26 de fevereiro de 2012

À margem dos cargos eclesiásticos

Por Job. Nascimento

Em várias áreas do saber vemos que os profissionais mais estudiosos e dedicados são, geralmente, os que alcançam posições de destaque. No entanto, não é isso o que acontece na teologia. Os estudiosos e os que mais se dedicam no “conhecer e prosseguir em conhecer” ficam, geralmente, afastados das posições e cargos eclesiásticos (quando freqüentam alguma igreja). Porque conhecer o evangelho é ir contra muita coisa que já está instituída à séculos pela religião. Quem está com o cajado ou lidera algum movimento não quer ver à sua sombra uma “cabeça pensante” que questiona, que investiga, mas também que adora e se rende ao Salvador; porque uma pessoa assim é um perigo para ele.
Por um lado o fato de não ter títulos eclesiásticos dá liberdade para o estudioso, que pode colocar em prática tudo aquilo que pensa sem qualquer pesar de consciência e não precisa prestar contas de suas atividades e “virtudes” para uma autoridade hierarquicamente superior. Por outro lado é ruim pensar que pessoas que pregam coisas contrárias ao evangelho são àquelas que “conquistam” o título de “líder, profeta, mensageiro” etc.
As pessoas mais interessantes e sem “grilos” com qualquer tipo de coisa ou tabu que conheço, geralmente são essas que ficam à margem dos cargos eclesiásticos, que investigam, vivem em paz com sua consciência, ajudam o próximo e não têm compromisso algum com qualquer tipo de propaganda que divulgue suas “boas obras” como, geralmente, fazem os que estão sentados no “poder”, com títulos eclesiásticos. Bom seria que essas “cabeças pensantes” cheias de idéias ocupassem “cargos” nas igrejas para ajudar o Reino. Mas isso acabaria com a liberdade delas de ajudar e fazer sem ser observado ou isso contagiaria a muitos para fazerem o mesmo, esquecerem a forma do culto e “obra de Deus” e se voltarem para o “Deus da obra” e para o próximo? Pensemos...

Um comentário:

  1. Job, Li seu texto, muito importante, assim como o Dízimo faz parte da vida da igreja e do ministro do evangelho, a vida, a carreira, o sucesso no discipulado e na condução da igreja são colunas indispensáveis e indiscutíveis. De fato, existem muitos irmãos, pentecostais ou não, vocacionados para o ministério, para o serviço da obra de Deus, obra esta que nada mais é, que formar discípulos.Muitos, realmente possui conteúdos, vivência experiencial e mistica (Lembremos do que nos ensinou Lima Vaz sobre experiência mistica. Aqui me refiro a mistica contemplativa como discurso teológico, a mistica profética como experiência intersubjetiva e a mistica mistérica como a revelação na história).Se tirarmos nossos olhares desse exterior midiático descermos um pouco mais, olhar mais a fundo, veremos um outro tipo de igreja, mais família, sem a preocupação exorbitante de expansão, com uma pregação sólida e crescimento maturacional e espiritual gradativo e temporal.Ou seja, Alguns tem recebido a graça e a ousadia para romperem, na certeza indubitável, clara e pontual da direção e do caminho que Deus estabeleceu, ou seja, da vocação. Me preocupo com determinados pensadores, entendo o que vc quer dizer com pessoas "sem grilos, com qualquer tipo de tabu", pois a pregação é nos traz verdade, justiça e juízo.Mas, se tal conhecimento, esclarecimento, ideologia ou teologia desmitificar a escritura e a pregação da verdade, da justiça e do juízo, estes estarão,da mesma forma um falso evangelho.

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