28 de abril de 2017

Resumo: Vygotsky – Aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio-histórico.

Job. Nascimento

OLIVEIRA, Marta Kohl. Vygotsky – Aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio-histórico. Capítulo 4: Desenvolvimento e aprendizado. Págs. 56-79. São Paulo: Scipione, 2009.

            Na obra de Vygotsky as temáticas: aprendizado, desenvolvimento e as relações entre eles são temas recorrentes. A abordagem de Vygotsky é conhecida como “genética”, pois enfatiza o processo de desenvolvimento. Diferentemente de Piaget e Wallon, o referido autor não apresentou uma teoria estruturada do desenvolvimento humano, apenas demonstrou uma interpretação do percurso psicológico do homem. Esta interpretação constitui o tema central do quarto capítulo da obra de Marta Kohl.
            Vygotsky prioriza a questão do processo de aprendizado argumentando que desde o nascimento da criança, o aprendizado desta encontra-se em um desenvolvimento. Observa-se um trajeto do desenvolvimento natural do indivíduo que faz parte de seu processo de maturação, no entanto, o aprendizado encontra-se em outro patamar onde proporciona ao indivíduo o despertar de processos de origem interna de desenvolvimento que, exceto num ambiente propício e cultura podem ocorrer.
            O desenvolvimento fica impedido de ocorrer em determinadas circunstâncias, como: a) uma criança sem problemas auditivos que cresce num ambiente para surdos-mudos não desenvolveria a fala, mesmo possuindo os requisitos necessários em seu próprio organismo; b) outro caso extremo, citado pela autora, ocorre quando uma criança cresce em ambientes selvagens e, mesmo em idade adulta, não desenvolveu a fala. É necessário entender que é o aprendizado que possibilita que processos internos se desenvolvam e ligue o desenvolvimento da pessoa com o seu ambiente sócio-cultural, tendo esta ideia como precisa é que se entende o conceito de zona de desenvolvimento proximal.
            A zona de desenvolvimento proximal. De acordo com a autora esta análise do desenvolvimento do indivíduo é feito a partir da visualização de atividades da vida cotidiana. O pesquisador, neste contexto, avalia as atividades que julga ser importante no estudo sobre o desenvolvimento infantil e analisa quais tarefas a criança é capaz de fazer. Na pesquisa, observa-se as atividades que já estão internalizadas pela criança, as atividades que ela faz sem o auxílio de um adulto. O segundo ponto desta teoria é a interação social, pois o desenvolvimento psicológico humano ocorre na sua relação com outro indivíduo. Assim, observa-se que estes dois pontos são determinantes na conceituação da zona de desenvolvimento proximal de Vygotsky.
            Outro aspecto importante na teoria de Vygotsky apontado por oliveira é o papel da intervenção pedagógica. Nota-se que é na zona de desenvolvimento proximal que a intervenção de um terceiro é mais efetiva. Pontue-se que processos que já foram internalizados não necessitam desta intervenção, mas processos que ainda estão por iniciar precisam desta intervenção. Um exemplo claro disso: “só se beneficia do auxílio na tarefa de amarrar os sapatos a criança que ainda não aprendeu”.
            O brinquedo tem um papel importante no desenvolvimento infantil, especialmente a brincadeira de “faz-de-conta”, pois a criança representa papeis e constrói sua realidade a partir do brinquedo. Por exemplo, quando uma criança brinca com um tijolinho de madeira imaginando que seria um carro, esse comportamento “constitui um importante passo no percurso que a levará a ser capaz de, quando for adulto, se desvincular totalmente das situações concretas”, aponta a autora. Assim, tanto na circunstância imaginária e nas regras da brincadeira a criança cria uma zona de desenvolvimento proximal. Com o brinquedo a criança aprende a separar o objeto do significado e encontra-se numa situação mais desenvolvida que numa atividade normal da vida real.
            No que diz respeito à evolução da escrita a autora argumenta que para Vygotsky a escrita significa a aquisição de um conjunto simbólico da realidade que auxiliam o desenvolvimento dos gestos, dos desenhos e da brincadeira simbólica. Oliveira cita Vygotsky afirmando que “desenhar e brincar deveriam ser estágios preparatórios ao desenvolvimento da linguagem escrita das crianças”.
            Por fim, a autora pontua o último ponto da teoria de Vygotsky: a percepção, atenção e memória. No que diz respeito à percepção argumenta-se que no desenvolvimento, com a internalização de conceitos, linguagem e símbolos desenvolvidos pela cultura, a mediação deixa de ter uma ligação direta e passa a ter uma ligação indireta, mediada pelos conteúdos culturais adquiridos.
            No que se refere a atenção na teoria de Vygotsky, a autora relata que inicialmente, assim como na percepção, a atenção vai sendo gradativamente submetida a processos de controle. Com o desenvolvimento natural, o indivíduo passa a ser capaz de andar de bicicleta sem naturalmente e voluntariamente, e passa a dar atenção a outros elementos do ambiente que ele julgar importantes. A criança também se torna capaz de se desligar de outros elementos do ambiente e concentra sua atenção apenas num carrinho que ela quer brincar. Concluindo o capítulo, a autora relata o último elemento da teoria de Vygotsky: a memória. Nota-se que a memória se divide em dois aspectos: 1) a memória inata e; 2) memória mediada. 
           No que diz respeito à memória inata Vygotsky argumenta que é o aspecto elementar do indivíduo onde ele é capaz de recordar de coisas ou processos sem qualquer estímulo externo. Este é o aspecto elementar da memória. E no que tange a memória mediada Vygotsky aduz que esta se refere ao armazenamento de informações para utilização posterior, a memória mediada caracteriza-se por ser baseada em elementos externos que o indivíduo se apóia para lembrar-se de determinadas coisas, por exemplo, para corrigir determinados comportamentos. Entre os elementos externos encontram-se: calendários, agendas, listas etc.
            A autora conclui a análise do pensamento de Vygotsky neste capítulo afirmando que o desenvolvimento do indivíduo está baseado na aprendizagem, que está ligado intermitentemente à interferência direta ou indireta de terceiros e a reavaliação pessoal de vivências e seus significados.

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