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6 de março de 2015

Estado Islâmico e homossexuais.

Geremias Couto

O Estado Islâmico lançou, hoje, um jovem gay do alto de um prédio na Síria, que ainda foi apedrejado após a queda por pessoas reunidas ao pé do edifício. É um ato que merece repulsa tanto quanto a execução maciça de cristãos por esse grupo terrorista. Mas trago a notícia à baila para saber se aquele famoso deputado, cujo nome me recuso a mencionar, vai reunir as entidades de direitos humanos para protestar contra essa violência. Não acredito. Há um alinhamento político natural entre a esquerda e os países islâmicos, que o obriga a ficar de boca fechada. Mas por aqui é só alguém pregar contra a homossexualidade que ele abre o bico. Estranho mundo esse nosso!

22 de julho de 2014

Quem apoia o Hamas no Oriente Médio? Não é Assad nem o Hezbollah.

Guga Chacra
Israel tem mais aliados no Oriente Médio do que o Hamas. O grupo palestino, historicamente, possuía o apoio do Irã, do regime da Síria e do Hezbollah. Com o início do conflito na Síria, porém, o Hamas, que havia recebido proteção por anos de Bashar al Assad, traiu o líder sírio e decidiu dar suporte aos rebeldes sírios, que são extremistas ultra radicais sunitas lutando contra as forças do regime, majoritariamente laicas, incluindo os alauítas, cristãos, drusos e sunitas moderados (a Síria quase não tem xiitas).
Esta traição fez o Irã, o Hezbollah e obviamente o regime de Assad romperem com o Hamas. O grupo palestino não ligou, pois, no Egito, seu inimigo Hosni Mubarak havia sido deposto e seus aliados da Irmandade Muçulmana tinham assumido o poder. A fronteira com o Egito foi aberta e, na prática, o bloqueio a Gaza havia sido suspenso. Além disso, o Qatar passou a apoiar financeiramente o Hamas e a poderosa Turquia defendia o grupo internacionalmente.
O problema é que o emir do Qatar foi substituído pelo filho, defensor de um menor envolvimento na Faixa de Gaza. A Irmandade Muçulmana  foi deposta no Egito pelo regime do marechal Sissi, aliado de Israel. E a Turquia enfrenta muitos problemas internos e não coloca a Faixa de Gaza como uma prioridade.
E Israel? Os israelenses têm o apoio do regime de Sissi no Egito, a conivência de Assad na Síria e do Hezbollah no Líbano, e a neutralidade da Jordânia. Mesmo o Fatah, na Cisjordânia, não se envolve no conflito, a não ser retoricamente. A Turquia, por sua vez, voltou a se aproximar militarmente de Israel.
O Irã, desde janeiro, ensaiou uma reaproximação com o Hamas. Mas a traição contra Assad ainda pesa muito e os iranianos não contam com o suporte de Assad e do Hezbollah, que querem mais é que o Hamas se exploda por apoiar os rebeldes na Síria. Além disso, o regime de Teerã está mais preocupado com seus interesses no Iraque e na Síria, onde seu inimigo é ISIS
Obs. Os mísseis lançados do Líbano não são do Hezbollah. Provavelmente são de grupos extremistas da oposição síria que querem fazer Israel entrar no Líbano para combater o Hezbollah. Mas os israelenses, embora inimigos da organização libanesa, sabem que o Hezbollah não está envolvido nestas ações (os dois lados possuem regras em seu conflito).

30 de outubro de 2013

Naftali Bennett é o maior adversário de Netanyahu e do processo de paz com os palestinos.

Por Guga Chacra

Benjamin Netanyahu, premiê de Israel, ao entrar nas negociações secretas com os palestinos mediadas pelos EUA sabia que suas ações certamente deixariam algumas facções de seu próprio governo insatisfeitas. Afinal, é impossível chegar a um acordo de paz com a Palestina agradando simultaneamente todos os israelenses. O mesmo se aplica ao presidente palestino, Mahmoud Abbas. Jamais ele conseguirá um consenso em toda a Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
Neste processo de negociações, há uma tentativa de construir confiança. Esta estratégia é usada em diálogo de paz não apenas entre povos, como também de empresas, em todo o planeta. Neste cenário, Netanyahu concordou em soltar prisioneiros palestinos envolvidos em mortes de israelenses que teriam sido presos entre 1984 e 94.
Ao todo, nesta primeira leva, foram libertados 21 moradores da Cisjordânia e cinco da Faixa de Gaza. Este valor, de 26, equivale a cerca de 0,5% do total presos palestinos em Israel, estimado em 5 mil.
A decisão foi celebrada nos territórios palestinos. Ao mesmo tempo, Netanyahu acabou sendo atacado por membros mais radicais de seu próprio governo, irritados com a medida. O certo, porém, é que o premiê israelense parece estar comprometido com as negociações e deve ser valorizado por esta atitude.
Uma alternativa para contornar os protestos internos, seria Netanyahu formar uma outra coalizão, buscando o apoio do Partido Trabalhista, mais à esquerda no espectro israelense, e deixando de lado o mais conservador, do Casa Judaica, da Naftali Bennett, responsável pela maior parte dos protestos contra o premiê.
Se Bennett não tolera sequer a libertação dos 26 prisioneiros, será quase impossível ele aceitar concessões ainda maiores envolvendo os assentamentos judaicos na Cisjordânia, o status final de Jerusalém e o destino dos refugiados palestinos. Netanyahu teria apenas a ganhar se o retirasse de sua coalizão.
Verdade, os dois lados, Israel e Palestina, precisam se manter céticos com as negociações de paz. A chance de fracassar é enorme. Mas não custa tentar. Um acordo final beneficiaria a todos, mesmo quem se posiciona contrariamente. O mundo não aguenta mais a falta a solução para este conflito e o status quo, embora menos violento do que anos atrás, é insustentável. Israel não tem como ser democrático, judaico e ocupando a Cisjordânia. Dá para ser duas destas três. Se optar por ser judaico e democrático, precisa aceitar a criação de um Estado palestino.
No fim, a tendência é de que um Estado Palestino seja criado na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Os principais blocos de assentamentos, próximos da fronteira, ficariam com Israel, em troca de outras terras. Jerusalém seria uma capital unificada, capital de dois Estados. No caso palestino, mais simbólico, com a sede da Presidência, enquanto a administração permaneceria em Ramallah, a poucos quilômetros de distância. Os refugiados palestinos poderiam voltar para o novo país, mas não para o que hoje é Israel.

8 de agosto de 2013

Entenda a Al Qaeda na Península Arábica (Yemen), o braço mais forte do terrorismo mundial.

Hoje o mais poderoso e ativo braço da Al Qaeda, no âmbito global, está no Yemen, não na fronteira do Afeganistão com o Paquistão. Verdade, existem facções da organização lutando ao lado de opositores sírios e iraquianos, além de milícias na Líbia. Mas estas são ameaças regionais, por enquanto.

Nesta semana, ficamos sabendo que, de acordo com autoridades iemenitas, um mega atentado terrorista da Al Qaeda com a tomada de portos, explosões de oleodutos, atentados contra embaixadas e assassinatos de ocidentais foi abortado. Seria uma mistura de USS Cole com Tanzânia e Quênia, que são alguns atos terroristas símbolos da rede fundada por Osama bin Laden. A proporção seria tão grande que levou os EUA e países europeus a fecharem embaixadas ao redor do Oriente Médio.

Com o nome de Al Qaeda na Península Arábica (AQAP, na sigla em inglês), este braço da organização há cerca de cinco anos já havia se tornado o foco da política antiterrorismo dos EUA. No Yemen, foram planejadas algumas das maiores tentativas de atentados recentes, como a fracassada explosão de um avião em Detroit.

A administração de Barack Obama decidiu atuar por duas vias no combate à AQAP. Primeiro, com os bombardeios de Drones. Em segundo lugar, agindo em conjunto com as Forças Armadas iemenitas. Tanto o presidente atual, Abd Mansur Hadi, como o anterior, Abdullah Saleh, são aliados dos EUA.

A primeira parte tem obtido um resultado dúbio. Sem dúvida, a AQAP é hoje muito mais poderosa no Yemen do que antes do início dos bombardeios dos EUA. De 300, há mais de mil membros hoje.  Os defensores dos bombardeios de aviões não tripulados argumentarão que o cenário seria ainda pior sem estas ações. Os críticos argumentam que elas apenas radicalizam a população, pois acabam matando, mesmo por acidente, muitos civis – recomendo o livro e o documentário “Dirty War”, de Jeremy Scahill.

Já  a segunda parte, aparentemente, tem sido bem sucedida. O governo e as Forças Armadas iemenitas têm feito o possível para tentar combater a AQAP, embora tenham talvez até questões de violência interna mais graves, como o separatismo do sul e os rebeldes houthis no norte.

O certo, porém, é que cada vez mais ouviremos falar do Yemen. Neste momento, dezenas ou mesmo centenas de terroristas que fugiram de prisões no Afeganistão e no Iraque estão a caminho do país. Para conter o caos no país mais pobre no mundo árabe, é preciso fortalecer as instituições iemenitas.

Por incrível que pareça,  de todas as nações onde tivemos a Primavera Árabe, o Yemen, junto talvez com a Tunísia, é o mais próximo de uma democracia.

Fonte: Guga Chacra.

1 de agosto de 2013

Maceió é mais violenta do que Cabul, capital do Afeganistão.

Por Guga Chacra

As pessoas precisam entender que, em uma guerra civil, a guerra não se reflete em matança a todos os momentos em todos os lugares. No Afeganistão, morreram 1.300 civis no conflito nos primeiros seis meses deste ano. O número é bem inferior ao total de homicídios no Brasil. Ainda assim, no imaginário de muita gente, Cabul é um açougue de gente. Não é.

Mas não sou especialista em Afeganistão, deixando relatos deste país para a minha amiga Adriana Carranca, que conhece bem Cabul. Falarei de Beirute e de Damasco, que conheço bem. Comecemos pela capital libanesa. Foram 15 anos de guerra civil, de 1975 a 90, invasões israelenses, invasão síria, marines americanos, dezenas de milhares de mortos. Ainda assim, os libaneses frequentavam a faculdade, viajavam ao exterior, se casavam, jantavam fora, faziam piadas, assistiam novelas, ganhavam dinheiro e gostavam de ir ao cinema.

Chegamos agora à Síria. Vi comentários criticando que Bashar al Assad não mostra a Guerra Civil da Síria nas suas fotos no Instagram. É óbvio que não mostra. Nenhum líder político do mundo faz anti-propaganda. O que você esperaria do líder de um regime como o sírio?

De qualquer forma, Assad exibe também fotos da Síria que refletem em parte a situação no país. A guerra não ocorre o tempo todo em todos os lugares, como escrevi acima. Hoje, em bairros de Homs, há batalhas. Mas Damasco está tranquila, sem combates nos bairros centrais, embora haja bombardeios em subúrbios mais afastados.Na costa mediterrânea, pelos relatos que acompanho, o verão anda a toda, ainda mais com a chegada de pessoas de outras partes do país em busca da segurança e da estabilidade de Tartus.

Dá para viajar de Beirute a Damasco de carro sem correr o menor risco na estrada – ninguém morreu e sequer houve um ataque nesta rodovia em dois anos e meio de guerra. Agora, claro, não vá para Homs ou Aleppo neste momento.

Portanto, lembrem-se, as guerras não ocorrem o tempo todo em todos os lugares. É como a criminalidade no Brasil. Infelizmente, as pessoas se adaptam. E acabam não percebendo que Maceió é mais perigosa do que Cabul.

Fonte: Blog Guga Chacra.

22 de maio de 2013

Ahmadinejad termina como Bush – humilhado e impopular em seu próprio país


Por Guga Chacra
Sempre ouvimos a bobagem de que Mahmoud Ahmadinejad era o ditador do Irã. A afirmação nunca teve nexo e o líder iraniano sempre possuiu pouco poder em Teerã. Quem manda mesmo é o aiatolá Khamanei e seu Conselho de Guardiães. O resto da população, incluindo o inimigo preferido de Israel e dos EUA, deve ser submisso.
A prova final veio ontem. Ahmadinejad não conseguiu emplacar como candidato  Esfandiar Rahim-Mashaei, seu braço direito. Ele foi vetado pelo Conselho de Guardiães. Os aiatolás não suportam mais o populismo de viés latino-americano do atual presidente. Sem falar na desastrosa condução da economia. No fim, Ahmadinejad terminará como o George W. Bush de Teerã – odiado dentro e fora de seu país.
Existe, claro, uma diferença grande. Bush vive hoje em seu rancho no Texas. Ahmadinejad, por sua vez, pode passar os próximos anos atrás das grades.
Vale lembrar que, além do pupilo de Ahmadinejad, ficou de fora Hashemi Rafsanjani, que governou o Irã de 1997 a 2005 e talvez seja hoje uma das pessoas com maior poder econômico e político. Em 2005, havia tentado se candidatar, mas acabou perdendo para Ahmadinejad. Era, na época, acusado de corrupção.
Em 2009, mesmo não disputando a eleição, Rafsanjani decidiu apoiar os protestos da oposição. Isso aumentou a sua popularidade com os reformistas. Mas sua imagem se deteriorou completamente com a ala mais conservadora do regime. Por outro lado, sua relação de lealdade com o aiatolá Khamanei permaneceu intacta.
Dias atrás, Rafsanjani teria esperado até o último momento para receber um aval de Khamanei para se candidatar. Não se sabe se este veio ou não, mas ele decidiu se inscrever. Caso fosse aprovado, certamente seria o preferido dos reformistas, que não conseguiram ter nenhum nome de peso, como Mir Hussein Mousavi, quatro anos atrás. Agora sua única chance seria uma ação de Khamanei para reverter o veto, mas muitos de seus simpatizantes estão céticos.
Fonte: Blog Guga Chacra.

15 de maio de 2013

Qual a estratégia de Assad?

Por Guga Chacra

A estratégia de Bashar al Assad, na Síria, é se manter no poder até o ano que vem, estabilizando a maior parte do território sírio. Ele disputaria as eleições, já convocadas, representando o regime. Opositores poderiam lançar candidatos e a votação seguiria o método chavista da Venezuela, com todas as suas falhas.

Assad acredita, primeiro, que está vencendo a guerra. Nos últimos meses, realmente seu regime avançou depois de perder espaço ao longo do segundo semestre no ano passado e domina completamente Damasco e toda a costa mediterrânea, onde estão Latakia e Tartus. Hama e Homs, apesar de confrontos, também estão em suas mãos. O mesmo se aplica a Daara, na fronteira com a Jordânia. Aleppo segue dividida, mas as forças do governo recuperaram o controle da estrada que liga a segunda cidade da Síria a Damasco.

Em segundo lugar, Assad acredita ter apoio popular para vencer uma eleição. Mas, neste caso, é impossível de saber se ele tem razão. Certamente, o líder sírio desfruta de mais popularidade do que Hosni Mubarak, Ben Ali, Abdullah Saleh e Muamar Kadafi. Já estive na Síria antes e durante a guerra e o suporte dele é genuíno – vale ver os sírios das Colinas do Golã, ocupadas por Israel, que o apoiam. Mas não há condições de saber se atinge a maioria da população.
Não acho impossível que Assad permaneça no poder, mesmo depois de seu regime ter matado dezenas de milhares de pessoas. Outros regimes atingiram o mesmo objetivo no passado e venceram guerrilhas, sejam elas separatistas ou revolucionárias. 

Fonte: Blog Guga Chacra

24 de abril de 2013

A Guerra da Síria está péssima em abril de 2013 e deve ficar bem pior em breve


Por Guga Chacra

A Guerra Civil permanece em um impasse, não há perspectiva de queda de Bashar al Assad, de derrota da oposição ou de estabilidade no futuro próximo. O conflito deve prosseguir por meses e possivelmente anos independentemente do que fizer a comunidade internacional.
Em meio a ameaças da Coreia do Norte, morte de Hugo Chávez e o atentado em Boston, a Guerra Civil da Síria ficou em um segundo plano nas últimas semanas e apenas agora voltou a ganhardestaque com as informações israelenses de que o regime de Assad teria usado armas químicas. Além disso, a violência atinge patamares cada vez mais estratosféricos, similares aos observados nos conflitos no Líbano nos anos 1980 e no Iraque pouco tempo atrás.
Apenas nos últimos dias, há relatos de um massacre nos subúrbios de Damasco cometido pelo regime e sequestro de dois arcebispos em Aleppo realizado pelos rebeldes.
O regime mantém o controle de Damasco, embora com alguns atentados terroristas cometidos pela opositora Frente Nusrah, ligada à Al Qaeda, na cidade. A costa Mediterrânea segue estável, longe do conflito. Tartus e Lataquia são oásis de defensores do regime, assim como algumas vilas nas montanhas litorâneas. Homs e Hama também estão nas mãos das forças de Assad, mas conflitos são constantes em bairros das cidades.
Aleppo é um palco de guerra, com a cidade dividida. O restante da Província está com diferentes facções da oposição, da mesma forma que outras áreas nas fronteiras com o Iraque e a Turquia. Os curdos são praticamente autônomos em certas regiões do país.
Na fronteira com a Jordânia, a oposição vinha avançando nos últimos meses em áreas próximas a Daara, mas o regime reagiu recentemente. As operações contra Assad, quando e se começar a esperada batalha de Damasco, viriam desta região, usando a Jordânia como base.
Os EUA, embora tenham afirmado que poderiam intervir se o uso de armas químicas for comprovado, preferem manter a cautela. A estratégia ainda é ajudar logística e financeiramente as facções da oposição que supostamente não possuam ligação à Al Qaeda. Também há um temor sobre o futuro do arsenal químico se Assad cair. Os americanos não querem que os armamentos sejam herdados pelo Hezbollah e muito menos por facções rebeldes como a Frente Nusrah.
Assad, por sua vez, seguirá lutando porque, quanto mais tempo durar o conflito, mais a oposição tende a se radicalizar. Assim ele poderá continuar dizendo que os rebeldes são terroristas da Al Qaeda, ganhando mais apoio doméstico e mantendo o da Rússia. O Ocidente também ficaria mais cauteloso, especialmente depois da intervenção na Líbia, que abriu as portas para milícias radicais – ontem mesmo a embaixada da França foi alvo de atentado.
Os opositores externamente tentam se organizar. Houve enorme avanço da coalizão opositora, apesar da decisão de Moaz Khatib de deixar o cargo. Seu sucessor, George Sabra, um cristão esquerdista, é polarizador, e não agregador, como seria necessário neste momento.
O próximo passo da Coalizão Opositora será tentar administrar os territórios sírios que já estão nas mãos dos rebeldes. Mas não há uma visão clara sobre como derrotar Assad em Damasco e muito menos seus bastiões na costa Mediterrâneo.
A Síria não está mais no começo de sua guerra civil. O fim, porém, está distante, bem distante.

3 de abril de 2013

O programa nuclear afeta o pistache no Irã



Por Guga Chacra

A inflação no Irã atinge 30% ao ano e este número pode ser ainda maior se for levado em conta certos produtos importados comercializados no mercado negro que não entram na contabilidade. Aos poucos, a situação começa a fugir do controle do governo, alvo de duras sanções impostas pela comunidade internacional, além de outras medidas restritivas adotadas pelos EUA e seus aliados.

O pistache, consumido em larga escala no país, viu seu preço subir de US$ 8 para US$ 17 o quilo, segundo reportagem da Associated Press. Um movimento interno no Facebook levou a um boicote deste alimento no Irã durante as festividades do Now Ruz, que começaram no dia 21 de março – este dia serve para marcar o ano novo persa. Eles protestam contra os elevados preços. A culpa seria em parte da administração e em parte de efeitos colaterais das sanções, que não atingem diretamente o pistache. Mas este sofre com o efeito cascata em toda a economia do embargo ao petróleo e dos negócios com o Banco Central.

Já o programa nuclear, segue intocado no Irã. Isso nos leva a perguntar se as sanções não afetam apenas a população, sem mudar os cálculos dos regimes. Insisto para que me mostrem um caso onde sanções funcionaram. E eu posso provar o inverso com a Coreia do Norte e mesmo o regime de Teerã.

Fonte: Blog Guga Chacra.

20 de março de 2013

Menina que escapou de ataque talibã volta à escola

Foto: Liz Cave.

Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa que escapou de um ataque de talibãs, voltou às aulas em uma escola de Birmingham, no centro da Inglaterra, um mês e meio depois de ter sido submetida a uma cirurgia na cabeça.
"Estou feliz por ter realizado o meu sonho hoje, voltando à escola. Desejo que todas as meninas do mundo tenham esta chance", declarou a adolescente de 15 anos em um comunicado.
"Meus colegas no Paquistão sentem muito a minha falta, mas estou ansiosa para encontrar meus professores e para fazer novos amigos aqui em Birmingham", acrescentou.
A jovem foi atingida com um tiro na cabeça em um ataque dos talibãs contra o ônibus escolar no qual ia para o colégio no dia 9 de outubro de 2012, no Vale do Swat, noroeste do Paquistão. Os talibãs queriam puni-la por seu engajamento em favor do direito das jovens de frequentar a escola.
Levada para o Reino Unido, Malala foi submetida em 2 de fevereiro a uma dupla cirurgia na caixa craniana e deixou o hospital de Birmingham cinco dias depois.
No início de fevereiro, ela havia prometido continuar sua luta. Um fundo foi criado em seu nome com o objetivo de defender o direito universal à educação. O fundo recebeu várias doações, enquanto admiradores consideram que a jovem merece receber o Prêmio Nobel da Paz.
Fonte: Zero Hora.

3 de janeiro de 2013

Teste de Terrorismo e Religião no Oriente Médio


Por Guga Chacra

Quantos iranianos estiveram envolvidos no 11 de Setembro? E sauditas?
Quantos xiitas estiveram envolvidos no 11 de Setembro? E sunitas?
Qual país não permite a ida de mulheres para as Olimpíadas, Irã ou Arábia Saudita?
Onde não há eleições para absolutamente nada, Irã ou Arábia Saudita?
Quando foi o último atentado suicida em que um iraniano se matou? E saudita?
Cite uma cineasta iraniana. Cite uma saudita
Quantos atentados suicidas o Hezbollah (xiita) cometeu dentro de Israel?
Quantos atentados suicidas o Hamas (sunita) cometeu dentro de Israel?
A Al Qaeda é sunita ou xiita? E Bin Laden?
Qual país islâmico tem arma nuclear, Irã ou Paquistão? Qual é xiita? Qual é sunita?
Bin Laden estava escondido no Paquistão ou no Irã?
Agora, responda rápido, você tem mais medo do Hezbollah ou da Al Qaeda na Península Arábica? Por que?

15 de outubro de 2012

Irã copia EUA e já usa drones e armas cibernéticas

Por Gustavo Chacra

Existem cinco rodadas de resoluções contra o Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas para frear o programa nuclear iraniano. Os EUA e países aliados, incluindo a União Européia hoje, adotam sanções unilaterais ainda mais duras para impedir o regime de Teerã de possuir armas atômicas. O argumento é de que o Irã, signatária do Tratado de Não Proliferação Nuclear, estaria desrespeitando convenções internacionais e ameaça a segurança regional.

Agora, o que a comunidade internacional pode fazer com o já existente arsenal cibernético e os drones iranianos? Primeiro, não existem convenções. Segundo, ao contrário das armas nucleares, estas já existem. O Hezbollah admitiu ter enviado um drone do Irã para sobrevoar Israel (acabou abatido) e o regime de Teerã já teria usado meios eletrônicos para atacar empresas de países árabes no Golfo Pérsico. Estes armamentos, ao contrário dos nucleares, não costumam ser usados apenas para dissuadir adversários. O Irã já usa e usará ainda mais. Pior, não existe como criticar o  regime de Teerã quando o próprio telhado é de vidro. Os EUA, com Israel, já realizaram ataques cibernéticos contra os iranianos. E os americanos levaram adiante centenas, ou até mesmo milhares, de bombardeios com drones no Iêmen, resultando na morte de muitos militantes, mas também no de civis inocentes, incluindo mulheres e crianças.

21 de setembro de 2012

Manifestantes muçulmanos não entendem a Primeira Emenda e confundem EUA com Europa


Por Gustavo Chacra
No mundo árabe e islâmico existe uma confusão sobre a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Por falta de informação ou manipulação, muitos acreditam que esta apenas impede ataque contra judeus e cristãos, mas permite contra muçulmanos.
Na verdade, a Primeira Emenda garante a liberdade de expressão e a liberdade religiosa nos EUA. Todas as religiões podem ser criticadas ao ponto de existir um partido nazista americano, negadores do Holocausto e mais uma série de imbecis pregando idiotices. De qualquer maneira, é uma regra para todos, não apenas para alguns.  É um peso e uma medida.
O Brasil adota uma postura distinta e considera crime anti-semitismo, islamofobia e racismo. Também é um peso e uma medida para todos. Não se pode ofender muçulmanos nem judeus.
Por outro lado, em nações como a França, existem leis específicas que protegem algumas religiões. Por exemplo, é proibido negar o Holocausto. Mas podem satirizar o profeta Maomé, ofendendo muçulmanos, como as totalmente vulgares charges publicadas desnecessariamente em um momento tenso como este por uma revista francesa. São duas coisas distintas, eu sei, mas no mundo islâmico entendem como dois pesos e duas medidas.
Os franceses não são os americanos, como eles gostam de se gabar. Eles não têm tanta liberdade como nos EUA. Pior, não permitem, como nos EUA, a liberdade religiosa.
Para completar, na maior parte dos países árabes, e uso o Egito como exemplo, há uma série de charges e vídeos ofendendo os judeus e as autoridades nada fazem. Portanto, eles sim adotam dois pesos e duas medidas. Condenam a islamofobia no Ocidente, mas não impedem o anti-semitismo em seus territórios.