11 de junho de 2017

Um homem chamado Mateus.

Texto: “Partindo dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu” (Mateus 9.9).

Introdução: Mateus está escrevendo aqui a respeito de si próprio. Notemos sua modéstia na expressão “um homem chamado Mateus”, e sua omissão do fato que a festa mencionada no VS. 10 realizou-se em sua própria casa. O relato está situado imediatamente após um milagre, como se a sugerir que a conversão de Mateus se deu a um milagre. Há pontos de similaridade entre o milagre e a conversão. Mateus estava espiritualmente paralisado por seu pecado e por sua atividade de ganhar dinheiro; daí precisar ele dar a ordem divina: “levanta-te e anda”.

I. Seu chamado parecia acidental e improvável: Jesus estivera por muitas vezes em Cafarnaum, localidade que escolhera para ser a “sua própria cidade”. No entanto, Mateus permanecia sem salvação. Era provável, portanto, que agora ele fosse chamado? Já não se havia fechado o seu dia de graça? Jesus estava empenhado em outro negócio, porquanto lemos: “partindo Jesus dali”. Seria provável que agora ele chamasse a Mateus? “Viu um homem chamado Mateus”, porquanto já o previra. Conhece-o, porque já o conhecera com antecedência. Em tudo isso há um paralelo entre Mateus e nós.

II. Seu chamado não estava em cogitação e não foi chamado: a) Ele estava em condição degradante. Ninguém, exceto os mais vis dentre os judeus, cuidaria cobrar impostos para o conquistador romano; b) Ele não teria ousado seguir a Jesus, mesmo que tivesse desejado fazê-lo. Sentia-se indigno demais; c) Os outros discípulos tê-lo-iam repelido, caso ele propusesse a vir sem o convite franco do Senhor; d) O chamado foi de pura graça, conforme está escrito: “fui buscado dos que não perguntavam por mim”.

III. Seu chamado veio do Senhor, que o conhecia: a) Viu todo o mal que estivera nele, e nele continuava; b) Viu nele o seu escolhido, seu redimido, mas vê o que está fazendo. A seu apóstolo e seu biógrafo. O Senhor chama conforme lhe apraz, mas vê o que está fazendo. A soberania não é cega, mas age com ilimitada sabedoria.

Conclusão: Diz um antigo escritor: “nossa chamada é incerta com respeito ao lugar, pois Deus chama alguns de seus navios; alguns, de suas lojas; alguns, de sob os abrigos; e outros, do mercado; de sorte que, se um homem conseguir que sua própria alma compreenda que ele certamente é chamado, pouco importa o tempo e o lugar onde isso ocorra”. Lemos, na literatura clássica, como a lira de Orfeu encantava com sua música não somente as feras, mas as próprias árvores e rochas de Olimpo, de sorte que elas saíam de seus lugares para segui-lo. Assim Cristo, nosso Orfeu celestial, com a música de sua graciosa fala, atrai para Si aqueles que são menos susceptíveis a influências benignas do que as feras, as árvores e as pedras, inclusive as almas pobres, endurecidas, insensíveis, pecaminosas. Permita-lhe tanger sua harpa dourada e sussurrar em seu coração: “Vem, segue-me”, e você, como outro Mateus, será conquistado.

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