3 de junho de 2015

Qualidade de vida no trabalho.

LACAZ, Francisco Antônio de Castro. Qualidade de vida no trabalho e saúde/doença.

 No referido artigo o autor demonstrou como pretensão mostrar, partindo da discussão sobre as noções utilizadas pela QVT (Qualidade de Vida no Trabalho), as mudanças ocorridas na organização do trabalho e a participação dos trabalhadores. Diante disto, o autor aponta alguns limites da QTV na realidade de nosso país, onde pode-se observar que a democracia existente no trabalho ainda é bastante sensível.
É interessante observamos que QVT é um termo que é muito utilizado em diversos estudos, especialmente no Brasil. Mas esse termo ainda te um conceito bastante impreciso e tem dado margem diversas práticas que às vezes aproximam-se da qualidade de processo e de produto, e ora com esta se confundem. O conceito, porém, através dos programas de qualidade total, vem mudando propostas de práticas empresariais.
            O autor mostra algumas nuances no que concerne ao estudo da QVT, segundo ele trata-se de uma proposta que procura articular duas tendências: uma dirigida ao melhoramento da qualidade geral de vida como uma aspiração básica para a humanidade hoje e que não pode sofrer solução de continuidade no portão da fábrica. a outra, concernente a uma maior participação dos trabalhadores nas decisões que diretamente dizem respeito à sua vida profissional.
Igualmente, seguindo o raciocínio do autor a idéia de QVT procura abarcar interesses diversos e contraditórios, presentes nos ambientes e condições de trabalho, em empresas públicas ou privadas. Interesses estes que não se resumem aos do capital e do trabalho, mas também aos relativos ao mundo subjetivo (desejos, vivências, sentimentos), valores, crenças, ideologias e aos interesses econômicos e políticos.
No que diz respeito a qualidade de vida no trabalho a perspectiva de ampliar o foco de luz sobre a temática, do controle e o poder dos trabalhadores no processo de trabalho. O autor fala da antiga discussão do que representa a disciplina fabril sobre o tempo disponível e a vida dos operários com o advento da chamada Revolução Industrial na Europa Ocidental. Estes refinaram e aprofundaram a disciplina fabril, a qual ganhou cores mais vivas, constituindo-se nos pilares das propostas de organização e gestão do trabalho ainda sob o taylorismo e, posteriormente, sob o fordismo e mesmo sob o toyotismo.
            A Medicina do Trabalho e posteriormente a Saúde Ocupacional caminharam nessa trilha quando vincularam sua visão sobre a forma de adoecer e morrer em conseqüência do trabalho aos agentes patogênicos de natureza física, química e biológica dos ambientes de trabalho onde o trabalhador/ hospedeiro com eles interage.
Observamos, de acordo com o autor do presente texto cada vez mais clara percepção de esgotamento do ciclo que coloca no capital a necessidade de pensar em novas formas de gestão, divisão e organização do trabalho, o que começa a acontecer na década de 1970, inicialmente em países do capitalismo central, inspirados no modelo japonês.
            Em nosso país, a possibilidade de organização dos trabalhadores nos locais de trabalho, que deveria ser um dos pilares da busca pela qualidade do trabalho, é uma realidade muito pouco encontrada, quando não considerada indesejável ou até ilegal, dada a histórica repulsa do patronato às manifestações de independência e autonomia das classes trabalhadoras. Existem estudos realizados sobre as formas de gestão que tem participação dos funcionários no Brasil, esses estudos apontam para uma alienação maximizada na medida que se exige além do trabalho, a afetividade e/ou até o inconsciente. Diante disso, podemos notar um novo perfil patológico configura-se na população trabalhadora, de agravos à saúde marcados pelas doenças crônicas, cujo nexo de causalidade com o trabalho não é mais evidente como ocorria com as doenças que são classicamente relacionadas a ele, que são chamados de infortúnios do trabalho.

            Por fim, o autor afirma que a temática da QVT assumiu maior relevância nos anos 70, quando se deu um esgotamento da organização do trabalho de visão taylorista/fordista, ao qual associava-se um aumento do absenteísmo, da insatisfação no trabalho e da não aderência dos trabalhadores às metas definidas pela gerência. Desta forma, o modelo japonês é o novo paradigma de organização do trabalho, visando superar essa realidade, conforme apontam alguns estudiosos, reduzir a autonomia nas relações de trabalho, além de envolver um controle importante da vida extraprofissional pela estrita utilização do tempo a serviço da empresa. 

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