26 de agosto de 2014

Deus não está morto.

Job. Nascimento


Não, não estou falando de uma crítica a afirmação de Nietzsche no terceiro livro das Intempestivas. Mas sim do filme cristão em cartaz nos cinemas. Muito bom. E a onda de sms/whats/email etc. "Deus não está morto" está fazendo muitos frutos. Gostei do filme. 

No entanto, esse filme levanta algumas questões sérias: Deus precisa ser defendido? É possível ter uma fé racional? Até onde um debate sobre a existência de Deus pode ser considerado sério? Se provar por A mais B que Deus existe isso não anularia a fé? O "Deus necessário" que o teísmo defende é o Deus bíblico? Até onde o debate não descambará para simplesmente criticas de argumentos e de "falsos dilemas", ironias, silogismos etc redundando num debate pra mostrar quem é mais inteligente? Ora, "sem fé é impossível agradar a Deus" (Escritor aos Hebreus) "é absurdo, por isso tenho fé" (Tertuliano) "a fé nunca é ligada a coisas naturais e sim a sobrenaturais e que transcendem ao ser" (Tillich) 

Além disso, existem três categorias: acreditar, crer e ter fé. Acreditar: acreditar em fadas e gnomos (se digo que acredito em Deus digo que ele é um mito ou lenda que eu escolhi acreditar); crer: ligado a categoria de crença (sistematização de um crer. Se digo que creio em determinada coisa, automaticamente isso me remete a um sistema de crenças); ter fé: é irracional, não se explica, é impossível, por isso se tem fé. A fé liga diretamente o homem ao sobrenatural e automaticamente à Deus.

Dito isso, o debate sobre a existência de Deus é nulo pra quem tem fé. Ele não tem interesse em defender a Deus, sua fé é inabalável por qualquer argumento. Assim, todo debate gira em torno de crença, de um acreditar (seja teísta ou (neo)ateísta). Reputo esse debate como o de um fariseu com um incrédulo. Porque apologética é coisa de fariseu e as maiores barbáries que a humanidade sofreu foram feitas por pessoas que quiseram defender a honra de Deus. Eu não preciso defender Deus. Eu tenho fé em Deus. Somente.

A bíblia diz "a fé vem pelo ouvir" e não "a fé vem pelo convencer". Isto porque ninguém se converte pela via do assentimento intelectual. O assentimento intelectual ou a conversão pela via de argumentos ocorre quando alguém muda de ideologia, de partido ou de pensamento. Isso não ocorre com o Evangelho porque ele não é uma filosofia. Não sou eu que escolho crer, mas a fé que me domina.

Além do mais, Jesus fugia de debates como estes. Quando perguntaram com que autoridade ele falava/fazia determinadas coisas, Ele respondeu evasivamente: "o batismo de João é do céu ou é dos homens?" os fariseus pensaram: "se dissermos que é dos céus ele vai perguntar porque não cremos, se dissermos que é dos homens a multidão vai nos apedrejar." então responderam: "não sabemos". Ai Jesus respondeu: "então não falo também com que autoridade eu faço essas coisas". Ora, se o meu referencial (Jesus) foge de debates como esses e responde desta forma, porque eu me atreveria a "defender a honra" de Deus. 

Por fim, os argumentos que "provam" a existência de Deus são temporais. Hoje as 5 vias de Tomás de Aquino é refutada por qualquer seminarista iniciante. Deus existe? Com certeza, tenho fé. E o simples fato de colocar isso em dúvida já é uma blasfêmia. Como diria Emil Brunner "perguntar: será que Deus existe? É fugir da seriedade".A apologética afasta as pessoas de Deus e aproxima de um simulacro de crença. O Evangelho não deve ser um texto que dominamos, mas que ele domine e nos transforme.

Nele, 
Que existe e que silencia diante da indagação: "será que Deus existe?"

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