28 de março de 2017

Aspectos emocionais envolvidos no processo de luto.

SIEGA, Caroline Michels. Aspectos emocionais envolvidos no processo de perda e luto nas diferentes fases do ciclo de vida familiar. Florianópolis: Familiare, 2008.

            No presente texto Michels aborta os desdobramentos emocionais que envolvem o processo de perda e luto dentro do ciclo familiar sob a premissa da Teoria Relacional Sistêmica. A autora argumenta que existem aspectos que afetam na elaboração da perda na família, tais como: a) o tipo de morte; b) o papel funcional da família sobre a morte; c) rituais específicos para a perda; d) histórico de perdas anteriores etc.
            Michels problematiza sobre as diversas fases o processo de luto. Entretanto, é preciso notar que não existe época certa para que isso suceda, porque cada perda tem seu valor emocional e é única. Argumenta-se que o processo de luto é bem elaborado quando a família reconhece a perda, reorganiza seus papéis e cria outros padrões de funcionamento, construindo e planejando o futuro. Neste ponto, consente-se com a autora.
            Alguns teóricos, em concordância com Michels, afirmam que as reações emocionais das pessoas envolvidas nas perdas dependem do nível de funcionamento e integração emocional na família. Nota-se que as perdas podem desequilibrar todo um sistema familiar, essas perdas podem ser: a) físicas quando o familiar sai de casa; b) funcional quando um ente tem doença que o incapacita permanentemente e prejudica o sustento da família; c) emocional quando se perde alguém que organizava as festas da família.
            No que diz respeito à atuação do terapeuta, Michels sustenta que os rituais terapêuticos têm como função facilitar a expressão do sofrimento. O terapeuta pode avaliar o ritual da família, os rituais diários e que fazem parte do ciclo da vida para compreender a maneira como a família lida com perdas anteriores e como está lidando com a perda atual.

            Entretanto, apesar de toda a argumentação de Michels, sustenta-se que dentro de uma perspectiva sócio-cultural da morte, o terapeuta precisa conhecer como é a maneira de cada cultura viver o luto, quais atitudes específicas do grupo étnico a esse respeito. É necessário conhecer a perspectiva familiar sobre a natureza da morte e as possíveis expectativas de vida após a morte. Conclui-se, auxiliar membros de uma família a lidar com uma perda significativa é demonstrar respeito pela herança cultural e encorajá-los a cerimonizar a morte de um parente e reorganizar o sistema familiar após a perda desse ente querido, não obstante a sua importância e papel exercido dentro desse sistema. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário