26 de abril de 2017

Entrelaçando a psicologia e a educação.

Job. Nascimento

MOLON, Susana Inês. Entrelaçando a psicologia e a educação: uma reflexão continuada de educadores à luz da psicologia sócio-histórica. 

            O presente texto, de autoria de Inês Molon, analisa a afinidade entre psicologia e a educação. A autora argumenta que a abordagem sócio-histórica é importante numa formação continuada de professores pela alternativa de um diálogo sobre vários tipos de fazeres e conhecimentos. Assim, a psicologia e educação são áreas do conhecimento promissoras porque se caracteriza pela sua variedade tanto na teoria como nas metodologias, e pela sua forma de atuação.
De acordo com a autora a relação existente entre a psicologia e a educação é assimétrica porque a psicologia é vista como portadora de uma autoridade delegada pela educação que tem um papel decisivo nessa relação dispare, pois busca em outras áreas respostas para o fenômeno educativo e o processo ensino-aprendizagem.
De acordo com Inês Molon a psicologia fez um desserviço à educação, pois buscava uma conformidade a uma realidade social não levando em conta a desigualdade social, a exploração, a dominação cultural e as práticas de exclusão e inclusão perversa. A autora critica o caráter ideológico da psicologia que tão somente produziu alguns métodos, técnicas e teorias sobre o desenvolvimento humano e sobre o desempenho pedagógico das classes menos favorecidas na sociedade norte-americana. As crianças de classes menos favorecidas não precisavam de um programa de educação compensatório, mas de melhores condições educacionais.
Na relação entre a educação e psicologia nota-se que as demandas do trabalho psicológico em escolas estão associadas à solução de conflitos, especialmente em crianças portadoras de queixas escolares. Alguns teóricos argumentam que as melhores respostas ao ensino e formação dos docentes nos enfoques pedagógicos não necessariamente de natureza psicológica e sim relacionais.
Argumentar sobre a relação existente entre psicologia e educação abre alguns horizontes como o surgimento de outras áreas do conhecimento: a) Psicologia da Educação; b) Psicologia na Educação; c) Psicologia Educacional e; d) Psicologia Escolar. Mas qual seria o referencial principal? Psicologia ou Educação? A autora aponta para sua realidade profissional que é a psicologia social trabalhando com a Psicologia Escolar e Psicologia da Educação, tendo como premissa a abordagem sócio-histórica, argumentando que a formação continuada dos professores é necessária.
De acordo com a autora é preciso um diálogo entre a psicologia e a educação com as demais áreas do conhecimento com o fim de construir um novo mundo, apontando para novos sujeitos sociais e processos de subjetivação diversos que observem diversidade e a pluralidade sem perder a orientação ética e epistemológica que reconhece os conflitos dos saberes e emoções, olhando para a solidariedade, tolerância e a ruptura com o imperialismo educacional.
É necessário o reconhecimento de que teorias, métodos e técnicas devem naturalizar o entendimento sobre o ser humano, reproduzindo a matriz biológica e focar a sua realidade social. Segundo a autora na abordagem sócio-histórica é necessário outro entendimento que produza novo modo de compreender o docente como um sujeito social e histórico.
De acordo com Inês Molon a principal contribuição do método sócio-histórico é a inexistência de uma dicotomia entre teoria e prática, entre psicologia e educação. Este método dá uma contribuição mais eficaz no campo educacional e psicológico, especialmente na formação de docentes, dando um novo entendimento do fenômeno psicológico: entendendo o indivíduo em sua realidade cultural e social, discutindo subjetividade e afetividade.
A autora argumenta que quando se elege a temática das emoções e perguntando-se sobre as afetividades nas investigações nos trabalho de formação dos professores concebe-as como constitutivas do indivíduo e da produção de sua subjetividade. Assim, essa perspectiva produz um diálogo entre pensamento e sentimento, cognição e emoção.
A autora conclui que a abordagem sócio-histórica tem como principal desafio a construção de um referencial teórico-metodológico-filosófico-estético-ético que traga significado e sentido à existência do indivíduo (docente) além das imposições externas e internas, contribuindo para uma nova maneira de ser, pensar, fazer, sentir e devir.

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