13 de abril de 2017

Resenha: Introdução à Exegese do Novo Testamento.

Job. Nascimento

SCHNELLE, Udo. Introdução à Exegese do Novo Testamento. São Paulo: Edições Loyola, 2004. 

            O texto de Udo Schnelle sobre noções iniciais para uma exegese do Novo Testamento consiste numa espécie de mapa para o entendimento do solo em que se enraízam os métodos de interpretação do Novo Testamento. Primeiramente o autor pontua que o método histórico-crítico como uma ferramenta da exegese não é um método isento de premissas e tampouco imutável. O método histórico-crítico surgiu na Idade Moderna e submeteu o Novo Testamento a um questionamento rigorosamente histórico, assim distinguiu-se palavra de Deus de Sagrada Escritura.
            Schnelle argumenta que a crítica textual é imprescindível na exegese do Novo Testamento por algumas razões: históricas e teológicas. Não existem mais textos originais dos escritos do Novo Testamento, dessa forma é necessário chegar ao texto original a partir de tradições posteriores dos textos em manuscritos, lecionários e citações de autores nos primeiros séculos do cristianismo.
            O autor aborda a teoria textual e as etapas metodológicas da exegese do Novo Testamento. Fala sobre a análise textual e os passos metodológicos; crítica literária e crítica das fontes problematizando-as e distinguindo-as; Schnelle ainda relata como ocorre a comparação sociorreligiosa do Novo Testamento. Quando se refere à exegese epistolar, o autor argumenta que as peculiaridades da literatura epistolar não permitem a realização de uma crítica literária com a mesma intensidade dos Evangelhos.
            Por fim, Schnelle conclui que a exegese do Novo Testamento está num campo de tensão entre texto e verdade. Assim, diante do fato de que os textos neotestamentários devem ser lidos como testemunhos de experiências históricas da fé. A exegese possui uma dimensão tanto histórica como teológica.
            A obra de Schnelle é excelente de leitura densa e técnica o autor aborda conceitos importantes no que tange à exegese do Novo Testamento, pincelando sobre suas origens, metodologias e métodos. Acredita-se que é um importante instrumento do seminarista ou estudante de teologia na difícil tarefa de extrair do texto sua ideia central, o argumento original do autor, apesar do processo histórico e influências da tradição.

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