectos.
Que no profesan religiones, sino superticiones.
Que no hacen arte, sino artesanía.
Que no practican cultura, sino folklore.
Que no son seres humanos, sino recursos humanos.
Que no tiene cara, sino brazos.
Que no tienen nonbre, sino número.
Que no figuran en la história universal, sino en la crónica roja de la prensa local.
Los nadies, que cuestan menos que la bala que los mata.

21 de outubro de 2010

Elegia

Por Pablo Neruda

Porque eu, clássico de minha araucânia,
castelhano de sílabas,
testemunha do Greco e sua família lacerada,
eu, filho de Apollinaire ou de Petrarca,
e também eu, pássaro de São Basílio,
vivendo entre cúpulas burlescas,
elaborados rábanos, cebolas do horto bizantino,
aparições dos ícones em sua geometria,
eu que sou tu me abraço às heranças e às aquisições celestiais;
eu e tu, os que vivemos no limite do mundo antigo e dos novos mundos
participamos com melancolia na fusão dos eventos que são contrários,
na unidade do tempo que caminha:
A vida é o espaço em movimento.

6 de outubro de 2010

Eu tenho

Por Joaquim Cézar

Eu tenho um lápis de cor,
Eu tenho um bloco de desenho,
Eu tenho um amor perfeito,
Eu tenho tudo e nada tenho,
Eu tenho você sempre aqui,
Do lado esquerdo do meu peito,
Eu tenho uma vida inteira,
Eu tenho um exemplo perfeito.
Eu tenho sim,
Eu tenho a mim,
Eu tenho você.

...Eu tenho andado preocupado,
Eu tenho que te ver feliz,
Eu tenho que pedir desculpas,
Eu tenho tudo que eu quis,
Eu tenho um compromisso agora,
E tenho que me despedir,
Mas vou lhe contar um segredo:
Eu tenho que voltar aqui.
Eu tenho sim,
Eu tenho a mim,
Eu tenho você.

29 de julho de 2010

A idéia

Por Augusto dos Anjos

De onde ela vem?! de que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica!

ANJOS, Augusto dos. Eu e Outras Poesias. pág. 37. São Paulo: Martin Claret, 2006.

20 de julho de 2010

Se cada dia cai

Por Pablo Neruda

Se cada dia cai,
dentro de cada noite,
há um poço onde a claridade está presa.

Há que sentar-se na beira
do poço da sombra e pescar
luz caída com paciência.

5 de junho de 2010

O Relógio


Por Charles Baudelaire

O Relógio. Relógio, deus sinistro, alarmante, impassível,
Dedo ameaçador a dizer: “Lembra bem!”
As dores vivas para o teu coração vêm
E logo o acertarão com mira infalível;

“Como ninfa subindo ao fundo do cenário,
Foge para o horizonte o Prazer vaporoso;
Cada instante devora tua parte de gozo
Que cabe a cada um no seu itinerário.

“Três mil seiscentas vezes por hora, o Segundo
Sussura: Lembra bem! – Indo depressa embora,
Voz de inseto. Agora fala: sou Outrora
E suguei tua vida com meu bico imundo!

“Remember! Souviens-toi! Lembra bem, sumidouro!
(Minha garganta de metal é poliglota.)
Os minutos são a ganga, mortal idiota,
Que não deves largar sem extrair ouro!

“O Tempo, lembra bem, joga com teimosia,
Ganha sem trapacear, toda vez! Amém.
O dia cai; a noite aumenta; lembra bem!
O abismo tem sede, a ampulheta esvazia.

“Logo virá a hora em que o Acaso, e mais
A Virtude, esta virgem casada contigo,
O próprio Remorso (ah! O último abrigo!)
Em que tudo dirá: Morre! Tarde demais!

27 de maio de 2010

Despedida

Por Cecília Meireles


Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? – me perguntarão.
 – Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? – Tudo. Que desejas? – Nada.
Viajo sozinho com o meu coração.
Não ando perdido, mas desencontrado.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.