25 de fevereiro de 2011

Por Karl Barth

"Ouço a mensagem, sim. A fé, porém, me falta!" [Fausto, de Goethe]. Pois é - a quem ela não faltaria? Quem seria capaz de crer? Certamente não o será quem afirmar que "possui" a fé em Deus, que ela não lhe falta, que se acha "capaz" de crer. Quem crê sabe e confessa que é deveras incapaz de crer "por sua própria razão ou força". Ele se limita simplesmente a crer - chamado e iluminado pelo Espírito Santo, portanto sem se compreender a si mesmo e sobremaneira admirado de si; e crê em vista da descrença que, também dentro dele, sempre acompanha a fé e se subleva.

Ele só poderá confessar "eu creio" junto com e dentro da prece: "Senhor, ajuda minha descrença". Justamente não julgará, pois, possuir a fé, mas, antes, tão-só esperará tornar a recebê-la a cada novo dia. Portanto, a pergunta se a fé, se o evento da fé estaria ao alcance de alguma pessoa, não deixa de ser uma pergunta leviana. Que a fé se torne evento - isso não se acha ao alcance de ninguém. A pergunta séria, porém, é: poderá uma pessoa a quem se tenha apontado a obra e palavra de Deus, que se manifestaram também a seu alcance, e a quem se tenha apontado o poder vivo do Espírito, que igualmente age a seu alcance - poderá tal pessoa permitir-se e dar-se o luxo de ficar na declaração desoladora: "Acontece que me falta fé!"? Ou quererá ela deixar de flertar com sua própria descrença, quererá viver na liberdade que também a ela foi anunciada e dada, quererá viver, pois, com uma pessoa que não só deixa de rejeitar o intellectus fidei e, portanto, a cooperação na ciência teológica, mas que também é capacitada para o entendimento da fé e a cooperação na teologia? Quererá ser uma pessoa real e eficazmente admirada, abalada e comprometida, e, assim, apata para esse empreendimento.  

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