2 de setembro de 2011

O complexo "Deus" da Modernidade e a atualidade


Por Carlos Néri

Realmente a inflexão dos céus para a terra vem com o "cogito ergo sum" de Descartes que de uma ontologia intersubjetiva evoluiu para a relação objetiva entre o "em si mesmo pensar" e a práxis empirista de século XVII, de fato Descartes  abriu as portas para o racionalismo que sucessivamente procurou provar a ineficácia da pessoa de Deus na vida humana. Embora a metafísica tenha tentado racionalizar Deus ao mundo, a partir de Hegel e Feuerbach o Deus do homem passou a ser ele mesmo.

O século XIX trouxe a industrialização, o liberalismo e o neo - liberalismo econômico como estrutura essencial para o funcionalismo do capitalismo, e esse por sua vez, projetou de forma alienante a filosofia racionalista dos séculos das luzes, através da valorização do desejo e do prazer do consumo que atingiu não somente os individuos, mas também o próprio coração do sistema, isto é, as grandes corporações que necessitam manter seu poder e o abastecimento da humanidade através dos recursos naturais renováveis e não renováveis.

Portanto, o homem contemporâneo não necessita de Deus, mas do consumo como forma de gerar felicidade, o consumo perspaça pela industrialização e extração dos recursos naturais que de forma lucrativa abastece todo o fluxo de produção e por fim as grandes corporações. Quando o Papa afirma que existe uma tendencia de se excluir Deus na atualidade, tal exclusão se dá, não na concepção da idéia de Deus, mas na reformulação de seu conceito, na medida em que tal reformulação perspaça pelo lógica do mundo, de da felicidade consumista.

Essa é a reflexão de Leonardo Boff, porém um dado que não é citado no artigo é que a recente crise vem forçando o Estado a se legitimar como a "esperança do homem", através dos programas sociais, das propostas de preservação do meio ambiente, da redução da violência e da geração de empregos. Em todas essas linhas a pessoa de Deus, é meramente citada como uma "forma cultural social", expressão de fé, somente. O homem está se perdendo na imensa alienação e na crise de valores que está abalando sua existencia, este homem, está se firmando na esperança humana de um mundo melhor e sua principal referencia é o marketing e a publicidade. 

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