7 de fevereiro de 2011

Espiritualidade e a vida cotidiana

Por Job. Nascimento (Novembro, 2008)

Pode soar como heresia para alguns a afirmação de que a espiritualidade seria o regulador ético do evangélico, mas não é. A bíblia em várias passagens nos deixa entender isso e a história nos mostra que tal declaração é verdadeira. Pois, a busca autêntica da espiritualidade por parte do evangélico tende a gerar nele não somente o senso de dependência de Deus. Mas, também gera sensibilidade em ouvir a Deus, em ajudar o próximo, em viver de modo ético e moral, a exercitar a fé com diligência nas boas obras, a ser humilde, manter-se modesto, ser justo e puro. Essas qualidades não podem ser desenvolvidas pelo homem natural em estado de depravação total. Elas só podem ser exacerbadas por aquele que possui o Espírito Santo e busca á Deus através da experiência mística extra-mundo que o motiva a viver em contato com o mundo numa relação intra-mundo. Ou seja, quanto mais o ser buscar o contato com Deus, mas pulsões para propagar o bem e a reproduzir o que recebeu nas pessoas ele terá.

A experiência mística da busca do contato com Deus faz com o que o homem supere o fosso que separa o homem de Deus. “A experiência penetra nas realidades que nos toca o viver. A partir da busca insaciável de Deus o mundo se sacramentaliza como lugar de sua presença; o mundo se torna então transparente. Deus reside em sua intimidade; é o Coração do coração, o sem-Fundo do fundo, a luminosidade de cada ser” (ECKHART:  2006, p. 17). Isto é, na medida em que o homem abre mão de centralizar sua vida em coisas exteriores a seu ser e passa a se relacionar com a interioridade de seu ser e no autoconhecimento ele tende a buscar mais a Deus, pois, ele sabe que sua vida não se limita a coisas, a posses ou posições e passa a enxergar o mundo sob outra ótica. Mas, essa experiência não o faz viver isolado da sociedade e negando o viver. Ao contrário o mobiliza a viver de modo mais excelente e ele deseja que as pessoas vivam iguais à ele. Imaginemos uma sociedade tendo essa visão de mundo, o cristão deve manter a espiritualidade e a buscar as experiências de adoração a Deus. Como disse alguém “vivemos numa sociedade onde o povo desaprendeu a orar”. O cristão deve colocar a oração como modo de vida. A busca da espiritualidade como um hábito. E a presença de Deus como algo comum. Sentir a Deus em todo e qualquer lugar.

Referências

ECKHART, Meister. O livro da divina consolação e outros textos seletos. 6º edição. São Paulo: Ed. Universitária São Francisco, 2006.

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