8 de abril de 2017

Resenha: Empoderamento nos modelos de educação em saúde.

Job. Nascimento

CHIESA, Anna Maria. Subsídio para discussão sobre o conceito de Empowerment, junto ao grupo de alunos de pós-graduação da área de Promoção à saúde, do Departamento de prática de Serviços em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da USP: Outubro de 1997.

            O texto de Anna Maria Chiesa é baseado no artigo de N. Wallerstein e E. Bernstein “Empowerment Education: Freire’s idéias Adapted to Health Education. E tem como idéia fundamental discutir o conceito de empoderamento, que está ligado diretamente com modelos de educação em saúde com a pretensão de prevenir doenças e promover a transformação do indivíduo no âmbito social e individual.
            Situações de alienação, culpabilização e desamparado, esse é o solo em que nasce o termo empowerment na literatura. Essas situações configuram a ausência de poder. Na educação em saúde é proposto justamente o contrário, que os indivíduos sejam inseridos em trabalhos voltados para seu fortalecimento através de programas sociais. Dessa forma aumenta o controle sobre suas vidas na sociedade.
            Segundo a autora esse modelo distingue-se do modelo tradicional, pois, nele leva-se em conta as dimensões singular do indivíduo (auto-estima e motivação); particular (grupo social no qual ele se insere); e estrutural (estrutura jurídica, política e ideológica). Esse modelo guarda relação com o modelo de Paulo Freire, pois, a população faz o levantamento de seus problemas e participa na busca de soluções.     
            O modelo de Freire aponta para a participação coletiva, e o modelo proposto pela autora centra-se na escala da educação individual. A autora põe como exemplo o trabalho de um grupo de alunos que são postos em contato com pessoas vítimas do alcoolismo. Esses alunos conheceram o problema, a dimensão dele na comunidade, trocaram informações sobre diferentes experiências, questionaram as causas e quais alternativas de fortalecimento, e ações necessárias para a mudança.
            O modelo proposto pela autora, referenciado no modelo de Freire, mostra-se extremamente útil na educação em saúde. Porque põe o indivíduo em contato com seu problema, evidenciando sua dimensão no âmbito comunitário/social, nutrindo-o de informações sobre o problema (por exemplo, epidemias). Assim eles sentem-se capazes de informar outros e discutir sobre o problema. No entanto, a autora reconhece que uma avaliação mais criteriosa do programa só pode ser feita em longo prazo.

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