13 de novembro de 2010

Os Afro-descendentes e o “trabalho livre”

Por Job. Nascimento

O acesso do negro ao ensino superior no Brasil está intimamente ligado ao histórico de sua inserção no mercado de trabalho. Na concepção “liberal” do mercado de trabalho, o negro aos poucos foi sendo excluído devido à expansão dos negócios ingleses que influenciaram os fazendeiros brasileiros a desistirem da escravidão. 

A abolição da escravidão iniciou-se com a mudança paradigmática do conceito de “trabalhador”. A lei Áurea de 13 de Maio de 1888 serviu como modelo de transição do trabalho escravo para o trabalho livre, e também para conter as fugas de escravos que estavam ficando incontroláveis. O trabalho escravo não educava o negro, pelo contrário, degradava-o, e isso se refletiu posteriormente nas oportunidades de trabalho “livre”. 

Com a influência do pensamento “liberal” inglês que repudiava a exploração do negro e a abolição da escravidão, quem iria suprir a carência de mão-de-obra? – Os imigrantes. Alicerçada no decreto de Dom João VI (1808) que permitiu a entrada e concessão de terras à imigrantes não portugueses no Brasil, a entrada de imigrantes no Brasil cresce assustadoramente. 

Em 1850 entram no país 117.000 imigrantes; em 1880 mais de 527.000, e em 1890 1.200.000 imigrantes. Essa mão-de-obra era aproveitada no assalariamento ou empreitada, e em alguns casos se coadunava com o trabalho escravo. Em detrimento desse aumento de imigrantes (maioria europeus), havia um embargo à entrada de imigrantes negros e asiáticos. 

Em São Paulo os negros libertos encontraram mais dificuldades de se inserir de modo igual no seio da sociedade burguesa do que em Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Por outro lado, na década de 40 os imigrantes europeus representavam uma parcela significativa da sociedade brasileira. Essa dificuldade do “liberto” em São Paulo ocorreu devido ao fator econômico da cidade, que foi se “aburguesando” e os imigrantes tinham acesso às melhores oportunidades de trabalho. Até nas atividades mais modestas (engraxar sapatos, vender jornais e verduras) o negro tinha desvantagem. 

O negro que tinha sido vítima do trabalho escravo agora se vê diante da dor da “desigualdade de oportunidades”. Nesta mistura entre modernidade e conservadorismo, a sociedade brasileira optou pela segunda opção. Essa nova ordem da burguesia não amenizou a opressão ao negro. O discurso de modernização, progresso e trabalho livre chega ao Brasil através da boca da elite dominante que pregou-o como uma forma de manter a desigualdade econômica e discriminação social.

P.S. Esse texto foi produzido mediante leitura de outro texto de tema parecido que não trazia o nome de seu autor.

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