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5 de fevereiro de 2016

A justiça brasileira em debate: Desafios da Mediação.

Atualmente, muito se fala em mediação. Especialmente no Brasil onde é possível vislumbrar a sua explosão. Porém, o maior risco é a banalização do termo que vem sendo utilizado de forma equivocada em muitas ocasiões. Porém, “fazer mediação” é algo maior do que a definição estreita contida em um conceito. Mediação é também uma cultura para e pela paz que objetiva lidar com os conflitos de maneira harmônica e adequada. Assim, empregar o termo “mediação” é ação cuidadosa cujo objetivo central é achar meios para responder a um problema real: uma enorme dificuldade de se comunicar; dificuldade esta paradoxal numa época em que a mídia conhece um extremo desenvolvimento.

A palavra mediação evoca o significado de centro, de meio, de equilíbrio, compondo a ideia de um terceiro elemento que se encontra entre os conflitantes, não sobre, mas entre eles. Evoca a postura intermediária de alguém que está em “ação”. Essa ação é qualificada pela facilidade de abrir canais de comunicação inexistentes ou interrompidos, restituir laços rotos ou melhorar a convivência. Por isso, a mediação é vista como um processo no qual um terceiro (o mediador) auxilia os participantes de uma situação conflitiva a tratá-la, o que se expressa em uma solução aceitável e estruturada de maneira que permita ser possível a continuidade das relações entre as pessoas envolvidas no conflito.

Esse movimento é a gestão de conflitos pela catálise de um terceiro mediante a utilização de técnicas nas quais as pessoas buscam lidar com seus conflitos com a ajuda do mediador que é imparcial e não tem poder/legitimidade para decidir. 

13 de agosto de 2015

Uma história ilustrada do Cristianismo - A era dos gigantes.

Nome: Uma história ilustrada do Cristianismo - A era dos gigantes
Autor: Justo L. Gonzalez
Editora: Vida Nova
Páginas: 184

Opinião: este livro é o segundo volume da coleção Uma História Ilustrada do Cristianismo. Relata importantes acontecimentos desde a junção do Estado com a Igreja com o advento da conversão de Constantino até a queda de Roma. Movimentos como o monaquismo, arianos e donatistas são relatados de forma primorosa. Ainda, na mesma toada, o autor demonstra a conversão de Constantino sob um prisma imparcial, demonstrando que ele não teve uma influência tão grande (como alguns imaginam) no Cristianismo do quarto século. Da mesma forma, grandes personagens do Cristianismo deste período são biografados, desde Atanásio, Antônio (o eremita), Basílio, Ambrósio de Milão, Gregório de Nissa, João Crisóstomo, Jerônimo e Agostinho. Excelente livro. Recomendo a leitura.

13 de maio de 2015

Jardim Secreto.

Job. Nascimento

Boatos que a editora Sextante comprou os direitos autorais no Brasil do livro pra colorir "Jardim Secreto" por U$ 8.500,00 e já vendeu mais de 400.000 exemplares. A pergunta é: porque não pensei nisso antes.

11 de maio de 2015

6º Livro que li esse ano.

Título: "Agora sou pastor: orientações e conselhos práticos para pastores".
Autor: João Falcão Sobrinho
Páginas: 186
Editora: A.D. Santos

"Pastores maduros e experientes sabem que o ministério pastoral vai muito além da formação teológica".

8 de maio de 2015

Teologia Sistemática de Wolfhart Pannenberg.

Uma das maiores construções teológicas do século 20. A teologia sistemática de Wolfhart Pannenberg já alcançou um lugar de destaque no planeta global no século 21, tanto por sua edição original em alemão como por suas diversas traduções. A elas se soma, agora, ela importante tradução, que disponibiliza ao publico de língua portuguesa esta magistral síntese de fé cristã, bem embasada nos textos bíblicos, consciente dos desdobramentos da história da teologia, e sempre em diálogo com as principais correntes do pensamento atual. Um must para estudantes e profissionais da teologia e das ciências humanas, e para quem tiver interesse em saber o que é a fé cristã e o que significa para os nossos dias.

Wolfhart Pannenberg: (*1928) é um dos maiores teólogos protestantes contemporâneos.Estudou na Universidade de Berlim e doutourou-se em teologia na Universidade de Heidelberg (1954), onde lecionou-se até 1958. Em seguida, ensinou em Wuppertal (1958-61), Mainz (1961-68) e Munique (1968-1993).

                         
Preço: R$ 329,00 (valor dos 3 volumes juntos)

Páginas: VOL I 640  / VOL II 688 /  VOL III 880

25 de fevereiro de 2015

Milagre.

Hoje li o opúsculo "Milagre" de Rudolf Bultmann. Muito bom. O autor explica a noção cristã e a noção do homem moderno sobre milagre, utilizando-se de duas palavras em alemão "wunder" e "mirakel". Para Bultmann, mirakel diz respeito à ação mitologizada, objetificada, racionalizada, uma maneira de julgar pertencente a uma visão antiga do mundo. Neste sentido, o milagre é concebido como uma violação das leis da natureza e, por isso mesmo, algo fora da sociedade. Wunder, por sua vez, refere-se à autêntica ação de Deus, um evento que parece, objetiva e universalmente, ser consistente com o conhecimento das leis da natureza. É ao mesmo tempo, um ato de Deus perceptível pela fé e em plena harmonia com a nossa experiência histórica. A perspectiva de Bultmann acerca do milagre, conforme revela o vocábulo wunder preferido pelo teólogo alemão, visa alcançar a fé genuína em Deus e não uma realização por meio do esforço humano. Na verdade, para ele, no final das contas, "fé em Deus e no wunder são, essencialmente, a mesma coisa".

27 de agosto de 2014

A Bíblia como fonte histórica do direito.

Neste livro, o autor explora através de uma tese desenvolvida em sua Monografia de conclusão do Curso de Direito pela Universidade São Francisco, a presença do Direito em todos os livros da Bíblia; e a influencia da Bíblia nos principais ramos do Direito; principalmente no Direito Civil Ocidental, e mais especificamente no Direito de Família; como também no Direito Penal. Aqui, o autor amadurece um novo ramo da Teologia pouco explorado, que pode ser denominado de Teologia Jurídica.

25 de agosto de 2014

Amor, Poder e Justiça - Paul Tillich.

As conferências do Professor Paul Tillich que compõem Amor, Poder e Justiça: Análises Ontológicas e Aplicações Éticas foram proferidas no período imediatamente posterior ao fim da II Guerra Mundial e em meio ao impacto dos escritos do Existencialismo europeu, resultado, em parte, da angústia e do desespero que marcaram a atitude média dos intelectuais das décadas que abrangem as duas Grandes Guerras Mundiais. É evidente que reverberavam no teólogo os ecos da filosofia de existencialistas cristãos renitentes, como Karl Jaspers, de existencialistas cristãos titubeantes, como Gabriel MarceL e existencialistas ateus declarados, como Jean Paul Sartre, ou não-declarados. Como Martim Heidegger.
Aliás, a obra existencialista fundamental de Sartre, O Ser e o Nada, publicada em 1943, cuja estrutura lembra em muito o esquema das palestras de Paul Tillich que resultaram neste livro, certamente impactaram o teólogo alemão e esta repercutida no presente trabalho, ainda que guardando as suas próprias idiossincrasias, notadamente a escolha dos conceitos cristãos da justiça, do amor e do poder como eixos de sua abordagem. A começar pela opção metodológica claramente manifestada na tentativa de dar uma interpretação ontológica para os significados dos conceitos cristãos de amor, de justiça e de poder, bem como de suas mútuas relações. Enfim, o que eu quero apontar acima de tudo, para além de uma frágil classificação destes pensadores e que certamente deve suscitar discordâncias, é que o zeilgeist da metade do século XX as preocupações comuns que incomodaram aqueles que lidaram com a náusea de existir, estão presentes no âmago pensamento de Paul Tillich nestes estudos

17 de julho de 2014

Amor, poder e justiça.

As conferências do Professor Paul Tillich que compõem Amor, Poder e Justiça: Análises Ontológicas e Aplicações Éticas foram proferidas no período imediatamente posterior ao fim da II Guerra Mundial e em meio ao impacto dos escritos do Existencialismo europeu, resultado, em parte, da angústia e do desespero que marcaram a atitude média dos intelectuais das décadas que abrangem as duas Grandes Guerras Mundiais. É evidente que reverberavam no teólogo os ecos da filosofia de existencialistas cristãos renitentes, como Karl Jaspers, de existencialistas cristãos titubeantes, como Gabriel MarceL e existencialistas ateus declarados, como Jean Paul Sartre, ou não-declarados. Como Martim Heidegger. Aliás, a obra existencialista fundamental de Sartre, O Ser e o Nada, publicada em 1943, cuja estrutura lembra em muito o esquema das palestras de Paul Tillich que resultaram neste livro, certamente impactaram o teólogo alemão e esta repercutida no presente trabalho, ainda que guardando as suas próprias idiossincrasias, notadamente a escolha dos conceitos cristãos da justiça, do amor e do poder como eixos de sua abordagem. A começar pela opção metodológica claramente manifestada na tentativa de dar uma interpretação ontológica para os significados dos conceitos cristãos de amor, de justiça e de poder, bem como de suas mútuas relações. Enfim, o que eu quero apontar acima de tudo, para além de uma frágil classificação destes pensadores e que certamente deve suscitar discordâncias, é que o zeilgeist da metade do século XX as preocupações comuns que incomodaram aqueles que lidaram com a náusea de existir, estão presentes no âmago pensamento de Paul Tillich nestes estudos.

16 de julho de 2014

"A intolerância da tolerância" (D.A. Carson).

A alegada superioridade moral da nova tolerância não se sustenta porque se não há verdade absoluta também não existe mal absoluto e o discernimento moral se desestrutura. A tolerância ocupa lugar de destaque na sociedade ocidental. Questioná-la é considerado indelicado, grosseiro até. Em A intolerância da tolerância, porém, Carson explica que o conceito de tolerância mudou e que essa nova definição deve ser rejeitada. Tolerância significava respeitar o direito de outros adotarem diferentes crenças e pontos de vista. Agora significa afirmar que todas as crenças e pontos de vista são igualmente válidos e corretos. Carson examina a história dessa mudança e discute suas implicações para a cultura atual. Com exemplos concretos, às vezes engraçados e outras vezes irritantemente absurdos (mas ainda reais), Carson pondera que a nova tolerância é socialmente perigosa e intelectualmente debilitante, gerando verdadeira intolerância em relação a todos que desejam permanecer firmes em suas crenças.

15 de julho de 2014

"A lei moral" (Ernest Kevan).

A falta de preocupação com a Lei Moral deve-se à secularização da sociedade, que tem buscado destruir padrões éticos. O sistema educacional em nosso país tem tentado, ao longo dos últimos cinqüenta anos, estabelecer uma sociedade amoral. Igualmente sério na Igreja é o que algumas denominações evangélicas e igrejas têm feito com a pregação, que dá uma ênfase excessiva ao amor e à graça de Deus e nunca mostra ao pecador a santidade do Deus contra o qual ele peca. Inúmeras pessoas que ouviram que estão unidas a Cristo por meio da salvação, nunca aprenderam a Lei de Deus e que o pecado é a separação de Deus. Consequentemente, elas nunca chegam a saber que a morte de Cristo na cruz aconteceu para cumprir a justiça eterna de Deus para que a livre graça imerecida tivesse significado real.

17 de janeiro de 2014

A Nascente.

Ayn Rand

O caráter de um homem é o produto de suas premissas, precisei definir e apresentar os tipos de premissas e valores que criam o caráter de um homem ideal e que motivam suas ações. Isso significa que tive que definir e apresentar um código ético racional. Como o homem atua entre outros homens e lida com eles, precisei apresentar o tipo de sistema social que torna possível a existência e o funcionamento do homem ideal – um sistema livre, produtivo e racional que exige e recompensa o melhor de cada homem, e que é, obviamente, o capitalismo laissez-faire.
            Não é da natureza do homem – nem de nenhuma entidade viva – começar já desistindo, cuspindo na própria cara e amaldiçoando a existência; isso requer um processo de corrupção cuja rapidez varia de homem para homem. Alguns desistem ao primeiro toque de pressão; se vendem; outros definham através de graus imperceptíveis e perdem sua chama, jamais sabendo quando ou como perderam. No entanto, alguns pouco resistem e seguem adiante, sabendo que a sua chama não deve ser traída, aprendendo a dar-lhe forma, propósito e realidade. Mas qualquer que seja seu futuro, as pessoas buscam uma visão nobre da natureza do homem e do potencial de existência.
            Não importa que apenas alguns em cada geração entendam e alcancem a realidade total da estatura apropriada ao homem – e que o resto a traia. São esses poucos que movem o mundo e dão à vida seu significado – e é a esses poucos que eu sempre procuro me dirigir. O restante não me diz respeito; não é a mim ou A Nascente que eles traem; é às suas próprias almas. 

4 de setembro de 2011

O pastor desnecessário

É obrigação dos pastores manter clara a distinção entre as mentiras do mundo e a verdade do Evangelho. Seu lugar na sociedade é, sob certos aspectos, único: não há quem ocupe outra posição tão ofensiva na aparência e, no fundo, tão perigosa para o status quo. Seu compromisso é manter viva a proclamação do Evangelho e olhar pelas almas, apesar de vivermos em uma era em que as pessoas ou negam a existência da alma ou transformam em assunto banal tudo que se relacione a ela. Mas não é fácil. Há forças poderosas, algumas sutis e outras óbvias, que tentam domar os pastores e levá-los a servir à cultura da forma como é, manipulando-os e pressionando-os a atenderem a expectativas falsas de espiritualidade, sucesso, números e poder, de acordo com os padrões do mundo. Como poderão os pastores ser fortalecidos para resistir a esses falsos alvos e objetivos, para manterem-se íntegros e buscarem a liberdade de serem desnecessários, segundo os critérios do mundo?

Autor: Eugene Peterson e Marva Dawn
Editora: Textus
Páginas: 237

17 de setembro de 2010

Receita para alma: Biblioteca

Autora: Maria Ignez Barbosa.
Fonte: O Estado de S. Paulo.
Data: 26/7/2009.
Foto: Biblioteca Nacional da França. 
Sujestão para postagem: Sadheja Cezarotto.

Receita para a alma. Esta é a frase que se lê na inscrição que bravamente resiste ao tempo, na entrada da biblioteca do Templo de Trajano, em Roma.

Não seria portanto sem sentido dizer que uma casa sem livros é uma casa sem alma. E, mais do que qualquer outro ambiente na casa, será a biblioteca - ou o lugar escolhido para os livros - o que melhor vai expressar a personalidade de seus ocupantes. Estarão ali revelados seus gostos, interesses, preferências, hábitos e paixões. Não importa que estejamos na era digital, que hoje o livro possa ser escutado e que a informação nos chegue pela internet. O fato é que o livro, ou o chamado codex (era assim que se dizia no mundo antigo), que nasceu há 2 mil anos, ou mesmo antes de Cristo, sob a forma de folhas de pergaminho recortadas, escritas por um escriba e costuradas a mão, e que, em 1450, na Alemanha, quando Gutenberg inventou a impressora, passou a ser produzido de forma menos artesanal, não vai sair tão cedo de nossas casas e muito menos de nossas vidas.

E como declarou a escritora Frances FitzGerald, "o livro a gente leva para a cama, mas o CD não".O hábito da leitura silenciosa teria se popularizado no tempo dos romanos. E, de coisa elitista no século 18 - nenhum gentleman que se prezasse dispensava uma biblioteca em casa com livros belamente encadernados - a artefato cultural com variados significados democratizado no século 19 e beneficiado pelos avanços tecnológicos nos 100 anos seguintes, o livro continua entre nós, presente como nunca, sendo editado aos borbotões, acessível como jamais foi e seduzindo cada vez mais gente. É sem dúvida um dos mais fiéis companheiros do homem.

Quantos de nós não o temos como aliado em noites de insônia, em longas viagens de avião, na simples solidão? Mais do que ler e aprender, ele pode nos ligar com o passado, nos fazer viajar por outros mundos, escapar para novos universos, acender luzes internas. Um bom livro pode nos seguir pela casa, até a cozinha, no banheiro, à mesa de jantar. Há quem diga que os livros nos escolhem. Nicolas Barker, filho de um professor universitário na Inglaterra e que em pequeno gostava de brincar na Cambridge University Press, conta que, sempre que lhe perguntam se coleciona livros, responde: "Não, os livros é que me colecionam". E mesmo que possa não ser a forma mais agradável de leitura, quem não vai adorar ser dono de uma primeira edição de um livro famoso ou predileto? A paixão pelo livro tem história.

Churchill, quando não tinha tempo para ler, se consolava passando neles a mão, sentindo-os na pele. O escritor A.L. Rowe dizia que a biblioteca de Churchill era "eloquente do homem", seu retrato perfeito, e que é possível "lermos" as pessoas através dos livros que elas leem. Para muita gente, apenas o fato de possuir livros pode transcender o prazer de lê-los. Cheirá-los pode emocionar.

E a arte de certas lombadas e encadernações pode encantar o olhar e o ego de seu dono. O filósofo Walter Benjamin acreditava que os livros têm um sentido simbólico que não depende necessariamente de sua utilidade, apesar de que sua utilidade é o que os torna realmente especiais. Num momento de mudança para uma nova casa, quando desembalava a biblioteca, teria comentado: "Há uma tensão dialética entre a ordem e a desordem".

LIVROS BRANCOS

Arrumar os livros numa estante pode ser de fato um drama na vida dos bibliófilos. Se por assunto, se por ordem alfabética, tamanho, cor, encadernação. É tarefa interessante e delicada para muito decorador. David Hicks dizia gostar de projetos que nunca terminam e que uma biblioteca é justamente isso. Está sempre em mutação. Nos anos 30, a decoradora americana Frances Elkins, para um look de efeito, gostava de encher as bibliotecas com livros brancos.

Encapava os volumes de seus clientes com pergaminho, mas deixando, obviamente, uma abertura para os títulos. Descubro que Keith Richards, dos Rolling Stones, é um apaixonado por leitura: "Depois de uma vida com o pé na estrada, a leitura hoje é o que me ancora". Há também quem declare, como o financista americano Victor Niederhoffer, que seria capaz de passar a vida inteira sem se chatear dentro da biblioteca da própria casa. E é conhecida a história do casal Clinton, que, quando foi morar na Casa Branca, logo notou que havia ali poucas estantes e comentou que, se o problema não fosse remediado, jamais se sentiria em casa na nova morada.

Segundo os aficionados, um dos prazeres do colecionador é encontrar um determinado livro na estante de um sebo ou livraria e "libertá-lo" para uma nova vida e utilidade - ou seja trazê-lo para a sua própria estante. Viver para e entre livros pode ser um prazer. Em Washington, lembro de um enorme galpão dedicado aos bibliófilos, onde era possível encontrar desde capas para proteção da dust jacket em todos os tamanhos possíveis, o sabão correto para a limpeza, esparadrapos especiais, removedores de manchas, antissépticos, cordas, folhas, material para encadernação e o que se puder sonhar para melhor preservar nossos livros.

Talvez pouca gente saiba que o fato de muitas editoras francesas, como a Gallimard, por exemplo, ainda publicarem seus livros com o velho modelo de capa branca, onde apenas o título varia, é porque não abandonaram a tradição de tê-las simples, uma vez que antigamente a maioria dos livros com capa mole seria depois encadernada por quem quisesse preservá-los. A forma como é tratado, disposto ou manuseado, daria ao livro qualidade humana. Ao acumulá-los, o colecionador compulsivo ou leitor apaixonado acabará, mesmo que sem querer, criando com eles bookscapes, ou seja, pequenas ou grandes paisagens em qualquer canto da casa.

Poderão surgir empilhados sobre cadeiras ou bancos, em mesinhas perto da poltrona de leitura, ou da cama, aguardando a vez de serem lidos; no interior de lareiras ou sobre suas bancadas, subindo os degraus das escadas junto à parede, em estantes dividindo ambientes, dentro de cestos, no lavabo e na cozinha. Mesmo que bagunçados ou empoeirados, mal não há de nos causar à vista. Serão sempre uma edificante e prazerosa companhia.

4 de setembro de 2010

Espinhos e Alfinetes

Em seu quinto livro de contos, João Carrascoza realiza um mergulho no tema do adeus. Quer em uma simples despedida, quer em uma perda incomensurável, os personagens vivenciam a amarga experiência do despertencimento, ou seja, na medida em que alguém se vai, leva consigo partes de nós, deixando-nos um doloroso vácuo. Nota-se ainda a forte presença da infância, período propenso a descobertas e encantamentos em contraposição às “cascas” que impregnam o indivíduo em sua fase adulta. Desta forma, os narradores contam suas histórias sob a perspectiva da infância, na tentativa de vivenciar o encantamento que lhes foi subtraído pelas muitas perdas impostas no curso da vida.

Nome: Espinhos e Alfinestes
Editora: Record
Páginas: 112
Preço: 34.90

2 de setembro de 2010

Um pastor segundo o coração de Deus

Por Job. Nascimento

Eugene Peterson é um escritor engenhoso. Mas, conhecido como sendo o Pastor dos pastores. Em seus livros Peterson sempre denota muita paixão pelo serviço a Cristo e vigor intelectual e isso em detrimento de poesia. De leitura fácil e deleitosa o livro “Um pastor segundo o coração de Deus” vem nutrir ministerialmente os lideres da igreja e também a nós, seminaristas e aspirantes ao ministério pastoral. Peterson constrói seu edifico de argumentação mostrando que no ministério pastoral “existem três atividades básicas, tão críticas, que determinam a forma: Oração, Leitura da Bíblia e orientação espiritual”.

 “Consistirá o trabalho pastoral em colocar flores de plástico em vidas sem brilho: tentativas bem-intencionadas de enfeitar um cenário ruim, com algo não totalmente inútil, mas sem substância ou sentido para a vida?”, indaga Peterson. Se estivermos pensando assim, estaremos seguindo a opinião da maioria tornando nosso trabalho maleável e seguindo as necessidades e expectativas de um povo que vê a Deus como uma lenda ou mito e não como uma pessoa. Os pastores não devem pregar a felicidade no “aqui e agora”, uma espécie de alívio imediato. Devemos pregar um gozo eterno mais isso em detrimento de uma vida santa e livre do pecado e de sujeição a soberania de Deus.

Oração, Leitura da bíblia e Orientação espiritual. Isso seria o básico para o ministério pastoral, mas que faz uma grande diferença, segundo Peterson. “A oração nunca é a primeira palavra, é sempre a segunda. Deus diz a primeira. A oração é a réplica, não o primeiro “discurso” e, sim, a “réplica”. Ou seja, a palavra dita por Deus cria, inicia, modela, supre, ordena, comanda e abençoa. A nossa oração é apenas um louvor e uma resposta a palavra dita por Deus. A oração é indispensável para o pastor, pois, o coloca em contato com Deus além de isso refletir na sua vida devocional refrigerando, abençoando e revigorando seu ser.

Outro ponto indispensável ao pastor é a leitura bíblica, ele deve transformar olhos em ouvidos. Ou seja, devemos ler e meditar. Mas, a meditação deve ocupar boa parte do trabalho, pois, na meditação abrimos os ouvidos para saber o que Deus deseja nos revelar. E por último, segundo Peterson, seria a orientação espiritual. Que seria “o aspecto do ministério que ajuda a uma pessoa a levar a sério o que é deixado de lado pela mente tomada pela publicidade e farta de crises”. A orientação espiritual é aquela atenção dada ao crente não somente na periferia de seu ser, mas no centro. Ou seja, é um doar-se a questões espirituais premissas do membro. O pastor não pode praticar a orientação espiritual sem antes ter um orientador, um pastor experiente no qual possa não só orar por ele, mas aconselhá-lo sobre como devemos prosseguir.

O livro “Um pastor segundo o coração de Deus” para mim foi um livro que me refrigerou na minha visão de ministério. Peterson me ajudou a enxergar a oração e a meditação com outros olhos, com os olhos da real necessidade ao ministério pastoral. A oração não deve ser tratada como apenas uma “introdução” a uma reunião, uma refeição ou a uma prédica. A oração é poderosa, e ele brinca “vá devagar com a oração”, mostrando o seu poder. A leitura bíblica não deve também ser enxergada como uma necessidade, mas como um louvor. Louvamos a Deus quando damos atenção devida às Sagradas Escrituras. Recomendo a todos os pastores a leitura desse livro fácil de ler, simples ao falar, mas correto ao se expressar as idéias.

28 de agosto de 2010

Ideologia e Contraideologia

Por Rodrigo Duarte

O clássico tema da ideologia é retomado por Alfredo Bosi, no seu livro Ideologia e Contraideologia, de um modo, sob vários aspectos, inovador. Não apenas pelo seu estilo entre ensaístico e tratadístico, mas também pela ênfase conferida ao outro lado da moeda, a contraideologia, bem como pela constante preocupação de cotejar os acontecimentos histórico-culturais europeus, desde o fim da Idade Média até o presente, com a realidade exterior à Europa, principalmente o Novo Mundo, com atenção especial ao Brasil.

Isso fica evidente já no que Bosi chama de “pré-história do conceito de ideologia”: a partir do Renascimento, o contato com outras culturas proporcionado pelas grandes navegações teria sido o propulsor de uma crítica da ideologia dominante. Na crítica social implícita em vários ensaios de Montaigne, por exemplo, estaria embutida a perspectiva dos diferentes modos de vida não ocidentais. De modo análogo, das utopias de Morus e Campanella, passando pela crítica aos “Ídolos”, por Francis Bacon, até as Cartas Persas, de Montesquieu, teria havido ressonâncias da descoberta desses espaços de alteridade. Uma atenção especial é dada a Rousseau, principalmente em virtude do que seriam seus vários momentos contraideológicos, principalmente nas visões sobre a educação expostas no Emílio.

Nessa pré-história do conceito de ideologia, mas também no seu desenvolvimento posterior, observa-se, segundo Bosi, a diferença que separa duas vertentes que podem, à primeira vista, parecer a mesma coisa: “Pela primeira vertente, o pensamento hegemônico é sempre falso e deve ser atacado pela raiz e desmistificado implacavelmente. (…) Pela segunda vertente, o mesmo pensamento dominante deve ser analisado, interpretado, compreendido em suas relações com seus fatores condicionantes, físicos e sociais, históricos e culturais; em suma, a ideologia deve ser situada e historicizada” [p. 40]. No que concerne à história do conceito de ideologia, propriamente dita, Bosi lembra que a palavra idéologie foi usada pela primeira vez em 1792, na obra homônima de Destutt de Tracy, publicada em 1801, sendo que o paradigma contemporâneo da “primeira vertente” – radicalmente crítica – do conceito de ideologia teria sido a Ideologia Alemã, de Marx e Engels.

No entanto, sem que Bosi rejeite totalmente a concepção marxista, a posição de Karl Mannheim aparece como mais equilibrada e ocasionalmente mais “contraideológica”. Bosi procura aliviar a acusação de idealismo feita a Mannheim, assinalando que “a famosa e tão malsinada expressão ‘intelectual que sobrevoa livremente’, atribuída a Alfred Weber, não me parece aplicável ao empenho cognitivo e ético de Mannheim” [p. 82]. No mesmo espírito de balanço sobre os momentos ideológicos e contraideológicos são passadas em revista colocações de Max Weber, de Lucien Goldmann, de Giulio Carlo Argan e de Paul Ricoeur. Ocupa igualmente lugar de destaque na reflexão de Bosi a proposta de que a religião também pode ser um importante fator de desalienação, na qual o libertarismo radical, de fundo cristão, de Simone Weil, aparece como um paradigma de proximidade entre a contraideologiae a utopia.

Contraideologia de desenvolvimento

Na segunda parte do livro, intitu-lada “Intersecções Brasil/ Ociden-te”, destaca-se a discussão sobre ideologia e contraideologia no conceito de desenvolvimento de Celso Furtado, o qual remete tanto a posições de Karl Mannheim quanto às colocações weberianas sobre a relação entre meios e fins: “Em face dessa tendência constante do discurso neoclássico, Celso Furtado propõe uma resistência ética ao seu ‘falso neutralismo’ que se degradou em ‘terrorismo metodológico’. Em outras palavras, propõe um conceito contraideológico de desenvolvimento, cuja marca registrada é o interesse geral” [p. 256]. Bosi chama ainda a atenção para o reforço que a concepção de “catolicismo social”, difundida entre nós pelo Padre Lebret, representou para uma teoria alternativa do desenvolvimento.

No bojo de uma longa discussão sobre a coexistência pacífica entreliberalismo e escravidão, a qual remonta a Locke e testemunhou tenebrosos capítulos na história brasileira, destaca-se a figura de Joaquim Nabuco como autor de obra em que a defesa do abolicionismo assumiu, segundo Bosi, traços visivelmente contraideológicos. O desfecho do livro se dá pela bela análise do que Bosi chama de “nó ideológico” no Brás Cubas de Machado de Assis, no qual a aparente adesão a privilégios e preconceitos de classe revela-se – de um modo que só uma grande obra de arte pode fazer – como uma posição profunda e radicalmente contraideológica.

A amplitude do espectro de doutrinas analisadas por Bosi, sua ênfase na necessidade da contraideologia como pressuposto da libertação dos oprimidos, assim como sua atenção especial aos reflexos do pensamento europeu sobre nosso universo político e intelectual, fazem desse livro uma peça indispensável na bibliografia brasileira sobre a ideologia.

Nome: Ideologia e Contraideologia
Autor: Alfredo Bosi
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 448
Preço: R$ 58

15 de julho de 2010

Assembléia de Deus (1911-1946).

A Assembléia de Deus, atualmente a maior igreja evangélica do Brasil, nasceu em 1911, em Belém do Pará. Fundada por dois suecos, Daniel Berg e Gunnar Vingren, faz parte, do que se convencionou denominar pentecostalismo clássico, juntamente com a Congregação Cristã do Brasil.

Tendo sido fundada e organizada no Brasil décadas depois do início das atividades das igrejas do protestantismo tradicional, como a Assembleia de Deus foi organizada e orquestrada a ponto de expandir-se tão intensamente em curto período?

Esta obra, Assembléia de Deus: origem, implantação e militância (1911-1946), de Gedeon Alencar, está apoiada em três pontos básicos:

1. A origem: a Assembléia de Deus foi fundada por suecos que se mantiveram na liderança durante as primeiras décadas. No entanto, esses suecos, mesmo tendo vindo dos EUA, têm uma relação conflituosa com a Assembléia de Deus americana;

2. Implantação: mesmo sem um organismo de fomento exterior ou qualquer planejamento estratégico, em 20 anos alcançou todo o país. Como isto foi possível? E, na medida em que cresceu, começaram os problemas de liderança desembocando no esfacelamento da mesma em Ministérios; e

3. Militância: quem são e como se comportam os adeptos desta igreja que nasce no nordeste mas é uniforme em todo o país?

Esses são os caminhos percorridos pelo autor para responder aos questionamentos feitos acima e a muitos outros que a historiografia atual não respondeu satisfatoriamente. Agora, no centenário da fundação da Assembléia de Deus, a Arte Editorial antecipa-se na publicação desta obra já reconhecida e aprovada pelos estudiosos do pentecostalismo brasileiro. Boa leitura a todos!

Alencar circula com naturalidade pelos meandros do mundo assembleiano. Essa antiga pertença lhe abriu outras portas, permitindo que ele pudesse ler documentos nas entrelinhas, interpretar discursos, colocar em prática uma forma muito pessoal de interpretar o mundo assembleiano brasileiro. Essa pertença ainda deu a Alencar uma fina sintonia, para não dizer um faro refinado, para os conflitos naturais e humanos, sem os quais a constituição do campo religioso não ocorre, conforme a teoria de Pierre Bourdieu.

Prof. Dr. Leonildo Silveira Campos
Universidade Metodista de São Paulo - UMESP Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião.

Gedeon Freire de Alencar
é Doutorando em Ciências da Religião (PUC-SP), diretor pedagógico do Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos, membro da Rede de Teólogos e Cientistas Sociais do Pentecostalismo na América Latina e Caribe, e autor de Protestantismo Tupiniquim (2005).

Editora: Aste.
Preço Sugerido: 32.00
Páginas: 192 

26 de fevereiro de 2010

Fundamentos do Direito

Respeitado filósofo do direito e jurista francês, Léon Duguit (1859 - 1928) foi colega de Émile Durkheim, tendo se graduado e obtido o doutorado na faculdade de Direito de Bordéus. Fez a crítica das idéias jurídicas tradicionais, e sua obra repercutiu grandemente no direito público.

Segundo suas teses, os seres humanos são animais sociais que possuem um senso universal ou instinto de solidariedade e interdependência, do qual decorrem o reconhecimento de respeito a determinadas regras de conduta fundamentais para a vida social.

Fundamentos Direito apresenta alguns dos mais importantes textos de Duguit.

Autor: Léon Duguit
Editora: Martin Claret
Páginas: 126
Preço: 12.90