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9 de janeiro de 2017

Sermão da ordenação pastoral.

Carlos Néri

SERMÃO TEXTUAL
ORDENAÇÃO PASTORAL
IGREJA BATISTA VILA MACEDO - 29/10/2016

AgradecimentosHoje é um dia alegre para mim, pois diante de tantas cobranças, eu enfim, consegui vir visitar o Jobson, agora, Reverendo Jobson que já me visitou algumas vezes em São Paulo. E essa visita acontece em um momento único e especial, no culto de louvor a Deus por sua ordenação.
Estou contente de igual modo, por conhecer o Pastor Jonathan, já conversamos muitas vezes e já debatemos algumas idéias, através de nosso grupo no whatsapp que reúne um grupo de amigos de São Paulo, Curitiba e Rio Grande do Norte e também de conhecer os pastores e o povo de Deus que fazem parte desse corpo chamado Batistas. Também louvo ao Eterno por me proporcionar conhecer alguns estados de nosso Brasil, o Rio Grande do Norte, onde morei 8 anos, a Paraíba, especificamente João Pessoa e a serra de Cuité, o Rio de Janeiro e hoje Curitiba.
Introdução: Queridos! Iremos ler a carta de Paulo endereçada a igreja em Éfeso, no capitulo 4 dos versos 4 ao 16. A plenitude dos tempos, onde acontece e se desenvolve a revelação do mistério da vontade de Deus, ou o mistério que se revela em Cristo é o verdadeiro conteúdo da pregação de Paulo (Rm 16:25;26-27), o tema plenitude dos tempos na revelação da vontade de Deus em seu filho Jesus Cristo aparece nas cartas de Paulo e com mais ênfase na carta aos Efésios e na carta aos Colossenses, sendo estas, de igual modo consideradas cartas semelhantes.
Escolhemos a carta aos Efésios, pois o tema acima citado se desenvolve dentro de um quadro eclesiológico, onde a Eclésia (igreja) se torna portadora dessa revelação, mediante ao derramar profuso, ou seja, abundante das riquezas que a abertura desse saber proporciona, a saber, a redenção e a remissão dos pecados. É sobre a Igreja que Cristo derrama e abunda toda sabedoria e inteligência e que abre os olhos do coração para a compreensão e vivencia na grandeza dessa revelação.
Para explicar e descrever a “abundante graça” derramada em um novo estágio de revelação, em um passo além da “auto- revelação” de Jesus, Paulo utiliza um rico vocabulário que expressa e vislumbra em seu conteúdo os efeitos místicos e emancipadores que reúnem nele (Cristo) todas as coisas, tanto nos céus como na terra (Ef 1:10). Em Corinto Paulo repete o mesmo pensamento ao afirmar que “Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo, não imputando ou atribuindo aos homens suas transgressões, mas dando-lhes, ofertando- lhes a palavra da reconciliação ( 2 Cor 5:19)  .
Queridos irmãos Cristo me chamou para seu aprisco com 19 anos de idade em 1998, vivi o final de um ambiente espiritual de diversas especulações escatológicas e espirituais que em sua maioria viam dos Estados Unidos e invadiam as igrejas pentecostais e que se transformavam e tomavam características próprias, e mesmo sem ter plena consciência das transformações teológicas de nosso tempo, vi crescer a teologia da prosperidade em nossa sociedade.
Nesses anos desenvolvi diversas atividades na igreja, trabalhei em muitos departamentos, mas nunca exerci uma função pastoral direta, porém, convivi com diversos pastores, cada um com direcionamentos teológicos e doutrinários diferentes, de sorte que tais direcionamentos eram e são determinantes para a fundação e construção do edifício que é o santuário santo de Deus, ou seja, a igreja.
Logo, mesmo não sendo ordenado ao santo ministério pastoral, me sinto a vontade para explanar sobre as funções [repito] desse santo ministério e seus efeitos sobre o corpo de Cristo, tendo como fundamento as Sagradas Escrituras e um olhar direcionado para nosso tempo, para os desafios que se impõe a igreja e a todos os vocacionados ao santo pastorado.
Na Carta aos Efésios, o lugar onde a graça redentora e remidora de Deus em Cristo se tornam possíveis, são os “lugares celestiais” e aqui não se constitui em uma subida “cartasica” e nem uma subida mística e poética a exemplo das poesias medievais de são João da Cruz.
Em Cristo a igreja e os céus estão interligados, de sorte que, na vida humana e nas palavras de São João da Cruz, “permite-me experimentar realmente Deus e sua vida, a vida de Deus”. A subida aos lugares celestes ocorre na continua conversão e ruptura com a índole desse mundo que corre conforme o Príncipe das potestades, conforme o espírito que opera nos filhos da desobediência. 
A fim de instruir essa subida em direção ao centro irradiador das riquezas que são derramadas aos selados com o Espírito Santo da promessa, ou seja, o homem Perfeito, Cristo, ele concedeu uns para serem apóstolos, outros profetas, outros evangelistas e outros pastores e doutores. “Esses ministérios possuem por excelência a grandeza de plantar, e de crescer em uma unidade de fé, organizadamente e de maneira firme ao pleroma to ”epignoseos”, ou seja, ao pleno conhecimento do filho de Deus.
Desenvolvimento A liturgia e as bênçãos espirituais.
Ef 1: Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que nos abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus em Cristo. 
A benção (Berakah, abençoar = Barak,) é parte fundamental da vida e do culto judaico e está relacionada à concessão, por parte de Deus de algo material, Porém a palavra benção (eulogia, abençoar = eulogeo ) proferida por Paulo na carta aos Efésios, mesmo com seus desdobramentos semânticos aponta para as benfeitorias espirituais em Cristo e que se move nos lugares celestiais.
Dessa forma, direcionando essa palavra “benção” ao ministério pastoral, entendemos que o conjunto de atividades que dão forma ao ministério tem por objetivo a elevação e a compreensão das riquezas que foram reveladas no processo de reconciliação entre o homem e Deus, mediante Jesus Cristo.
Em primeiro lugar devemos dar relevância ao fato que a igreja é a comunidade dos salvos, salvos, pois o evangelho anuncia a maior benção de Deus, ou seja, o perdão dos pecados, o versículo 7 e 8 do capitulo 1 nos ensina que, “nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus, o qual ele derramou sobre nós com toda a sabedoria e entendimento”.
Entendemos então que a comunidade dos salvos é formada por pecadores arrependidos, perdoados e salvos, de sorte que a reflexão que fazemos cotidianamente é esta: “antes de desejar ajudar a meu irmão tirando o cisco de seu olho eu preciso olhar para mim e retirar a viga que está no meu”. Por essa razão, meus irmãos, é fundamental termos ciência de quem éramos e de quem somos, após sermos vivificados, ressuscitados e postos assentados nos lugares celestiais em Cristo.
Voltando ao ministério pastoral e a significação da palavra Benção dentro do serviço espiritual de culto, lembremos que todas as atividades corroboram para o crescimento organizado da igreja através da iluminação dos olhos de nossos corações, da esperança que o nosso chamado encerra, da riqueza da glória de nossa herança em Cristo e da extraordinária grandeza de seu poder em nós.
Sendo assim o pastorado engloba:
         A centralização do culto nos ensinamentos da palavra de Deus.
         A ministração dos sacramentos (batismo e santa ceia)
         A elaboração e supervisão da liturgia e da música.
         O cuidado com a educação cristã
         A visita aos fiéis com dedicação especial aos enfermos, aflitos e afastados
         Orientar e dirigir todas as atividades eclesiásticas (grupos de oração, evangelização, etc.
         Orientar e instruir o corpo de obreiros.
Nesse conjunto de atividades pastorais se irradia de seu interior a vida comunitária e espiritual que se desenvolve para o aperfeiçoamento dos santos na construção ou edificação do corpo de Cristo com o objetivo de alcançarmos a unidade da fé que se completa na plenitude do conhecimento do filho de Deus, em sua medida de varão perfeito.
Os serviços de culto, oração, ensino e Diakonia são meios de graça que proporcionam a unidade da fé em um desenvolvimento espiritual direto, cujos benefícios, não são gnósticos, no sentido concebido pela história da igreja nos cinco primeiros séculos, mas benefícios de libertação.
O derramar do Espírito Santo da promessa na Igreja nos faz compreender a oposição entre o movimento de subida em direção ao homem perfeito e a índole do mundo. Embora salvos da força da lei, temos consciência que a liberdade não pode ser usada como pretexto para se dar ocasião a carne e as satisfações degradantes (Gl 5:13). Se o Eterno cumpriu as exigências da lei e nos deu liberdade, não podemos nos entregar a servidão do pecado (Rm 7:25).
Logo, os frutos da revelação e a subida em direção a Cristo são frutos envoltos no amor, como a alegria, paz, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio, frutos que nos aproximam como Eclesia ev koinonia kai  ágape.
2. O pastor, a teologia e as tradições
2.1. O pastor e as tradições
Portanto irmãos fiquem firmes, guardai as tradições que vos ensinamos, seja oralmente ou por escrito (2 TS 2:15).
A formação de uma tradição apostólica começa a ser pensada e formulada em meados do século II, sob forte pressão de algumas escolas espiritualistas, como a escola de Celso e de Montano que estavam tentando guiar a fé cristã para uma desfragmentação teológica, haja vista que as escolas gnósticas se dividiam em inúmeras e não possuíam um currículo em comum.
Os primeiros passos em direção a formulação de uma tradição foi dado através da decisão dos Bispos da igreja de criar uma sucessão apostólica, essa medida proporcionou firmar a ordenação pastoral em uma raiz comum, a saber, a doutrina dos apóstolos e com o monopólio das igrejas pelos Bispos de igual modo, os que estavam de fora reconheciam uma igreja ortodoxa e católica.
Os concílios da igreja e as disputas teológicas entre pequenas escolas no interior da igreja possibilitaram um conjunto de escritos que definiram a centralidade da fé e doutrina da igreja, ou seja, o Canon.
Queridos irmãos! O evangelho de Jesus Cristo se consiste na proclamação, pela sua vida e obra da chegada da plenitude dos tempos, ou seja, a redenção de nossos pecados, essa notícia inaugura o tempo da salvação, porém, mesmo que sejamos crentes piedosos e cristocêntricos, como o foi Paulo, nascemos e crescemos sob a pedagogia de uma tradição.
         A reforma Protestante, que eu considero o fenômeno que inaugura o renascimento na Igreja medieval, produziu a base da teologia reformada, através de cinco solas (somente) que definiram o credo apostólico da reforma protestante, são estes: sola fide (somente a fé), sola escriptura (somente as escrituras), solus christus, onde se insere o sacerdócio universal de todos os crentes, sola gratia (somente a graça), soli deo glória (glória somente a Deus).
A reforma ultrapassou os séculos, exercendo o credo apostólico na sua inteireza, porém as transformações sociais, os avanços científicos, o crescimento do método histórico critico e o aprofundamento de leituras teológicas, fizeram que nós protestantes, também nos dividíssemos em diversas escolas, seja, batistas, presbiterianos, metodistas, congregacionais e porque não dizer, também, a escola pentecostal.
Logo, mesmo que sejamos leigos, quando sentamos em uma roda de amigos e irmãos e passamos a debater os principais temas bíblicos de nossa teologia sistemática, passamos, mesmo inconscientemente, a nos mover e defender uma linha interpretativa, ou seja, olhamos para as Escrituras conforme a escola que crescemos. Podemos chamar essas escolas de multiforme sabedoria de Deus? Aqui fica essa interrogação!
         Mas, afinal, o que é tradição?  O jesuíta e filosofo Henrique Cláudio de Lima Vaz em seu livro escritos de filosofia II, ética e cultura, nos esclarece dizendo que tradição (tradicionalidade), nada mais é que o “poder- ser transmitido” lembremos, então, das palavras de Paulo: “e o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia –o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinar a outros” (2 Tm 2:2). A tradição então, somente é possível através da “continuidade” do que é transmitido.
Seguindo a linha de Lima Vaz a profundidade da crise ética em uma sociedade que se afirma pós- moderna, mas não foi capaz de vencer o individualismo, se encontra na transferência do passado para o futuro dos predicados axiológicos (valores) que asseguravam a exemplaridade do passado, ou seja, vivemos em “niilismo ético”, um processo de rompimento das tradições e caímos em um vazio, onde uma ética ordenadora de princípios vem gradativamente perdendo o seu sentido prático. A tradição é também pedagogia, processo de formação do homem e reconhecimento de sua identidade cristã perante o mundo.
Ora! Nossas igrejas também estão caindo em um niilismo ético, onde as tradições que formam uma espécie de símbolo de fé ou a exterioridade da espiritualidade vêm a cada dia, se transformando em uma liturgia, em um culto que se molda (modelo) as exigências de uma cultura gospel que opera meramente uma cartase, anulando, por sua vez, o movimento de subida ao homem perfeito e ofuscando a consciência e a plena compreensão da “esperança de nosso chamado, qual a riqueza da glória de nossa herança nos santos e qual é a suprema grandeza do seu poder, para nós que cremos, segundo a eficácia da força de seu poder exercido em Cristo, ressuscitando – o dos mortos. (Ef 1: 19, 20).
2.2. A questão teológica
Temos então aqui envolvido intrinsecamente a tradição a questão teológica. Questão essa que abre o livro de Joseph Ratzinger, introdução ao cristianismo, apontando o teólogo moderno como “incapaz de transmitir sua mensagem aos homens” [...] “o teólogo não é levado a sério” [...] “e por isso pode ser ouvido sossegadamente sem inquietar ninguém com as coisas que afirma”, a teologia, então, não teria validade para a vida.
Do ponto de vista do âmbito cultural, acadêmico e espiritual que Joseph Ratzinger vive, darei a ele razão nas suas considerações pontuadas acima, mas na nossa realidade, posso aqui fazer uma mudança temática da frase do velho Karl Marx ao iniciar o manifesto do partido comunista: “anda um espectro pela Europa”. Karl Marx se referia à força do comunismo e nós nos referimos ao espectro da teologia da prosperidade, que ao contrário do comunismo, não é mais um mero espectro, mas uma realidade consolidada.
O núcleo teológico do neopentecostalismo é a teologia da prosperidade, e esta, vem operando o niilismo ético em relação aos valores da tradição cristã, seu conteúdo tem por objetivo, justamente, essa transferência do passado para o futuro, inculcando no crente uma inversão das características do Reino de Deus que aponta para uma escatologia (ora vem Senhor Jesus) em uma satisfação no futuro próximo de todas as necessidades pontuais e as que estão por vir, por intermédio da conquista.
Sendo assim, a conquista que fala Jesus que “desde os dias de João Batista, até agora, se faz violência ao reino dos Céus, e pela força se apoderam Dele” (Mt11:12) é vivida de maneira linear e não vertical, apontando sempre não para o Reino dos Céus, mas transformando –os em um riquíssimo ambiente de satisfações materiais.
Entendemos então que a identidade da instituição que identifica as raízes e nossa tradição teológica e seu caráter formador, não devem, em hipótese alguma, ser desprezada e aniquilada em favor dos novos modelos de ser igreja atendendo, assim uma expectativa alienada dos pressupostos do evangelho, devemos sempre ter consciência de que o “novo” e o “diferente” não podem desprezar o que o sangue dos mártires e dos reformadores conquistaram, a memória desses homens e mulheres sempre permaneceram viva na tradição da igreja.
3. O pastor e a espiritualidade
Entraremos agora em uma área lato senso da fé, ou seja, ampla, e estritamente subjetiva e intersubjetiva, a espiritualidade. Sobre esse tema existem inúmeras literaturas com diversas exposições e formas de compreensão, por essa razão, nos limitaremos aos aspectos eclesiológicos desse fator, a qual está fundamentada na doutrina dos apóstolos e que Cristo nos convida a buscá-la e vive-la.
O Novo testamento nos mostra que espiritualidade, espiritual (pneumátikós) se refere a tudo que se tem origem em Deus e que está em harmonia com seu caráter, espiritualidade também nos dá o sentido de contrariedade com o mundo e a vida material, como também a revelação que se dá no evangelho.
Na carta aos Efésios a vida espiritual começa com a conversão e a compreensão da obra da salvação realizada em Cristo que funda uma nova criação, uma nova humanidade que está interligada com os lugares celestiais. A igreja por sua vez, vive os frutos da revelação da obra da redenção de maneira ascendente, unida no conjunto da unidade da fé, sendo instruída pela concessão de Apóstolos, evangelistas, profetas, pastores e mestres e edificada como um edifício, bem ajustado que se ergue como um santuário santo (Ef 2:21).
Nessa ascese se insere um tema muito comentado e dialogado na igreja, o tema da unidade na diversidade. A igreja é um corpo e por ser um corpo tem vários membros (1 Cor 12:2) e cada membro executando a sua função especifica corrobora para a harmonia de todo o corpo, cuja cabeça é Cristo.
De todas as designações conceituais dada a palavra charisma (dom da graça) como dotação gratuitas aos pecadores e libertações graciosas concedidas em resposta às orações dos crentes, iremos enfatizar aquelas conceituações que representam as “dotações aos crentes mediante a operação do Espírito Santo na igreja” extraídas de diversos textos como Rm 12:6, 1Cor 1.7, 12:4; 9- 31, 1 Pd 4:10, 1 Tm 4:14, 2Tm 1;6).
O fato é que para o “desempenho do ministério” o Eterno mediante o selo do Espírito Santo dotou a igreja de charismas, capacidades que são doadas ao individuo para que este unido a igreja possa amadurecê-los no objetivo da edificação do corpo de Cristo. Paulo é quem enfatiza a diversidade na unidade, pontuando que “todos fomos batizados em um só Espírito para ser um só corpo”.
Independente das interpretações sobre o momento e o processo do “batismo em um só Espírito”, somos unânimes ao dizer que “do alto somos revestidos de poder” para confirmar esse fato, fazemos menção da anunciação e orientação de Jesus sobre o cumprimento da promessa descrita pelo profeta Joel e que se cumpriu no dia do Pentecostes (Lc 24:49), inaugurando assim o novo Israel com a inserção das “gentes” nas promessas de Deus.
 “há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo, diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo, diversos modo de ação, mas o mesmo Deus que realiza tudo em todos, a um o Espírito dá a mensagem da sabedoria (logos, sophias), a outro a palavra da ciência, segundo o mesmo Espírito (logos, gnoseos), a outro o mesmo espírito dá a fé (pistis), a outro ainda, o único e mesmo Espírito concede o dom das curas, a outro o poder para realizar milagres (dinameis), a outro profecia, a outros discernimento de espíritos, a outro o dom de falar em línguas e a outro o dom de interpretar (1Cor 12:4;11 BJ).
Estes dons enumerados acima formam o conjunto carismático que tornam os minstérios possíveis de acontecer e se desenvolver e a eles Paulo acrescenta o ensino (esmere-se no fazê-lo), a exortação, a contribuição e a liderança (presidir).
Irmãos no interior desses textos de Paulo, as escolas pentecostais e reformadas se divergem quanto ao modus operantis do acontecimento dos dons, mas na unidade da fé os carismas possuem a função de dinamizar o serviço e aperfeiçoar os santos.
3.1. Teologia, espiritualidade e fragmentação das instituições
Com a constatação acima, devemos ter uma visão critica e experiente quanto ao momento histórico em que vivemos e qual formato que o evangelho vem tomando ao ser propagado todos os dias em rádios e TVs por diversas linhas interpretativas. Precisamos analisar com cuidado a profunda fragmentação das instituições (igreja) com o surgimento das pequenas comunidades que assimilam a teologia da prosperidade como núcleo central de fé, e assim compreender o recente fenômeno designado por Idauro Campos de “desigrejados”.
Através do fenômeno da fragmentação da igreja, temos como resultado uma migração, onde as experiências se misturam, e às vezes as correntes se chocam. Exemplos temos todos para explanar, como o aumento de pentecostais que se convertem, (se podemos utilizar para esses exemplos esse termo) a uma instituição de teologia reformada, levando consigo suas experiências, ou alguns reformados que de semelhante modo se convertem ao pentecostalismo, dividindo igrejas, ou levando para tais suas experiências, ou até mesmo presbiterianos que se tornam batistas, ou batistas que se tornam metodistas, enfim.
O fato é que nesse aumento considerável de revisão de conceitos, muitos ministros levam suas experiências e muitas vezes, quando com seriedade unem o bom ao agradável, ou a experiência a tradição teológica, se tornam homens e mulheres de prestígios e gigantes na fé. Dessa forma quero trazer à memória a frase dita pelo Reverendo Gerson Lacerda a um de seus alunos seminaristas: “respeite a fé de seus irmãos”.
Essa frase nos indica que a tradição não deve anular o evangelho e nem a graça de Deus derramada sobre os crentes (Mc 7:8,9), se somos guiados pelo Evangelho e recebemos os dons da graça, devemos então, entender os diversos níveis de entendimento em que a igreja, grupo heterogêneo está, sendo assim, repito a frase de Paulo, “o que ensina, esmere- se no fazê-lo.
4. O pastor e os encargos do ministério
Caminhando para o final dessa homilia, e agora que concluímos o tripé do trabalho pastoral, sendo este o serviço do sacerdócio, a tradição e a espiritualidade, me vem uma frase que eu ouvi de um pastor que depois de ter exercido por um tempo o pastorado, acabou por desistir, a frase é essa: “o pastorado exige muito tempo mental”.
Durante a elaboração dessa homilia que se baseia nesse tripé exposto acima, fiquei refletindo sobre as diversas causas que levam um vocacionado a se afastar de suas funções e cheguei a conclusão com duas causas principais: a família e o trabalho.
Muitos de nossos obreiros, se não a maioria se dividem em um tripé de responsabilidades, a família, o trabalho e a igreja, cada um desses núcleos de vida, exigem habilidades específicas que unidas determinam o “estado psicológico” e motivacional do ser humano e nem sempre uma pessoa consegue administrar tantas responsabilidades.
Por essa razão, penso que nossos jovens precisam ser muito bem instruídos com diligencia, disciplina e motivação para se prepararem ao santo ministério e tudo começa com a estabilidade emocional e financeira da família e a isso se acrescenta a profissão. Penso que não é meramente a vontade e o desejo que fazem de uma pessoa um obreiro do Senhor, mas consciência do cargo e de seus encargos, assim como as implicações dessa escolha em sua vida.
De fato, ser pastor consome muito tempo mental, a igreja acaba por fazer parte integral de sua vida, de sua família, de sua história. O equilíbrio de um grupo heterogêneo na unidade da fé, o acompanhamento dos novos crentes e dos grupos de oração e evangelização, o preparo harmônico da liturgia, dos cânticos, e da pregação demandam tempo de reflexão e estudo e podem ser abalados quando um ou mais áreas desse tripé Família e trabalho não andam em harmonia e consomem as energias.
Por fim acredito que é fundamental para o pastor ter bons amigos e irmãos que ele possa confiar e nos momentos de dor, tristeza ou angústia ele possa compartilhar e ser ouvido como uma pessoa humana, um servo de Cristo, um salvo alcançado, sem os rotineiros juízos de valores e os estereótipos que geralmente atingem aquele que por dom e mérito recebeu o direito de usar o púlpito para ensinar.
 Conclusão
Escolher o ministério Pastoral ou qualquer outro ministério, em todos os tempos, trás seus desafios e angústias, citando nosso amado reverendo Zezinho: " ser pastor significa sofrer com as ovelhas, se dedicar ao corpo de cristo e sentir o cheiro dos crentes". O pastorado exige uma vida de intenso estudo e oração, assim como exige uma liderança equilibrada.
O mundo atual o qual pretendemos, com algumas criticas, chamá-la de pós- moderna exige o ministro do evangelho, diante de temas cruciais, uma certa radicalidade, no sentido de aprofundamento e enraizamento na opção pelo evangelho, porém, frutos de justiça, frutos de conversão, curas, libertações e a intensa operação do Espírito Santo fará parte do cotidiano do pastor.
O desafio, a partir de agora, reverendo Jobson, demais pastores e irmãos, será imenso, mas, poderemos viver a promessa de Jesus: "estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mt28:20).
Concluímos dizendo aos pastores que cuidam do rebanho do Senhor que abrace com amor e dedicação a esse santo ministério, sendo zeloso, amoroso, firme e espiritual e que o corpo de obreiros dessa amada igreja Batista, que a convenção desses nobres obreiros, possa abraçar a cada ministro e propiciar o que é necessário e universal para o bom desempenho dessa obra.

Agradecemos mais uma vez o convite e esperamos em Deus retornar em outros momentos para juntos festejarmos o culto a nosso Deus que nos salvou e nos assentou nos lugares celestiais, amém!

27 de abril de 2015

O Modernismo na História da Teologia (Comentário de “Teologia da Crise” de Emil Brunner).

Carlos Neri

Moderno, modernizar ou modernismo decididamente é a uma reestruturação de algo que implica a falência daquilo que não pode ser mais considerado útil ou relevante em todos os aspectos da vida humana, isso se aplica ao mundo do trabalho, a sociedade, a religião e a própria teologia.
A teologia cristã ocidental sempre sofreu tensões e conflitos, isso porque as transformações sociais e filosóficas em toda sua história a forçou a se adaptar a novos paradigmas para não perder o seu conteúdo e estatuto epistemológico. Em primeiro lugar, a teologia se viu obrigada, frente ao desafio de eliminar o gnosticismo, de buscar um referencial teórico que a pudesse se expandir pelo império romano, passando a ser classificada como a “verdadeira filosofia” ao cristianizar o eixo filosófico do platonismo e do estoicismo.
O século IV e o concilio de Nicéia ofereceu ao pensamento cristão um lista de receitas dogmáticas, o cânon e a doutrina da trindade conseguindo enfim, estabelecer uma regra de fé e prática que somente foi questionada no século XVI pelo então monge agostiniano Martinho Lutero. Depois da reforma, uma onda de reformulações e modernismo teológico invadiu a igreja dividindo e desfragmentando a fé cristã em grupos com ideologias determinadas, essas por sua vez criaram suas próprias teologias que legitimadas por um sistema doutrinário restringia e modelava o comportamento de seus fiéis e a forma de interpretar a fé cristã.
Emil Brunner enfatiza categoricamente que a “substância da teologia cristã, o conteúdo da fé cristã, está em um estágio de completa decomposição” (BRUNER: 2000, p. 28) e a causa ou ponto disparador para essa crise foi a renascença, movimento revolucionário que abalou as estruturas da autoridade eclesial, demonstrando ao homem que sua confiança deve estar na razão e não em um Deus transcendente.
A renascença, como movimento cultural e filosófico transformou todo pensamento Europeu e revolucionou o mundo ao romper com o mundo medieval e com a metafísica aristotélica cristianizada por Santo Tomás, mas não foi diferente dos séculos passados, lembramos que a filosofia grega foi revolucionaria ao dar um embasamento teórico a teologia, da mesma forma os concílios ecumênicos e a reforma protestante.
A renascença cumpriu seu papel revolucionário, e a teologia por sua vez, aceitou seus pressupostos, pois a necessidade de continuar existindo, o instinto de sobrevivência levou a adaptação, da mesma forma ocorreu no racionalismo onde houve uma nova reformulação teológica e o Deísmo veio para salvá-la.
Concordamos, porém que a teologia cristã perdeu o seu sentido ortodoxo e que as transformações sociais, políticas e filosóficas do Ocidente contribuíram mais para a negação da fé do que para sua veracidade, o Racionalismo, através da figura de Hegel transformou a idéia de Deus em uma concepção meramente psicológica e o século XXI, capitalista e tecnológico inverteu a ordem do evangelho ao ensinar que devemos nos preocupar com nosso conforto e felicidade econômica, sendo que o Reino de Deus, por sua vez, seriam acrescentados.
Dessa forma, podemos concluir que a teologia, ao deixar lacunas na sua interpretação de mundo, proporcionou ao homem pressioná-la em favor do novo e do inovador, até cairmos na profunda alienação do capital, mais uma vez a teologia se molda e se deixa inovar, na verdade, no mundo atual a teologia se decompôs totalmente e trouxe para seu discurso o projeto falido da busca da felicidade através do econômico onde não há mais lugar para uma soteriologia.
      Brunner acusa a ciência moderna de tomar o lugar da revelação no filho de Deus e de criar um conceito imanente de divindade, de fato, esse era o objetivo do racionalismo do século XIX e inicio do século XX, mas no século XXI o projeto pós –moderno é acentuar a figura do Jesus histórico e a desmistificação das Sagradas Escrituras conforme escreveu Bultmann, por outro lado, e especialmente no Brasil, onde existe um grande misticismo e sincretismo religioso, a fé é direcionada para a satisfação social e econômica, se tornando uma forte colaboradora da manutenção do capital, sendo assim, uma época que perdeu sua fé no absoluto, perdeu tudo. Ela deve perecer, ela não tem vitalidade para sair da crise; seu fim pode apenas ser – o fim. (BRUNNER: 2000, p.31).   

23 de abril de 2015

Antigo Testamento: uma mensagem social?

Carlos Néri

         Henrique Cláudio de Lima Vaz procurara na segunda parte de seu livro, interpretar e interpelar para o mundo atual a mensagem social que o Antigo Testamento expressa, reconhecendo, porém, que sua conjuntura sócio-econômica e suas instituições não podem ser ressucitadas, pertencendo somente aos arquivos e a construção analítica do historiador.
         A condição preliminar para extrair a mensagem social do Antigo Testamento que nos interpele hoje é aceitarmos sua integralidade, sua unidade e espiritualidade meta-histórica, mesmo que a construção de seus documentos foram realizadas por diversos autores em tempos diferentes. O antigo Testamento é uma unidade cuja palavra se desdobra sempre fiel a si mesma e que traduz um desígnio de salvação que se apresenta como o sentido mais profundo da história humana: a palavra de Deus. Essa palavra vivente, e não um texto morto, é o que hoje nos interpela, provoca nossa reflexão e, finalmente, nossa decisão.
         Os livros do Antigo Testamento, ao transpor da letra ao espírito, aparecem unificados em torno de certas “categorias fundamentais” ou linhas mestras da revelação, que nos permitem captar seu sentido profundo e sua significação meta-histórica para além do texto material em que se exprimiu e das inconclusões transitórias em que foi escrita.
As categorias que nos permitem unificar o desenho histórico da palavra de Deus, de que a bíblia nos transmite a revelação, transmitem uma realidade essencialmente dinâmica: do gesto à palavra, do costume à instituição, da lei à profecia, da figura que passa à realidade que se anuncia definitiva, todas as grandes linhas de interpretação espiritual da Bíblia marcam as fases e os passos de uma história na qual se pretende decifrar o sentido mais profundo e o destino mesmo da história humana.
Lima Vaz pergunta sobre a possibilidade de elevar o paradigma da história universal ao caminho histórico de Israel, justificando a passagem do particular ao universal sem abandonar o plano do inconclusivo, do temporal e do irremediavelmente passado. A realização dessa visão só é possível através de uma perspectiva que transcende o âmbito estrito da razão histórica, das suas verificações e das suas inferências.
É através da perspectiva da fé, afirma Lima Vaz, que se dispõe audazmente a verter o magma imenso e disforme da humanidade histórica, seus tempos, suas culturas, suas raças, seus eventos significativos, no sulco cavado por uma pertinaz esperança no duro solo de uma história feita de lutas, de sofrimento e de morte, e que se aprofunda na direção daquele estado final já anunciado pelos profetas ao povo de Israel: a plenitude messiânica da reconciliação final, o reino da justiça e da paz.
O que caracteriza e que confere ao povo de Israel exemplaridade privilegiada é a apropriação dessa esperança que se torna progressivamente sua substância mesma e como sua razão de ser. A mensagem social do Antigo Testamento está em ir ao encontro dessa esperança e projetá-la como um desafio diante dos nossos problemas, das nossas perplexidades, do nosso desalento, da nossa desesperança, enfim.
Mesmo do ponto do vista de uma análise dos elementos constitutivos da história espiritual do Ocidente, observa Lima Vaz, a história de Israel aparece de forma exemplar ou arquétipa com relação a essa história e aparece nitidamente, sobretudo após a difusão e o triunfo final da pregação cristã no mundo antigo, somando a sua herança a herança grega da razão e a herança romana do direito o sentido da inteligibilidade da história na sua própria textura empírica aparentemente desordenada, como progresso e marcha em direção a uma plenitude final.   
A idéia de “história da salvação” na sua procedência e na sua característica especificamente bíblicas, passa a constituir-se em elemento integrante da consciência histórica do Ocidente, sem a qual em nossa tradição cultural e nossos problemas presentes seriam incompreensíveis sem a presença dessa intuição revolucionária em face às doutrinas da salvação pela fuga do tempo que seduziam o homem antigo.
A intuição de uma salvação que se opera na história, nela se constrói, e confere a seus eventos uma significação decisivamente antropológica que se constrói em sua trajetória cultural a se tornar revolucionária ao desconstruir o reflexo fugidio de uma eterna ordem cósmica sobranceira e indiferente aos seus dramas, tal como surge na visão austera do estoicismo operando uma capital inversão de perspectivas em relação ao procedimento característico do pensamento grego: não é mais a partir do mundo que o divino se descobre como ordem impessoal e eterna, mas é a partir do drama da liberdade humana nas suas vicissitudes históricas que o Deus pessoal se revela e é a partir desse dialogo com Deus, que para o homem, a visão do universo se desdobra.
Para quem queira buscar caracterizar em alguns dos seus traços fundamentais a cultura ocidental que hoje se mundializa e em cujo seio se elaboraram os problemas decisivos da nossa época, Lima Vaz apresenta uma evidência irresistível: a cultura ocidental evolui sob o signo de uma exploração sempre mais avançada, de um aprofundamento sempre mais radical do universo humano da palavra.
O homem que possui a palavra por excelência, é a melhor definição do homem da cultura ocidental, tal demonstração se evidência através da “integração” sucessiva na sua linguagem e a “eficácia” de uma gravidade incomparável as suas maiores revoluções suportadas pela palavra humana: “a descoberta grega da razão e a descoberta bíblica da história”.
As reflexões que se sucedem no prolongamento dessas duas descobertas capitais dos problemas que se levantam ao longo da evolução da cultura ocidental, sua tomada de consciência e sua expressão na palavra que lhes dá significação humana, deve afrontar permanentemente, como tarefa difícil e decisiva, a síntese entre o “aspecto da palavra” que traduz as exigências da razão, suas técnicas de investigação, suas formas de demonstração, seus critérios de evidência e o “aspecto da palavra” que se encarna na responsabilidade historicamente assumida, na decisão em face de um “universo pessoal” e que é, em suma, a palavra mesma da liberdade. (1)
Razão e liberdade: estes são os pólos de amplitude máxima entre os quais oscila o humanismo do Ocidente, se tornando presentes também, num espaço onde a civilização constrói suas estruturas fundamentais e traça seu destino, quando se trata de pensar e realizar a comunidade político-social nos seus tipos de organização e no seu sistema de relações e, nela, a situação do individuo.
(1) podemos usar como linha de compreensão para a liberdade situada os aspectos da pré-compreensão do homem, onde é evidenciada a imagem de si mesmo nos diversos períodos históricos. (ver Antropologia Filosófica I).

Sobre a trajetória da razão nas grandes palavras históricas que se pronunciaram no Ocidente sobre a melhor forma de sociedade, Lima Vaz destaca a República de Platão, presente na eternidade das idéias e a Cidade futura de Marx antecipada nas leis de uma rigorosa dialética, que tende pelo seu imperativo da racionalidade a “esvaziar” a história concreta das liberdades no transrealismo poético e na utopia de uma “cidade do sol” onde o mistério de cada um é devassado e eliminado pela luz implacável de uma razão superior a todos.
Das filosofias sociais às ideologias e destas aos planejamentos tecnocráticos, a palavra da razão reclama uma validez universal: a ela o individuo deve submeter-se, pois nenhuma instância se apresenta superior à sua própria universalidade. A marcha para o “admirável mundo novo” da superorganização e da perfeita adequação entre o racional e o real seria tranqüila, se outra palavra, “igualmente absoluta” em suas exigências, não se tivesse feito ouvir no espaço da civilização do LOGOS.
Essa palavra descobre no homem o núcleo abissal da sua liberdade, interpretada por um Deus pessoal que gera ao “agora” de sua existência histórica a gravidade infinita de uma opção que pode decidir o seu destino. Essa palavra nos vem da bíblia. Essa palavra é a “descoberta israelita da história” que se torna a outra palavra matriz da cultura ocidental, que suscita, uma vez consumada a fusão do helenismo com o cristianismo, em face de todos os projetos de sociedade perfeita que a razão deposita ao longo da história da civilização ocidental, a reivindicação da originalidade irredutível do homem, imagem de Deus, interlocutor do diálogo com Deus.
Dessa forma, é como afirmação do “universo pessoal”, ou seja, da transcendência do homem na sua dignidade de ser que dialoga livremente com Deus que a descoberta da história realizada pela longa tradição judaica se torna essa outra palavra matriz da cultura ocidental, aparecendo nela consubstanciada à mensagem social do Antigo Testamento. A história nesse sentido não é apenas o teatro ou o espetáculo onde o homem está presente e sim, em definitivo, a obra e o fruto de sua liberdade.
Seguindo uma linha de reflexão que busca os fundamentos da sociabilidade humana segundo a Bíblia, o Padre Vaz encontra uma concepção antropológica profundamente original contida no tema da unidade do homem e que justifica a valorização da história e do tempo presente, acentuando poderosamente o risco existencial de sua liberdade.
A idéia bíblica do homem entra em contraposição aos esquemas dualistas dos mitos religiosos e das grandes filosofias ao afirmar categoricamente a unidade radical do existir do homem. Nela encontramos em forma de empréstimo traços desse dualismo ou pluralismo que faz do homem na sua condição terrena e carnal um ser dilacerado que busca, através da negação dessa condição, o caminho para o encontro de sua verdadeira essência.
O esquema platônico da alma, corpo e espírito exprime o conflito de naturezas que impõe ao homem o estatuto de uma alienação que se pode chamar propriamente de metafísica. Tal estatuto presente também na Bíblia traduz a complexidade de uma situação existencial, de que a fragilidade da carne, a plena força da vida e a abertura do espírito para o diálogo com Deus exprimem as suas estruturas fundamentais.
Dessa forma, todo o peso da concepção bíblica do homem incide sobre a gravidade única e decisiva da sua situação histórica, pois o tempo do seu existir concreto, em que a “carne” fenece e a “vida” declina, é o mesmo em que ele ouve o apelo e a vocação de Deus e constrói, na palavra da sua resposta, seu ser definitivo. Nisso descobrimos porque a descoberta Bíblica da história só se torna compreensível a partir de uma concepção antropológica rigorosamente definida, em que a unidade do homem se estrutura precisamente em função da sua “situação histórica”.
A unidade do homem no aqui e agora, de uma existência chamada a definir-se diante de Deus, nos ajuda a compreender o eixo temático das construções sociais nela presente, desde o clã dos Patriarcas ao Estado organizado dos reis pós-davídicos. No contexto de sua evolução social, Lima Vaz observa que há uma tensão entre individuo e comunidade que impede, em sua integração a absorção total do poder do Estado como “animal político” segundo a definição célebre de Aristóteles.
A experiência grega da pólis foi capital para a formação da idéia ocidental de sociedade política, Lima Vaz pensa, então, que a descoberta Bíblica da responsabilidade pessoal em face de uma instância transcendente à Cidade, ou seja, em face de Deus, agiu decisivamente na formação da idéia moderna da inviolabilidade da consciência pelo poder político.  Lima Vaz então pergunta: “Como não sentir então a urgência de um retorno a essas fontes do nosso conceito de dignidade humana, de uma meditação intensa do seu significado quando, no caminho do homem do nosso tempo, elevam-se os grandes Leviatãs do poder político, do poder econômico, da cultura massificada, da propaganda onipotente?”.
A concepção antropológica do Antigo Testamento nos confere também uma significação na base das relações sociais associada ao trabalho, que confere uma originalidade marcante em comparação com a concepção dominante na Antiguidade clássica. Na perspectiva do dualismo antropológico, seja religioso, seja filosófico, o trabalho está associado à atividade servil à qual o homem está preso mediante sua parte inferior, ou seja, o corpo. Dela o sábio deve manter-se ao menos idealmente distante, pois ele encarna a humanidade perfeita, na contemplação desinteressada do espírito.
Nas páginas do livro de Gênesis, o trabalho aparece, em primeiro plano, como uma vocação laboriosa onde se traduz à verdade profunda da solidariedade do homem e da terra, fundada na sua origem comum, ou seja, na palavra criadora. É verdade que na perspectiva da história da salvação o trabalho aparece como uma pena imposta ao homem devido a sua desobediência, mas a diferença da concepção hebraica da concepção grega está justamente no fato que tal punição surge devido à condição humana apresentar-se dilacerada pelo conflito dos sentidos opostos, um que fecha o homem a si mesmo, e que gera o pecado e outro que se abre para o diálogo com Deus, para a graça.
O trabalho humano, encontra, assim, na Bíblia, todas as suas dimensões: no plano da criação ele associa o homem ao próprio gesto criador; e no plano da salvação ele é o mediador necessário entre o dom de Deus e o sentido transfigurador e redentor que a história humana – entretecida fundamentalmente pela relação do trabalho – recebe desse mesmo dom. Todos os planos da complexa realidade humana são atravessados de parte a parte por essa ambigüidade fundamental do sentido da existência.
O fundamento da unidade do homem e da dignidade do trabalho faz elevar-se a concepção de justiça, a mais significativa lição, para nós, da mensagem social do Antigo Testamento. Não encontraremos na Bíblia uma definição filosófica e nem um traçado, sobre a justiça, semelhantes ao modelo da Cidade ideal, como em a Republica de Platão.
A concepção de justiça, como em todas as categorias fundamentais que dão forma ao pensamento bíblico, refere-se à experiência primeira e decisiva da audição histórica da palavra de Deus. É a própria intervenção de Deus na história que cria uma dimensão nova nas relações humanas, a partir da própria atitude de Deus para com os homens: atitude de justiça, isto é, de fidelidade, de bondade, de misericórdia.
A justiça, como virtude fundamental da vida em comum, passa a significar, assim, a disposição permanente do acolhimento do outro, sobretudo do estrangeiro, do pobre, do oprimido, que permite, por sua vez, a descoberta progressiva do outro, e nele, da imagem de Deus. Sendo assim, o ensinamento bíblico sobre o bem comum e a prosperidade temporal do individuo e do Estado se nos apresenta marcado pelo mais exigente teocentrismo. A felicidade, dignidade, paz e sentido de vida para os homens e para as nações só é possível na aceitação da soberania de Deus.
Lima Vaz afirma que tal concepção desconcerta a mentalidade secularizada do homem de hoje, e que a secularização do universo político-social é um fruto legitimo da conquista, pelo homem, da sua autonomia na ordem do temporal, por essa razão, seria um simplismo ingênuo querer transportar as instituições e os problemas do pequeno Estado teocrático para a nossa gigantesca e complexa sociedade contemporânea, mas reconhece, que a revolução desencadeada no itinerário do homem através do movimento eterno do cosmos para a relação histórica entre Deus e os homens, foi realizada pela cultura bíblica.
Sobre a perspectiva da mensagem social do Antigo Testamento, Lima Vaz conclui esse capitulo demonstrando a contribuição decisiva da experiência de Israel para a solução do problema mais grave que desafia a humanidade: o problema da significação da sua própria história. Modificando a visão grega do fim da história, onde uma catástrofe proporciona o fim e o recomeço, a visão Bíblica do fim da história é linear e parte de uma gênese, um crescimento, uma caminhada, a marcha irreversível para o fim, onde se estabelecerá o advento do reino de justiça e paz. Uma paz que vem de Deus.
A essência mesma da mensagem social do Antigo Testamento está na consciência messiânica, por ela caminha o homem e nela está o finalismo da história, independente de uma leitura filosófica, histórica ou baseada na fé. A história, afirma o padre Vaz, não se pulveriza em fatos desconexos, nem retorna sobre si mesma na desesperança de um círculo fechado, sobre ela, sobre o seu sentindo final, paira o julgamento de Deus.
O homem que dominou a natureza através de grandiosos instrumentos técnicos e se organizou na sociedade mais extremamente complexa, permanece confrontado ao desafio maior que esses mesmos triunfos lhe opõe: dar a história um sentido verdadeiro humano. Lima Vaz está convencido de que tal sentido somente começará a delinear-se quando o homem reconhecer efetivamente que o valor supremo da história, essencialmente superior aos instrumentos, as técnicas, à organização, aos projetos, às idéias, é o homem mesmo, autor da história. Entretanto, conforme nos ensina a Bíblia, a soberania do homem se perderá em novas idolatrias e novas escravidões se nela, e por ela, não se tornar presente e não for livremente proclamada a soberania absoluta de Deus.
A mensagem do Antigo Testamento nos diz que a superfície do imenso e difícil caminho pelo qual a humanidade vem avançando desde a sua origem mais remota, corre um veio profundo, descobre-se um terreno de definitiva solidez, manifesta-se o desígnio de Deus que torna a história a história humana, na sua significação mais profunda e no sentido mais rigorosamente objetivo, uma teodicéia.

14 de agosto de 2014

Aula de história: um relato.


Carlos Néri

Na minha mente eu tinha tudo planejado. A grande mudança conceitual, uma profunda transformação ocorre no mundo, especificamente na Europa, século V depois de Cristo, mais precisamente em 476 d.c, o império romano começa a ruir.

A intenção era lançar um olhar sobre esse momento, ou seja, a entrada da Europa no mundo medieval, a chamada "idade das trevas".

Bom! como nós seres humanos somos a única espécie da criação capaz de abstrair, dar forma e concretizar o abstrato na prática, comecei montar a aula. Primeira coisa: um mapa da extensão do império, é óbvio, dai a apresentação dos povos germânicos Bárbaros, a formação de um sistema feudal, a estrutura social medieval e suas características peculiares, o poder da igreja, a santa inquisição, a criação das universidades, o renascimento comercial, a reforma protestante, a mudança conceitual que ocorre na Europa com a reforma, a burguesia comercial, as grandes navegações, o descobrimento, o olhar dos Europeus sobre os nativos, ufa... chega!

Enfim, tudo feito em slides e apresentado em uma tv enorme e digital. Na aula seguinte preferi retornar ao meu método tradicional, reduzi todo esse conteúdo apresentado em slides em organogramas e passei na lousa, Ai começou o drama.

- Como vocês conseguem escrever e conversar ao mesmo tempo, não entendo.

Retornei para a lousa, começou a conversa de novo.

- Escutem! a grande dificuldade que vocês possuem para ler, interpretar e apresentar está no fato de que vocês foram condicionados a simplesmente copiar da lousa, isso começou lá na 5ª série onde o professor, para não ter um acesso de raiva ou um enfarto, enche a lousa para conseguir fazer a chamada, e assim vocês vieram até aqui, copiando sem ler, somente copiando.

Retornei para lousa, começou as conversas, as rizadinhas, então voltei -me para eles mais uma vez.

-Olha! se eu der um excerto de um texto a vocês e pedir para ler, vocês travarão e não vão conseguir ler, e por que? porque muitos de vocês tem consciência que possuem dificuldade para ler, e olha que vocês são 2ª ano médio, explicar então, ai piora, porque vocês somente reconhecem letras e sons, então, prestem atenção, leiam o que está sendo escrito, logo, logo termino e ai vocês ficam de boa.

Adivinhem! não preciso nem falar, né. Começou a conversa de novo.

Ao terminar o organograma, fiz uma linha do tempo que se iniciava no século V d.c e ia até o século XVI e perguntei:

-Por que no 2ª ano ano médio os materiais didáticos que recebemos nos instrui a iniciar nosso estudos nesse período histórico, ou seja, o século V d.c?

Ninguém respondeu, silêncio total. 

Ok! vou mudar a pergunta:

- Qual o grande fato histórico que marca a passagem do mundo antigo para o mundo medieval no século V?

Todos olhavam para mim, mas não falavam nada, nada. Aquela massa de alunos, aproximadamente 30 na verdade, simplesmente olhavam, até que um aluno bem na minha frente disse bem baixinho, quase sem voz, tipo um Neville Logbotom diante de um Severo Snape: - o fim do império romano.

Ouvi a resposta, dei sinal de positivo, mas queria ouvir todos, queria participação, mas eles simplesmente olhavam.

-Mais uma vez, porque o século V d.c marca a passagem do mundo antigo para o mundo medieval? eu mostrei no mapa semana passada, bem grande, o primeiro mapa que iniciei a aula.

Ninguém respondeu. A professora de apoio aos alunos com deficiência auditiva esboçou um gesto de admiração misturado com indignação. Ninguém sabia responder, ninguém sabia nada. Passou um filme na minha mente, nesse momento, esse filme é o começo desse texto onde eu tinha planejado tudo, eu parecia ser um ser distante, a lousa algo mais distante ainda e desinteressante, sem valor.

Mesmo se eu estivesse vestido de Nero, Pompeu, Julio César, Alexandre, rei Leônidas ou mesmo de Volverine ou a Coisa, mesmo assim nada disso os chamaria atenção, a apatia era tão intensa que eu me senti incapaz de romper essa barreira, pensei até em exorcismo, reza forte daquelas antigas, pensei em tudo, mais não me vinha nada viável para estimular aqueles jovens, muitos cansados por causa da escravidão do trabalho, e que possuíam energia, força, vitalidade, alegria, entusiasmo, para conversar entre si, entre seus pares, trocar SMS a todo momento, acessar o watsapp, facebook, e principalmente falar sobre meninos bonitos, o futebol no final de semana, o chefe chato da empresa, o encontro para fumar um verde depois da aula, os parceiros que estão presos, aquela mina folgada, um encontro com o namorado, e tantas outras infinitas coisas.

Me indignei, disse a todos que eu me recusaria dar aulas para grupos de pessoas que não enxergam valor nenhum no que está sendo ensinado, e sai da sala as 19:30, só voltei para fazer a chamada.

Relatei o ocorrido com alguns professores, todos me apoiaram, o meu relato é o mesmo de todos, sem excesão, ou seja, estamos fazendo verdadeiros monólogos na sala de aula, nós aprendemos mais do que os alunos que precisamos formar, não há respostas aos estímulos que lançamos todos os dias para eles, são amorfos, distantes, a escola é uma obrigação e não um prazer.

Talvez se tivéssemos em nossas salas de aula telões digitais como aqueles usados no jornal da globo e no globo esporte, talvez conseguíssemos colher frutos melhores, está claro e evidente que os olhos dos jovens estão totalmente voltados e imersos na tecnologia e o mundo fora disso é muito chato, um professor falando, demonstrando, diante de uma lousa medieval é mais chato ainda, um kit multimídia com qualidade de imagem e som ajuda, mas não é suficiente.

Bom! Estou escrevendo esse texto, hoje pela manhã porque não fui para a escola, ontem me desgastei muito e enfrentar essa realidade pela manhã não seria saudável, então só pela noite, e assumo as faltas.

10 de fevereiro de 2012

A razão de Ser do Dízimo


Por Carlos Néri

A herança teológica e eclesiológica que herdamos de nossos irmãos pioneiros do evangelho no Brasil, de certa forma, corroborou para a situação atual da igreja brasileira. Com o crescimento do pentecostalismo e consequentemente do neopentecostalismo, a igreja se embrenhou por um mundo místico irracionalizado sem fundamento e finalidade pratica.
Com toda essa mistificação da fé, textos fundamentais da Sagrada Escritura que legitima o relacionamento experiencial, existencial e racional do crente com Deus mergulhou em um abismo obscuro de interpretações desprovidas de uma sincera e correta exegese. Assim, também se fez com o Dízimo.
Durante todo o século XX e também em nosso século, o Dízimo foi associado a uma vida econômica regalada e os gafanhotos relatados pelo profeta Joel receberam o título de demônios, cuja profissão é eminentemente e especificamente atuar na vida financeira. Claro que o contexto cultural que viveu o profeta Joel, seu relacionamento com Deus e sua missão profética estão muito aquém da interpretação que nossos seletos pastores e profetas deram ao texto.
O profeta Joel denunciou o total abandono das leis morais, sociais e espirituais dado por Deus ao povo como forma legitima de convívio relacional entre os homens e Deus, os gafanhotos, por sua vez, são reais, as plantações são reais e não podem ser alegorizadas e tituladas a demônios ou vida financeira, pois fazem parte literal do castigo de Deus a um povo obstinado.
Então, o que é o Dízimo e qual sua função? Como todos nós sabemos, Dízimo é a décima parte, ou seja, a décima parte do fruto do trabalho realizado pelas mãos dos homens, cuja finalidade primordial é a sua subsistência. A décima parte do fruto do trabalho humano pertence a Deus. Mas existe alguma necessidade em Deus para que lhe ofereçamos dízimos? De forma alguma. Deus é absoluto em si mesmo. O dízimo é uma ação de graças, e aqui está primordialmente a sua função primeira.
A idéia do dízimo e sua função primeira é um ato que deve ser realizado por todos os homens, pois ele, assim como as ofertas, ou as ações que demonstram e denotam a coletividade e o amor ao próximo ligam o homem a Deus no sentido de lembrar e reconhecer que o fruto da terra pertence a Deus e depende dele para gerar alimento a todos os seres vivos. O homem na sua mais moderna engrenagem tecnológica não pode gerar alimentos se a terra assim não o fizer.
Logo, o Dízimo lembra ao homem que “toda a terra está cheia de sua glória”, que os elementos que a constituem não são obras humanas ou de uma natureza subsistente por si só. A função primeira do Dízimo é o reconhecimento e o agradecimento da providência de Deus ao proporcionar em nossa mesa as riquezas da terra que a ele pertence e que nós humanos necessitamos vitalmente. O Dízimo é ação de graças, memorial racional que nos liga ao Criador.
Mas o Dízimo possui uma função segunda, não mais verticalmente, mas horizontalmente. Sendo que Não há contingências no Ser de Deus, é o próprio homem, na ação continua da coletividade e nunca na individualidade que desfruta do Dízimo e mantém aqueles que de direito vivem do evangelho. Ora, a partir do momento que a coletividade desfruta da materialidade do dízimo, estes vivem do evangelho e nada vos falta, nesse sentido Malaquias Afirma que o devorador será repreendido, que o fruto da videira não será estéril.
Ora, o devorador não é uma figura etérea, um perispirito do mal, uma entidade. Para Malaquias o devorador são as pragas vivas que devoram as colheitas por ordem de Deus na reciprocidade da maldade humana em caráter pedagógico. Para nós o devorador não passa da miserabilidade e apego material que impede o homem de reconhecer, nessa ação de graças à potencialidade de Deus ao fazer brotar da terra o fruto necessário ao homem.
Tal miserabilidade egótica, individualista, não pensa o coletivo e por essa razão deixa a mão mirrada, doentia, contraída, como em uma dolorosa câimbra irreversível que impede o progresso da consciência libertadora e edificante do evangelho no homem, atrofia a igreja e a expansão da sua vida que gera vida aos que não possuem.
Por fim, pobre do homem enganado e alienado pelos pastores que não conseguem educar nem a si mesmo, pois talvez viverá toda a sua existência em um misticismo esquizofrênico ou inserido em um reino em que Deus é limitado as peripécias humanas e não poderão conhecer, desfrutar e se entronizar na contemplação magnífica do cosmos criado e da vida Eclesiástica na etimologia e no sentido próprio de uma comunidade que vive as grandezas espirituais reveladas.