2 de março de 2017

O instinto de preservação e a alegria do Messias.

Job. Nascimento

             A maioria dos "heróis" épicos ou contemporâneos carregam em si uma arrogância enorme e uma confiança sobrecomum em si mesmos. Além de carregarem na visão comum do povo muitos mitos, lendas e feitos dos quais vários apenas são adjetivados a eles, mas esses feitos não existem fora do discurso e da fala. Em contrapartida, Jesus era diametralmente o oposto de todos esses heróis: Ele não tinha arrogância, não alardeava seus feitos e sua vida era uma mensagem (mesmo quando não dizia uma palavra sequer). O que motiva o homem a morrer por seu povo? O instinto de preservação? O anseio de se tornar um mártir? E essa entrega é feita de forma alegre ou com pesar e tristeza? Sobre o impulso de preservação da comunidade C.S.Lewis argumenta:

                          Todos nós temos um impulso instintivo de preservar a nossa própria espécie. E é por isso que os homens devem trabalhar pela posteridade. Não temos nenhum impulso instintivo de cumprir promessas ou de respeitar a vida individual: é por isso que escrúpulos de justiça e humanidade podem ser devidamente varridos para longe quando entram em conflito com o nosso verdadeiro fim, a preservação da espécie. (LEWIS: 2005, p.31).

            Mas, o desejo de salvar de Jesus transcende todo e qualquer instinto de preservação da comunidade, Jesus amou o mundo. E em detrimento de sua entrega incondicional ao sacrifício em prol de muitos ele não se mostrou triste, pelo contrário, sua alegria era notória a todos os homens. A operação de milagres de Jesus não vinha com a intenção de criar um espetáculo de autopromoção, pelo contrário, denotava o amor que ele tinha pelas pessoas; sua exortação, por vezes dura, não demonstrava insensibilidade e rigidez, pelo contrário denotava o desejo de que o seu povo experimentasse a sua alegria; e o desejo de salvar seu povo foi motivado pelo anseio de fazer com que todos nós pudéssemos provar da alegria eterna. Sendo assim, o ofício de “Messias” (enviado e libertador) de Jesus não foi praticado sobre os preceitos terrenos de “entrar para a história”, antes, foi motivado pelo desejo de repartir um pouco de sua alegria eterna com os homens. E a possibilidade de uma resposta grata da parte do homem (mesmo que fosse uma minoria), fez com que ele vivesse alegre “pelos seus” que chegariam ao pleno conhecimento da verdade.

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