22 de março de 2014

Esgotamento ministerial.

Em 1749, Jonathan Edwards escolheu romper com a tradição da época e insistir em que somente os que dessem provas de conversão deveriam ter permissão para participar da ceia do Senhor. Embora tenha chegado a escrever um livro para defender suas convicções, poucos leram. Ao contrário, membros descontentes se levantaram e arrebanharam apoio suficiente para fazer oposição a Edwards. Os membros da sua igreja o reprovaram abertamente, acusando-o de estar mais preocupado consigo mesmo do que com o bem da igreja. Realizaram reuniões em sua ausência e a discórdia foi amplamente semeada. 

Finalmente, no dia 19 de junho de 1750, um concílio constituído por várias igrejas reuniu-se e recomendou que as relações entre Edwards e sua igreja fossem dissolvidas. Quando a própria igreja votou, muitos dos que apoiavam o pastor se abstiveram. Na contagem final, 230 membros votaram por sua demissão; cerca de 29 pessoas votaram a favor de sua permanência. A decisão da maioria foi seguida.

De que maneira Jonathan Edwards aceitou essa decisão severa e injusta? Um amigo íntimo que o observou escreveu:

"Aquela testemunha fiel recebeu o choque sem se alterar. Nunca vi menor sintoma de desagrado em seu semblante durante toda semana, mas parecia um homem de Deus, cuja alegria estava fora do alcance dos inimigos e cujo tesouro não era apenas um bem futuro, mas presente, contrabalançando todos os males imagináveis da vida, para surpresa daqueles que não poderia descansar a menos que fosse demitido" (grifo do autor).

Certamente dói. Aliás, Edwards sentiu-se sozinho e traído por seus amigos, sendo "separado das pessoas e da união que antes tinha com elas". Mesmo assim, também viu naquela situação a providência divina. Deus o usaria para realizar uma obra missionária entre os índios e para escrever livros que beneficiariam futuras gerações. 

Anos mais tarde, um dos seus detratores confessou que a verdadeira razão por trás da oposição a Edwards foi o orgulho. "Agora vejo que fui muito influenciado por grande medida de orgulho, auto-suficiência, ambição e vaidade". Entretanto, era tarde de mais.

O desejo de ressaltar aqui é que Edwards teve condições de aceitar um tratamento injusto no ministério porque sua alegria em Deus estava fora do alcance dos seus inimigos. Ali estava um homem que aprendeu o que Martin Lloyd-Jones diria muitos anos mais tarde: "Não permita que sua alegria dependa de suas pregações, porque chegará o dia em que não poderá mais pregar. Encontre sua alegria em Deus, pois Ele estará com você até o fim".


LUTZER, Erwin. De pastor para pastor. págs 82-83. São Paulo: Vida, 2000.