9 de janeiro de 2017

Sermão da ordenação pastoral.

Carlos Néri

SERMÃO TEXTUAL
ORDENAÇÃO PASTORAL
IGREJA BATISTA VILA MACEDO - 29/10/2016

AgradecimentosHoje é um dia alegre para mim, pois diante de tantas cobranças, eu enfim, consegui vir visitar o Jobson, agora, Reverendo Jobson que já me visitou algumas vezes em São Paulo. E essa visita acontece em um momento único e especial, no culto de louvor a Deus por sua ordenação.
Estou contente de igual modo, por conhecer o Pastor Jonathan, já conversamos muitas vezes e já debatemos algumas idéias, através de nosso grupo no whatsapp que reúne um grupo de amigos de São Paulo, Curitiba e Rio Grande do Norte e também de conhecer os pastores e o povo de Deus que fazem parte desse corpo chamado Batistas. Também louvo ao Eterno por me proporcionar conhecer alguns estados de nosso Brasil, o Rio Grande do Norte, onde morei 8 anos, a Paraíba, especificamente João Pessoa e a serra de Cuité, o Rio de Janeiro e hoje Curitiba.
Introdução: Queridos! Iremos ler a carta de Paulo endereçada a igreja em Éfeso, no capitulo 4 dos versos 4 ao 16. A plenitude dos tempos, onde acontece e se desenvolve a revelação do mistério da vontade de Deus, ou o mistério que se revela em Cristo é o verdadeiro conteúdo da pregação de Paulo (Rm 16:25;26-27), o tema plenitude dos tempos na revelação da vontade de Deus em seu filho Jesus Cristo aparece nas cartas de Paulo e com mais ênfase na carta aos Efésios e na carta aos Colossenses, sendo estas, de igual modo consideradas cartas semelhantes.
Escolhemos a carta aos Efésios, pois o tema acima citado se desenvolve dentro de um quadro eclesiológico, onde a Eclésia (igreja) se torna portadora dessa revelação, mediante ao derramar profuso, ou seja, abundante das riquezas que a abertura desse saber proporciona, a saber, a redenção e a remissão dos pecados. É sobre a Igreja que Cristo derrama e abunda toda sabedoria e inteligência e que abre os olhos do coração para a compreensão e vivencia na grandeza dessa revelação.
Para explicar e descrever a “abundante graça” derramada em um novo estágio de revelação, em um passo além da “auto- revelação” de Jesus, Paulo utiliza um rico vocabulário que expressa e vislumbra em seu conteúdo os efeitos místicos e emancipadores que reúnem nele (Cristo) todas as coisas, tanto nos céus como na terra (Ef 1:10). Em Corinto Paulo repete o mesmo pensamento ao afirmar que “Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo, não imputando ou atribuindo aos homens suas transgressões, mas dando-lhes, ofertando- lhes a palavra da reconciliação ( 2 Cor 5:19)  .
Queridos irmãos Cristo me chamou para seu aprisco com 19 anos de idade em 1998, vivi o final de um ambiente espiritual de diversas especulações escatológicas e espirituais que em sua maioria viam dos Estados Unidos e invadiam as igrejas pentecostais e que se transformavam e tomavam características próprias, e mesmo sem ter plena consciência das transformações teológicas de nosso tempo, vi crescer a teologia da prosperidade em nossa sociedade.
Nesses anos desenvolvi diversas atividades na igreja, trabalhei em muitos departamentos, mas nunca exerci uma função pastoral direta, porém, convivi com diversos pastores, cada um com direcionamentos teológicos e doutrinários diferentes, de sorte que tais direcionamentos eram e são determinantes para a fundação e construção do edifício que é o santuário santo de Deus, ou seja, a igreja.
Logo, mesmo não sendo ordenado ao santo ministério pastoral, me sinto a vontade para explanar sobre as funções [repito] desse santo ministério e seus efeitos sobre o corpo de Cristo, tendo como fundamento as Sagradas Escrituras e um olhar direcionado para nosso tempo, para os desafios que se impõe a igreja e a todos os vocacionados ao santo pastorado.
Na Carta aos Efésios, o lugar onde a graça redentora e remidora de Deus em Cristo se tornam possíveis, são os “lugares celestiais” e aqui não se constitui em uma subida “cartasica” e nem uma subida mística e poética a exemplo das poesias medievais de são João da Cruz.
Em Cristo a igreja e os céus estão interligados, de sorte que, na vida humana e nas palavras de São João da Cruz, “permite-me experimentar realmente Deus e sua vida, a vida de Deus”. A subida aos lugares celestes ocorre na continua conversão e ruptura com a índole desse mundo que corre conforme o Príncipe das potestades, conforme o espírito que opera nos filhos da desobediência. 
A fim de instruir essa subida em direção ao centro irradiador das riquezas que são derramadas aos selados com o Espírito Santo da promessa, ou seja, o homem Perfeito, Cristo, ele concedeu uns para serem apóstolos, outros profetas, outros evangelistas e outros pastores e doutores. “Esses ministérios possuem por excelência a grandeza de plantar, e de crescer em uma unidade de fé, organizadamente e de maneira firme ao pleroma to ”epignoseos”, ou seja, ao pleno conhecimento do filho de Deus.
Desenvolvimento A liturgia e as bênçãos espirituais.
Ef 1: Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que nos abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus em Cristo. 
A benção (Berakah, abençoar = Barak,) é parte fundamental da vida e do culto judaico e está relacionada à concessão, por parte de Deus de algo material, Porém a palavra benção (eulogia, abençoar = eulogeo ) proferida por Paulo na carta aos Efésios, mesmo com seus desdobramentos semânticos aponta para as benfeitorias espirituais em Cristo e que se move nos lugares celestiais.
Dessa forma, direcionando essa palavra “benção” ao ministério pastoral, entendemos que o conjunto de atividades que dão forma ao ministério tem por objetivo a elevação e a compreensão das riquezas que foram reveladas no processo de reconciliação entre o homem e Deus, mediante Jesus Cristo.
Em primeiro lugar devemos dar relevância ao fato que a igreja é a comunidade dos salvos, salvos, pois o evangelho anuncia a maior benção de Deus, ou seja, o perdão dos pecados, o versículo 7 e 8 do capitulo 1 nos ensina que, “nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus, o qual ele derramou sobre nós com toda a sabedoria e entendimento”.
Entendemos então que a comunidade dos salvos é formada por pecadores arrependidos, perdoados e salvos, de sorte que a reflexão que fazemos cotidianamente é esta: “antes de desejar ajudar a meu irmão tirando o cisco de seu olho eu preciso olhar para mim e retirar a viga que está no meu”. Por essa razão, meus irmãos, é fundamental termos ciência de quem éramos e de quem somos, após sermos vivificados, ressuscitados e postos assentados nos lugares celestiais em Cristo.
Voltando ao ministério pastoral e a significação da palavra Benção dentro do serviço espiritual de culto, lembremos que todas as atividades corroboram para o crescimento organizado da igreja através da iluminação dos olhos de nossos corações, da esperança que o nosso chamado encerra, da riqueza da glória de nossa herança em Cristo e da extraordinária grandeza de seu poder em nós.
Sendo assim o pastorado engloba:
         A centralização do culto nos ensinamentos da palavra de Deus.
         A ministração dos sacramentos (batismo e santa ceia)
         A elaboração e supervisão da liturgia e da música.
         O cuidado com a educação cristã
         A visita aos fiéis com dedicação especial aos enfermos, aflitos e afastados
         Orientar e dirigir todas as atividades eclesiásticas (grupos de oração, evangelização, etc.
         Orientar e instruir o corpo de obreiros.
Nesse conjunto de atividades pastorais se irradia de seu interior a vida comunitária e espiritual que se desenvolve para o aperfeiçoamento dos santos na construção ou edificação do corpo de Cristo com o objetivo de alcançarmos a unidade da fé que se completa na plenitude do conhecimento do filho de Deus, em sua medida de varão perfeito.
Os serviços de culto, oração, ensino e Diakonia são meios de graça que proporcionam a unidade da fé em um desenvolvimento espiritual direto, cujos benefícios, não são gnósticos, no sentido concebido pela história da igreja nos cinco primeiros séculos, mas benefícios de libertação.
O derramar do Espírito Santo da promessa na Igreja nos faz compreender a oposição entre o movimento de subida em direção ao homem perfeito e a índole do mundo. Embora salvos da força da lei, temos consciência que a liberdade não pode ser usada como pretexto para se dar ocasião a carne e as satisfações degradantes (Gl 5:13). Se o Eterno cumpriu as exigências da lei e nos deu liberdade, não podemos nos entregar a servidão do pecado (Rm 7:25).
Logo, os frutos da revelação e a subida em direção a Cristo são frutos envoltos no amor, como a alegria, paz, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio, frutos que nos aproximam como Eclesia ev koinonia kai  ágape.
2. O pastor, a teologia e as tradições
2.1. O pastor e as tradições
Portanto irmãos fiquem firmes, guardai as tradições que vos ensinamos, seja oralmente ou por escrito (2 TS 2:15).
A formação de uma tradição apostólica começa a ser pensada e formulada em meados do século II, sob forte pressão de algumas escolas espiritualistas, como a escola de Celso e de Montano que estavam tentando guiar a fé cristã para uma desfragmentação teológica, haja vista que as escolas gnósticas se dividiam em inúmeras e não possuíam um currículo em comum.
Os primeiros passos em direção a formulação de uma tradição foi dado através da decisão dos Bispos da igreja de criar uma sucessão apostólica, essa medida proporcionou firmar a ordenação pastoral em uma raiz comum, a saber, a doutrina dos apóstolos e com o monopólio das igrejas pelos Bispos de igual modo, os que estavam de fora reconheciam uma igreja ortodoxa e católica.
Os concílios da igreja e as disputas teológicas entre pequenas escolas no interior da igreja possibilitaram um conjunto de escritos que definiram a centralidade da fé e doutrina da igreja, ou seja, o Canon.
Queridos irmãos! O evangelho de Jesus Cristo se consiste na proclamação, pela sua vida e obra da chegada da plenitude dos tempos, ou seja, a redenção de nossos pecados, essa notícia inaugura o tempo da salvação, porém, mesmo que sejamos crentes piedosos e cristocêntricos, como o foi Paulo, nascemos e crescemos sob a pedagogia de uma tradição.
         A reforma Protestante, que eu considero o fenômeno que inaugura o renascimento na Igreja medieval, produziu a base da teologia reformada, através de cinco solas (somente) que definiram o credo apostólico da reforma protestante, são estes: sola fide (somente a fé), sola escriptura (somente as escrituras), solus christus, onde se insere o sacerdócio universal de todos os crentes, sola gratia (somente a graça), soli deo glória (glória somente a Deus).
A reforma ultrapassou os séculos, exercendo o credo apostólico na sua inteireza, porém as transformações sociais, os avanços científicos, o crescimento do método histórico critico e o aprofundamento de leituras teológicas, fizeram que nós protestantes, também nos dividíssemos em diversas escolas, seja, batistas, presbiterianos, metodistas, congregacionais e porque não dizer, também, a escola pentecostal.
Logo, mesmo que sejamos leigos, quando sentamos em uma roda de amigos e irmãos e passamos a debater os principais temas bíblicos de nossa teologia sistemática, passamos, mesmo inconscientemente, a nos mover e defender uma linha interpretativa, ou seja, olhamos para as Escrituras conforme a escola que crescemos. Podemos chamar essas escolas de multiforme sabedoria de Deus? Aqui fica essa interrogação!
         Mas, afinal, o que é tradição?  O jesuíta e filosofo Henrique Cláudio de Lima Vaz em seu livro escritos de filosofia II, ética e cultura, nos esclarece dizendo que tradição (tradicionalidade), nada mais é que o “poder- ser transmitido” lembremos, então, das palavras de Paulo: “e o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia –o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinar a outros” (2 Tm 2:2). A tradição então, somente é possível através da “continuidade” do que é transmitido.
Seguindo a linha de Lima Vaz a profundidade da crise ética em uma sociedade que se afirma pós- moderna, mas não foi capaz de vencer o individualismo, se encontra na transferência do passado para o futuro dos predicados axiológicos (valores) que asseguravam a exemplaridade do passado, ou seja, vivemos em “niilismo ético”, um processo de rompimento das tradições e caímos em um vazio, onde uma ética ordenadora de princípios vem gradativamente perdendo o seu sentido prático. A tradição é também pedagogia, processo de formação do homem e reconhecimento de sua identidade cristã perante o mundo.
Ora! Nossas igrejas também estão caindo em um niilismo ético, onde as tradições que formam uma espécie de símbolo de fé ou a exterioridade da espiritualidade vêm a cada dia, se transformando em uma liturgia, em um culto que se molda (modelo) as exigências de uma cultura gospel que opera meramente uma cartase, anulando, por sua vez, o movimento de subida ao homem perfeito e ofuscando a consciência e a plena compreensão da “esperança de nosso chamado, qual a riqueza da glória de nossa herança nos santos e qual é a suprema grandeza do seu poder, para nós que cremos, segundo a eficácia da força de seu poder exercido em Cristo, ressuscitando – o dos mortos. (Ef 1: 19, 20).
2.2. A questão teológica
Temos então aqui envolvido intrinsecamente a tradição a questão teológica. Questão essa que abre o livro de Joseph Ratzinger, introdução ao cristianismo, apontando o teólogo moderno como “incapaz de transmitir sua mensagem aos homens” [...] “o teólogo não é levado a sério” [...] “e por isso pode ser ouvido sossegadamente sem inquietar ninguém com as coisas que afirma”, a teologia, então, não teria validade para a vida.
Do ponto de vista do âmbito cultural, acadêmico e espiritual que Joseph Ratzinger vive, darei a ele razão nas suas considerações pontuadas acima, mas na nossa realidade, posso aqui fazer uma mudança temática da frase do velho Karl Marx ao iniciar o manifesto do partido comunista: “anda um espectro pela Europa”. Karl Marx se referia à força do comunismo e nós nos referimos ao espectro da teologia da prosperidade, que ao contrário do comunismo, não é mais um mero espectro, mas uma realidade consolidada.
O núcleo teológico do neopentecostalismo é a teologia da prosperidade, e esta, vem operando o niilismo ético em relação aos valores da tradição cristã, seu conteúdo tem por objetivo, justamente, essa transferência do passado para o futuro, inculcando no crente uma inversão das características do Reino de Deus que aponta para uma escatologia (ora vem Senhor Jesus) em uma satisfação no futuro próximo de todas as necessidades pontuais e as que estão por vir, por intermédio da conquista.
Sendo assim, a conquista que fala Jesus que “desde os dias de João Batista, até agora, se faz violência ao reino dos Céus, e pela força se apoderam Dele” (Mt11:12) é vivida de maneira linear e não vertical, apontando sempre não para o Reino dos Céus, mas transformando –os em um riquíssimo ambiente de satisfações materiais.
Entendemos então que a identidade da instituição que identifica as raízes e nossa tradição teológica e seu caráter formador, não devem, em hipótese alguma, ser desprezada e aniquilada em favor dos novos modelos de ser igreja atendendo, assim uma expectativa alienada dos pressupostos do evangelho, devemos sempre ter consciência de que o “novo” e o “diferente” não podem desprezar o que o sangue dos mártires e dos reformadores conquistaram, a memória desses homens e mulheres sempre permaneceram viva na tradição da igreja.
3. O pastor e a espiritualidade
Entraremos agora em uma área lato senso da fé, ou seja, ampla, e estritamente subjetiva e intersubjetiva, a espiritualidade. Sobre esse tema existem inúmeras literaturas com diversas exposições e formas de compreensão, por essa razão, nos limitaremos aos aspectos eclesiológicos desse fator, a qual está fundamentada na doutrina dos apóstolos e que Cristo nos convida a buscá-la e vive-la.
O Novo testamento nos mostra que espiritualidade, espiritual (pneumátikós) se refere a tudo que se tem origem em Deus e que está em harmonia com seu caráter, espiritualidade também nos dá o sentido de contrariedade com o mundo e a vida material, como também a revelação que se dá no evangelho.
Na carta aos Efésios a vida espiritual começa com a conversão e a compreensão da obra da salvação realizada em Cristo que funda uma nova criação, uma nova humanidade que está interligada com os lugares celestiais. A igreja por sua vez, vive os frutos da revelação da obra da redenção de maneira ascendente, unida no conjunto da unidade da fé, sendo instruída pela concessão de Apóstolos, evangelistas, profetas, pastores e mestres e edificada como um edifício, bem ajustado que se ergue como um santuário santo (Ef 2:21).
Nessa ascese se insere um tema muito comentado e dialogado na igreja, o tema da unidade na diversidade. A igreja é um corpo e por ser um corpo tem vários membros (1 Cor 12:2) e cada membro executando a sua função especifica corrobora para a harmonia de todo o corpo, cuja cabeça é Cristo.
De todas as designações conceituais dada a palavra charisma (dom da graça) como dotação gratuitas aos pecadores e libertações graciosas concedidas em resposta às orações dos crentes, iremos enfatizar aquelas conceituações que representam as “dotações aos crentes mediante a operação do Espírito Santo na igreja” extraídas de diversos textos como Rm 12:6, 1Cor 1.7, 12:4; 9- 31, 1 Pd 4:10, 1 Tm 4:14, 2Tm 1;6).
O fato é que para o “desempenho do ministério” o Eterno mediante o selo do Espírito Santo dotou a igreja de charismas, capacidades que são doadas ao individuo para que este unido a igreja possa amadurecê-los no objetivo da edificação do corpo de Cristo. Paulo é quem enfatiza a diversidade na unidade, pontuando que “todos fomos batizados em um só Espírito para ser um só corpo”.
Independente das interpretações sobre o momento e o processo do “batismo em um só Espírito”, somos unânimes ao dizer que “do alto somos revestidos de poder” para confirmar esse fato, fazemos menção da anunciação e orientação de Jesus sobre o cumprimento da promessa descrita pelo profeta Joel e que se cumpriu no dia do Pentecostes (Lc 24:49), inaugurando assim o novo Israel com a inserção das “gentes” nas promessas de Deus.
 “há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo, diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo, diversos modo de ação, mas o mesmo Deus que realiza tudo em todos, a um o Espírito dá a mensagem da sabedoria (logos, sophias), a outro a palavra da ciência, segundo o mesmo Espírito (logos, gnoseos), a outro o mesmo espírito dá a fé (pistis), a outro ainda, o único e mesmo Espírito concede o dom das curas, a outro o poder para realizar milagres (dinameis), a outro profecia, a outros discernimento de espíritos, a outro o dom de falar em línguas e a outro o dom de interpretar (1Cor 12:4;11 BJ).
Estes dons enumerados acima formam o conjunto carismático que tornam os minstérios possíveis de acontecer e se desenvolver e a eles Paulo acrescenta o ensino (esmere-se no fazê-lo), a exortação, a contribuição e a liderança (presidir).
Irmãos no interior desses textos de Paulo, as escolas pentecostais e reformadas se divergem quanto ao modus operantis do acontecimento dos dons, mas na unidade da fé os carismas possuem a função de dinamizar o serviço e aperfeiçoar os santos.
3.1. Teologia, espiritualidade e fragmentação das instituições
Com a constatação acima, devemos ter uma visão critica e experiente quanto ao momento histórico em que vivemos e qual formato que o evangelho vem tomando ao ser propagado todos os dias em rádios e TVs por diversas linhas interpretativas. Precisamos analisar com cuidado a profunda fragmentação das instituições (igreja) com o surgimento das pequenas comunidades que assimilam a teologia da prosperidade como núcleo central de fé, e assim compreender o recente fenômeno designado por Idauro Campos de “desigrejados”.
Através do fenômeno da fragmentação da igreja, temos como resultado uma migração, onde as experiências se misturam, e às vezes as correntes se chocam. Exemplos temos todos para explanar, como o aumento de pentecostais que se convertem, (se podemos utilizar para esses exemplos esse termo) a uma instituição de teologia reformada, levando consigo suas experiências, ou alguns reformados que de semelhante modo se convertem ao pentecostalismo, dividindo igrejas, ou levando para tais suas experiências, ou até mesmo presbiterianos que se tornam batistas, ou batistas que se tornam metodistas, enfim.
O fato é que nesse aumento considerável de revisão de conceitos, muitos ministros levam suas experiências e muitas vezes, quando com seriedade unem o bom ao agradável, ou a experiência a tradição teológica, se tornam homens e mulheres de prestígios e gigantes na fé. Dessa forma quero trazer à memória a frase dita pelo Reverendo Gerson Lacerda a um de seus alunos seminaristas: “respeite a fé de seus irmãos”.
Essa frase nos indica que a tradição não deve anular o evangelho e nem a graça de Deus derramada sobre os crentes (Mc 7:8,9), se somos guiados pelo Evangelho e recebemos os dons da graça, devemos então, entender os diversos níveis de entendimento em que a igreja, grupo heterogêneo está, sendo assim, repito a frase de Paulo, “o que ensina, esmere- se no fazê-lo.
4. O pastor e os encargos do ministério
Caminhando para o final dessa homilia, e agora que concluímos o tripé do trabalho pastoral, sendo este o serviço do sacerdócio, a tradição e a espiritualidade, me vem uma frase que eu ouvi de um pastor que depois de ter exercido por um tempo o pastorado, acabou por desistir, a frase é essa: “o pastorado exige muito tempo mental”.
Durante a elaboração dessa homilia que se baseia nesse tripé exposto acima, fiquei refletindo sobre as diversas causas que levam um vocacionado a se afastar de suas funções e cheguei a conclusão com duas causas principais: a família e o trabalho.
Muitos de nossos obreiros, se não a maioria se dividem em um tripé de responsabilidades, a família, o trabalho e a igreja, cada um desses núcleos de vida, exigem habilidades específicas que unidas determinam o “estado psicológico” e motivacional do ser humano e nem sempre uma pessoa consegue administrar tantas responsabilidades.
Por essa razão, penso que nossos jovens precisam ser muito bem instruídos com diligencia, disciplina e motivação para se prepararem ao santo ministério e tudo começa com a estabilidade emocional e financeira da família e a isso se acrescenta a profissão. Penso que não é meramente a vontade e o desejo que fazem de uma pessoa um obreiro do Senhor, mas consciência do cargo e de seus encargos, assim como as implicações dessa escolha em sua vida.
De fato, ser pastor consome muito tempo mental, a igreja acaba por fazer parte integral de sua vida, de sua família, de sua história. O equilíbrio de um grupo heterogêneo na unidade da fé, o acompanhamento dos novos crentes e dos grupos de oração e evangelização, o preparo harmônico da liturgia, dos cânticos, e da pregação demandam tempo de reflexão e estudo e podem ser abalados quando um ou mais áreas desse tripé Família e trabalho não andam em harmonia e consomem as energias.
Por fim acredito que é fundamental para o pastor ter bons amigos e irmãos que ele possa confiar e nos momentos de dor, tristeza ou angústia ele possa compartilhar e ser ouvido como uma pessoa humana, um servo de Cristo, um salvo alcançado, sem os rotineiros juízos de valores e os estereótipos que geralmente atingem aquele que por dom e mérito recebeu o direito de usar o púlpito para ensinar.
 Conclusão
Escolher o ministério Pastoral ou qualquer outro ministério, em todos os tempos, trás seus desafios e angústias, citando nosso amado reverendo Zezinho: " ser pastor significa sofrer com as ovelhas, se dedicar ao corpo de cristo e sentir o cheiro dos crentes". O pastorado exige uma vida de intenso estudo e oração, assim como exige uma liderança equilibrada.
O mundo atual o qual pretendemos, com algumas criticas, chamá-la de pós- moderna exige o ministro do evangelho, diante de temas cruciais, uma certa radicalidade, no sentido de aprofundamento e enraizamento na opção pelo evangelho, porém, frutos de justiça, frutos de conversão, curas, libertações e a intensa operação do Espírito Santo fará parte do cotidiano do pastor.
O desafio, a partir de agora, reverendo Jobson, demais pastores e irmãos, será imenso, mas, poderemos viver a promessa de Jesus: "estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mt28:20).
Concluímos dizendo aos pastores que cuidam do rebanho do Senhor que abrace com amor e dedicação a esse santo ministério, sendo zeloso, amoroso, firme e espiritual e que o corpo de obreiros dessa amada igreja Batista, que a convenção desses nobres obreiros, possa abraçar a cada ministro e propiciar o que é necessário e universal para o bom desempenho dessa obra.

Agradecemos mais uma vez o convite e esperamos em Deus retornar em outros momentos para juntos festejarmos o culto a nosso Deus que nos salvou e nos assentou nos lugares celestiais, amém!

Nenhum comentário:

Postar um comentário