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11 de março de 2015

Sinceramente.

Míriam Leitão
Qualquer governante pode pedir suor e lágrimas. Só não pode fazer isso mentindo. O teor do pronunciamento da presidente Dilma Rousseff foi muito ruim. Por trás de palavras como “paciência”, ela camuflou uma versão dos fatos que ofende a inteligência. Disse que a crise internacional explica a conjuntura brasileira, que nem está tão ruim; a imprensa é que confunde, em vez de esclarecer.
Depois de uma campanha em que mentiu sobre a situação econômica e energética do país, fica muito difícil ouvir a mesma irritante distorção da realidade. A explicação para a mudança de inflexão da política econômica poderia ser feita de forma mais sincera, se ela não tivesse feito um marketing tão agressivo, acusando os seus adversários de preparar o que ela já sabia que tinha contratado.
Dilma acusou os candidatos Marina Silva e Aécio Neves de estarem preparando um tarifaço de energia, de quererem “plantar inflação para colher juros”, de tramarem um ajuste fiscal desnecessário para tomar medidas impopulares. “Impopular quer dizer contra o povo”. Ela disse muito mais. Pouparei vocês da repetição do longo rosário de falsidades ao qual estivemos expostos na campanha.
Não foi, como já disse aqui, a crise hídrica que nos trouxe o aumento da energia. Como sabem os que acompanharam as análises e as entrevistas dos especialistas, o governo contratou o tarifaço. Ao fim de 2015, a energia terá subido 100% em dois anos. Só em parte é a falta de chuvas. O erro foi reduzir o preço de forma populista e irreal, foi deixar as empresas sem contrato por erros de gestão, foi postergar o problema, mandando as distribuidoras pegarem empréstimos para serem repassados ao consumidor. Foi ignorar os alertas. Dilma já sabia que a energia teria que subir e muito em 2015, chovesse ou não. Os empréstimos bancários foram dados com o aval da Aneel para as distribuidoras cobrarem do consumidor com juros e correção monetária a partir deste ano.
Segundo a versão que a presidente apresentou, a energia vai subir apenas temporariamente. Não é verdade. Até o aumento da bandeira tarifária vai demorar bastante a ser revertido. As empresas ainda estão pegando empréstimos bancários que continuarão nos próximos anos sendo jogados na conta. Disse que estamos entrando numa outra fase da crise internacional de 2008 que, na visão dela, enfrentamos muito bem. A economia americana está crescendo, com recorde de criação de empregos. A China reduziu devagar seu crescimento, mas isso era esperado, e ainda cresce a 7%, a Europa tem dificuldades, mas vários países tem desempenho melhor que o país. O Brasil está estagnado e indo para a recessão. Parte fundamental da crise é resultado de políticas erradas, gasto desenfreado, mentiras contábeis e preços reprimidos.
Dilma disse: “como o mundo mudou, as circunstâncias mudaram, tivemos que mudar”. Para se aceitar essa versão era preciso provar que todo esse novo cenário ocorreu após a eleição. Durante a campanha, ela já sabia que mudaria o rumo na política econômica, mas seu marketing atacou e ofendeu todos os candidatos e seus assessores que alertaram que o Brasil precisava alterar o rumo da política econômica. É difícil, num domingo à noite, ouvi-la falar como se o país fosse formado por pessoas desmemoriadas e desinformadas. A se acreditar no que ela disse, o governo estava certo antes e está certo agora que mudou completamente de rumo, porque essa alteração só foi necessária no momento seguinte ao fechamento das urnas.
Dilma disse também que a crise brasileira não é tão ruim. Falso. O Brasil está com um déficit fiscal gigante, déficit externo enorme, inflação indo para 8%, país em estagnação, e a Petrobras no fundo do poço. Isso é sim um situação grave. Sair dela será mais fácil se o governo reconhecer o tamanho da crise. Dilma comparou com o ajuste de 2003. Naquele momento, a alta do câmbio ocorreu pelo medo de mudança na política econômica que Lula não fez, apesar de ter dito que faria. A manutenção da política foi o suficiente para acalmar os ânimos. O país não estava com esse déficit fiscal, nem com tarifas reprimidas, nem em estagnação, nem em crise política. A conversa “sincera e íntima” que propôs não foi sincera. E foi o que mais irritou. Sinceramente.

30 de agosto de 2013

Economia reage e PIB cresce 1,5% no segundo trimestre.

RIO - Depois de crescer 0,6% no primeiro trimestre do ano, a economia brasileira reagiu e cresceu 1,5% no segundo trimestre na comparação com o trimestre anterior.

Em termos nominais, o PIB do segundo trimestre somou R$ 1,2 trilhão. 

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi divulgado nesta sexta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O destaque no segundo trimestre foi o setor agropecuário, que cresceu 3,9%, seguido da indústria, com expansão de 2,0%, e serviços, com 0,8%.

A alta de 1,5% representa o maior crescimento nessa base de comparação desde o primeiro trimestre de 2010, quando foi de 2%.

Comparação anual
Na comparação com o segundo trimestre de 2012, o PIB cresceu 3,3%, também com destaque para agropecuária com alta de 13,0%, seguida por indústria (2,8%) e serviços (2,4%).

No semestre
A economia brasileira registrou crescimento de 2,6% no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período de 2012.

Em 12 meses
O crescimento acumulado nos últimos 12 meses até julho foi de 1,9% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Mantega
Na sexta-feira passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, revisou para baixo (pela sexta vez seguida) a previsão de crescimento da economia brasileira em 2013. Neste último corte, a estimativa oficial caiu de 3% para 2,5% em 2013. Em junho, Mantega havia revisado a previsão de 3,5% para 3%.


Segundo Mantega, embora a previsão de 2,5% mostre um ritmo menor do que o crescimento potencial do País, a concretização da estimativa pode ser considerada "bom desempenho" em meio à crise internacional. Na segunda-feira, Mantega classificou o atual momento dos países emergentes como uma "minicrise", em função do desvalorização das moedas ante o dólar, na expectativa do fim dos estímulos à economia norte-americana.

Fonte: Estadão.

9 de julho de 2013

BNDES perdeu 38% do patrimônio em 2 anos.

BRASÍLIA – Na contramão do mercado, o patrimônio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) encolheu 38% entre março de 2011 e março de 2013, enquanto a média de cinco grandes bancos públicos e privados registrou crescimento de 25%. É o que mostra levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).
Para os economistas José Roberto Afonso e Gabriel Leal de Barros, ambos do Ibre,essa é uma clara evidência de que o governo está enfraquecendo os bancos públicos, principalmente o BNDES, com sua política de recolher dividendos antecipados. Essa é a tese que eles defendem no estudo Receitas de Dividendos, Atipicidades e (Des) Capitalização.
“O governo fala em capitalização, mas na verdade o que está acontecendo é descapitalização”, frisou Afonso. “O Tesouro sacou reserva de lucro acumulado sem um aumento de capital compatível com o crescimento do crédito.” Outra causa para esse desempenho são as “violentas” perdas sofridas pelo banco com ações de Petrobrás, Embratel e Vale, por exemplo. Para ele, essa perda de fôlego pode ter consequências negativas no mercado de crédito.
Questionado, o BNDES apontou as perdas no mercado acionário como a principal causa para a redução do patrimônio. “O impacto negativo dessa oscilação no patrimônio líquido do BNDES foi de R$ 23 bilhões, quase o dobro do que foi pago em dividendos líquidos de aumento de capital no mesmo período”, diz o banco. “Portanto, é equivocado atribuir a redução do patrimônio líquido, majoritariamente, à distribuição de dividendos nos anos citados.”
Queda. De acordo com o levantamento, o patrimônio líquido do BNDES caiu de R$ 75,602 bilhões em março de 2011 para R$ 46,799 bilhões em março passado, uma redução de 38%. No mesmo período, o Itaú Unibanco registrou aumento de 17% em seu patrimônio e o Bradesco, de 35%. O patrimônio líquido do Banco do Brasil teve expansão de 19%.
O patrimônio menor diminui a capacidade de o banco emprestar. As instituições brasileiras precisam seguir regras internacionais de prudência na concessão de crédito. Elas seguem o Acordo de Basileia, cuja norma básica é que, para cada R$ 100 emprestados pelo banco, ele precisa ter um patrimônio de pelo menos R$ 11. Nesse exemplo, o banco teria um Índice de Basileia de 11%.
No caso do BNDES, esse índice recuou de 21,9% em março de 2011 para 14,5% em março deste ano. “Eu não questiono o índice, que ainda está acima do mínimo permitido, mas a trajetória”, observa Afonso. Foi uma queda de 34% em apenas dois anos.
De acordo com informações da área econômica, o índice do BNDES caiu ainda mais. Não foi por acaso que o governo editou, no início de junho, a Medida Provisória 618, que autoriza o Tesouro a aumentar o capital da instituição em R$ 15 bilhões. A explicação oficial é exatamente de que o dinheiro será injetado para melhorar o Índice de Basileia do banco.
Um eventual estreitamento na possibilidade do BNDES de emprestar afetaria a principal aposta do governo para “virar” o humor na economia: o programa de concessões em infraestrutura.
Apenas em rodovias e ferrovias, o investimento previsto é de R$ 133 bilhões, dos quais R$ 79,5 bilhões ocorreriam nos próximos cinco anos. A promessa é que o banco de desenvolvimento financiará 70% dos empreendimentos – ou o equivalente a R$ 93,1 bilhões.
Fonte: Estadão.

3 de novembro de 2011

Empregos púbicos são produtivos?



Ron Paul anunciou que, caso eleito presidente dos EUA, uma das suas primeiras medidas para acabar com o déficit orçamentário de mais de US$ 1,4 trilhão do governo americano seria a imediata abolição de cinco ministérios e a consequente demissão de aproximadamente 221.000 burocratas.Recentemente, o jornalista da CNN Wolf Blitzer fez uma pergunta a Ron Paul exatamente sobre essa questão, e sua resposta revela uma ótima maneira de se testar se uma pessoa aceita ou não as premissas fundamentais da moderna macroeconomia keynesiana. Como relatou o site Politico,
Em entrevista à CNN, Paul foi perguntado por Wolf Blitzer sobre como a eliminação de aproximadamente 221.000 empregos públicos dispersos em cinco ministérios iria estimular a economia.  Paul respondeu: "Esses empregos não são produtivos".
E então, empregos públicos são ou não são "empregos produtivos"?

Produtividade

Primeiramente, é preciso ressaltar que Ron Paul não está sugerindo que tais empregos são de baixa 'produtividade' no sentido econômico do termo, isto é, no sentido de produção por hora.  Paul não estava apenas sugerindo que funcionários públicos são preguiçosos.  O que Paul quis dizer é que empregos governamentais não fornecem bens de consumo ou serviços para a sociedade. Imagine que um determinado país A envie um embaixador para o país B.  Se fossemos mensurar a produtividade do embaixador em termos de sua produção por hora, o denominador dessa equação seria simplesmente o número total de horas que o burocrata trabalhou.  Porém, pense na produção do embaixador.  A rotina diária de um embaixador consiste basicamente em encontrar-se com diplomatas estrangeiros, fazer negociações, escrever relatórios e memorandos, e se envolver na supervisão de alguns projetos diplomáticos.  A soma de todos esses encontros, relatórios e supervisão de projetos daria a medida da "produção" do embaixador.  Um embaixador que completasse um maior número destas tarefas seria mais produtivo do que outro embaixador. Isso nos dá uma ideia da "produtividade" do embaixador no sentido puramente economicista do jargão.


Empregos produtivos

A esta altura já deve estar óbvio que Ron Paul, ao sugerir que empregos governamentais não são produtivos, não está exatamente preocupado com a produtividade econômica destes empregos.  Afinal, em um sentido puramente técnico, eles são tão "produtivos" quanto qualquer outro emprego. Em vez disso, o que Ron Paul está dizendo — e nisso ele é acompanhado pela maioria dos economistas seguidores da Escola Austríaca de Economia — é que as tarefas realizadas por um embaixador (ou por qualquer outro funcionário público) não apresentam uma função de mercado.  Tais serviços não seriam demandados por ninguém em uma economia de mercado. Em sua essência, o governo cria do nada uma demanda para estes serviços: a existência de embaixadores é o que gera o trabalho realizado por embaixadores.  Eles não levam seus serviços ao mercado para vendê-los a qualquer indivíduo que porventura queira voluntariamente comprá-los.  Os governos nomeiam embaixadores para realizar serviços que nenhum consumidor quer comprar. Compare estes serviços aos serviços realizados por um indivíduo para cujo trabalho há uma genuína demanda — por exemplo, um engenheiro mecânico.  Engenheiros mecânicos são contratados por clientes que não sabem como atender de maneira mais eficiente as necessidades de seus consumidores porque não possuem a solução para um determinado problema mecânico — como, por exemplo, transportar grandes cargas do ponto A até o ponto B, aumentar a velocidade na qual o bem X é produzido etc.  O engenheiro mecânico desenvolve uma solução para estes problemas em troca da uma remuneração que irá corresponder à quantia de dinheiro que o cliente espera poupar ao adotar essa nova e mais eficiente solução.


O centro da questão

Dado que embaixadores são pagos com dinheiro coletado de impostos, ao passo que engenheiros mecânicos são pagos com o capital que foi acumulado por indivíduos e empresas, os empregos públicos criam a seguinte situação:
  1. Governos contratam e começam a pagar embaixadores.
  2. Governos tributam o público para pagar embaixadores.
  3. O público, por conseguinte, tem sua poupança total reduzida, gastaram parte dela pagando mais impostos.
  4. Com a poupança reduzida, o público possui menos capital para investir em projetos de engenharia.
Assim, pagar funcionários públicos significa retirar recursos econômicos da produção de bens e serviços demandados pelo mercado e desviá-los para o financiamento de serviços para os quais não há nenhuma demanda de mercado. Foi a isso que Ron Paul se referiu quando disse que empregos públicos "não são produtivos".


A alegação keynesiana e o teste decisivo
embaixada_brasileira2.jpg

Economistas keynesianos argumentam que os salários pagos a funcionários públicos irão inevitavelmente terminar nas mãos do público em geral, pois os funcionários públicos utilizarão seus salários no mercado para adquirir bens de consumo e serviços.  Embora haja um custo inicial no pagamento de impostos, a economia como um todo não irá sofrer nenhum impacto, pois o dinheiro irá retornar para a economia na forma de consumo incorrido por funcionários públicos. Se não nos aprofundássemos mais neste exemplo, de fato não poderíamos dizer que a alegação keynesiana está errada.  A questão a ser analisada não é simplesmente se os funcionários públicos irão eventualmente gastar seu dinheiro em bens de consumo.  Eles irão. O teste decisivo é ver até que ponto um indivíduo acredita que o consumo dos funcionários públicos irá devolver o dinheiro à economia de forma tão uniforme e eficientemente distribuída quanto era antes dos impostos.  Será que o dinheiro pago aos funcionários públicos simplesmente passa através da máquina estatal e retorna aos indivíduos de uma economia exatamente da maneira como estava distribuído antes?  Ou será que a distribuição total do dinheiro é alterada quando o dinheiro é confiscado dos indivíduos produtores — que o utilizariam como investimento — e redistribuído a funcionários públicos que o utilizarão para consumo?


Gastos governamentais sob a perspectiva austríaca

No exemplo acima, os seguidores da Escola Austríaca diriam o seguinte:
  • Como o governo contratou funcionários públicos, indivíduos que de outra forma estariam realizando outras atividades irão agora efetuar uma função extramercado, para a qual não há demanda.
  • Como o governo paga os funcionários públicos com dinheiro que foi retirado de indivíduos do setor privado, recursos que estavam sendo utilizado na produção de um determinado tipo de bem ou serviço será agora redirecionado para a produção de serviços extramercados para os quais não há demanda.
Consequentemente, há uma alteração na distribuição de recursos na economia. E o que ocorre quando os funcionários públicos gastam seu dinheiro consumindo bens e serviços?  Novamente, voltando ao exemplo acima, os seguidores da Escola Austríaca diriam o seguinte:
  • O dinheiro que alguns indivíduos tinham a intenção de gastar em projetos de engenharia mecânica foi transferido para funcionários públicos.
  • Estes funcionários públicos, antes de incorrer qualquer outra forma de consumo, irão adquirir alimentos, roupas, moradias, serviços de saúde e outras necessidades.
O consumo dos funcionários públicos não devolve o dinheiro para aqueles engenheiros mecânicos que seriam os recebedores originais do dinheiro que foi tributado.  Ao contrário, esse dinheiro será desviado para produtores de alimentos, de roupas, imóveis, de serviços de saúde etc.  Se o dinheiro, de alguma forma, acabar voltando para os engenheiros mecânicos, será apenas uma minúscula fatia dos gastos em consumo dos funcionários públicos.  Ou seja, será apenas uma pequena fração da quantidade original que iria para suas mãos. Os economistas seguidores da Escola Austríaca se referem a esse fenômeno como a não-neutralidade da moeda.


Conclusão

Concorde ou não com a afirmação de Ron Paul de que empregos públicos "não são produtivos", o grau com que você concorda irá fornecer um valioso discernimento sobre até que ponto você acredita na visão keynesiana a respeito do dinheiro na macroeconomia. A perspectiva austríaca argumenta que todos os empregos estatais retiram recursos do setor produtivo e os desviam para a produção de bens e serviços que jamais existiriam sob condições de livre mercado ou que existiriam em quantidade e volume muito menores. Neste sentido, empregos públicos não são produtivos.

Fonte: Instituto Ludwig von Misses Brasil


trabalha como consultor e analista em Ottawa, Canadá.  Já publicou artigos para jornais comerciais e para periódicos acadêmicos sobre economia, teoria da política administrativa e saúde.

Tradução de Leandro Roque