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11 de junho de 2017

Um homem chamado Mateus.

Texto: “Partindo dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu” (Mateus 9.9).

Introdução: Mateus está escrevendo aqui a respeito de si próprio. Notemos sua modéstia na expressão “um homem chamado Mateus”, e sua omissão do fato que a festa mencionada no VS. 10 realizou-se em sua própria casa. O relato está situado imediatamente após um milagre, como se a sugerir que a conversão de Mateus se deu a um milagre. Há pontos de similaridade entre o milagre e a conversão. Mateus estava espiritualmente paralisado por seu pecado e por sua atividade de ganhar dinheiro; daí precisar ele dar a ordem divina: “levanta-te e anda”.

I. Seu chamado parecia acidental e improvável: Jesus estivera por muitas vezes em Cafarnaum, localidade que escolhera para ser a “sua própria cidade”. No entanto, Mateus permanecia sem salvação. Era provável, portanto, que agora ele fosse chamado? Já não se havia fechado o seu dia de graça? Jesus estava empenhado em outro negócio, porquanto lemos: “partindo Jesus dali”. Seria provável que agora ele chamasse a Mateus? “Viu um homem chamado Mateus”, porquanto já o previra. Conhece-o, porque já o conhecera com antecedência. Em tudo isso há um paralelo entre Mateus e nós.

II. Seu chamado não estava em cogitação e não foi chamado: a) Ele estava em condição degradante. Ninguém, exceto os mais vis dentre os judeus, cuidaria cobrar impostos para o conquistador romano; b) Ele não teria ousado seguir a Jesus, mesmo que tivesse desejado fazê-lo. Sentia-se indigno demais; c) Os outros discípulos tê-lo-iam repelido, caso ele propusesse a vir sem o convite franco do Senhor; d) O chamado foi de pura graça, conforme está escrito: “fui buscado dos que não perguntavam por mim”.

III. Seu chamado veio do Senhor, que o conhecia: a) Viu todo o mal que estivera nele, e nele continuava; b) Viu nele o seu escolhido, seu redimido, mas vê o que está fazendo. A seu apóstolo e seu biógrafo. O Senhor chama conforme lhe apraz, mas vê o que está fazendo. A soberania não é cega, mas age com ilimitada sabedoria.

Conclusão: Diz um antigo escritor: “nossa chamada é incerta com respeito ao lugar, pois Deus chama alguns de seus navios; alguns, de suas lojas; alguns, de sob os abrigos; e outros, do mercado; de sorte que, se um homem conseguir que sua própria alma compreenda que ele certamente é chamado, pouco importa o tempo e o lugar onde isso ocorra”. Lemos, na literatura clássica, como a lira de Orfeu encantava com sua música não somente as feras, mas as próprias árvores e rochas de Olimpo, de sorte que elas saíam de seus lugares para segui-lo. Assim Cristo, nosso Orfeu celestial, com a música de sua graciosa fala, atrai para Si aqueles que são menos susceptíveis a influências benignas do que as feras, as árvores e as pedras, inclusive as almas pobres, endurecidas, insensíveis, pecaminosas. Permita-lhe tanger sua harpa dourada e sussurrar em seu coração: “Vem, segue-me”, e você, como outro Mateus, será conquistado.

10 de setembro de 2016

Devocional diário - Charles Spurgeon - 10 de Setembro.

Versículo do dia: Depois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele. (Marcos 3.13)
Nesse acontecimento se manifestou a soberania. Pessoas impacientes podem irritar-se e ficar iradas porque não foram chamadas às posições mais nobres do ministério. Mas, querido leitor, regozije-se com o fato de que Jesus chama a quem Ele mesmo quer. Se Jesus me chama para ser um recepcionista na igreja dele, eu o bendirei por sua graça me permitir fazer algo em seu serviço.
A chamada dos servos de Cristo vem do alto. Jesus está na montanha, eternamente acima do mundo, em santidade, sinceridade, amor e poder. Aqueles que Jesus chama têm de subir a montanha ao encontro dele. Devem procurar subir ao nível dele, por meio da comunhão com Ele. Talvez não sejam capazes de atingir honras clássicas ou eminência de erudição; contudo, à semelhança de Moisés, eles têm de subir ao monte e desfrutar de constante comunhão com o Deus invisível. De outra maneira, nunca serão aptos a proclamar o evangelho da paz. Jesus procurava separar-se das pessoas, a fim de ter comunhão com o seu Pai. Temos de entrar nesta mesma comunhão divina, se desejamos abençoar os nossos semelhantes. Não devemos nos admirar do fato de que os apóstolos estavam revestidos de poder, após descerem do monte onde Jesus estava.

Neste dia, devemos nos esforçar para subir a montanha de comunhão com Ele, a fim de que sejamos designados para a obra de vida para a qual fomos separados. Não vejamos a face de pessoas hoje, enquanto não tivermos visto a Jesus. Também expeliremos demônios e realizaremos maravilhas, se descermos ao mundo cingidos com aquele poder divino que somente o Senhor Jesus nos pode dar. É inútil ir à batalha do Senhor sem estarmos usando armas celestiais. Temos de ver a Jesus; isto é essencial. Diante do trono de misericórdia nos demoraremos, até que Ele se manifeste para nós como não o faz ao mundo, e possamos dizer com sinceridade: “Estivemos com Ele no monte santo”.

25 de julho de 2015

A enfermidade da preguiça.

Charles Spurgeon

Um homem pediu uma ajuda material a um ministro, dizendo-lhe que sofria de uma grave enfermidade. O bom homem prometeu ajuda-lo, mas pediu que lhe dissesse qual era a sua enfermidade. O doente disse que lhe contaria depois que recebesse o dinheiro. Após recebê-lo, disse-lhe: “Senhor, sofro de uma preguiça incurável”. Contaram-me de um rapaz que tem uma doença muito estranha. Come bem, dorme bem e não tem outros incômodos, mas quando chega a hora de ir trabalhar começa a tremer dos pés à cabeça.

24 de julho de 2015

O beijo da virgem de Nuremberg.

Charles Spurgeon


Que invento diabólico esse do “beijo da vigem”, praticado nos tempos da Inquisição! A vítima era levada até à imagem que devia ser beijada; quando se aproximava dela, uns braços ocultos a apanhavam e seu corpo era traspassado por cem punhais. Os prazeres do pecado oferecem ao homem um beijo igual ao mencionado. Os gozos ilícitos, mesmo neste mundo, levam o homem a situações terríveis, enquanto que, no futuro, os punhais do remorso e do desespero ferirão sem remédio.

21 de julho de 2015

A atividade cristã.

Charles Spurgeon


Como fico contente pelo fato de que alguns cristãos se preocupem mais com seus pés do que com suas cabeças! Quando a cabeça de uma criança cresce demais, isto é sinal de que sofre de uma terrível enfermidade. Creio que há irmãos que sofrem de coisa semelhante, pois quando tratam de caminhar, andam tropeçando, pois estão ocupados demais com complicados problemas doutrinários em lugar de olhar, como deveriam olhar o aspecto prático do cristianismo. Certamente, devemos estudar as doutrinas, mas também os preceitos. Tenhamos uma experiência interior, mas tenhamos também essa santidade exterior, sem a qual ninguém verá a Deus. “Andamos”. Nem todos podem dizer isto. Poderão dizer: “falamos; pensamos; experimentemos; sentimos”. Mas, o verdadeiro cristão pode dizer como o apóstolo Paulo: “andamos”. Permita Deus que nós possamos dizer também.

20 de julho de 2015

Contra as murmurações.

Texto: Números 11.1-8.
FonteSPURGEON, Charles.
Introdução: observe como o dano começou nos arredores, entre a multidão mista, e como o fogo do Senhor consumiu as extremidades do arraial. O grande perigo da Igreja está em seus viveiros ou parasitas; esses infectam o verdadeiro Israel.

I. Um espírito descontente causa pesar ao Senhor: Poderíamos inferir isso de nossos próprios sentimentos, quando os dependentes, os filhos, os criados ou aqueles que recebem esmolas estão sempre resmungando. Cansamo-nos deles e nos iramos contra eles. No caso dos homens para com Deus, a murmuração é muito pior, visto como não merecem bem algum de suas mãos, mas bem ao contrário. “Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados” (Lamentações 3.39; Salmos 103.10).

II. Um espírito descontente imagina que acharia prazer nas coisas que lhe foram negadas: Israel tinha maná; porém suspirava por peixes, pepinos, melões, cebolas, etc. É prejudicial a nós mesmos, pois nos impede de desfrutar o que já temos. Leva os homens a difamarem o alimento dos anjos, chamando-o de “este pão vil”. Levou Hamã a não pensar em sua prosperidade, porque um simples homem lhe negou reverência. (Et. 5.13). É uma calúnia para com Deus e ingrato para com ele. Leva à rebeldia, à falsidade, à inveja e a toda sorte de pecados.

III. Um espírito descontente mostra que a mente precisa ser transformada: A graça poria nossos desejos em ordem e manteria nossos pensamentos e afeições em seus devidos lugares; deste modo: contentamento com aquilo que temos (Hebreus 13.5). Em relação a outras coisas, moderados no desejo. “Não me dês nem a pobreza nem a riqueza” (Provérbios 30.8). Em relação às coisas terrenas que podem estar faltando, plenamente resignados. “Não seja como eu quero e, sim, como tu queres” (Mateus 26.39). Primeiro, e mais ansiosamente, desejar a Deus. “Minha alma tem sede de Deus” (Salmos 42.2). Em seguida, buscar ardentemente os melhores dons (I Coríntios 12.31). Seguir sempre em amor o caminho mais excelente (I Coríntios 12.31).

Ilustração: Li a respeito de César que preparou uma grande festa para seus nobres e amigos. Aconteceu que o dia designado foi de tamanha má sorte que nada se poderia fazer para a honra de sua reunião. Em consequência disso, desgostoso e enraivecido, ordenou a todos quantos tivessem arcos, que atirassem suas setas contra Júpiter, o principal deus deles, como que em desafio contra ele, por aquele tempo chuvoso; feito isso, suas setas não chegaram ao seu destino e caíram sobre suas próprias cabeças, de modo que muitos deles ficaram gravemente feridos.

Considerações finais: Assim, nossos queixumes e murmurações, que são outras tantas setas atiradas contra o próprio Deus, retornarão sobre nossas cabeças ou nossos corações; não o alcançarão, mas nos atingirão; não lhe causarão dano, mas nos ferirão; portanto é preferível ser mudo a ser murmurador; é perigoso contender com Aquele que é fogo consumidor (Hebreus 12.19) (Thomas Brooks).
          No mesmo texto (Números 17.10), os israelitas são chamados de “murmuradores” e “rebeldes”; e não PE a rebelião como o pecado de feitiçaria? (I Samuel 15.23). Você que é murmurador, para Deus é como um bruxo, um feiticeiro, como aquele que lida com o diabo. Este é um pecado de primeira grandeza. A murmuração, muitas vezes, termina em maldição; a mãe de Mica deitou maldições, quando os talentos de prata foram tirados (Juízes 17.2). Assim faz o murmurador, quando uma parte de sua propriedade lhe é tirada. Nossa murmuração é a musica do diabo; trata-se do pecado que Deus não pode suportar (T. Watson).
            Não ouso lamuriar-me assim, como não ouso amaldiçoar ou jurar (João Wesley). Uma criança estava chorando de raiva, quando ouvi sua mão dizer-lhe: “se você está chorando sem motivo, logo vai chorar com razão”. E do som de uma tapa recolhi o ensino moral de que os que choram por nada, estão fazendo uma vara para suas próprias costas e, provavelmente, serão castigados por ela.            

13 de julho de 2015

Há tentações em toda parte.

Charles Spurgeon

Os homens que vivem numa grande cidade não precisam nem sequer atravessar a rua para encontrar-se com o diabo. A própria atmosfera está cheia de pecado. Onde quer que você vá, as tentações hão de acompanhá-lo, como as moscas no verão. Esta época põe à prova o caráter cristão. Um homem tem que ser verdadeiramente um homem. Não deve ser um anão e nem um tuberculoso espiritual. Estamos no meio de um combate e ai daquele que não puder resistir à tentação! Mas bendito o homem que possa resisti-la até o fim!

11 de julho de 2015

O sofrimento como escola de experiência.

Charles Spurgeon

Porque terei medo de passar pelo túnel da aflição, se ele me conduz à mina de ouro da experiência espiritual? Por que vou queixar-me de que o sol de minha prosperidade se apaga, se nas trevas da adversidade posso contar melhor as estreladas promessas com que meu Deus tem adornado o céu? Afasta-te de nós, sol, pois em tua ausência veremos dez mil sóis e, quando a tua luz ofuscante tenha desaparecido, veremos nas trevas mundos que tu ocultavas com a tua luz. Muitas promessas são escritas com tinta invisível e não podem ser lidas até que o fogo da tribulação as revele. “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” (Salmo 119.71).

10 de julho de 2015

Religião de papel.

Charles Spurgeon

Todos nós sabemos como é prejudicial quando um país começa a pôr em circulação uma grande quantidade de papel moeda, sem ter o necessário respaldo. Vem uma inflação, pânico geral e a bancarrota nacional. Temo que a igreja está emitindo uma grande quantidade de notas de papel, sem ter o respectivo respaldo. E, afinal de contas, aos olhos de Deus, só o ouro é que vale, pois o papel será queimado no fogo. Devem ser de ouro lavrado; sua casa é um palácio, e deve ser adornada com “janelas de ágata e portas de granada”.

18 de junho de 2015

Amor ao pecado.


Um dia destes, um rato caiu numa ratoeira que lhe prendeu o rabo. O pobre animal continuava mordendo o queijo, como se nada tivesse acontecido. Muitos homens estão fazendo o mesmo. Sabem que são culpados, têm horror ao castigo que merecem, mas continuam saboreando seus pegados favoritos.  
   (SPURGEON, Charles)

25 de março de 2015

Apascentando ovelhas ou entretendo bodes?

Charles Spurgeon

Tradução: Walter Andrade Campelo

Um mal está no declarado campo do Senhor, tão grosseiro em seu descaramento, que até o mais míope dificilmente deixaria de notá-lo durante os últimos anos. Ele se tem desenvolvido em um ritmo anormal, mesmo para o mal. Ele tem agido como fermento até que toda a massa levede. O demônio raramente fez algo tão engenhoso quanto sugerir à Igreja que parte de sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com vistas a ganhá-las.
Da pregação em alta voz, como faziam os Puritanos, a Igreja gradualmente baixou o tom de seu testemunho, e então tolerou e desculpou as frivolidades da época. Em seguida ela as tolerou dentro de suas fronteiras. Agora as adotou sob o argumento de atingir as massas.
Meu primeiro argumento é que prover entretenimento para as pessoas não está dito em parte nenhuma das Escrituras como sendo uma função da Igreja. Se este é um trabalho Cristão, porque Cristo não falou dele? "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura." (Marcos 16:15). Isto está suficientemente claro. Assim teria sido se Ele tivesse adicionado "e proporcionem divertimento para aqueles que não tem prazer no evangelho." Nenhuma destas palavras, contudo, são encontradas. Não parecem ter-lhe ocorrido.
Então novamente, "E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores... para a obra do ministério" (Efésios 4:11-12). Onde entram os animadores? O Espírito Santo silencia no que diz respeito a eles. Foram os profetas perseguidos porque divertiram o povo ou porque o rejeitaram? Em concerto musical não há lista de mártires.
Além disto, prover divertimento está em direto antagonismo com o ensino e a vida de Cristo e de todos os seus apóstolos. Qual foi a atitude da Igreja quanto ao mundo? "Vós sois o sal" (Mateus 5:13), não o doce açucarado - algo que o mundo irá cuspir e não engolir. Curta e severa foi a expressão: "deixa os mortos sepultar os seus mortos." (Mateus 8:22) Ele foi de uma tremenda seriedade.
Se Cristo introduzisse mais brilho e elementos agradáveis em Sua missão, ele teria sido mais popular quando o abandonaram por causa da natureza inquiridora de Seus ensinos. Eu não O ouvi dizer: "Corra atrás destas pessoas, Pedro, e diga-lhes que nós teremos um estilo diferente de culto amanhã, um pouco mais curto e atraente, com pouca pregação. Nós teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que certamente se agradarão. Seja rápido Pedro, nós devemos ganhar estas pessoas de qualquer forma." Jesus se compadeceu dos pecadores, suspirou e chorou por eles, mas nunca procurou entretê-los.
Em vão serão examinadas as Epístolas para se encontrar qualquer traço deste evangelho de entretenimento! A mensagem delas é: "Saia, afaste-se, mantenha-se afastado!" É patente a ausência de qualquer coisa que se aproxime de uma brincadeira. Eles tinham ilimitada confiança no evangelho e não empregavam outra arma.
Após Pedro e João terem sido presos por pregar o evangelho, a Igreja teve uma reunião de oração, mas eles não oraram: "Senhor conceda aos teus servos que através de um uso inteligente e perspicaz de inocente recreação possamos mostrar a estas pessoas quão felizes nós somos." Se não cessaram de pregar a Cristo, não tiveram tempo para arranjar entretenimentos. Dispersos pela perseguição, foram por todos lugares pregando o evangelho. Eles colocaram o mundo de cabeça para baixo (Atos 17:6). Esta é a única diferença! Senhor, limpe a Igreja de toda podridão e refugo que o diabo lhe tem imposto, e traga-nos de volta aos métodos apostólicos.
Finalmente, a missão de entretenimento falha em realizar os fins desejados. Ela produz destruição entre os novos convertidos. Permita que os negligentes e escarnecedores, que agradecem a Deus pela Igreja os terem encontrado no meio do caminho, falem e testifiquem. Permita que os oprimidos que encontraram paz através de um concerto musical não silenciem! Permita que o bêbado para quem o entretenimento dramático foi um elo no processo de conversão, se levante! Ninguém irá responder. A missão de entretenimento não produz convertidos. A necessidade imediata para o ministério dos dias de hoje é crer na sabedoria combinada à verdadeira espiritualidade, uma brotando da outra como os frutos da raiz. A necessidade é de doutrina bíblica, de tal forma entendida e sentida, que coloque os homens em fogo.

10 de março de 2015

O cordeiro manco.

Tema: O cordeiro manco.
Texto: Hebreus 12.13.
Introdução: Às vezes encontramo-nos com aqueles que são velozes de pés e alegres de espírito. Provera a Deus que todos fossem assim! Como, porém, não são, é preciso que o manco seja considerado. De nada adianta fortalecer os joelhos fracos para andarem em caminhos difíceis. Aqueles que estão num estado fraco devem se concentrar na cura, não na deslocação. No caminho do cordeiro manco o alvo deve ser a cura e não a lesão.

I. Em todos os rebanhos há ovelhas mancas: Algumas são mancas por natureza e de nascença. Prontas a se desanimarem e a duvidar. Prontas a descer e cair em erro; algumas têm sido mal nutridas. Isso lhes provoca úlceras nos pés e manqueira. Muitas recebem doutrinas falsas.
Algumas têm sido atormentadas e, assim, levadas à manqueira pelos perseguidores com suas calúnias, insultos e ridicularização. Por irmãos orgulhosos, cruelmente devotos e severamente críticos. Algumas debilitaram por causa da aspereza da estrada. A excessiva preocupação do mundo as tem deprimido. O excessivo conflito interior as tem deixado angustiadas. A excessiva controvérsia as tem atormentado.
            Algumas sofreram quedas. Isso lhes quebrou os ossos, a ponto de impedir-lhes o progresso. Isso lhes rompeu o tendão da utilidade. Isso as deixou aleijadas, com referência à alegria.

II. O restante do rebanho deve buscar a cura dessas ovelhas: buscando a companhia delas e não as deixando perecer pelo caminho, por motivo de negligência, desprezo e desespero; esforçando-se por consolá-las e restaurá-las; trançando caminhos retos para os nossos próprios pés mediante indiscutível santidade de vida, mediante o ensino claro do evangelho, em nosso modo simples, mediante manifesta alegria no Senhor.

III. O pastor do rebanho cuida das tais ovelhas: o conforto delas é que Deus providenciou todos os meios de curar a manca. A esperança delas: Deus é terno, carinhoso e não deseja que nenhuma delas se extravie e pereça. A confiança delas: a cura trará para ele muita honra e grata afeição, donde se conclui que Ele as guardará. Os crentes serão sujeitos a muitas fraquezas, tentações e aflições, que moveram o Todo-Poderoso à grande compaixão e censurar severamente os pastores de Israel, por sua crueldade e desleixo para com seu rebanho: “A fraca não fortalecestes, a doente não curastes”. Ele diz, portanto, que ele mesmo tomará o rebanho em suas próprias mãos: “a quebrada ligarei e a enferma fortalecerei”.

Considerações Finais: Expressões estudadas e noções elevadas num sermão assemelham-se ao cadáver de Asael no caminho, que só fazia os homens pararem e olharem fixamente, mas de modo algum lhes trazia benefício ou os tornava melhores. É melhor apresentar a Verdade, em sua simplicidade nativa, do que encher as orelhas de pérolas falsas (Thomas Brooks).
            Deveria ocorrer entre um cristão vigoroso e outro fraco o que ocorre entre duas cordas de alaúde: assim que é tangida, a outra vibra; assim que um cristão fraco fosse golpeado, logo o forte agiria. “Lembrai-vos dos encarcerados, como se fossem presos com eles” (Hebreus 13.3) (Thomas Brooks).

Referências:

GUTHRIE, Donald. Hebreus: introdução e comentário. P. 240. São Paulo: Vida Nova, 2005.
SAGRADA, Bíblia. Nova tradução na linguagem de hoje. São Paulo: SBB, 2006.
SPURGEON, Charles. Esboços Bíblicos de Gênesis a Apocalipse. P. 323-325. São Paulo: Shedd Publicações, 2002.

9 de março de 2015

Estudantes que progridem para trás.

Menedemus costumava dizer que os rapazes que iam para Atenas, no primeiro ano eram sábios, no segundo eram filósofos, no terceiro eram oradores e no quarto ano não passavam de plebeus que não entendiam nada, exceto a sua ignorância. E justamente assim acontece com alguns no evolver da religião. Primeiro são impetuosos e ativos, e então saciam todos os apetites da religião; e o que resta é que logo se cansam, ficam sentados cheios de desgosto, e voltam para o mundo, e se detêm nas ocupações da vaidade ou do dinheiro; e, por esse tempo, compreendem que a sua religião declinou, tendo passado dos ardores e extravagâncias da juventude para a frieza e fraqueza da velhice. 

Referência: SPURGEON, Charles. Lições aos meus alunos. Volume 3. página 34. São Paulo: PES, 2004.

13 de janeiro de 2015

Noções erradas sobre o arrependimento.

Tema: Noções erradas sobre o arrependimento.
Texto: Ezequiel 36.30-31.
Fonte: SPURGEON, Charles.
Introdução: O arrependimento é produzido no coração, pelo senso do amor divino. Isso situa o arrependimento em sua verdadeira luz, e nos ajuda achar muitos enganos grandes que têm obscurecido esse assunto. Muitos se afastam de Cristo e da esperança, por compreenderem erroneamente essa matéria. Eles têm:

I. Ideias errôneas do que é o arrependimento: eles confundem com: a) Auto-acusação mórbida, a qual é fruto da dispepsia (rompimento com dificuldade ou dificuldade na digestão) ou melancolia, ou insanidade. Essa é uma enfermidade da mente, e não uma graça do Espírito. Aqui o médico pode fazer mais do que fazer mais do que o pastor; b) Descrença, desânimo, desespero: os quais nem mesmo constituem ajuda para o arrependimento, mas, ao contrário, tendem por endurecer o coração; c) Pavor do inferno e senso de ira que podem ocorrer mesmo aos demônios, e ainda assim não seriam levados ao arrependimento. Certa dose desses elementos pode acompanhar o arrependimento, mas não faz parte dele.
            O arrependimento é horror ao mal. O arrependimento é um senso de vergonha. O arrependimento é um desejo ardente de evitar o pecado. Todos estes produzidos pelo senso do amor divino.

II. Ideias errôneas do lugar ocupado pelo arrependimento: a) Alguns consideram como uma causa granjeadora de graça, como se o arrependimento merecesse remissão: grave erro; b) Outros o consideram erroneamente como uma preparação para a graça; uma bondade humana, lançando fundamento para a misericórdia: esse é um erro mortal; c) É tratado como uma espécie de qualificação para crer, e mesmo como a base para crer: tudo isso é legalismo, contrário à verdade cristalina do evangelho; d) Outros o tratam como argumento para a paz mental. Arrependeram-se até aí, e isso deve estar certo. Isso é edificar nossa confiança sobre um falso fundamento.

III. Ideias errôneas de como é produzido no coração: Não é produzido pelo esforço distinto de arrepender-se, nem por forte excitamento nas reuniões de avivamento. Nem por meditar sobre o pecado, a morte, o inferno, etc. Mas o Deus de toda graça produz: a) Por sua livre graça, a qual, por sua ação, renova o coração; b) Por trazer à nossa mente a sua grande misericórdia; c) Por fazer-nos receber nova misericórdia; d) Por revelar a si mesmo e a seus métodos de graça. Não há argumentos semelhantes àqueles extraídos da consideração das grandes e gloriosas coisas que Cristo fez por vocês; e se esses não os conquistarem e não os extraírem, não acho que o arremesso de fogo do inferno em seus rostos conseguirá (Thomas Books).

Considerações finais: Arrependimento é a lágrima vertida dos olhos da fé. O favor de Deus derrete os corações duros mais cedo do que o fogo de sua indignação; sua bondade é muito penetrante, e chega aos corações dos pecadores, mas cedo que as ameaças e carrancas; é como uma pequena chuva que encharca, a qual vai até as raízes das plantas, ao passo que a chuva violenta se vai e produz pouco benefício. Foi a bondade de Davi que refreou o coração de Saul (I Samuel 24), e a bondade de Deus é que quebra os corações dos pecadores.
            O leite e o mel do evangelho afetam os corações dos pecadores mais do que o fel e absinto da lei; Cristo, no monte Sião, traz mais arrependimento do que Moisés no monte Sinai (William GreenHiil).

            “Algumas pessoas”, diz Philip Henry, “não querem ouvir falar muito em arrependimento, mas julgo-o tão necessário que, se eu morresse no púlpito, desejaria morrer pregando arrependimento; e, se fora do púlpito, praticando-o”. 

17 de novembro de 2014

Melhor do que outrora.

Data: 08.11.2014 | Lugar: Igreja Batista em Vila Macedo, Piraquara – Paraná.
Tema: “Melhor do que outrora”.
Fonte: SPURGEON, Charles.
Texto: “Fá-los-ei habitar-vos como dantes e vos tratarei melhor do que outrora e sabereis que eu sou o SENHOR” (Ezequiel 36.11).

Introdução: Para os hipócritas e formalistas aproxima-se um fim; mas os verdadeiros filhos de Deus se levantam depois de quedas e declínios. Conforme diz o profeta (ver Miquéias 7.8). Bênção maior do que aquela que perderam pode ainda ser concedida aos errantes recuperados.

1. O que havia de tão bom outrora? Como a terra de Israel, no começo, manava leite e mel, assim nosso primeiro estado tinha em si riqueza singular.
1.1 Desfrutávamos de um vívido perdão gratuito e pleno;
1.2 Conquistávamos repetidas vitórias sobre as inclinações pecaminosas e as tentações externas; e isto nos fazia jubilosos em Cristo;
1.3 Sentíamos grande deleite na oração, na Palavra, na comunhão, etc.;
1.4 Éramos abundantes em zelo e serviço, e a alegria do Senhor era a nossa força.
            Lemos acerca dos “primeiros caminhos de Davi” (II Crônicas 17.3). Somos instados à prática de nossas “primeiras obras” (Apocalipse 2.5).

2. Pode desfrutar de algo melhor que outrora? Certamente que sim, se o Senhor cumprir essa promessa; é certo que ele cumprirá, se andarmos mais intimamente com Ele,
2.1 Nossa fé será mais forte, mais firme, mais inteligente;
2.2 Nosso conhecimento será mais pleno e profundo;
2.3 Nosso amor será mais constante, prático e paciente;
2.4 Nossa oração será mais prevalecente;
2.5 Nossa utilidade será mais ampla, mais permanente;
2.6. Nosso ser será mais maduro.
            Devemos brilhar mais até ser dia perfeito (Provérbios 4.18).

3. Como podemos desfrutar dessa melhora?
3.1 Devemos voltar à nossa primeira fé simples em Jesus;
3.2 Devemos abandonar os pecados que nos alienaram de Deus;
3.3 Devemos ser mais perfeitos e sérios;
3.4 Devemos buscar comunhão mais estreita com Cristo;
3.5 Devemos lutar mais resolutamente para progredir nas coisas divinas.
            Admitiremos a liberdade de nosso Deus! Ele promete tratar-nos melhor do que outrora. Que mais pode Ele fazer?

Considerações Finais: os tratamentos de Deus com seu povo são melhores no final: podem ser muita bondade e misericórdia pela manhã, mas terão muito mais ao entardecer. “Fá-lo-ei habitar-vos como dantes”. Os judeus tinham o melhor vinho no final; antes, tinham leite e mel, mas o banquete das coisas gordurosas, cheias de tutano, e dos vinhos velhos, bem clarificados, foi oferecido a eles no final de seu dia; finalmente, tinham a Cristo e ao Evangelho.
            A princípio, Abraão tinha muito no mundo, e depois dele, seu filho Isaque. “Assim abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro”. Simeão, em seus últimos dias, via a Cristo e o segurou em seus braços (William Greenhim).
            Aqueles que não voltam aos deveres que negligenciaram, não podem esperar voltar ao conforto que perderam (G.S. Bowes).
            Médico realmente capaz é aquele que, encontrando um homem extremamente aflito, não somente tem êxito em restaurar-lhe a saúde, mas, na realidade, põe-no em melhores condições do que antes, tratando com o seu remédio não somente a doença que lhe causou o sofrimento, mas alguma outrora que está mais profunda, contudo raramente percebida pelo paciente.
            Tal é a medicina da misericórdia. De modo gracioso, Deus lida com os pecadores que se arrependem. Deve ser pior que um irracional aquele que transforme isso num argumento para pecar. O verdadeiro filho de Deus sente em seus olhos lacrimejarem, quando pensa em amor tão superabundante.

10 de maio de 2014

Oração. Recruta.

Charles Spurgeon

Quando Napoleão voltou de Elba, um homem que trabalhava num jardim, reconheceu o imperador e imediatamente pôs-se a segui-lo. Napoleão cumprimentou-o calorosamente, dizendo: "eis nosso primeiro recruta". Ainda quando uma só pessoa comece a orar por nós, e embora sejam débeis as suas orações, devemos recebê-la com agrado. Aquele que ora por mim, enriquece-me.

12 de julho de 2013

A oração ajuda no trabalho.

            Às vezes, pensamos estar ocupados demais para orar. É um grave erro, pois a oração é uma economia de tempo. Lutero disse um dia: “Hoje tenho tanta coisa para fazer que vou dedicar, pelo menos, três horas para a oração”. Nos dias de menos trabalho não dedicava tanto tempo à oração, mas neste precisa de maior comunhão com Deus. Conta-se do general Havelock que, quando a marcha começava às seis horas da manhã, levantava-se às quatro horas para não perder sua leitura das Sagradas Escrituras e seu tempo de oração.

Charles H. Spurgeon

8 de julho de 2013

O evangelho do homem pobre

Quanto mais tempo vivo, mais louvo ao Senhor por não termos recebido um Evangelho clássico ou um Evangelho matemático ou um Evangelho metafísico; por nosso Evangelho não estar limitado aos eruditos e aos gênios; por ser um Evangelho para o homem pobre, um Evangelho para o camponês. Este é o tipo de Evangelho de que precisamos para viver e para morrer.

Charles H. Spurgeon

6 de julho de 2013

Fujamos das controvérsias inúteis

Uma enorme rocha caiu sobre o terreno junto à divisa de dois camponeses, cobrindo parte do terreno de ambos. Os referidos homens, em lugar de discutir ou levar seu problema aos sábios juízes, resolveram terminar com o problema. Para isso, escavaram na rocha que estava em seu terreno, conseguindo desta maneira converte-la em duas casinhas de pedra, com cômodos, quartos e com um sótão para suas provisões. Ambas as famílias vivem atualmente na rocha. Assim devem proceder os homens diante das grandes doutrinas do Evangelho. Não devem usá-las como tema de inflamadas controvérsias, mas aproveitá-las de maneira prática. Lutar a respeito de uma doutrina é perder o tempo. Viver nela, desfrutando-a, é verdadeira sabedoria.

Charles H. Spurgeon

5 de julho de 2013

Como agradar a Deus

Você tem um amigo a quem quer dar um presente? Já sei o que você fará: tentará averiguar o que lhe agradará. Quer dar a Deus alguma coisa para agradá-lo? Então não é necessário que você construa para Ele um templo com uma bela arquitetura. Não creio que Deus se interesse muito com a madeira e as pedras. Também não é necessário esperar até ter dinheiro suficiente para sustentar um orfanato. Tudo isto é muito bom, mas Deus disse que a pobre viúva que deu suas duas moedas deu mais do que todos os ricos. O que Deus quer de mim? Ele mesmo responde: “Filho meu, dá-Me o teu coração”. Este é o presente que o agradará.

Charles H. Spurgeon.