15 de outubro de 2010

Chapeuzinho Vermelho (?)

Por Robert Darnton

Certo dia, a mãe de uma menina mandou que ela levasse um pouco de pão e de leite para sua avó. Quando a menina ia caminhando pela floresta, um lobo aproximou se e perguntou lhe para onde se dirigia.

-Para a casa de vovó ela respondeu.
-Por que caminho você vai, o dos alfinetes ou o das agulhas?
-O das agulhas.

Então o lobo seguiu pelo caminho dos alfinetes e chegou pri¬meiro à casa. Matou a avó, despejou seu sangue numa garrafa e cortou sua carne em fatias, colocando tudo numa travessa. Depois, vestiu sua roupa de dormir e ficou deitado na cama, à espera.

Pam, pam.

-Entre, querida.
-Olá, vovó. Trouxe para a senhora um pouco de pão e de leite.
-Sirva se também de alguma coisa, minha querida. Há carne o vinho na copa. A menina comeu o que lhe era oferecido e, enquanto o fazia, um gatinho disse: "menina perdida! Comer a carne e beber o sangue de sua avó!"

Então, o lobo disse:

-Tire a roupa e deite se na cama comigo.
-Onde ponho meu avental?
-Jogue no fogo. Você não vai precisar mais dele.

Para cada peça de roupa corpete, saia, anágua e meias a menina fazia a mesma pergunta. E, a cada vez, o lobo respondia:

-Jogue no fogo. Você não vai precisar mais dela.

Quando a menina se deitou na cama, disse:

-Ah, vovó! Como você é peluda!
-É para me manter mais aquecida, querida.
-Ah, vovó! Que ombros largos você tem!
-É para carregar melhor a lenha, querida.
-Ah, vovó! Como são compridas as suas unhas!
-É para me coçar melhor, querida.
- Ah, vovó! Que dentes grandes você tem!
- É para comer melhor você, querida.

E ele a devorou.

P.S. Você conhecia essa história de outro modo não é?

DARNTON, Robert. O Grande Massacre de gatos. Pág. 21. São Paulo: Graal, 1996.

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