16 de abril de 2017

Resenha: O psicodiagnóstico e as abordagens sistêmico-familiares.

TOSIN, Anna Sílvia. O psicodiagnóstico e as abordagens sistêmico-familiares. Florianópolis: Instituto Sistêmico Familiare, 2005. 

            O trabalho acadêmico de Tosin tem como pretensão apresentar uma discussão sobre a utilização da Psicodiagnóstica no decorrer dos anos, desde o emprego do método tradicional psicanalítico até as contribuições do Pensamento Sistêmico. A proposta da autora é ampliar a visão sobre esses modelos teóricos, situando a pesquisa dentro desse paradigma científico. Tosin completa a discussão sobre o tema demonstrando um caso em que foi utilizada a abordagem sistêmico-familiar.
            Observa-se que o psicodiagnóstico é oriundo da Psicologia Clínica e de alguns trabalhos iniciais psicométricos. Tosin afirma que o psicodiagnóstico como uma prática psicológica situava o psicólogo como um simples aplicador de testes que atendia ao pedido de um psiquiatra ou pediatra. Esses testes objetivavam investigar uma função traço ou característica.
            No que diz respeito ao pensamento sistêmico, Tosin argumenta que faz parte de uma percepção nova da realidade e uma nova compreensão científica. A autora cita, historicamente, algumas teorias sistêmicas: a Teoria Geral dos Sistemas de Ludwing Von Bertalanfy e a Cibernética de Norbert Wiener. Observa-se que a Cibernética nasceu com a engenharia da comunicação e as ciências da automação, gerando assim os princípios da regulação dos sistemas.
            O texto de Tosin é uma importante contribuição para uma noção mais ampla sobre o psicodiagnóstico. Nota-se que o psicodiagnóstico é visto como um processo de investigação dos aspectos psicológicos de um indivíduo, limitando-se no tempo e que na prática, busca encontrar respostas para um determinado problema. O psicodiagnóstico, de acordo com Tosin é um processo tradicionalmente centrado no indivíduo, em sua personalidade e desenvolvimento. Que é influenciado principalmente pela teoria psicanalítica que pretende dar respostas acerca do mundo interno do sujeito em investigação.
            No entanto, a argumentação de Tosin leva a um pensamento de causa e efeito. Mas o desenvolvimento da psicologia leva em conta o ser humano como relacional e inserido em algumas redes que são interligadas, isso limita o olhar sobre o indivíduo de forma isolada e influencia a uma alteração de paradigma. Entretanto, ao lidar com o indivíduo e com a mudança de paradigmas, o psicodiagnóstico entra num campo complexo e carregado de incertezas.

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