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27 de fevereiro de 2017

Apascentando Ovelhas ou Entretendo Bodes?

Charles Haddon Spurgeon. 

Tradução: Walter Andrade Campelo 

Um mal está no declarado campo do Senhor, tão grosseiro em seu descaramento, que até o mais míope dificilmente deixaria de notá-lo durante os últimos anos. Ele se tem desenvolvido em um ritmo anormal, mesmo para o mal. Ele tem agido como fermento até que toda a massa levede. O demônio raramente fez algo tão engenhoso quanto sugerir à Igreja que parte de sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com vistas a ganhá-las. Da pregação em alta voz, como faziam os Puritanos, a Igreja gradualmente baixou o tom de seu testemunho, e então tolerou e desculpou as frivolidades da época. Em seguida ela as tolerou dentro de suas fronteiras. Agora as adotou sob o argumento de atingir as massas.
Meu primeiro argumento é que prover entretenimento para as pessoas não está dito em parte nenhuma das Escrituras como sendo uma função da Igreja. Se este é um trabalho Cristão, porque Cristo não falou dele? "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura." (Marcos 16:15). Isto está suficientemente claro. Assim teria sido se Ele tivesse adicionado "e proporcionem divertimento para aqueles que não tem prazer no evangelho." Nenhuma destas palavras, contudo, são encontradas. Não parecem ter-lhe ocorrido.  Então novamente, "E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores... para a obra do ministério" (Efésios 4:11-12). Onde entram os animadores? O Espírito Santo silencia no que diz respeito a eles. Foram os profetas perseguidos porque divertiram o povo ou porque o rejeitaram? Em concerto musical não há lista de mártires.
Além disto, prover divertimento está em direto antagonismo com o ensino e a vida de Cristo e de todos os seus apóstolos. Qual foi a atitude da Igreja quanto ao mundo? "Vós sois o sal" (Mateus 5:13), não o doce açucarado - algo que o mundo irá cuspir e não engolir. Curta e severa foi a expressão: "deixa os mortos sepultar os seus mortos." (Mateus 8:22) Ele foi de uma tremenda seriedade. Se Cristo introduzisse mais brilho e elementos agradáveis em Sua missão, ele teria sido mais popular quando O abandonaram por causa da natureza inquiridora de Seus ensinos. Eu não O ouvi dizer: "Corra atrás destas pessoas, Pedro, e diga-lhes que nós teremos um estilo diferente de culto amanhã, um pouco mais curto e atraente, com pouca pregação. Nós teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que certamente se agradarão. Seja rápido Pedro, nós devemos ganhar estas pessoas de qualquer forma." Jesus se compadeceu dos pecadores, suspirou e chorou por eles, mas nunca procurou entretê-los.
Em vão serão examinadas as Epístolas para se encontrar qualquer traço deste evangelho de entretenimento! A mensagem delas é: "Saia, afaste-se, mantenha-se afastado!" É patente a ausência de qualquer coisa que se aproxime de uma brincadeira. Eles tinham ilimitada confiança no evangelho e não empregavam outra arma. Após Pedro e João terem sido presos por pregar o evangelho, a Igreja teve uma reunião de oração, mas eles não oraram: "Senhor conceda aos teus servos que através de um uso inteligente e perspicaz de inocente recreação possamos mostrar a estas pessoas quão felizes nós somos." Se não cessaram de pregar a Cristo, não tiveram tempo para arranjar entretenimentos. Dispersos pela perseguição, foram por todos lugares pregando o evangelho. Eles colocaram o mundo de cabeça para baixo (Atos 17:6). Esta é a única diferença! Senhor, limpe a Igreja de toda podridão e refugo que o diabo lhe tem imposto, e traga-nos de volta aos métodos apostólicos.
Finalmente, a missão de entretenimento falha em realizar os fins desejados. Ela produz destruição entre os novos convertidos. Permita que os negligentes e escarnecedores, que agradecem a Deus pela Igreja os terem encontrado no meio do caminho, falem e testifiquem. Permita que os oprimidos que encontraram paz através de um concerto musical não silenciem! Permita que o bêbado para quem o entretenimento dramático foi um elo no processo de conversão, se levante! Ninguém irá responder. A missão de entretenimento não produz convertidos. A necessidade imediata para o ministério dos dias de hoje é crer na sabedoria combinada à verdadeira espiritualidade, uma brotando da outra como os frutos da raiz. A necessidade é de doutrina bíblica, de tal forma entendida e sentida, que coloque os homens em fogo.

25 de fevereiro de 2017

O pregador e a santidade pessoal.

Job. Nascimento

Muitas vezes a mensagem do Evangelho é desacreditada por causa de escândalos sórdidos. Pessoas que centram o ministério no “sucesso” e nos números e negligenciam a santidade pessoal. Larsen argumenta que: "O evangelicismo aculturado tem-se encaminhado para uma queda e, por mais que seja doloroso o expurgo, Deus fará com que sua ira contra os homens redunde em louvor a ele! (Salmo 76.10). Todos nós precisamos da humilhação e da sacudida que recebemos como um terrível lembrete de que devemos viver olhando para Jesus (Hebreus 12.1, 2). A consciência da realidade do Senhor nos dá confiança para não ser arrogantes. O fato de Jesus ter vindo para nos salvar de nossos pecados (Mateus 1.21) deveria fazer com que a igreja fosse muito diferente do mundo" (LARSEN: 2001, p. 55).

O maior referencial de santidade do pregador é Jesus Cristo. A própria definição do termo “cristão” significa “imitador de Cristo”, então devemos seguir “imitando” á Cristo. Assim como ele agiu devemos agir e proceder. Jesus se mostrou irritado com os fariseus e saduceus que arrogavam á si mesmos o título de santo simplesmente por que eles ficavam maior tempo em contato com os símbolos do sagrado. Mas, Jesus mostrou que dos lugares mais distantes dos templos e dos símbolos do sagrado da religião judaica brotavam a verdadeira espiritualidade e santidade: não arrogante, simples, comprometida com o próximo e consciente de sua dependência total e exclusiva de Deus. Jesus não se arrogou o título de superior á outros. Ele mostrou sua dependência ao Pai. João Calvino enfatiza que “quanto mais eminentemente alguém se destaca em santidade, mais ele se sente destituído da perfeita justiça e mais claramente percebe que em nada pode confiar senão unicamente na misericórdia de Deus” (CALVINO apud COSTA, 2006, p. 266). Quanto mais Jesus crescia em santidade mais ele se mostrava compassivo, misericordioso e pronto para atender as necessidades daqueles que vinham até seu encontro. 

O conhecimento hermenêutico é necessário para que o pregador possa pregar o que realmente entende do que lê. Para pregar mensagens genuinamente bíblicas reconhecemos que não é necessário somente ter um conhecimento técnico da bíblia e ser um “profissional do altar”, pelo contrário, a pregação de mensagens genuinamente bíblicas passa também pelo reconhecimento da dependência de Cristo que é evidenciado na piedade do pregador. Na piedade (não arrogante) o pregador demonstra que está nos trilhos certos da busca pela santidade em detrimento de uma pregação genuinamente bíblica.

REFERÊNCIAS:
COSTA. Hermisten. Calvino de A a Z. São Paulo: Vida, 2006.
LARSEN, David L. Anatomia da pregação. São Paulo: Vida, 1999.

24 de fevereiro de 2017

A mensagem genuinamente bíblica.

Job. Nascimento

A mensagem genuinamente bíblica é aquele tem Cristo como centro. O Verbo e a chave hermenêutica da interpretação Bíblia é Jesus Cristo. De modo que, se queremos entender o Antigo Testamento devemos ver como Jesus os tratou, interpretou e aplicou. Cláudio Rufino argumenta que: "A mensagem genuinamente bíblia é antes de tudo Cristocêntrica, o que produz edificação, consolação e exortação, objetivando salvar os que a ouvem (I Corintíos 1.21). (...) Devemos tomar como exemplo de bom pregador, a Jesus Cristo, que sempre pregava de forma simples, transparente e objetiva, fazendo questão de usar uma linguagem acessível aos ouvintes" (RUFINO: 2003, p. 27-28).
        
 A mensagem deve demonstrar ao homem que o pecado o separou de Deus e só existe um meio para conseguir a reconciliação: Jesus; só existe um caminho para a vida abundante Jesus; só existe um meio de demonstrar a salvação: amor. Essas são as cláusulas pétreas da mensagem genuinamente bíblica. Segundo David L. Larsen: "um dos mais estimulantes avanços em relação à tarefa da pregação é a renovação do interesse pela espiritualidade cristã na igreja. O pregador da Palavra não é nem vendedor nem showman: ele é um porta-voz! É por isso que nossa teologia da proclamação deve estar intimamente ligada a nossa teologia de devoção" (LARSEN: 2001, p. 46). A genuinidade da Palavra pregada está intimamente na transformação que ela empregou no pregador, de modo que todos vêem o pregador e a mensagem unidos de tal forma que parece uma simbiose.

REFERÊNCIAS:
LARSEN, David L. Anatomia da pregação. São Paulo: Vida, 1999.
RUFINO, Cláudio. Como pregar facilmente. Vol. 1. 4ª Edição. São Paulo: Grei, 2003.

23 de fevereiro de 2017

Entendes o que vens lendo?

Job. Nascimento

É preciso entender do que se trata o texto que lê antes de comunicar ao ouvinte. Segundo os editores da versão brasileira do livro Princípios de interpretação Bíblica de Louis Berkhof (2004, p. 31): "muito da confusão atual na área da religião e na aplicação dos princípios bíblicos vem da interpretação distorcida e da má compreensão da Palavra de Deus. Isso acontece até mesmo em círculos que defendem a infalibilidade das Escrituras. Estamos convencidos de que a adoção e o uso dos princípios sadios de interpretação no estudo da Bíblia darão frutos surpreendentes. Cremos que esse é um meio que o “Espírito da verdade” se agrada em usar ao conduzir se povo “em toda a verdade” (...). A adoção inicial de procedimento válido na interpretação bíblica irá conduzir o devotado obreiro a uma se serviço útil no progresso do reino de Deus".
                             
É necessário entender a bíblia, a história dos livros, o contexto, o processo pelo qual ela passou para ter sessenta e seis livros canonizados. Para que possamos embasar nossa mensagem dentro do espaço-tempo em que ela foi escrita aplicando dentro do espaço-tempo em que estamos. A bíblia foi escrita e relata fatos da vida cotidiana do povo de Deus. Jesus por sua vez, em suas parábolas, fazia referências a coisas do dia a dia (cem ovelhas, drácma perdida, figueira estéril etc.), então ela pode ser aplicada a coisas de nosso dia a dia. Não se deve cair no equívoco de espiritualizar toda a bíblia e assim negligenciar o seu significado último.

A interpretação e entendimento correto das Escrituras nos impele à propagar as boas novas com segurança. O livro de Atos nos trás um exemplo em que isso se torna patente: "eis que um etíope, eunuco, alto oficial de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todo o seu tesouro, que viera adorar em Jerusalém, estava de volta e, assentado no seu carro, vinha lendo o profeta Isaias. Então, disse o Espírito a Filipe: Aproxima-te desse carro e acompanha-o. Correndo Filipe, ouvi-o ler o profeta Isaías e perguntou: compreende o que vens lendo? Ele respondeu: como poderei entender, se alguém não me explicar? E convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele (...). Então, o eunuco disse a Filipe: peço-te que me expliques a quem se refere o profeta. Fala de si mesmo ou de algum outro? Então, Filipe explicou; e, começando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe Jesus" (Atos 7: 27-31, 34, 35).

REFERÊNCIAS:
BERKHOF, Louis. Princípios de interpretação bíblica. 2ª Edição. Cambuci-SP: Cultura Cristã, 2004.

22 de fevereiro de 2017

Pregando mensagens bíblicas: respeitando as escrituras.

Job. Nascimento

As Escrituras devem respeitadas. Não podemos encarar a bíblia como um livro didático em que retiramos mensagens no varejo e no atacado para grupos diversos de pessoas; não podemos enxergar o texto como um espelho no qual vemos apenas o que queremos ver nele; nem encarar a bíblia como um livro de armazenamento de histórias; tampouco brincar de tarô com a bíblia onde quando se precisa de uma mensagem aleatoriamente abre o texto em qualquer lugar e escorrega o dedo com o fim de ter uma mensagem divina. A bíblia deve ser respeitada e encarada como a palavra viva de Deus que falou, fala e falará à nossos corações a todo e qualquer instante.

Não podemos nos render apenas a leitura e estudo incessante da Escritura tal como um vestibulando estuda para um iminente processo seletivo. Alguns lêem a bíblia capitularmente para cumprir um ritual de leitura anual da bíblia e quando atrasam alguns dias se vêem em maus lençóis porque terá que ler dezenas de capítulos para “ficar em dia” com sua leitura devocional. A meditação (meditação mesmo) da Escritura é que deve ser feita diariamente. Os princípios hermenêuticos devem ser aliados à meditação. O Espírito Santo é o melhor orientador de interpretação que já existiu, a prova disto é que pessoas separadas por mais de 1.500 anos conseguiram falar de forma unânime sobre a salvação de Deus para o homem. Devemos ler a bíblia, mas não com o fim de garimpar mensagens para sermões, e sim deixar ela nos comunicar sua verdade. Jilton Moraes ainda afirma:

A mensagem que mais alcança os ouvintes é a que primeiro alcançou o pregador. Em Jesus está sempre o exemplo do pregador com a mensagem ratificada pela conduta, o que lhe deu uma autoridade não encontrada entre os escritos os escribas (Marcos 1.22) (...). Quanto mais o pregador “treme” diante da Palavra de Deus sentindo a autoridade da Palavra sobre sua consciência e sua vida, mais ele será capaz de pregá-la com autoridade aos outros. (MORAES: 2005, p. 51).

A capacidade de se pregar uma mensagem bíblica com autoridade e eficácia está intimamente ligada com o respeito que o pregador dá a ela.

REFERÊNCIAS:

MORAES, Jilton. Homilética da pesquisa ao púlpito. São Paulo: Vida, 2001.

12 de maio de 2015

João Calvino e a Pregação.

Robert White

Entre as várias atividades que demandavam a atenção de Calvino durante seu longo ministério em Genebra (1536-2538; 1541-1564), a pregação era a mais pública e, possivelmente, a mais influente. Pública, porque durante muitos anos, duas vezes aos domingos e diariamente em semanas alternadas, o reformador comparecia perante uma congregação de cidadãos, refugiados e visitantes para ensinar, admoestar, apelar aconselhar, advertir e encorajar. Influente, porque, por mais vistais que as Institutas, comentários e tratados tenham sido para a defesa e propagação da doutrina cristã, foi a Palavra pregada e aplicada, do púlpito, que, acima de tudo, moldou a cultura evangélica de Genebra e fez dela o centro nervoso do Protestantismo Reformado.