23 de agosto de 2011

Cale a boca

Por Helder Nozima

Cale a boca! Sequer tente bocejar
Não sorria, não separe os lábios
Não deixe sair, reprima, esconda
Não, não...não!

Não importa o que você sente
Se seu peito está prestes a estourar
Se a dor ou a fome te devastam
Seu grito não pode sair!

Sussurre e seu mundo cairá
Uma multidão de olhos e de dedos
Apontados pra você, ávidos
Para te expor, te ferir, te acusar!

Engula suas palavras,
Enxugue suas lágrimas
Antes mesmo que caiam de seus olhos
Não deixe ninguém perceber

Esconda suas dúvidas, seus temores
Seus desejos, suas decepções
Ninguém, ninguém pode saber
Quem você realmente é ou o que sente

Deixe que te rasguem por dentro,
Dividindo sua fé e seu coração
Criando um buraco cheio de dúvidas
De angústias, de dores, de acusações!

Deixe que pensem que sua cabeça está aqui
Quando eu a prendi no passado e no futuro
Dividida entre aquilo que você já teve
E aquilo que tanto desejas encontrar

Faça-os acreditar que sabes para onde vai
Que queres, de fato, o melhor, o excelente
Que concordas com os sensatos
E que vives segundo seus conselhos

Seja homem, ainda que sejas menino
Mostre força, mesmo que sejas débil
Fale como sábio, embora sejas tolo
Faça-se de feliz, quando, na verdade...

Quando...
Na verdade...
Bem.
Você entendeu.

Fonte: Poesias e Confissões de um Nipo-reformado
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