21 de outubro de 2010

Elegia

Por Pablo Neruda

Porque eu, clássico de minha araucânia,
castelhano de sílabas,
testemunha do Greco e sua família lacerada,
eu, filho de Apollinaire ou de Petrarca,
e também eu, pássaro de São Basílio,
vivendo entre cúpulas burlescas,
elaborados rábanos, cebolas do horto bizantino,
aparições dos ícones em sua geometria,
eu que sou tu me abraço às heranças e às aquisições celestiais;
eu e tu, os que vivemos no limite do mundo antigo e dos novos mundos
participamos com melancolia na fusão dos eventos que são contrários,
na unidade do tempo que caminha:
A vida é o espaço em movimento.

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