7 de fevereiro de 2011

A lacuna aberta pela 'pós-modernidade' e o Evangelho

Por Job. Nascimento (Novembro, 2008)

Enquanto de um lado o relativismo da pós-modernidade oprime as pessoas a serem mais tolerantes com as diferentes formas de “verdades” pregadas pelas religiões e a serem intolerantes com os que pregam uma verdade absoluta; do outro lado está o indivíduo que se vê atolado em dúvidas: se não existe verdade absoluta, como duas propostas antagônicas podem ser verdade? O que é bom? Do lado dos ateus, Nietzsche responderia: “O que é bom? – Tudo aquilo que eleva no homem o sentimento do poder, a vontade de poder, o próprio poder” (NIEZSTCHE: 2006, p. 18). Entretanto, nem todas as pessoas nasceram para o poder. Algumas pessoas amam o poder, a dominação e a liderança em grandes cargos. Mas, existem pessoas que não tem esse instinto de liderança, elas precisam de alguém que lhes ensine o que é certo e o que é errado, que lhe dê um manual de instruções para elas saberem como devem agir. Para estes, “surge à religião, teia de símbolos, rede de desejos, confissão de espera, horizonte dos horizontes, a mais fantástica e pretensiosa tentativa de transubstanciar a natureza” (ALVES: 1999, p. 24).

O indivíduo se vê sem saída observando a pregação da tolerância pela cultura, o dogmatismo do ateísmo e a opressão da religião digladiando-se. Aí surge a oportunidade de o cristão pregar o evangelho de Jesus Cristo. Não como uma pregação ao ecumenismo, nem de um ataque contra o ateísmo e nem como um convite à uma religião convincente. Mas, simplesmente o evangelho puro e simples: da Graça de Deus e livre da lei. O cristão tem que fazer o indivíduo refletir sobre a questão crítica da vida e da salvação. E que questão é essa? “- A questão crítica é saber se o nosso passado nos é presente como manchado pelo pecado ou como perdoado. Se o nosso pecado nos é perdoado, isto significa que nós somos livres para o futuro; que nós podemos realmente entender a exigência de Deus e que podemos nos submeter a Ele como seus 'instrumentos'."(BULTMANN: 2003, p. 39).

O cristão pode aproveitar a lacuna aberta pela pós-modernidade na consciência e na existência das pessoas para pregar a Jesus Cristo. Muitas vezes essa pregação se dará numa linguagem não-verbal. Ou seja, não falando uma mensagem sobre Cristo, mas sendo a mensagem de Cristo através da evidenciação da presença do Espírito no seu ser através da conduta e do proceder. “A loucura do evangelho é a sabedoria divina para todo aquele que foi curado da perversão que consiste em fazer da razão e da bondade humana juiz de toda verdade. É pelo cumprimento da lei que Cristo nos tornou livres da maldição da lei, mas nos tornou livres de tal maneira que somos ligados a Deus” (BRUNNER: 2004, p. 88).

Referências

ALVES, Rubem. O que é religião?. 8º ed. São Paulo: Edições Loyola, 1999. 
BRUNNER, Emil. O Escândalo do Cristianismo. São Paulo: Novo Século, 2004.
BULTMANN, Rudolf. Milagre. São Paulo: Novo Século, 2003.
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. O Anticristo. São Paulo: Escala, 2006.

Um comentário: