2 de junho de 2015

A doutrina da Salvação: funções e tipos de Graça.

Job. Nascimento 
Texto: Gálatas 2.16.

Introdução
Quando se fala em “salvação” na Bíblia Sagrada temos alguns significados. Primeiro, no Antigo Testamento a salvação era encarada como o livramento dos males que atingiam o povo de Israel no aqui e agora. Geralmente, era entendida como uma vitória sobre os inimigos, vitória sobre a impureza moral, vitória sobre as pragas agrícolas etc., no entanto, no Novo Testamento a salvação tem uma conotação mais abrangente: salvação do pecado, salvação do próprio homem, salvação do mundo corrompido e recebimento da vida eterna. É interessante notar que a salvação, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento passa a ideia de que é um presente do qual o homem não merece. Antigamente o povo de Israel se arrependia de seus pecados e pedia pela salvação de Deus, ou seja, aqui não há mérito, ao contrário, o homem se limpava para estar pelo menos digno de fazer o pedido. A partir da nova aliança o homem, igualmente se arrepende através do convencimento do Espírito Santo e recebe a salvação. Sobre isso Zacarias Aguiar Severa (1999, p. 256) argumenta:

A graça de Deus se manifesta na concessão de favor a quem não merece. O maior favor da graça divina é a dádiva da salvação a quem não conseguiu cumprir as obras da lei (Romanos 3.20,28; Gálatas 2.16). A graça exclui qualquer ideia de mérito, seja o mérito das obras da lei, seja da fé. A salvação não é mérito, mas um “dom gratuito de Deus” (Romanos 6.23).

Dito isso, pode-se resumir o não merecimento da salvação em três pontos: a) sola gratia (só a graça); Sola fide (só a fé); Soli Deo Glória (só a Deus a glória).

I - O homem não é justificado pela prática de boas obras.
            Comumente ouvimos muitas pessoas argumentarem sobre “o que fazer para conquistar a salvação”, ora a salvação não é conquistada nem merecida, ela é um presente. Portanto, a prática de boas obras não justifica nem salva o homem. Aqui se vê a ordem das coisas alteradas, eu não faço boas obras para ser salvo, mas sou salvo e por isso faço boas obras. Em Gálatas 2.16, Paulo afirma que não é pela prática da lei que o homem será justificado.

Paulo havia se referido às “obras” que distinguem os judeus dos gentios (v.15), tais como circuncisão, restrições alimentares e a guarda do sábado. A expressão, no entanto, inclui todos os esforços da humanidade caída em guardar a lei de Deus a fim de merecer o seu veredito justificador (...) ninguém é capaz de guardar a lei perfeitamente, de forma que observâncias legais como a circuncisão não são capazes de estabelecer um relacionamento correto com Deus. Para tanto, é preciso algo diferente da lei, que Deus oferece no dom da justiça de Cristo e no sangue de sua expiação. Fé não merece aceitação de Deus; fé aceita o mérito de Cristo em Deus (Filipenses 3.9) (GENEBRA: 2005, p. 1391).
           
O ato de o homem buscar justificação perante Deus e estabelecer o seu contato com Ele através da prática da lei é semelhante ao ato de um empregado que simplesmente cumpre sua tarefa, sem fazer nada de extraordinário e assim quer ter intimidade com o seu patrão. O homem é justificado pela fé em Cristo Jesus, sobre isso Champlin (2002, p. 458) argumenta:

Neste ponto, a fé representa a confiança da alma em Jesus Cristo, a aceitação da sua pessoa, que produz os milagres da transformação moral e metafísica, segundo a imagem de Cristo. Essa fé é uma atitude da alma, sendo também o primeiro passo da regeneração, por ser expressão de uma alma transformada, em seus estágios iniciais. A fé resultante é apenas vivência do processo de transformação; e assim o crente passa de fé em fé, vivendo pela fé, que é fruto do poder do Espírito Santo, atuante no íntimo. Por conseguinte, a fé consiste em muito mais do que mero assentimento mental a algum credo ortodoxo, ou a algumas assertivas e proposições concernentes a Cristo, por mais ortodoxas que sejam tais declarações. Se não houver a intervenção do Espírito de Deus, se o Espírito Santo não transformar o indivíduo desde o íntimo, fazendo com que seu arrependimento e fé sejam reais, então a doutrina da justificação, segundo ensinada por Paulo, não funciona. Somente dessa maneira a fé pode realmente realizar mais do que a lei. A queixa comum contra a lei mosaica é que ela apontava para a verdadeira retidão, mas não tinha a capacidade de pô-la em execução. Sem a atuação do Espírito Santo, a fé também não teria mais poder do que a lei.

II - Tipos e funções da Graça
            Visto que a salvação não é por méritos e sim por graça e que não se pode justificar pela prática da lei e somente pelo poder do Espírito, devem-se entender quais são os tipos de graça e qual é sua função.

Graça Preveniente.
Esse seria o ato divino que influência os homens a buscarem a bondade e a espiritualidade, antes de qualquer reação por parte deles, argumenta Russel Champlin. Mas, existem controvérsias. Alguns teólogos argumentam que esta graça não opera de forma monérgica; outros, porém, dizem que esta graça só opera nos eleitos e os outros seriam deixados em sua incredulidade.

Graça Eficaz.
Ocorre quando torna atuante sobre as vidas dos homens, dentro das questões da salvação, da santificação, da transformação segundo a imagem de Cristo, do crescimento espiritual e da restauração. Sobre esta graça repousam todos os benefícios que a humanidade espera ter da parte de Deus. Mas, existem controvérsias na abordagem deste tema entre os teólogos. Pois, segundo Champlin essa graça se torna eficaz quando opera em um sentido universal; já os calvinistas dizem que esta graça opera somente nos eleitos; os arminianos dizem que ela opera no homem com o consentimento de seu livre arbítrio.

Graça Irresistível.
Esta abordagem está ligada a Agostinho e Calvino. Bem como á seus seguidores: Spurgeon, Eduwards, R.C. Sproul, Augustus Nicodemus entre outros. De acordo com ela, a graça de Deus atua incondicional e irresistivelmente nos eleitos, garantindo a salvação deles, produzindo ao deles, produzindo do a salvaçentre outros. mente nos eleitos; os arminianos dizem que ela opera no homem com o concentimento  reação favorável dos homens para com o evangelho e garantindo que essa reação seja absolutamente completa e eficaz.

Graça Suficiente.
Esse é o poder de Deus conferido aos homens, mediante o Espírito santo, o que lhes dá a capacidade de fazer alguma coisa ou de crescerem espiritualmente, mas que os homens, mediante a negligência, podem deixar de usar (segundo Champlin). Até mesmo o pior dos homens pecadores pode vir á Cristo, pois, a graça de Deus é suficiente para trazê-lo, tendo-lhe sido oferecida especificamente com essa finalidade.

Graça Comum.
A graça comum opera através do espírito, restringindo o mal resultante da natureza pervertida do homem, embora não chegue a regenerar os não-eleitos. Ela admite a presença de algum bem no homem não-regenerado. Um homem pode ter o senso de direito, de justiça, de ordem, de beleza, de altruísmo; embora essas qualidades morais não sejam suficientes para sua salvação.

Graça Especial.
Essa graça permite a presença permanente de Deus na vida de uma pessoa, operando a harmonia com os desígnios do evangelho. Ela produz a união mística com Cristo e cria no homem novas atitudes e novos hábitos. Á medida que o homem responde afirmativamente à "graça comum" Deus concede a ele uma "graça especial" que o ajuda a crer e se aproximar mais de Deus.

Conclusão.
            A salvação é um presente que Deus dá ao homem, de modo que não é pela prática de boas obras que ele consegue a salvação ou se justifica, mas pela intervenção do Espírito Santo e “a santidade da vida é o resultado prático da graça de Deus operando no crente” (SEVERA: 1999, p. 257).

Referências
CHAMPLIN, Norman Russel. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Hagnos: São Paulo, 2002.
GENEBRA, Bíblia de Estudo de. São Paulo: Cultura Cristã, 2005.

SEVERA, Zacarias Aguiar. Manual de Teologia Sistemática. Curitiba: A.D. Santos Editora, 1999.

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