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22 de junho de 2012

Pintor: modesto, mas talentoso.

Por Nikolai Gogol

Ele se contentava com um ganho mínimo, exatamente o suficiente para manter sua família e seguir com sua carreira. Sempre prestativo com os outros, ajudava com prazer a seus confrades necessitados. Por outro lado, preservava a fé ardente e ingênua de seus ancestrais. Eis sem dúvidas a razão pela qual aparecia espontaneamente nos rostos que ele pintava a sublime expressão que em vão buscam os mais brilhantes talentos. Por seu trabalho paciente, por sua firmeza em seguir a rota que a si mesmo havia proposto, conquistou por fim a estima até daqueles que o haviam tratado como um ignorante e um grosseiro.

Fonte: GOGOL, Nikolai. O retrato. p. 53. Santa Maria-RS: L&PM, 2012.

6 de junho de 2011

O amor

Por Milan Kundera 

Mas seria amor? Estava persuadido de que queria morrer ao lado dela e esse sentimento era claramente exagerado: estava vendo-a então pela segunda vez na vida! Não seria mais a reação histérica de um homem que, compreendendo em seu foro íntimo sua inaptidão para o amor, começa a representar para si próprio a comédia do amor? Ao mesmo tempo, seu subconsciente se mostrava tão covarde que escolhera para sua comédia essa modesta garçonete de província que não tinha praticamente possibilidade de entrar em sua vida. Olhava os muros sujos do pátio e compreendia que não saberia se era histeria ou amor. 

E, nessa situação em que um verdadeiro homem saberia agir imediatamente, ele se recriminava por negar assim ao mais belo instante de sua vida (está de joelhos à cabeceira da moça, convencido de não poder sobreviver à sua morte) a sua plena significação. Torturava-se com recriminações, mas terminou por se convencer de que era no fundo normal que não soubesse o que queria: nunca se pode saber aquilo que se deve querer, pois só se tem uma vida e não se pode nem compará-la com as vidas anteriores nem corrigi-la nas vidas posteriores. Seria melhor ficar com Teresa ou continuar sozinho? 

Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo "esboço" não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro. Tomas repete para si mesmo o provérbio alemão: einmal ist keinmat, uma vez não conta, uma vez é nunca. Não poder viver senão uma vida é como não viver nunca. 

A insustentável leveza do ser 
Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986, p. 14.

17 de dezembro de 2010

Amor por Anexins

Por Arthur de Azevedo

- Cena III – Isaías e Inês

Inês (Vem pronta para sair, ao ver Isaías assusta-se e quer fugir.) – Ai!
Isaías (Embargando-lhe a passagem.) – Ninguém deve correr sem ver de quê.
Inês – Que quer o senhor aqui?
Isaías – Vim em pessoa saber da resposta de minha carta: quem quer vai e quem não quer manda; quem nunca arriscou nunca perdeu nem ganhou; cautela e caldo de galinha...
Inês (Interrompendo-o .) – Não tenho resposta alguma que dar! Saia, senhor!
Isaías – Não há carta sem resposta...
Inês (Correndo à talha e trazendo um púcaro cheio d’água) – Saia, quando não...
Isaías (Impassível.) – Se me molhar, mais tempo passarei a seu lado; não hei de sair molhado à rua. Eh! Eh! Foi buscar lã e saiu tosquiada...
Inês – Eu grito!
Isaías – Não faça tal! Não seja tola, que quem o é para sim pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue! Não exponha a sua boa reputação! Veja que sou um rapaz; a um rapaz nada fica mal...
Inês – O senhor, um rapaz?! O senhor é um velho muito idiota e muito impertinente!
Isaías – O diabo não é tão feio como se pinta...
Inês – É feio, é!...
Isaías – Quem o feio ama bonito lhe parece.
Inês – Amá-lo eu?! Nunca...
Isaías – Ninguém diga: desta água não beberei...
Inês – É abominável! Irra!
Isaías – Água mole em pedra dura, tanto dá...
Inês – Repugnante!
Isaías – Quem espera sempre alcança.
Inês – Desengane-se!
Isaías – O futuro a Deus pertence!
Inês – Há alguém que me estima deveras...
Isaías – Esse alguém (Naturalmente.) sou eu.
Inês – Isso era o que faltava! (Suspirando.) Esse alguém...
Isaías – Quem conta um conto, acrescenta um ponto...
Inês – Esse alguém é um moço tão bonito... de tão boas qualidades...
Isaías – Quem elogia a noiva...
Inês – O senhor forma com ele um verdadeiro contraste.
Isaías – Quem desdenha quer comprar...
Inês – Comprar! Um homem tão feio!...
Isaías – Feio no corpo, bonito na alma.
Inês (Sentando-se.) – Deus me livre de semelhante marido!
Isaías – Presunção e água benta cada qual toma a que quer... (Senta-se também.)
Inês (Erguendo-se.) – Ah, o senhor senta-se? Dispõe-se a ficar! Meu Deus, isto foi um mal que me entrou pela porta!
Isaías (Sempre impassível.) – Há males que vêm para bem.
Inês – Temo-la travada.
Isaías – Venha sentar-se a meu lado. (Vendo que Inês senta-se longe dele.) Se não quiser, vou eu... (Dispõe-se a aproximar a cadeira.)
Inês – Pois sim! Não se incomode! (Faz-lhe a vontade.) Não há remédio!
Isaías (Chegando mais a cadeira.) – O que não tem remédio remediado está.
Inês (Afastando a sua. ) – O que mais deseja?
Isaías – Diga-me cá: o seu noivo? ... (Faz-lhe uma cara.)
Inês – Não entendo.
Isaías – Para bom entendedor meia palavra basta...
Inês – Mas o senhor nem meia palavra disse!
Isaías – Pergunto se... fala francês...
Inês – Como?
Isaías – Ora bolas! Quem é surdo não conversa!
Inês – Mas a que vem essa pergunta?
Isaías (Naturalmente.) – Quem pergunta quer saber.
Inês – Ora! Isaías (Sentencioso.) – Dois sacos vazios não se podem Ter de pé.
Inês – Essa teoria parece-se muito com o senhor.
Isaías – Por quê?
Inês – Porque já caducou também.
Isaías (Formalizado.) – Então eu já caduquei, menina? Isso é mentira. Inês – É verdade.
Isaías – Não é.
Inês – É.
Isaías – Pois se é, nem todas as verdades se dizem. (Ergue-se e passeia.)
Inês – Ah! O senhor zanga-se? É porque quer; não me viesse dizer tolices! (Ergue-se.)
Isaías (Interrompendo o seu passeio, solenemente. ) – Na casa em que não há pão, todos ralham, ninguém tem razão.
Inês – Ora! Somos ainda muito moços!
Isaías – Quem? Nós?
Inês (De mau humor.) – Não falo do senhor: falo dele...
Isaías – Ah! Fala dele...
Inês – Havemos de trabalhar um para o outro...
Isaías – É bom, é: Deus ajuda a quem trabalha.

8 de outubro de 2010

Nobel de literatura de 2010

O prêmio Nobel de literatura de 2010, divulgado nesta quinta-feira (7) às 8h (horário de Brasília), foi para o escritor peruano Mario Vargas Llosa, de 74 anos. 

 De acordo com a Academia Sueca, a escolha seu deu por conta da “cartografia das estruturas do poder e afiadas imagens de resistência, rebelião e derrota do indivíduo” que aparecem na obra de Llosa.

 Peter Englund, presidente do júri de literatura do Nobel, afirmou que Vargas Llosa se disse “muito comovido e entusiasmado” ao saber do prêmio. O escritor, que está em Nova York, onde é professor visitante na Universidade de Princeton, contou a Englund que “tinha levantado às cinco da manhã para dar uma aula” e que quando recebeu a notícia já “trabalhava intensamente”. 

Llosa receberá um prêmio no valor de 10 milhões de coroas suecas (1,5 milhão de dólares). A cerimônia de premiação está marcada para o dia 10 de dezembro. 

Autor de romances marcados por questões políticas da América Latina – e não raro autobiográficas -, como “A cidade e os cachorros”, “Pantaleão e as visitadoras”, “A festa do bode” e “Travessuras da menina má”, Llosa já havia vencido, entre outros, o Prêmio Cervantes, o mais importante da literatura em língua espanhola, em 1994. O Brasil costuma ser tema de seus textos, sejam ensaios políticos ou romances, como em “A guerra do fim do mundo”, de 1981, inspirado na Guerra de Canudos.

“A liberdade e a democracia são o verdadeiro caminho do progresso, que acredito que seja o papel de um escritor defender” – Mario Vargas Llosa

Fonte: Blog E-books

12 de junho de 2010

"Ressurreição" de Tolstói.

Por Aurora Bernardini

Muitos se perguntam por que será que os romances dos “grandes russos” continuam sendo lidos com afã, mesmo hoje, passados quase 200 anos de seu nascimento. Não é apenas pelo fato de eles se preocuparem profundamente com as questões mais pungentes da humanidade e proporem as soluções a que eles chegaram, mas – o que mais espanta – é ver como a história, no decorrer desses séculos, tornou esses conteúdos cada vez mais atuais.

O caso de Lev Nikolaevitch Tolstói (1828-1910) é sintomático. Em particular, em Ressurreição, o último de seus romances longos, iniciado em 1889 e publicado dez anos depois, cuja trama lhe veio de uma conversa com um jurista russo de grande renome (o mesmo que fornecera a Dostoiévski informações sobre casos de justiça criminal, aproveitados em Os Irmãos Karamazov). As descrições cuidadosamente fundamentadas da indiscutível injustiça do sistema judiciário e prisional, na prática e, principalmente, em seus princípios – na Rússia e no mundo –, são gritantes.

A trama é simples, como é simples e clara a linguagem que a narra, que o tradutor conservou. Uma menina particularmente graciosa, Katerina Mikháilovna Máslova (Kátia), filha de uma criada e de pai desconhecido, é semiadotada por duas solteironas da nobreza que vivem em sua propriedade rural, tias de Dmítri Ivánovitch Nekhliúdov, o protagonista da história. Por um lado, Kátia é educada como moça de família, por outro, serve como uma espécie de criada às duas solteironas. Nas férias, o jovem Nekhliúdov, ainda estudante, se apaixona pela linda moça em que Kátia se transformou e, sem que seja confessado, seu amor é correspondido e narrado na primeira parte do livro, por meio de muitas metáforas encantadoras, como mais um dos poéticos idílios bucólicos em que Tolstói era mestre.

Infortúnios

Logo depois começam os males. De volta à capital, o jovem nobre é engajado no exército e, na vida ociosa do oficialato, feita de duelos, bebedeiras, carteado e devassidão, perde sua pureza rousseauniana e se transforma ele mesmo em libertino. Por ocasião de uma volta ao campo, seduz a pobre Kátia, ainda pura e apaixonada. Sua sina é implacável. Mãe solteira, é expulsa pelas tias e, após algumas experiências em que seu trabalho sempre esbarra na concupiscência masculina, acaba entrando para um famoso prostíbulo da capital, onde é acusada de um assassinato por envenenamento, que ela não cometeu.

O destino quer que Nekhliúdov, já mais maduro e cheio de dúvidas quanto à justiça das instituições e da sua própria conduta, quase noivo de Missi, seja convocado como membro do júri que decidirá a sorte da moça. O choque que ele sofre ao descobrir que a acusada é a pobre Kátia, por cuja ruína ele se sente responsável, repercute nele dramaticamente.

Decide então desfazer-se de suas propriedades em favor dos camponeses (aqui Tolstói revela-se adepto das teorias de Henry George: “não dar o mesmo a todos, mas recolhê-lo em uma comunidade que o distribuiria etc.”) e acompanhar a ré, obviamente sentenciada a trabalhos forçados na Sibéria pelos altos funcionários desumanos e corruptos do sistema infame. As vergastadas com que Tolstói castiga esse sistema e a certeira descrição dos ambientes e dos personagens são pontos altos do livro, dificilmente igualados, inclusive porque ele consegue manter, nesse ambiente kafkiano, o suspense e a dinamicidade do desenrolar da história.

Oposição ao catolicismo ortodoxo

Entre os funcionários, não escapam os popes – padres da Igreja Ortodoxa contra cujos dogmas Tolstói se insurgiu. Conforme se sabe, ele viria a ser excomungado, ao propor os cinco pontos do Sermão da Montanha (Evangelho segundo Mateus) como guia para o comportamento moral: pacifismo e consideração por todos, sem distinção; castidade e fidelidade; descomprometimento via juramento; perdão e oferecimento da “outra face”; amor e piedade para com o ser humano, inclusive em relação aos inimigos.

Tolstói associava a Deus a ideia do Bem, e o que vai ditar aos homens o que é esse Bem é sua própria consciência: “Entender a obra do Senhor não está em meu poder” – reflete Nekhlíudov. “Mas cumprir sua vontade, inscrita na minha consciência, isso está em meu poder e isso eu sei de modo indubitável.” Tudo está em não deturpar nem deixar amortecer a consciência dentro de si; essa é a chave da proposta tolstoiana, sabiamente exposta neste seu último grande romance.

10 de maio de 2010

A Manhã das Noites Brancas


Por Fiodor Dostoiévski

Final do Romance "Noites Brancas".

A Manhã

As minhas noites acabaram naquela manhã. Estava um dia medonho. A chuva caía e batia tristemente nas vidraças. O pequeno quarto estava imerso na obscuridade, pois, lá fora, o céu estava coberto. A cabeça andava-me à roda, estava com uma enxaqueca e a febre insinuava-se por todo o meu corpo. 
- Uma carta para ti. patrão! Foi o correio que a trouxe — ouvi dizer a voz de Matriona.
— Uma carta! De quem? — exclamei, saltando da cadeira.
— Ora! Sei lá!
Olha, pode ser que esteja escrito por dentro de quem é. Quebrei o lacre. Era dela!

«Peço-lhe perdão!», escrevia Nastenka. «Suplico-lhe de joelhos que me perdoe. Enganei-o e enganei-me a mim própria. Era um sonho, um fantasma... Hoje sofri por si mil mortes. Perdão! Peço-lhe perdão’ «Não me censure, pois não mudei fosse o que fosse quanto a si. Disse-lhe que o amaria e continuo a amá-lo, faço mais do que amá-lo. Meu Deus, se pudesse amar-vos a ambos ao mesmo tempo! Se o senhor fosse ele! Se ele fosse o senhor!» Esta frase atravessou-me o cérebro. São as tuas próprias palavras; Nastenka, que me vêm à memória. «Deus é testemunha daquilo que eu gostaria de fazer agora por si! Sei que está mergulhado no acabrunhamento e no desgosto. Causei-lhe mal, mas, quando amamos, lembramo­-mos das ofensas? Ora, o senhor ama-me, não é verdade? «Obrigada, sim, obrigada por esse amor! Ele está impresso na minha memória como um sonho delicioso, daqueles que recordamos muito tempo depois de termos já despertado; porque recordarei eternamente o instante em que tão fraternal­mente o senhor me abriu o seu coração e em que tão magnanimamente aceitou a oferta do meu coração magoado, para o conservar, acalentar e proteger...

Se me perdoar, a sua recorda­ção será erigida por mim num sentimento eterno e nobre que nunca mais se apagará da minha alma... Conservarei essa recordação, ser-lhe-ei fiel, não o trairei, não trairei o meu coração: ele é demasiado constante para que isso possa suceder. Ainda ontem, como viu, ele voltou tão depressa à posse daquele a quem para sempre pertence. «Voltaremos a encontrar-nos, o senhor virá a nossa casa, não nos abandonará, será perpetuamente meu amigo, meu irmão... E quando me vir, dar-me-á a sua mão... sim? Dar-ma-á, pois ter-me-á perdoado, não é verdade? Continua­rá a amar-me como até aqui? «Sim, ame-me, não me abandone, pois eu amo-o de tal maneira neste instante, porque sou digna do seu amor, porque eu o mereço.., meu querida amigo! Casamos na próxima semana.

Ele continua apaixonado, nunca me esqueceu... Não se zangue por lhe falar dele. Quero que o conheça: será amigo dele, não é verdade? «Perdoe-me! Recorde e ame a sua Nastenka.» Li esta carta diversas vezes. As lágrimas toldavam-me os olhos. Por fim, caiu-me das mãos e escondi o rosto. — Meu rapaz! Eh, meu rapaz! — disse Matriona. — Que foi, velhota? — Já tirei a teia de aranha do tecto. Agora até já te podes casar, se quiseres, convidar amigos, tudo irá ficar em ordem... Fitei Matriona .. Era uma mulher ainda cheia de vivacidade, uma velha jovem; mas, não sei porquê, pareceu-me de súbito com o olhar baço, com rugas no rosto, curvada, estragada... Não sei porquê, subitamente, pareceu-me que o quarto envelhe­cera como Matriona.

Paredes e soalho estavam sem cor, tudo ficara turvo e obscuro; pareceu-me que as teias de aranha se tinham multiplicado. Não sei porquê, ao olhar através da janela pareceu-me que, por seu turno, o prédio em frente também escurecera, que o reboco das suas colunas se esboroava e caía, que as cornijas tinham enegrecido e aberto fendas e que as paredes, de um amarelo carregado e gritante, tinham perdido a cor... Ou, então, um raio de sol que surgira subitamente por detrás de uma nuvem carregada de chuva escondera-se de novo atrás dela, e tudo pareceu escurecer novamente diante dos meus olhos; ou talvez que diante de mim tenha num ápice perpassado, desagradável e triste, toda a perspectiva do meu futuro e eu me tenha visto, exatamente como sou hoje, quinze anos depois, envelhecido, no mesmo quarto, com a mesma Matriona, à qual todos esses anos não teriam tomado mais esperta.

Mas que só eu recorde a minha dor, Nastenka! Que eu não chame com amargas censuras uma nuvem sombria sobre a tua clara e tranqüila felicidade, que não desperte no teu coração o arrependimento nem o amargure com um secreto remorso ou o obrigue a bater com tristeza nos momentos de felicidade. Que não faça fenecer as ternas flores que colocarás nos teus cabelos negros no dia em que irás com ele ao altar... isso nunca! Nunca! Que o teu céu seja luminoso, que seja claro e sereno o teu gentil sorriso e bendita sejas tu própria pelo minuto de felicidade e de alegria que proporcionaste a um coração solitário e grato. Meu Deus! Um minuto inteiro de felicidade! Afinal, não basta isso para encher a vida inteira de um homem?...